A fé é um item principal para a existência do diálogo, um ingrediente que se encontra no interior do homem, em sua capacidade de dialogar. Aliás, ela vem antes do diálogo: a fé nos homens do acreditar que é possível, de ver no outro, a si mesmo, como uma possibilida- de de construir o conhecimento.
Sung afirma que:
“Se Deus se deixa conhecer pelo ser humano, esse conhecimento irá tornar o ser humano melhor e esse processo de se tornar melhor não po- de ser um simples acúmulo de mais informações que não modifica a sua pessoa, mas sim um caminhar onde o ser humano é o sujeito do seu processo de humanização”. (2006, p. 146)
Ao dizer isso, o autor apresenta um olhar de observador do cotidiano da vida, do homem comum, onde: “Se uma das finalidades da revelação de Deus é mostrar o verdadeiro sentido da vida humana, o sentido da vida humana é se humanizar; e o caminho religioso- espiritual é o caminho pedagógico da aprendizagem desse processo”. (2006, p. 146)
Embora Freire não seja teólogo, ele afirma que a teologia é importante no desenvol- vimento da humanização, cabendo a ela ter como seu ponto de partida, a antropologia. Ele diz:
“Tem que estar associada à ação cultural para a libertação, através da qual os homens substituem sua concepção ingênua de Deus, como um mito alienante por um conceito novo: Deus como uma presença históri- ca, que não impede de forma alguma, que o homem faça a história de sua libertação”. (1979, p. 91)
Quando o homem se torna inativo e pressupõe que Deus cuidará de tudo, Freire diz que:
“Uma teologia em que a esperança fosse uma espera sem busca, seria profundamente alienante porque estaria considerando o homem como alguém que tenha renunciado à sua práxis no mundo [...] Esta espera nos leva à acomodação, ao “status quo” e encerra um equívoco fatal: a dicotomia absurda entre mundanidade e transcendência.
Desta forma, me faço cúmplice da injustiça, de desamor, da exploração dos homens no mundo e nego o próprio ato de amor com que Deus Ab- soluto limita-se a si mesmo (e somente Ele poderia limitar a Si Próprio) ao valorizar os homens ainda que limitados, inconclusos, inacabados, como seres de decisão, co-participantes de Sua obra criadora. (idem) Ao ser criado por Deus Absoluto, o homem faz da práxis a realização do desejo des- te.
Desnecessário é dizer que o diálogo só é possível diante da união de homens que tenham a mesma proposta ou que partilhem da mesma ideia. Freire diz ser o diálogo “uma exigência existencial” por ser capaz de tornar possível a mudança, a modificação a partir da interação com propósitos definidos. Propósitos estes que surgem com a compreensão da importância da interação entre os seres. Freire chama de “ato de criação”, cujo objetivo maior é a “conquista do mundo para a libertação dos homens”.
O elemento fundante para a existência real do diálogo é o amor – ao mundo e aos ho- mens. A existência do diálogo só é possível se houver a presença do amor frente aos opri- midos: o envolvimento em sua causa, o compromisso com sua liberdade. Com amor pelo mundo, a vida, os homens, é possível dialogar, acrescido da humildade, como fator diferen- cial para a comunicação.
Freire diz:
“Se alguém não é capaz de sentir-se e saber-se tão homem quanto os ou- tros, é que lhe falta ainda muito que caminhar, para chegar ao lugar de encontro com eles. Neste lugar de encontro, não há ignorantes absolu- tos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão, buscam saber mais.” (1983, p. 95)
Ao termos o diálogo fundamentado nos sentimentos descritos acima, temos como re- sultado a confiança mútua, algo inexistente na educação bancária. Qualquer manifestação de
sentimento onde não haja a verdade pode se tornar passaporte para a antidialogicidade, pos- to que a confiança gerada não é real, mas sim fruto de uma superficialidade.
Por não estabelecer uma coincidência entre o pensamento e a ação, não gera confian- ça, portanto não gera esperança, e esta é outro ingrediente muito importante para o diálogo. O homem histórico foi construído a partir de opiniões divergentes, vendo-nos diferentes, elementos prioritários para sua própria formação.
