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Com o objetivo de conhecer as possíveis relações entre satisfação com o trabalho, estresse e burnout, Farber (1984) realizou uma pesquisa com 365 professores de escolas públicas do subúrbio de New York, EUA. Os resultados dessa investigação revelaram que a maioria dos professores que foram inquiridos não diminuiu sua participação no trabalho e que ainda estava comprometida com o ensino. Entretanto, numa frequência entre 20 e 25%, esses docentes apresentaram-se vulneráveis ao burnout, sendo que 10 a 15% já apresentavam os sintomas que caracterizam essa síndrome.

Friedman e Farber (1992) investigaram, em uma amostra de 641 docentes de 40 escolas de ensino fundamental em Israel, a relação entre o burnout e as diversas maneiras como os professores se consideram profissionalmente. Os autores buscavam também apreender o sentimento desses profissionais em relação ao reconhecimento dos outros. Embora a amostra considerada seja originária de um único país, observaram que

muitas características do grupo de professores são tipicamente encontradas entre os professores dos EUA.

Os resultados desse estudo revelaram a presença de duas atitudes comuns entre os professores: eles têm necessidade de se sentirem satisfeitos com seu trabalho para evitar o burnout e consideram que a tarefa de educar torna-se mais difícil quando não há o reconhecimento de sua complexidade e responsabilidades ou quando não é admitida a existência de tensões desencadeadas nas relações com pais, alunos, direção e a sociedade em geral. Os autores destacam que, para a maioria dos sujeitos da pesquisa, o ensino ainda é mais satisfatório do que estressante e que, apenas uma minoria informou que gostaria de deixar a profissão. Ressaltam também que esses padrões podem ser consistentes em todas as sociedades ocidentais.

Gomes, R.A. et al (2006) realizaram uma investigação sobre o estresse, burnout, saúde física e satisfação profissional com 127 professores de uma escola secundária do Distrito do Porto, em Portugal. Os resultados revelaram que mais de 30% apresentavam estresse ocupacional e uma porcentagem considerável desses profissionais apresentavam sintomas de burnout, ou seja, 14% evidenciavam problemas de exaustão emocional, 17,95% apresentaram sintomas de despersonalização e 6% apresentaram baixos índices de realização pessoal. Conforme os autores, a combinação simultânea dos três fatores indica uma porcentagem média de 13% de professores que parece encontrarem-se em situação de burnout.

Moreno (2002) e colaboradores realizaram um estudo com 63 professores de primeiro grau e de educação especial de escolas públicas e privadas, de Madri, com o principal objetivo de verificar a validade do Questionário de Burnout para Professores – Revisado (CBP–R) como instrumento facilitador da compreensão dos aspectos característicos da organização escolar e das atividades de ensino que podem interferir na eclosão da síndrome, quando comparado ao Maslach Burnout Inventory – Educators Survey (MBI-Ed)18. Os resultados obtidos atestaram a validade do CBP–R e revelaram que o estresse decorrente do papel do professor, as preocupações profissionais relacionadas à falta de segurança no emprego e os conflitos com a administração foram os fatores que explicaram o burnout dos sujeitos da amostra. Conforme Moreno (2002),

18 O MBI-Ed (Maslach & Jackson, 1981/1986) e o CBP-R (Moreno, Oliver & Aragoneses, 1993) são instrumentos

utilizados para avaliação da síndrome de burnout em professores. O MBI-Ed tem sido a principal referência no estudo desse tema, mas conforme Jimenez (2002), o CBP-R permite analisar as diferentes fases do processo, os seus fatores desencadeantes e explica melhor a sua sintomatologia.

o burnout não aparece de forma brusca, mas decorre de um processo contínuo que tem como antecedentes importantes os fatores oriundos do próprio contexto ocupacional e da organização escolar, tais como a relação com os alunos, o tipo de jornada de trabalho, a sobrecarga de trabalho referente ao número de horas de dedicação e a proporção aluno/professor em sala de aula, o sistema de horários, a insuficiência de pessoal, o clima organizacional, a sua relação com as demandas da administração, entre outros.

