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Rosa (2000) refere que, em lugar de se pensar em soluções para manipular a evolução da população ou para se travar o envelhecimento demográfico, é tempo de se aceitar o curso dos factos, porque o perfil da população não será mais como era no passado e, dadas as implicações dessa mudança de panorama populacional sobre os mais variados sectores a sociedade, há mais do que razões para que se encare, sem subterfúgios, que todas as medidas e políticas deverão concertar-se em formas de adaptação dos modelos de organização colectiva.

O problema da velhice não é, como parece, um problema que as nossas sociedades conheçam bem. Pelo contrário, é um problema novo, porque, anteriormente, o devir da morte era rápido e inexorável. A convivência com a doença e com a dependência vieram colocar novos desafios às nossas sociedades (Parreira, 2006).

O envelhecimento populacional acarreta preocupações, uma vez que pode significar anos de sofrimento e infelicidade, anos de perdas, incapacidades e dependência. O gradual envelhecimento das populações suscitou a necessidade de se avaliar a qualidade de vida dos indivíduos. O bem-estar integral do ser humano, produto da complementaridade entre a componente física e a emocional, contribui decisivamente para o nível de satisfação pessoal do idoso.

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O Papel do Cuidador Informal do Idoso em Contexto Domiciliário

O envelhecimento como fenómeno social é um dos desafios mais importantes do século XXI. A qualidade de vida dos idosos é um tema de importância crescente, a par de outros assuntos gerontológicos, tais como a idade da reforma, os meios de subsistência, o estatuto do idoso na sociedade, a solidariedade intergeracional e a sustentabilidade dos sistemas de segurança social e de saúde.

O termo “qualidade de vida” surge nos anos sessenta com o intuito de superar as limitações da concepção existente, segundo a qual, o bem-estar estava relacionado com aspectos puramente económicos. A qualidade de vida de cada época é definida pelos valores que cada grupo social atribui à forma de viver. Com a sociedade em constante evolução, também as variáveis que definem a qualidade de vida evoluem, dependendo de aspectos culturais, económicos e sociais (Dosil, 2004).

A qualidade de vida é um evento multideterminado e, na perspectiva de Lawton (cit. in Diogo 2006), a qualidade de vida na velhice depende da constante interacção de muitos elementos ao longo da vida, pelo que a sua avaliação envolve critérios socionormativos e intrapessoais ligados às relações actuais, passadas e prospectivas, entre o idoso e o ambiente.

A expressão “qualidade de vida” tem sido encarada sob múltiplos pontos de vista e tem variado de época para época, de país para país, de cultura para cultura, de classe social para classe social e, até mesmo, de indivíduo para indivíduo.

A qualidade de vida é um estado de bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença ou incapacidade física Na qualidade de vida cabem cinco elementos: saúde física, saúde psicológica, nível de independência, relações sociais e ambientais. (Ribeiro, 2005).

Parreira (2006) considera que o construto da qualidade de vida se insere na perspectiva da pessoa humana como um sistema vivo e activo que se auto-organiza por diferenciação e integração de múltiplas facetas e se auto-regula nas mais variadas respostas. Ruiz (2001) afirma que a qualidade de vida e a saúde não são sinónimas, tendo a primeira uma componente subjectiva e podendo ser considerada a diferença

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entre o actual e o ideal. Este autor entende que a qualidade de vida abarca não só a saúde, mas também o meio ambiente, o salário e o estilo de vida.

O conceito de qualidade de vida visa promover um envelhecimento saudável, segundo a Organização Mundial de Saúde (1994):

“Qualidade de vida é a percepção que o indivíduo tem da sua posição na vida dentro do contexto da sua cultura e do sistema de valores de onde vive, e em relação aos seus objectivos, expectativas, padrões e preocupações. É um conceito muito amplo, que incorpora de uma maneira complexa a saúde física de uma pessoa, o seu estado psicológico, o seu nível de dependência, as suas relações sociais, as suas crenças e a relação com características proeminentes no ambiente. À medida que um indivíduo envelhece, a sua qualidade de vida é fortemente determinada pela sua capacidade de manter a autonomia e a independência”.