O diálogo é gerado a partir do pensamento crítico, que gera o diálogo, que gera comu- nicação, que gera o pensamento crítico, que se transforma em verdadeira educação que gera a comunicação. A verdadeira educação deve ser construída reconhecendo o seu destino e a importância deste estar incluso nesta construção. O diálogo deve permanecer em constante construção e levar os participantes à reconhecer a importância deste, como fonte incansável de conhecimento.
A dicotomia que se apresenta diante das duas formas de educação, bancária e problema- tizadora, fornece um quadro bastante significativo e interessante, em que, quando se agrega um parecer sobre o pensamento do líder religioso Meishu-Sama, percebe-se um distanciamen- to:
Educação bancária Educação problematizadora Educação proposta por M.Sama
Oculta razões Revela razões Justifica a realidade, a partir da crença no mundo espiritu- al
Mistifica a realidade Desmistifica a realidade Revela a realidade do ponto de vista da crença na cultura espiritualista
Nega o diálogo Dialoga Dialoga e mostra a religião
como um processo pedagógi- co
Assistencializa Criticiza Criticiza e orienta, a partir da espiritualidade
Inibe a criatividade Libera a criatividade Libera a criatividade
Domina Liberta Orienta o caminho do meio,
do equilíbrio
Nega a vocação Estimula a reflexão e ação Estimula a reflexão e ação Ontológica e histórica de
humanizar-se
Verdadeira Verdadeira, a partir da espiri- tualidade
Fixismo/reacionária Futuridade/revolucionária Futuridade/revolucionária, a partir da idéia da existência
de um mundo espiritual
Imersão Emersão Emersão, a partir da espiritu-
alidade
* dialoga, onde rompe com a educação que chama de materialista e reformula a importância da educação consubstanciada na existência da espiritualidade, como menciona:
Freire constrói a reflexão do comum em seus textos, constantemente, alterando-o de maneira a fornecer ao leitor a consciência da importância do tempo. Este é fator crucial na reflexão de ideias, sobretudo quanto ao momento dos acontecimentos.
Ao buscar em teorias diferentes novas formas de prática, Freire dá ciência que o en- trelaçamento entre culturas é o grande poder capaz de transformação. A cultura é a mola propulsora da renovação do diálogo que propicia as condições necessárias de mudança para a inclusão.
A produção de conhecimento se faz quando está aliada a ela, a prática. Não a prática repetitiva, mas novas formas inter-relacionadas com a teoria, reunidas, à medida que se bus- ca quebrar paradigmas presentes no cotidiano.
Para Meishu-Sama:
“É de pouca utilidade colocar em prática a teoria que nos foi legada a- través da instrução e de biografias e leituras referentes aos exemplos de grandes personagens. A teoria bem formada merece admiração, mas to- dos sabem, por experiência própria, que é difícil pô-la em prática”. (2000, p. 25)
Ao fazer esta afirmação mostra que existe dificuldade em praticar o que é teoria, mesmo sendo bem formulada. O que parece real é que na tentativa de colocar em prática tal teoria, quando se reconhece o outro por intermédio do diálogo, tornam-se possíveis a apro- ximação e a interação, surgindo novas proposituras. Ele também afirma:
“É preciso que surja uma religião universal, que englobe o mundo intei- ro. Deverá ter as características de uma Ultra-Religião, ser tão grandio- sa que toda a humanidade possa crer nela incondicionalmente. Não que- ro dizer que essa religião seja a Igreja Messiânica Mundial, mas a mis- são de nossa igreja é ensinar o meio que possibilitará a realização do Mundo Ideal, ou seja, mostrar como elaborar o plano, o projeto para a construção desse mundo”. (2000, p. 31)
Do ponto de vista dessa responsabilidade que cabe à Igreja Messiânica, Meishu- Sama afirma que a missão da religião é educar o homem com a finalidade de torná-lo mode- lo para a sociedade.
Temas como religião e educação são vistos hoje como distintos, cada um com um papel definido, a ser desenvolvido. A pesquisa apresentada teve como tema levantar possí- veis aproximações e distanciamentos entre ambos os campos, equacionando ora um, ora outro, dentro de seus respectivos momentos.