Entre as pesquisas realizadas em Minas Gerais sobre saúde mental e o trabalho em docência, ressaltamos uma investigação epidemiológica realizada por Gasparini (2005) com o objetivo de estimar a prevalência de transtornos mentais em professores da rede municipal de ensino de Belo Horizonte e sua associação com fatores relacionados ao trabalho docente. Os resultados evidenciaram que os transtornos mentais ocupam o primeiro lugar entre os diagnósticos que resultam em afastamentos das atividades laborais. Também foram encontradas relações significativas entre os transtornos psíquicos e as experiências de violência na escola, as condições de estrutura física da instituição escolar e alguns aspectos relativos à organização do trabalho docente, tais como a pequena autonomia do professor frente às prescrições da tarefa. O desenvolvimento de estudos qualitativos aprofundando esses resultados parece-nos essencial para sua compreensão.

Outra investigação que também nos despertou interesse é a recente pesquisa realizada pelo Sindicato do Professores do Estado de Minas Gerais (SINPRO–MG, 2009) mapeando as condições de saúde e trabalho da rede privada de ensino no Estado, com o objetivo de caracterizar o perfil socioeconômico e demográfico dos docentes, de conhecer o ambiente e as relações de trabalho, bem como os principais agravos à saúde física e mental desses profissionais. Seus resultados revelaram um elevado percentual (92,84%) de professores que afirmaram sofrer de cansaço físico e mental. Uma etapa qualitativa a partir desses números também nos parece imprescindível para que eles possam ser interpretados.

Diniz (1997) realizou um estudo visando conhecer como se processa a articulação saúde-trabalho no campo da docência. Também buscou compreender o lugar ocupado pelos transtornos mentais entre professores que manifestavam insatisfação com seu

trabalho. Essa autora tentou verificar se os desvios de função19 seriam soluções satisfatórias para que os docentes conseguissem suportar o mal-estar vivido no seu trabalho. Desse modo, acompanhou 14 professoras (apenas do sexo feminino) de escolas municipais de Belo Horizonte, que já se encontravam em desvio de função, observando que, aqueles casos em que os problemas persistiram após o desvio de função (11 casos), superaram os que obtiveram um resultado satisfatório (quatro casos) com essa medida. Diniz (1997) concluiu, então, que os problemas que se apresentam às docentes, muitas vezes extrapolam a sala de aula, ou seja, não são as dificuldades advindas do contato com os alunos, as principais causas dos transtornos mentais das professoras.

A autora afirma também não ser possível dissociar os projetos de vida do professor de sua atividade profissional, pois essas dimensões se encontram entrelaçadas. Desse modo, não se pode apostar no desvio de função como uma solução simples e eficaz para resolver os problemas relacionados ao adoecimento mental do professor, pois essa medida funciona apenas como uma tentativa de readaptação, quando as relações do professor com o seu próprio trabalho não são interrogadas.

Essa autora considera o magistério como um campo amplo de possibilidades, sendo necessária uma abordagem da angústia e das dúvidas do sujeito, a partir de sua singularidade. Somente assim é possível estabelecer o espaço da saúde e não da institucionalização da doença. Segundo ela, “faz-se necessário pensar na possibilidade que cada mulher professora tem de inventar sua saúde no processo de trabalho pedagógico, na sua relação com o aluno e porque não, em sua vida.” (DINIZ, 1997, p. 186)

Outro estudo que merece ser mencionado aqui foi realizado por Paschoalino (2009) no qual foi possível identificar evidências da sensação de mal-estar que permeia as relações de trabalho do professor nos dias atuais. A autora privilegiou o método do estudo de caso para realizar sua investigação numa escola localizada em Belo Horizonte, considerada no passado, como uma escola modelo, tanto pelas famílias dos alunos como pelos profissionais que ali exerciam suas atividades.

19 Desvio de função é um dispositivo usado no Departamento e Segurança e Medicina do Trabalho (DSMT) da Rede

Municipal de Ensino, recomendado pelo médico quando o servidor apresenta problemas de saúde em determinada função, de forma persistente e sucessiva. Os professores em desvio de função, nesse caso, eram aqueles que por recomendação médica deveriam ser remanejados para realizar outras tarefas onde não fosse necessário o contato direto com crianças, tais como funções administrativas na secretaria ou bibliotecas.

