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1. ŞEKİL BİLGİSİ

1.1. YÜKLEMİN TÜRÜNE GÖRE VE ANLAMINA GÖRE CÜMLELER

1.1.3. Soru Cümlesi

É importante falar da competência funcional e da territorial, porque a Lei 7.347/85 não atentou para a boa doutrina, que as distingue, confundindo esses dois critérios de fixação de competência. Em seu art. 2º, asseverou que “as ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa”.

A redação causa certa dúvida, porque diz que a competência deve ser fixada territorialmente (no local onde ocorrer o dano), mas completa afirmando ser a competência funcional, que, como foi visto, trata-se de competência absoluta, improrrogável, diferente da competência territorial, mencionada no início da redação do artigo.

Essa obscuridade explica-se porque, como foi visto, a disciplina do processo coletivo brasileiro herdou muito da doutrina italiana. A expressão “competência funcional” foi incutida na processualística peninsular por Chiovenda, que, em certo aspecto, relacionava- a à competência territorial. O Direito brasileiro, não observando a sistemática do Processo Civil pátrio, adotou a expressão “competência funcional” para definir um tipo de competência absoluta fixada em razão do território.43

Portanto, o que quis dizer a Lei da Ação Civil Pública foi que o critério de fixação de competência será o territorial, ou seja, a comarca, ou seção judiciária, em que ocorrer o

43 MOREIRA, José Carlos. A expressão “competência funcional” no art. 2º da Lei da Ação Civil Pública.

dano é que será a competente, mas essa competência, embora territorial, será absoluta, improrrogável, diferente da regra geral do Código de Processo Civil, que diz que ser relativa a competência fixada em razão do território (art. 102). Foi nesse sentido que asseverou Mazzilli:

Não nos parece tenha a lei instituído juízos com competência funcional para a defesa de interesses difusos ou coletivos; antes a LACP quis referir-se à competência absoluta, não especificamente funcional; quis apenas afirmar que a competência nessas ações, embora fixada em razão do local do dano, é absoluta, e, portanto, inderrogável e improrrogável por vontade das partes.44

Em se tratando de direitos difusos e coletivos, é comum que o dano se estenda por mais de uma comarca, caracterizando danos de âmbito regional, ou mesmo nacional. Então, quando o dano for de âmbito regional ou nacional, observa-se o art. 93 do Código de Defesa do Consumidor, que se aplica a todos os processos coletivos. 45

Diz o referido artigo:

Art. 93. Ressalvada a competência da Justiça Federal, é competente para a causa a justiça local:

I - no foro do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano, quando de âmbito local; II - no foro da Capital do Estado ou no do Distrito Federal, para os danos de âmbito nacional ou regional, aplicando-se as regras do Código de Processo Civil aos casos de competência concorrente.

Inicialmente, o dispositivo ressalva a competência, aqui sim, funcional da justiça federal (competência “de jurisdição”). Ou seja, ocorrendo alguma das hipóteses do art. 109, I, da Constituição Federal, a ação deverá processar-se no juízo federal respectivo ao do local do dano. Depois, a Lei determina o lugar onde deve ser proposta a ação caso o dano seja local, regional ou nacional.

44 MAZZILLI, Hugo Nigro. Op. cit., p. 242.

45 WATANABE, Kazuo et. al. Op. cit., p. 804. Embora o veto presidencial ao art. 89 do Código de Defesa do Consumidor tenha determinado o contrário, subsiste a extensão, por força do art. 117 do mesmo diploma.

Se o dano for local, aplica-se a regra geral do lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o evento. Ainda que o dano estenda-se a mais de uma comarca, mas não sendo suficiente para caracterizar um dano de âmbito regional, o julgamento da causa competirá ao juiz de uma ou outra comarca, sendo a competência fixada por prevenção.

