3. BULGULAR VE TARTIŞMALAR
3.8 Potansiyel Kaynak Etki Fonksiyon (PSCF) Değerleri
3.8.2 Metal Konsantrasyonları için PSCF Değerleri
O trabalho docente e suas relações com a saúde mental têm despertado interesse e sido objeto de estudo sob diferentes perspectivas. Destacamos então alguns estudos sobre o trabalho do professor que tiveram influência na construção de nossas questões, já que fornecem elementos importantes para a compreensão do nosso tema.
De início, ressaltamos a extensa e abrangente investigação a respeito do trabalho docente em que Codo et al (2002) expõem a realidade de trabalho complexa e, em vários aspectos, inadequada do ponto de vida da saúde do professor. Trata-se de uma pesquisa englobando 52.000 sujeitos e 1.440 escolas de todos os estados brasileiros, sobre as condições de trabalho e saúde mental dos educadores, realizada a partir da parceria entre o laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Nessa investigação, os autores apresentam a escola como uma organização de trabalho prestadora de serviços, pertencente ao setor terciário da economia. A docência caracteriza-se pela relação direta com o cliente, ou seja, os alunos. Desse modo, o produto do trabalho docente vai sendo construído durante a relação professor-aluno e não ao final do processo. Conforme o autor, nesse caso, o nível de exigência e tensão para o trabalhador é muito maior do ponto de vista afetivo. Para desempenhar sua função, o professor tem necessidade de estar bem do ponto de vista físico e psicológico, além disso, deve manter-se sempre atualizado, sob pena de inviabilizar sua atividade. Inserido em uma realidade em que nem sempre as instituições educacionais têm condições de solucionar as demandas que recebem, é ao professor que cabe atender aos imprevistos que ocorrem no dia a dia de seu trabalho.
Codo et al (2002) apresentam o trabalho do professor como sendo uma atividade inalienável, em que não há fragmentação, pois
É ele quem, em última instância, controla seu processo produtivo: em sala de aula, embora tenha que cumprir um programa, possui liberdade de ação para criar, definir ritmos, definir a sequência das atividades a serem realizadas. (CODO et al, p.49).
Esse autor ressalta que é por meio do trabalho que o homem pode deixar as marcas de sua passagem pelo mundo. Modifica a natureza ao gerar o produto de seu trabalho e, por conseguinte, modifica a si mesmo e ao outro, numa relação permeada pela história. (CODO et al, 2002). Na docência, especificamente, o resultado disso é a modificação que o trabalho do professor provoca no aluno – sem intermediações – por meio da aprendizagem.
Codo et al (2002), baseando-se em Marx, explicam que sob o domínio do capitalismo o produto resultante do trabalho não é atribuído ao trabalhador, comparecendo diante dele como um objeto estranho, pertencente ao capital. Desse modo, o controle do processo de produção é expropriado do trabalhador.
Entretanto, no caso da docência, é o professor quem controla todo o processo de trabalho. A prática e o conhecimento sobre sua atividade profissional estão em suas mãos, pois o professor é o detentor das decisões sobre o planejamento e a condução do processo de ensino-aprendizagem em sala de aula. Ainda que se encontre submetido às prescrições e diretrizes externas, os tempos e ritmos de seu trabalho não lhe escapam
completamente, pois essa é a principal condição para que consiga realizar seus objetivos, dado a singularidade de seu produto, ou seja, o outro – seu aluno.
Para Codo et al (2002), o professor é o responsável e o autor de sua obra. E o resultado de seu trabalho será difundido por seus alunos como uma obra que “não se deteriora”, mas se “acrescenta e se enriquece”. Entretanto, qualquer constrangimento à sua autoria, à marca deixada pelo profissional, implica um “assassinato do trabalho”. (CODO et al p. 386).
Apesar de considerar a docência como um “trabalho desalienado” CODO et al (2002, p. 386) nos lembram que ela está inserida num contexto de uma sociedade alienada. Oprimido entre o status de realizar um trabalho completo e a realidade objetiva de uma sociedade que se pauta pela lógica capitalista, o professor encontra-se por vezes impossibilitado de trabalhar com autonomia plena. Desse modo, os autores, a partir de sua investigação, identificaram alguns aspectos próprios da atividade docente que podem levar o professor ao adoecimento psíquico: uma elevada expectativa pelo controle total do processo ensino-aprendizagem, o conflito entre afeto e razão e as dificuldades advindas de uma atividade catalisadora de relações sociais que se exprime na medida em que o trabalho docente está permanentemente entrelaçado a todos os acontecimentos em torno da comunidade escolar. O principal meio de trabalho do professor é a comunicação e, na sociedade “a posição de que fala é a posição da verdade.” (CODO et al, 2002, p. 388). Assim, o seu trabalho vai depender da confiança e do bom relacionamento com os alunos, com suas famílias, com a direção da escola e com seus colegas de profissão.
