Selecionar uma direção para a ação AVALIAÇÃO Estudar as consequências de uma ação Desenvolvimento de uma Infra-estrutura para o Sistema social
Fonte: SUSMAN & EVERED (1978),p.588
Fonte: Adaptado de SUSMAN e EVERED (1978) FIGURA 5.2 – O processo cíclico da pesquisa-ação
Constata-se que este processo gira em uma espiral, buscando continuamente o aprimoramento, estabelecendo na organização uma forma de gestão, onde a equipe de trabalho, instruída pelo pesquisador, atua conjuntamente com os demais funcionários e gerências envolvidos. COUGHLAN e COGHLAN (2002) preceituam que tal estratégia abrange a ação prática para a criação do conhecimento, enriquecendo os fundamentos teóricos.
A pesquisa-ação não exige na sua execução um roteiro invariável a ser seguido, mas tendo sim um ponto inicial, denominado fase exploratória e um ponto final, dito divulgação dos resultados alcançados. Entre estes dois pontos demarcatórios, pode-se optar por uma série de caminhos, à luz das condições apresentadas (THIOLLENT, 1983).
THIOLLENT (1997) descreve um roteiro a ser utilizado pelas organizações, constituído por quatro fases. Na etapa exploratória é realiza uma pesquisa de campo e elaborado um diagnóstico da atual situação para a identificação dos problemas a serem tratados. A equipe de trabalho faz uma revisão bibliográfica e seleciona conceitos. Em seguida os dados são adequadamente coletados, analisados e ações são propostas e implementadas.
THIOLLENT (2005) afirma que na pesquisa-ação não há a formulação de hipóteses e a respectiva rejeição ou não rejeição, mas são estabelecidas proposições ou diretrizes. Uma vez constatados os resultados, estes são divulgados. Se necessário são implementadas correções e redirecionamentos com vistas a sedimentar o conhecimento produzido.
Identificada a eficácia das ações implementadas no projeto piloto, a organização pesquisada poderá então estender e adotar o conhecimento gerado para outras áreas e processos que apresentarem demandas, sem precisar da atuação do pesquisador.
Assim é que a estratégia de pesquisa-ação foi adotada no processo de intervenção conduzido na empresa, pois, conforme constatação de SUSMAN e EVERED (1978) orienta de forma mais efetiva para a investigação nas organizações, sob a avaliação de critérios filosóficos diferentes daqueles da ciência positivista, sendo seus méritos científicos legítimos.
5.5 – A INTERVENÇÃO NA EMPRESA
Nesta seção são apresentadas de forma sucinta as atividades desenvolvidas pelas equipes multifuncionais que conduziram os dois projetos pilotos na organização estudada. A pesquisa foi feita em uma empresa brasileira do setor têxtil, num primeiro momento, em um projeto piloto, conduzido na área estratégica de negócio Vestuário (sportswear), com a aplicação da Gestão de Portfólio para selecionar projetos de desenvolvimento de novos produtos e alocação de recursos, voltado, portanto, para o foco estratégico da Gestão de Desenvolvimento de Produtos (CHENG, 2000).
A pesquisa contemplou ainda o desenvolvimento de um segundo projeto piloto com a aplicação do método QFD, focando o nível operacional do SDP, no desenvolvimento de um produto para aplicação específica de um grande cliente da área estratégica de negócio voltada para roupas profissionais (workwear). A ênfase foi na obtenção e estabelecimento das especificações para o projeto e processo de produção, seleção de matéria-prima, qualificação dos operadores e alcance do custo objetivado. Foi identificado o modelo conceitual e criadas e preenchidas as tabelas e matrizes, conforme preconizado por CHENG
et al. (1995).
Uma vez parametrizadas tais tabelas e matrizes, foi planejado e realizado um experimento no processo produtivo. Os resultados obtidos foram analisados e relatados. As dimensões de desdobramento consideradas foram Qualidade e Custo, cujas informações foram transmitidas para as áreas envolvidas na produção, após passagem de produção do lote piloto (scale-up) para produção efetiva, em grandes volumes (ramp-up), através do sistema de padrões, conforme CHENG e MELO FILHO (2006). Para tanto foram constituídas duas equipes multifuncionais, uma coordenada pelo aluno pesquisador e outra pelo gerente da área de negócio Vestuário, tendo como patrocinadores os diretores comercial e industrial da
empresa, e como membros efetivos representantes das áreas funcionais envolvidas (Marketing, Vendas, Engenharia, Produção, Controladoria, Finanças e Logística). A organização das equipes seguiu a forma similar ao modelo denominado por CLARK e WHEELWRIGHT (1993) como estrutura peso-pesado, onde o líder teve a total responsabilidade pelo projeto, definindo e alocando os recursos necessários. A equipe trabalhou nos dois projetos por um período de 18 meses. O início do segundo projeto ocorreu antes mesmo do término do primeiro, quando as equipes desenvolveram atividades simultâneas, exigindo de certos participantes maior tempo de dedicação, fato este que contou com a aprovação e incentivo da diretoria da empresa.
A empresa forneceu todas as informações necessárias e liberou recursos, inclusive de máquinas, equipamentos, matéria-prima e pessoal para a correta aplicação dos dois métodos. As reuniões de deliberação ocorreram a cada semana, mediante cronograma previamente estabelecido e as tarefas intermediárias foram executas pelos responsáveis nomeados pela coordenação dos projetos. As ações e respectivos resultados foram anotados em um diário de bordo, que fora adotado como forma de preservar a memória e registrar as ocorrências relevantes para posteriores recuperação e análise. Os meios de armazenamento dessas informações foram planilha eletrônica e processador de texto.
5.6 – SÍNTESE CONCLUSIVA
O quinto capítulo que se encerra, descreveu ainda que de forma sucinta, os fundamentos básicos de metodologia de pesquisa, sobretudo da estratégia adotada na pesquisa realizada, que foi a pesquisa-ação, tida como mais apropriada para o caráter científico e de aplicação prática propostos pelo aluno pesquisador, com vistas a deixar contribuição tanto para a empresa quanto para a ciência.
A pesquisa-ação preconizada por SUSMAN e EVERED (1978) como estratégia adequada para a condução de um processo investigativo em organizações, cujos critérios filosóficos diferentes daqueles da ciência positivista, tem méritos científicos legitimados, foi a norteadora de duas intervenções no SDP da empresa pesquisada. As intervenções tiveram o objetivo de aplicar na GDP os métodos de Gestão de Portfólio e QFD nos níveis estratégico e operacional, respectivamente.
A atuação do pesquisador orientando as equipes que conduziram os projetos foi facilitada pela condição de ser responsável na empresa pela área funcional pesquisada, conhecendo, portanto as culturas e valores existentes na empresa. A interação entre o pesquisador e as
pessoas envolvidas, transcorreu de forma objetiva na obtenção das informações, disponibilização de recursos, nas decisões tomadas e intervenções para direcionamento dos trabalhos.
Os dados e informações relevantes, levantados durante as intervenções, foram registrados em atas de reuniões, relatórios técnicos, planilhas eletrônicas, processador de texto e gráficos e o tratamento estatístico foi realizado com o auxílio do software estatístico Minitab. A análise dos dados foi feita mediante avaliação do diário de bordo elaborado durante o transcorrer da pesquisa. Os conhecimentos teóricos e práticos gerados foram repassados, pelas equipes multifuncionais que desenvolveram os dois projetos, para todos os envolvidos na organização.