Após a adoção dos princípios da Escola Plural20, esse estabelecimento de ensino sofreu forte impacto tanto nas ações que diziam respeito à sua atividade fim, que era a educação no ensino médio, quanto nas relações de trabalho entre os professores.

A autora focalizou o referido mal-estar como um conjunto de sentimentos sobre a profissão resultantes das condições de trabalho desconfortáveis com as quais o professor se depara: as condições objetivas em que se exerce a docência, a violência nas instituições escolares, o esgotamento do professor diante das exigências de seu trabalho e a modificação do papel do professor na sociedade. Essa pesquisa revelou outros fatores que também podem estar relacionados às dificuldades pelas quais passam os docentes no exercício de sua atividade profissional, especialmente aqueles que dizem respeito à mudança da imagem do professor perante a sociedade e diante de si mesmo. A falta de condições materiais não são as únicas responsáveis pelas dificuldades no exercício da docência e a autora nos lembra que, para compreendermos essa atividade, é preciso nos aproximar daquele que a exerce, ou seja, o professor.

Paschoalino (2009) ressalta as diversas mudanças pelas quais o trabalho docente vem passando ao longo dos anos. O professor está inserido numa realidade onde também tem pouco controle sobre o que deve ser ensinado aos alunos e, diante desse quadro, as renormalizações frente às dificuldades tornam-se necessárias, significando mudanças para garantir posições mais confortáveis, mas também implicando escolhas que podem resultar em perdas e limitações à sua autonomia no exercício de sua atividade profissional.

Para ela, a perda do reconhecimento profissional e pessoal do professor pode ser considerada como um importante fator de mal-estar para estes profissionais e enfatiza que a docência, nos dias atuais, tem sido exercida como um trabalho solitário em que o professor se encontra diante de uma tarefa imensa e sem ter com quem compartilhar suas dificuldades. A autora também destaca a síndrome de burnout como um tipo de transtorno mental relacionado às profissões que exigem cuidados para com o outro, tais como os profissionais da área de saúde, policiais, bombeiros, educadores e enfatiza que

20Escola Plural: proposta político-pedagógica da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, baseada no direito

à educação e na construção de uma escola inclusiva, a partir da implantação de novos parâmetros de avaliação, novas estratégias metodológicas e didáticas, da valorização dos saberes do aluno e do professor e de novas formas de se estabelecer relações entre o objeto e os sujeitos do conhecimento. O processo de implantação do Programa da Escola Plural se deu gradativamente no período de 1995 a 1997.

“nenhuma outra profissão se desgasta tão rapidamente como a categoria dos professores.” (PASCHOALINO, 2009, p. 68).

Aranha e Cunha (2009), em posfácio à publicação de Paschoalino (2009) a respeito dessa investigação sobre o trabalho docente, também enfatizam a existência de contradições entre o idealismo da profissão e as condições concretas da realidade presentes no trabalho do professor, ressaltando que as soluções prescritas e previstas por especialistas que não se aproximaram do educador e de seu fazer são pouco eficazes para promover o desenvolvimento e a compreensão da atividade.

Enfim, a partir da revisão bibliográfica que realizamos, identificamos uma prevalência de estudos voltados para o adoecimento do professor, com consequente escassez de pesquisas focalizando experiências bem-sucedidas em educação, que apresentem impactos positivos na saúde desse profissional. Não podemos negar a existência de um mal-estar docente, mas não podemos também ficar indiferentes às experiências de êxito e sucesso no trabalho do professor – que nem sempre encontram a mesma visibilidade quando comparadas aos casos de insatisfação e adoecimento desse profissional. Não desconhecemos as dificuldades concretas que permeiam a educação, mas, em muitas situações, os professores são capazes de se articular e criar coletivamente um projeto que viabiliza seu trabalho. Desse modo, interessa-nos compreender como o professor, mais do que resistir, consegue desenvolver renormalizações de seu fazer e de sua situação profissional, em meio a condições de trabalho sabidamente patogênicas.

Além disso, as experiências bem-sucedidas também informam sobre o adoecimento, pois, conforme Canguilhem (1990, p. 149), “a doença não é uma variação da dimensão da saúde, ela é uma nova dimensão da vida”. Por esse motivo, pareceu-nos pertinente conhecer mais sobre as alternativas de realização do trabalho docente que contribuem para a manutenção da saúde do professor.