A referência que serviu como escopo para esta teve como foco principal a obra do religioso Meishu-Sama, fundador da Igreja Messiânica Mundial, e como coadjuvante, o maior dos educadores brasileiros, Paulo Freire.
No capítulo I, eu começo por dizer que na segunda metade do século XIX, no Japão, surgem dois fenômenos: a introdução do pensamento ocidental e um processo de ocidentali- zação (novas ideias diferentes à cultura local).
Nesse período, nasce Mokiti Okada, que mais tarde assume o nome religioso de Meishu-Sama, em uma cidade à beira do rio Sumida, importante veículo de acesso ao co- mércio, chamada Assakussa.
Na época o poder pertencia ao Xogum Tokugawa, que liderou o país por quinze ge- rações, cerca de trezentos anos. A figura do imperador era simbólica, sendo considerado o sucessor na linhagem divina. Com o progresso do comércio e as novidades que ele trazia, surge uma nova elite: a classe de comerciantes, que também começa a lutar pelo poder. A economia da época ainda se baseava na agricultura, tendo o arroz como referencia para me- dir riquezas.
A vida para o povo era muito difícil em termos de religião e o progresso introduz também culturas e religiões diferentes, como o cristianismo e o protestantismo, que chamam a atenção do governo, fazendo com que surja uma resposta contrária. Os estrangeiros são expulsos juntamente com os comerciantes e é abominado o cristianismo. O confucionismo se fortalece por conta dos preceitos de obediência e o budismo também.
Com a queda do governo Tokugawa, assume o governo Meiiji que inicia um proces- so de ocidentalização, implantando a industrialização em todo país, por pressão de países como o EUA. A ideia é recuperar o tempo e levar Edo (Tóquio) a se tornar uma cidade pa- recida com as europeias e americanas. Surgem novos movimentos religiosos nesse período levando o país a uma nova fase nos mais diversos campos de atividade.
A diferença entre as classes sociais eram extremas, levando o povo, que em principio foi a favor da derrubada do governo feudal, a se revoltar, e começam a surgir diversas mani- festações por todo o país. Além disso, duas correntes se formam: aqueles que eram a favor da ocidentalização e os mantenedores da tradição.
Nasce o fundador Meishu-Sama em 23 de dezembro de 1882, em Hashiba, Assakus- sa. Caçula, de família pobre composta de cinco pessoas, morava em uma casa de dois cô- modos. Em um deles funcionava a loja de objetos usados e toda noite seu pai levava uma carroça com os objetos para vender em um parque próximo. Dali vinha a sobrevivência da família.
O pai sempre se preocupou com a saúde frágil de Okada. Com seis anos, este in- gressa na escola primária, e no final do curso primário a família já se encontra em situação melhor. Começa o curso ginasial e ingressa no curso preparatório da Escola de Belas Artes, seu sonho. Na nova escola, no curto tempo tudo ia bem, até surgir problemas na vista. Pre- cisou abandonar o curso e foi um período de grande sofrimento: problema na visão e pleu- risia, inclusive sendo internado por conta desta ultima. Recuperado, durante um tempo fica bem e surge a tuberculose.
Nessa época, desenganado pelo médico, descobre um método para sua recuperação através da alimentação.
Com a maioridade, decide dedicar-se a arte de maki-ê (pintura em laca) e sonha abrir uma loja com seu pai. Aprofunda suas pesquisas em leituras e encontra em Bergson e James uma proximidade com seus pensamentos.
O pai morre, ele compra uma loja de miudezas com o apoio da mãe e suas obras fa- zem sucesso. Acidentado no dedo, não pode continuar com a arte. Com o progresso da loja, ele muda para um espaço maior, casa-se e progride muito.
Morre sua mãe e ele ainda com saúde frágil, adquire diversas doenças. Recuperado e cada vez mais próspero nos negócios, sempre busca se atualizar. No período da I Guerra Mundial, ateu, vê sua vida desmoronar, perde sua família, esposa e três filhos. Casa-se no- vamente e inicia uma busca para respostas a seu sofrimento.