Hugo Mazzilli e Ada Pellegrini divergem parcialmente quanto ao foro competente para processar e julgar a ação civil pública no caso de dano de âmbito regional ou nacional. Concordam que, no caso de dano regional, a ação poderia ser ajuizada tanto na Capital do Estado quanto no Distrito Federal. Já em se tratando de dano de âmbito nacional, Ada defende que a ação deveria ser ajuizada no Distrito Federal, para maior possibilidade de defesa e melhor acesso à justiça. No entanto, reconhece o posicionamento da jurisprudência em sentido contrário. A processualista alerta ainda que foi tal posicionamento jurisprudencial que provocou a edição da Medida Provisória 1.570/97, convertida na Lei 9.494/97, que tentou restringir os efeitos da coisa julgada na ação civil pública aos limites da competência territorial do órgão prolator, restrição esta que é tema principal do presente estudo.46

Já Mazzilli opina no mesmo sentido em que vêm decidindo os tribunais, entendendo que, em se tratando de danos de âmbito nacional, a competência é concorrente, podendo a ação coletiva ser ajuizada tanto nas capitais dos Estados como no Distrito Federal.47

Em suma, competência para processar e julgar a ação civil pública é fixada, territorialmente, pelo lugar onde ocorreu ou deva ocorrer o dano que deu ensejo a ela. Se o dano for de âmbito regional ou nacional, competente será o juízo das capitais dos Estados ou do Distrito Federal, concorrentemente.

Esses pressupostos sobre a competência são importantes, porque o dispositivo que é objeto de estudo no presente trabalho (art. 16 da Lei 7.347/85, alterado pela Lei 9.494/97)

46 WATANABE, Kazuo et. al. Op. cit., p. 809. 47 MAZZILLI, Hugo Nigro. Op. cit., p. 252-253.

quis restringir a força da coisa julgada erga omnes na ação civil pública aos limites territoriais da competência do órgão prolator. A Lei 9.494/97 quis, por exemplo, que uma ação julgada por um juiz estadual da comarca de Fortaleza (capital do Estado), embora relativa a um dano de âmbito nacional, fizesse coisa julgada só nos limites territoriais da competência do juiz, ou seja, só na comarca de Fortaleza, o que acabaria esvaziando o instituto da ação civil pública, uma vez que seus efeitos pouco difeririam das ações individuais. Além disso, não se atentou para distinguir a eficácia da sentença da autoridade da coisa julgada, temas distintos, embora muito próximos, e aproveitou-se para confundir ambos com a questão da competência.

Na lição de Nelson e Rosa Nery,

[...] Confundiram-se os limites subjetivos da coisa julgada erga omnes, isto é, quem são as pessoas atingidas pela autoridade da coisa julgada, com jurisdição e competência, que nada têm a ver com o tema. Pessoa divorciada em São Paulo é divorciada no Rio de Janeiro. Não se trata de discutir se os limites territoriais do juiz de São Paulo podem ou não ultrapassar seu território, mas quem são as pessoas atingidas pela sentença paulista. O equívoco da MedProv 1570/97 demonstra que quem a redigiu não tem noção, mínima que seja, do sistema processual das ações coletivas.48

É esse tema da coisa julgada em demandas coletivas e, mais especificamente, da limitação imposta pela Medida Provisória 1.570/97, convertida na Lei 9.494/97, que será abordado no próximo tópico.

4 COISA JULGADA NA AÇÃO CIVIL PÚBLICA

Antes de entrar na questão específica da coisa julgada na ação civil pública, é necessário que se façam algumas considerações sobre a coisa julgada, suas características e efeitos. A partir de então, será abordada a coisa julgada nas ações coletivas e, por fim, o tema

48 NERY JÚNIOR, Nelson e NERY, Rosa Maria Andrade. Código de Processo Civil Comentado e Legislação

central: a limitação territorial imposta à coisa julgada na ação coletiva pela Lei 9.494/97, que modificou o art. 16 da Lei da Ação Civil Pública.