Para Codo et al (2002, p. 384), o docente é “um profissional mal remunerado, com salário iníquo, injusto e arbitrário, trabalhando muitas vezes em condições ruins, desvalorizado socialmente, com um trabalho penoso em um meio ambiente hostil”. O trabalho do professor nos dias atuais não está entre as ocupações mais compensadoras em termos de remuneração e progressão social. Caracterizado por baixos salários, condições precárias, falta de flexibilidade na administração de recursos, falta de condições básicas para o exercício da profissão, trata-se, no entanto, de um trabalho importante em que o reconhecimento pela sociedade não corresponde ao mesmo nível das exigências impostas aos profissionais. Ao mesmo tempo, esse autor identifica um paradoxo nos resultados de sua pesquisa: foi encontrado também “um profissional apaixonado, dedicado, satisfeito, comprometido.” (CODO et al, p.384).
Desse modo, ele levanta questões sobre quais seriam aqueles que, por opção, abraçariam a carreira docente diante do contexto atual.
Os resultados da pesquisa revelaram que 86% dos professores da amostra considerada mostraram-se satisfeitos com seu trabalho, apesar das dificuldades que enfrentam. Com relação ao comprometimento, mais de 90% dos professores pesquisados revelaram-se comprometidos com seu trabalho, identificam-se com os objetivos da escola e não se arrependem de fazer parte dela. Quase 90% consideram que têm autonomia sobre seu trabalho e sentem-se responsáveis pela qualidade do serviço que oferecem. Mais de 90% acreditam na importância de seu trabalho para a sociedade e isso não tem relação com as condições de infraestrutura de que dispõem para realizá- lo ou mesmo do salário que percebem. Os resultados dessa investigação também indicam que boas relações sociais no ambiente de trabalho favorecem o comprometimento do profissional em docência. Conclui-se então que os professores, apesar de condições desfavoráveis em muitos casos, apresentam-se satisfeitos com seu trabalho.
Entretanto, os resultados desse estudo também denunciam que 48,4% dos educadores apresentam sentimentos de desânimo, apatia e despersonalização, falta de envolvimento com o trabalho, ou seja, sintomas característicos da síndrome de burnout.
Baseando-se nos estudos desenvolvidos por Farber (1991), Codo et al (id.) destacam que o burnout constitui um tipo de adoecimento frequente nas profissões que envolvem o cuidado e a atenção dispensados a outras pessoas, dentre as quais está a docência. Conforme o autor, para que o professor consiga desempenhar seu trabalho de forma a atingir seus objetivos, o estabelecimento do vínculo afetivo em relação a seus alunos é condição primordial. O trabalho do professor depende de que consiga despertar a atenção e o interesse do aluno. Essa conquista, que se traduz na tentativa de trazer o aluno para o seu lado, envolve um enorme investimento de energia afetiva da parte do docente, que será direcionada para a relação que se estabelece entre ele e seu aluno, pois é da criação desse vínculo baseado na confiança mútua, que ocorre o processo de ensino-aprendizagem.
Mas esse investimento afetivo no aluno nunca retorna ao docente de modo integral, ou seja, “a relação afetiva não se estabelece de forma a permitir que o trabalhador possa se reapropriar de seu trabalho” (CODO et al, 2002, p. 56). A forma de organização do trabalho docente não permite que o circuito afetivo se complete, pois o
trabalho do professor está submetido a regras, prescrições, técnicas, programas. O professor deverá tratar seu aluno de modo imparcial – independente de suas carências ou necessidades – pois há que respeitar os princípios que regem o trabalho docente.
Desse modo, Codo et al (2002) consideram que a preservação da saúde do professor vai depender das possibilidades que ele tenha ou não de administrar as tensões relativas à quebra desse investimento afetivo. Se o ambiente e as condições de trabalho forem indiferentes às necessidades do professor de dar vazão à sua energia afetiva, poderão contribuir para a eclosão de dificuldades afetivas do sujeito que já são próprias de sua estrutura de personalidade.
O burnout está relacionado a atitudes negativas para com a clientela e a organização do trabalho. Três sintomas podem aparecer associados, nesses casos, despersonalização, baixo envolvimento pessoal com o trabalho e sensação de fadiga emocional15. É uma situação de total esgotamento da energia física ou mental do sujeito.
Considerando o trabalho do professor, CODO et al (2002, p. 240) definem o burnout como a síndrome de desistência do educador que “ocorre quando certos recursos pessoais são perdidos ou são inadequados para atender às demandas, ou não proporcionam retornos esperados (previstos). Faltam estratégias de enfrentamento”. O indivíduo, nesse caso, busca distanciar-se cada vez mais da realidade, numa tentativa de evitar o sofrimento, mergulhando cada vez mais em seu próprio mundo subjetivo.
Codo et al (2002, p. 57) explicam esse processo da seguinte forma: “Assim cria- se a seguinte lógica: para realizar bem o meu trabalho preciso me envolver afetivamente com meus clientes (alunos, pacientes, etc.); porém, se eu assim proceder, certamente sofrerei, o que me leva a não vincular-me.”
O professor passa a assumir uma atitude de desinteresse pelos seus alunos, parecendo não se importar com suas dificuldades. Também as reações de irritabilidade, ansiedade, melancolia, baixa auto-estima e fadiga mental são características do transtorno definidos como burnout.