Em 1920, filia-se a religião Oomoto e afasta-se desta pouco depois, a partir do aci- dente com seu sobrinho. Retorna após três anos, em busca de conhecer mais sobre o mundo espiritual. Começam as perseguições religiosas, ele deixa a direção da loja e passa a dedi- car-se às pesquisas religiosas.
Em 15 de junho de 1931, recebe a revelação divina, se afasta da religião Oomoto e começa os preparativos para fundar o que seria mais tarde a Igreja Messiânica Mundial.
Até a Igreja Messiânica Mundial ter esse formato passou por diversas alterações, di- ante da perseguição que sofreu. Em 04 de fevereiro de 1950 é instituída a religião messiâni- ca.
No capítulo II, vemos que Meishu-Sama não estava preocupado em explicar o que era religião, mas mostrar os motivos que o levaram a fundar uma filosofia de vida que educa o homem a tornar-se próspero, saudável e pacifico.
Ele via a necessidade do pragmatismo na religião como forma para se alcançar a evolução. A combinação de teoria e prática ampliava o universo religioso, trazendo benefí- cios a todos, como ele diz no livro Alicerce do Paraíso.
“O pragmatismo filosófico introduz a Filosofia na vida prática, acentuando neste ponto, o caráter americano. Pretendo fazer o mesmo, com uma diferen- ça: fundir a religião e a vida prática, tornando-as íntimas e inseparáveis”. (2000, p. 413)
Meishu-Sama afirma que quando se limita a religião à salvação do espírito, reduz-se a oportunidade de ter esperança em um futuro melhor e entende ser através da linguagem da educação religiosa, a oportunidade de mostrar ao homem novas perspectivas para a vida.
Ele acentua a importância da saúde como fator fundamental para o desenvolvimento do homem e dá a ela uma dimensão relacional, como o amor. Maturana fala sobre a dinâ- mica fisiológica e emocional (p.49). Ele menciona a arte como veiculo para transformação
do homem e afirma que quando a religião se apodera da verdade, discrimina as outras, colo- cando-as em nível inferior.
Para Meishu-Sama, a missão da verdadeira religião é educar no sentido de levar o progresso e educar o ser humano para a vida. Ele critica a educação de seu tempo por não questionar as razões do que existe, chamando-a de materialista. Quando isso acontece, a educação corre o risco de tornar-se absoluta, tendo o educador a posse do conhecimento.
Ele chama de escola tradicional aquela onde o processo educacional é repetitivo, tor- nando o educando simples depositário de conhecimento. O que Paulo Freire chama de edu- cação bancária.
Para Meishu-Sama, o religioso quando se torna consciente de sua missão através da educação, torna-se modelo para outros, verdadeiro exemplo de saúde, prosperidade e paz.
Ele afirma que o conhecimento construído a partir das experiências dos alunos é a- quele capaz de apresentar resultados mais eficazes. Diz serem necessárias no aprendizado, outras formas de saberes para fazer o educando enxergar o outro.
A educação formal oferece margem ao que Meishu-Sama chama de pseudoverdade (verdade aparente), causada pelo afastamento da verdade. Para ele, cabe à educação tornar o homem modelo e para isso é necessário formá-lo moral, social e integralmente humano.
Ai, diz ser a educação, o meio, para a formação cidadã, o fim.
Meishu-Sama então discute a religião como educação em um processo contínuo para o aperfeiçoamento do ser humano e um autor que ajuda nessa compreensão é Paulo Freire. Este introduz a educação dialógica que realiza a evocação humana da humanização e liber- dade.
O religioso afirma ser necessária uma educação pautada no reconhecimento da exis- tência do mundo desconhecido, para que seja possível enxergar o outro. Em sua opinião, a educação espiritualista torna isso possível, disciplinando o homem em sua conduta.
A educação materialista reduz o ser humano ao aspecto material da vida, não questi- onando o sentido dela. Nesse sentido, a religião pode contribuir com o mundo real, servindo de modelo de reflexão pedagógica.
Meishu-Sama apresenta dois tipos de educação/estudo: vivo e morto. Como estudo vivo, ele justifica a necessidade de se aplicar o conhecimento, do diálogo. E como estudo morto, aquele que não é aplicado ou que se reproduz, ou ainda sem objetivo.