Assim, consideramos importante avançar em nossas investigações buscando identificar os possíveis mediadores existentes entre as condições objetivas de exercício da profissão e a subjetividade do professor. Visando a compreensão de como essas dimensões encontram-se entrelaçadas, faremos uma breve reflexão a respeito do trabalho em docência e a sua importância no progresso das gerações.

Capítulo III

3 A Escola EMBRA

A Escola Municipal Brasileira (EMBRA)21 foi fundada em 21 de julho de 1976, iniciando seu funcionamento em 1977. Está localizada no bairro Céu Azul, numa região que pertence à regional Venda Nova, periferia de Belo Horizonte. Sua área construída compreende 17 salas de aula, 1 sala para apresentação de vídeo, laboratório de informática, biblioteca, sala multiuso, almoxarifado administrativo e pedagógico, 2 salas da coordenação, sala de reprografia, sala da direção, secretaria, 6 banheiros, 2 vestiários, 3 quadras, 2 pátios e o teatro de arena.

Como escola municipal, a EMBRA, está subordinada à Secretaria Municipal de Educação (SMED) de Belo Horizonte. A organização administrativa e pedagógica dessa instituição está pautada nos princípios que nortearam a implantação da Escola Plural22 e, em termos financeiros, ela se mantém com as subvenções da Prefeitura de Belo Horizonte e com verba do Governo Federal advinda do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola).

Atualmente, ela possui 1.180 alunos, distribuídos em três turnos: matutino, vespertino e noturno. O turno da manhã trabalha com alunos de 1º e 2º ciclos, o turno da tarde com 2º e 3º ciclos e o noturno com educação de jovens e adultos (EJA) e turma Projeto23 com o objetivo de alfabetização e certificação no ensino fundamental.

A equipe de profissionais da EMBRA é composta de professores regentes, professores coordenadores pedagógicos e de turno, orientadores educacionais, supervisor pedagógico, profissionais da área administrativa (biblioteca e secretaria), bem como os funcionários responsáveis pela manutenção das instalações físicas da escola (copeiras, cozinheiras, vigias, auxiliares de serviços gerais). A administração da escola é realizada por uma diretora, uma vice-diretora e o colegiado com representantes

21 Preferimos omitir o verdadeiro nome da instituição de ensino para preservamos o sigilo das pessoas que ali

trabalham e estudam. Desse modo, optamos por utilizar um nome fictício ao nos referirmos à escola.

22 Essas informações foram obtidas junto à direção e coordenação da escola. Atualmente, a SMED não

mais utiliza a denominação Escola Plural para identificar as diretrizes utilizadas em educação, pois, por sua implantação ter se constituído em um processo dinâmico, as modificações e adequações ao longo do tempo se fizeram necessárias.

dos vários segmentos da instituição. Os professores regentes perfazem um total de 58 profissionais.

Conforme o projeto pedagógico da atual gestão, o plano de trabalho da EMBRA visa construir um modelo educacional com o objetivo de promover a integração do ser humano, tornando possível a sua atuação competente, responsável e digna na sociedade. Para isso, busca uma gestão democrática e participativa, incentivando e valorizando a opinião de todos. Esse objetivo é perseguido pelo grupo de educadores por meio da promoção de reuniões coletivas para monitoramento do processo ensino-aprendizagem, bem como da organização dos tempos dos profissionais visando assegurar momentos para estudo, planejamento, trabalho em equipe e atendimento aos pais e alunos. Esses períodos se constituem em 4 horas semanais de trabalho do professor.

A direção da escola considera importante facilitar a formação dos docentes em um contexto, no qual, novos saberes sejam produzidos em conjunto. A expectativa é por um novo tipo de profissional flexível, dinâmico e criativo. Pretende-se ainda a promoção de discussões com o coletivo de educadores sobre os resultados das avaliações sistêmicas tais como Prova Brasil, Provinha Brasil, Proalfa e Avalia BH24 para, desse modo, garantir a participação dos docentes no planejamento e execução dos gastos das verbas destinadas ao funcionamento da escola.