As principais dimensões da qualidade de vida, segundo Verdugo et al. (2001) são:

• Bem-estar emocional: saúde emocional da pessoa, familiares e amigos;

• Relações interpessoais: interacção positiva ou negativa com e entre pessoas de seu meio;

• Bem-estar material: consecução e relação com objectos, a característica física dos ambientes em que vivem;

• Desenvolvimento pessoal: relacionado com os resultados positivos que se alcança;

• Bem-estar físico: saúde da pessoa, familiares e amigos;

• Autodeterminação: directamente relacionada com a própria vontade, sem qualquer influência de terceiros;

• Inclusão social: bem-estar colectivo e valores: situações sociais, económicas, políticas que a pessoa percebe de seu meio sócio-cultural;

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Segundo o modelo de Verdugo et al. (2001), as dimensões de qualidade de vida têm indicadores, designadamente:

Dimensões Indicadores Inclusão social Integração comunitária e participação

Bem-estar físico Saúde e ócio

Relações interpessoais Interacções e família

Bem-estar material Emprego e estatuto económico

Bem-estar Emocional, felicidade e auto-conceito Autodeterminação Escolhas, autonomia e controle pessoal Desenvolvimento pessoal Educação e capacidades

Direitos Direitos humanos básicos e respeito

Tabela 7 - Dimensões e indicadores de qualidade de vida

Fonte: Verdugo et al. (2001, p. 38). El Concepto de Calidad de Vida en los Servicios Humanos.

A qualidade de vida é, pois, um conceito multidimensional, que engloba critérios objectivos e mensuráveis, como o funcionamento fisiológico ou a manutenção das actividades da vida diária, bem como componentes subjectivas, comummente designadas por satisfação de vida, que traduzem o balanço entre as expectativas e os objectivos alcançados. (Paúl et al., 2005),

Para Ferrans e Powers (1992), a qualidade de vida está relacionada com a percepção individual de bem-estar, variando da satisfação à insatisfação, em relação aos domínios da vida que são importantes para o indivíduo. Na avaliação da qualidade de vida devem ser considerados factores como a saúde, a actividade física, o nível sócio-económico, o estado psicológico, emocional, espiritual e a família, no sentido do apoio familiar que os indivíduos recebem.

A qualidade de vida na velhice depende de elementos em interacção, sendo produto de uma história que se vai delineando à medida que os indivíduos e as sociedades se desenvolvem: a avaliação da qualidade de vida envolve, pois, a comparação com critérios objectivos e subjectivos, associados a normas, valores sociais e individuais, sujeitos a alterações no decorrer do tempo (Neri, 2001). As condições objectivas podem ser verificadas por observadores externos, mediante parâmetros conhecidos e

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replicáveis (por exemplo, as condições físicas do ambiente, lazer e educação, as características da rede informal e o apoio proporcionado por eles, competências dos indivíduos). As condições subjectivas são verificadas de maneira indirecta, com base numa relação dos indivíduos com as condições objectivas de que dispõe, o grau em que lhes parecem satisfatórias e com base nos efeitos no bem-estar individual e colectivo. Assim, a qualidade de vida é organizada por vários domínios, devendo a sua avaliação ser conjunta, como um sistema complexo.

O grupo de qualidade de vida da Organização Mundial de Saúde esteve implicado na definição deste conceito, através do desenvolvimento de um projecto em 14 países. Assim, foi avaliada empiricamente a multidimensionalidade do construto. Desta avaliação resultou a emergência de quatro dimensões que têm em conta a percepção do indivíduo.

A primeira é referente ao domínio físico e diz respeito à funcionalidade física e da saúde (dor e desconforto, energia e fadiga, sono e repouso, mobilidade, actividade da vida quotidiana, dependência de medicação ou tratamento e capacidade de trabalho). O

domínio psicológico refere-se às emoções (positivas e negativas), à auto-estima, à imagem corporal, à capacidade de pensar e apreender, à espiritualidade e às crenças pessoais. O domínio social envolve as relações pessoais com a família e amigos e o suporte social que compreende o apoio que recebe a partir destas relações pessoais. O

domínio ambiental refere-se à segurança física e protecção, ambiente no lar, recursos financeiros, cuidados de saúde, participação e oportunidades de recreação e lazer, ambiente físico e transporte (OMS, Grupo WHOQOL, 2000).