Para o pensador, beneficiar o outro é o caminho para beneficiar-se. Sendo a religião um processo educativo, ela deve gerar fraternidade.
Hoje, temos que o homem não vive mais sem a tecnologia, e, dependente desta, a torna, o outro.
Ele mostra a importância do ser humano viver a fé no seu cotidiano e entende ser a educação, capaz de introduzir a religião como um método de ensino. E diz que pragmatizar conhecimento é, antes de tudo, ser capaz de reconhecer seu próprio limite.
No capítulo III apresentei um pouco de Paulo Reglus Neves Freire, Paulo Freire, nascido em 19 de setembro de 1921 e falecido em 02 de maio de 1997. Freire desenvolveu sua obra baseado em dois princípios: a escolarização e a formação da consciência. De famí- lia de classe média, sofreu muito na infância com a fome e a pobreza, ante a depressão de 1929.
Toda sua vida foi voltada à luta para a educação popular e uma das primeiras e mais marcantes experiências se deu no Rio Grande do Sul, em 1963, quando, em 45 dias, alfabe- tizou 300 adultos através de um método criado por ele.
Na ditadura, sofreu severas perseguições por lutar por direitos iguais aos mais neces- sitados e foi exilado.
Para ele, educar é um ato ético e afirmava ser a ética um instrumento em oposição às injustiças. Ele dizia que o educador deve arranjar um jeito de regar sua esperança todos os dias; como se rega uma delicada planta. A educação para Freire era feita de liberdade, princípios de igualdade, partilhar, envolvimento e principalmente, reconhecimento do outro.
Nesse sentido, Meishu-Sama discute a religião como educação com a finalidade de aperfeiçoamento do ser humano, alterando assim, a ideia de religião. Sendo a religião um processo educativo, ela deve gerar fraternidade, restaurando o estado natural no ser humano.
Para Freire, o homem ao se conscientizar, se liberta e cria uma nova visão de mundo. Para ele, o caminho se faz, caminhando, acumulando experiências.
Freire apresenta a tarefa humanista de humanizar e libertar opressores e oprimidos que começa por identificar o opressor hospedado no oprimido. Isso dá inicio à consciência da humanização.
Para ele, o medo da liberdade apresenta dois aspectos: no oprimido, se apresenta como o risco de se tornar opressor frente à liberdade, e no opressor, como a possibilidade de perder esta. Ao conquistar a liberdade, o ser humano se capacita a Ser Mais.
Para o opressor, o ter é condição para ser. Quanto mais o opressor vê o oprimido querendo Ser Mais, mais tenta controlá-lo, coisificando-o e dominando seus objetivos.
Para Freire, o oprimido busca sua liberdade a partir da conscientização da vontade de mudar através da práxis. O homem é capaz de modificar o mundo que habita. Isso se dá através da práxis.
A educação repetitiva que Freire chama de bancária é transmitida daquele que detém o conhecimento para aquele que não o tem; que é o depositário do conhecimento.
Para Freire, humanizar-se, dominante e dominado é o perfil da educação dialógica, que chama de problematizadora. Isso acontece quando ele busca Ser Mais, ir além, questio- nar. Para o educador, só a palavra verdadeira é capaz de transformar o mundo.
Para Meishu-Sama, o ato de aprender sem objetivo, sem colocar em prática o conhe- cimento, ele chama de estudo morto. E aprender com a finalidade de beneficiar a sociedade, ele chama de estudo vivo.
O que Meishu-Sama chama de estudo morto e estudo vivo, Paulo Freire denomina educação bancária e educação problematizadora.
Para Paulo Freire, dentro da dinâmica do eixo ensinar-aprender através do diálogo, a finalidade é beneficiar a sociedade. Para Meishu-Sama, ensinar dentro da compreensão da existência do mundo espiritual é apoiar o processo de orientação do ser, educando com base nos seus ensinamentos.
Resgatar a educação do caminho que ela vem percorrendo e torná-la humana é uma proposta que aproxima os pensamentos de Meishu-Sama e Paulo Freire. A fé é um item principal para a existência do diálogo, vindo antes dele, pois é importante acreditar que é possível ver no outro, a si mesmo, como uma possibilidade de construir o conhecimento.