É oportuno ainda ressaltarmos, aqui, que a EMBRA tem atingido resultados superiores às metas propostas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB)25. Em 2009, a meta a ser alcançada era de 4.5 pontos para os alunos da 4ª série do ensino fundamental, mas o IDEB observado dessa escola foi de 5.3.

Também ressaltamos que a elaboração do regimento interno dessa escola, cujo objetivo era esboçar os contornos de seu projeto pedagógico, mobilizou pais, funcionários, alunos e professores. Para isso, a direção da escola demandou a uma Consultoria em Políticas Públicas, no ano de 2000, o desenvolvimento de uma pesquisa

24A Prova Brasil é um exame a nível nacional para avaliar as habilidades em língua portuguesa e matemática de

estudantes das escolas públicas do ensino fundamental. A Provinha Brasil avalia o nível de alfabetização do 2º ano de escolarização das escolas públicas brasileiras. O PROALFA é o Programa de Avaliação da Alfabetização da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais que tem o objetivo de verificar os níveis de alfabetização alcançados pelos alunos do 3º e 4º anos do ensino fundamental da rede pública. Avalia BH ou Avaliação do Conhecimento Aprendido é um instrumento da Prefeitura de Belo Horizonte utilizado para diagnóstico da Rede Municipal de Educação envolvendo alunos do final do 1º ciclo, todas as etapas do 2º e 3º ciclos e do 2º ao 8º ano do ensino regular noturno.

25O IDEB é um indicador de qualidade educacional que combina informações de desempenho em exames

padronizados, tais como a Prova Brasil, com informações sobre o rendimento escolar baseadas nos índices de aprovação dos estudantes do final das etapas de ensino (4ªs e 8ªs séries do ensino fundamental e 3ª série do ensino médio).

tendo por base a realização de um diagnóstico da escola com o objetivo de apontar os pontos de conflito entre os pressupostos do Projeto Escola Plural, os objetivos explicitados pela comunidade escolar e as práticas efetivamente desenvolvidas. Essa consultoria foi financiada com verba do PDDE após aprovação dos profissionais da escola e membros do Colegiado.

Os principais aspectos apontados como problemáticos pela consultoria foram o desconhecimento e rejeição do sistema de avaliação adotado pela Escola Plural pelos alunos, pais e professores, revelando uma compreensão inadequada ou insuficiente a respeito das suas orientações. Alguns professores verbalizam que, no dia a dia do trabalho docente, o Projeto Escola Plural jamais se concretizou, não passando de prescrições e diretrizes ideais que vieram impostas pelo governo municipal.

O trabalho do professor na EMBRA compreende algumas tarefas específicas que devem estar em conformidade com o regimento interno da escola. O professor é responsável por planejar e ministrar aulas, exercer atividades de coordenação pedagógica, atender às dificuldades de aprendizagem do aluno, participar da avaliação do rendimento escolar, participar de reuniões pedagógicas programadas pelo colegiado ou direção da escola, participar de cursos de aperfeiçoamento programado pela Secretaria Municipal de Educação (SMED), pela administração regional e pela escola, promover a participação e oferecer os esclarecimentos aos pais ou responsáveis pelos alunos sobre processo de aprendizagem, bem como elaborar e executar projetos de pesquisa sobre o ensino da Rede Municipal de Ensino (RME).

Conforme as diretrizes da Escola Plural, o reconhecimento da experiência profissional e do saber do professor adquirido por meio de sua prática diária é fundamental como conteúdo do processo de sua formação. Desse modo, a jornada de trabalho para o cargo de professor municipal deve ser de 22horas e 30 minutos semanais26 de efetivo trabalho escolar. Sendo que 20% de sua jornada semanal devem ser destinadas à realização de atividades coletivas de planejamento e avaliação escolar, de acordo com as regras estabelecidas pela Secretaria Municipal de Educação (SMED).

Esses tempos e espaços devem também ser considerados como efetivo trabalho escolar, pois há que se considerar como educação todo o processo de aprendizagem vivenciado por alunos e professores dentro e fora da escola.

26Sendo 16 de regência, 4 horas destinadas ao planejamento e desenvolvimento de projetos, 2 horas e 30 minutos para

A proporção de 1,5 professores por turma é um critério para definir o quadro de

Benzer Belgeler