Vasques-Menezes & Gazzotti (2002), que participaram desse mesmo estudo, consideram que quando o professor consegue permanecer na profissão apesar das
15A despersonalização ocorre quando o vínculo afetivo é substituído por um racional. Trata-se da perda do sentimento
de que estamos lidando com outro ser humano, ou seja, da coisificação da clientela, no caso do professor. Conforme o CID-10, este transtorno (F48.1) é caracterizado pela perda das emoções e uma sensação de desligamento do sujeito em relação aos seus pensamentos, ao seu corpo e ao mundo real. Na exaustão emocional, o docente não consegue trabalhar com a mesma dedicação e interesse que apresentava no início da carreira. O baixo envolvimento pessoal no trabalho decorre de sentimentos de ineficácia no desenvolvimento de sua atividade. (CODO et al., 2002).
dificuldades, o faz na medida em que é capaz de elaborar estratégias defensivas de negação da existência das adversidades, como uma forma de passar por cima delas sem ter que efetivamente enfrentá-las. Essas autoras apresentam o professor como um profissional que tipicamente teria um perfil de personalidade com características “que, de certa forma, produzem ou reproduzem o perfil maníaco.” 16 (VASQUES-MENEZES & GAZZOTTI, 2002, p. 371).
Somente os profissionais que apresentam traços próprios de uma estrutura de personalidade maníaca seriam capazes de permanecer na docência por um longo período de tempo. Desse modo, conforme as autoras, para esse profissional, educar é uma “profissão de fé” (VASQUES-MENEZES & GAZZOTTI, 2002, p. 373) e seria o idealismo do professor, como característica pessoal, um dos seus principais motivadores para se manter na profissão, apesar das dificuldades.
Para essas autoras, o burnout pode ser considerado como uma estratégia de defesa contra o sofrimento. O profissional opta por se relacionar com o mundo de uma forma fria, protegendo-se assim das frustrações advindas das possíveis trocas com os outros – seus alunos e os colegas de trabalho.
Além disso, o tempo de trabalho na docência levaria a uma mudança no sujeito causando a transformação do idealista em um profissional esgotado com seu trabalho. Assim, quando o professor consegue se manter trabalhando por muitos anos é apenas de um modo automático e auxiliado por mecanismos de defesa tais como a negação e a despersonalização. As autoras admitem que, tanto as dificuldades do trabalho quanto os desafios externos a ele, contribuem para que o sujeito adote estratégias defensivas. O fato de estar exposto aos desafios da profissão docente, durante um longo período de tempo, pode contribuir especialmente para a eclosão de exaustão emocional.
Para estudar o burnout em uma amostra nacional de quase 39.000 trabalhadores em educação, Codo e sua equipe utilizaram tanto recursos quantitativos quanto qualitativos17. Os resultados da análise dos dados revelaram que 31,9% dos profissionais apresentaram baixo envolvimento emocional em relação a sua tarefa; 25,1% apresentaram exaustão emocional e 10,7%, despersonalização. A incidência de
16As autoras consideram como características do perfil maníaco a impulsividade, a multiplicidade de ações, a
inquietação e o idealismo. Para elas, esses também seriam traços da personalidade do educador. Somente sendo um idealista é que o professor consegue realizar o seu trabalho, uma vez que traça um projeto para o seu aluno: transformá-lo conforme sua própria visão de mundo.
17Para o estudo quantitativo, utilizou a escala de Malasch (1986). Para a investigação qualitativa foi elaborado um
roteiro de entrevistas baseado no mesmo inventário, com o objetivo de complementar as informações obtidas.
pelo menos um dos três sintomas do burnout foi de 48,4% da categoria. A pesquisa revelou também que o burnout não se restringe aos professores, sua incidência em todos os cargos dentro da escola deve ser considerada. (CODO et al, 2002)
O autor enfatiza que o burnout é uma síndrome de “desistência de quem ainda está lá”, ou seja, o trabalhador, mesmo presente em seu posto de trabalho, passa a considerar o outro como “números que vão se somando em uma folha em branco” (CODO et al, 2002, p.254). Ele se baseia nas pesquisas realizadas por Farber para definir esse tipo de transtorno mental como uma síndrome do trabalho originada dos conflitos decorrentes da discrepância entre o quanto o professor investe em sua atividade e aquilo que ele recebe (reconhecimento de colegas e chefes, bons resultados de seus alunos, etc.), ou seja, há uma contradição na percepção individual entre esforço e consequência, uma diferença entre o que é dado e o que recebido.
Ele ainda destaca uma investigação realizada por Farber junto a professores nos EUA, no ano de 1984. Os resultados dessa pesquisa revelaram que 77% a 93% dos professores entrevistados experimentaram algum dos fatores relacionados ao burnout. Para ele “a ocorrência de burnout, propriamente dita, nos EUA e em outros países, tem se revelado preocupante” (CODO et al, 2002, p. 249), tratando-se de um problema internacional e não apenas restrito a algumas culturas ou realidade social e educacional.