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Na literatura foram analisados os periódicos, dados estatísticos oficiais, livros, e documentos acadêmicos que versam sobre o tema da pesquisa, buscou-se resgatar resultados econômicos, opiniões e críticas sobre o funcionamento da política aduaneira para o setor petrolífero, com o foco no regime especial REPETRO aplicados à pesquisa e extração do óleo e o gás.

No campo, foram entrevistados de forma aberta dirigentes de empresas e líderes da classe, auditores fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo que se pode inferir uma visão global indicativa para a melhor compreensão do modelo REPETRO.

Neste modelo temos como beneficiários do REPETRO, além dos agentes econômicos que pesquisam, extraem, produzem petróleo e gás no Brasil, as empresas nacionais que podem fornecer produtos ou ativos que serão utilizados por aqueles operadores petrolíferos. A vantagem da indústria nacional é poder competir com empresas internacionais que iriam fornecer às empresas de petróleo no exterior, após a exportação pelo processo com saída ficta esses bens serão importados para o Brasil, sob a égide da admissão temporária dentro do REPETRO, por isso procurou-se entrevistar uma empresa da indústria naval.

Foi pesquisado junto ao universo das organizações entrevistadas, de forma diferente, mas com mesmo interesse, se o modelo REPETRO atendeu desde sua concepção aos seus objetivos àquela espécie de atividade econômica e quais suas principais limitações e como fazer para ajustá-lo.

As entrevistas foram efetuadas às seguintes pessoas, representado as seguintes entidades: 1) ONIP - Organização Nacional da Indústria do Petróleo, na pessoa do senhor

superintende, o economista Bruno Musso;

2) IBP – Instituto Brasileiro do Petróleo, através da coordenadora do comitê dos assuntos tributários advogada Elizabeth Cardoso Pessoa Ramos;

3) ABSPETRO – Associação Brasileira das Empresas Prestadoras de Serviço, como representantes engenheiro Oton Luiz Silva Correia e o administrador Rosano Sobreira;

4) Petrobras - Petróleo S.A., nas pessoas dos advogados Ruy George Rodrigues Pereira Filho, assessor da Presidência e Jorge Lopes coordenador tributário da região dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo;

5) Empresa de consultoria especializada na área aduaneira/petróleo – LDC, na pessoa do seu sócio, o escritor e professor em logística, mestre pela COPEAD-UFRJ, Paulo César Rocha;

6) Secretaria da Receita Federal do Brasil – auditora fiscal da Receita Federal do Brasil – chefe substituta da Divisão de Administração Aduaneira da 7ª Região Fiscal (RJ e ES) da Superintendência da RF, Ângela Souto;

7) Estaleiro Naval Mauá-Jurong, representado pelo seu Diretor de assuntos institucionais Engenheiro Paulo Sergio.

Todos os entrevistados enriqueceram muito este estudo e prontamente atenderam ao convite deste pesquisador, que prova o respeito e interesse pelos trabalhos acadêmicos e franca cortesia de cada um.

A fim de facilitar o estudo e a partir dos resultados das entrevistas foram destacados os principais temas. Por sua vez, esses temas tornaram-se títulos, que nasceram das observações da interseção de cada opinião e independente dos diferentes entrevistados. Procurasse dar uma ordem lógica a cada assunto com encadeamento da análise do modelo REPETRO, sendo apresentado o resultado da opinião de cada entrevistado de maneira comum com os demais, assim como são apresentados os pontos divergentes sobre algum assunto incorporado ao título.

Algumas informações sobre as entidades entrevistadas:

I) Organização Nacional das Indústrias de Petróleo (ONIP), que é uma associação das organizações representativa da indústria de óleo e gás instalada no país, criada em 31 de maio de 1999, sendo uma entidade não-governamental, de direito privado e sem fins lucrativos, envolvendo todos os segmentos que atuam no setor. Sua estrutura organizacional foi concebida para que o desempenho de suas funções se processe de forma colegiada e participativa. Os seus sócios são entidades de classe das empresas que atuam no setor e instituições governamentais (ONIP, 2006), dentre as quais pode-se mencionar pela indústria nacional: ABCE - Associação Brasileira dos Consultores de Engenharia, ABDIB - Associação Brasileira da Infra-Estrutura e da Indústria de Base, ABEAM - Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo, ABEMI - Associação Brasileira de Engenharia Industrial, ABESPetro - Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Petróleo, ABIMAQ - Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, ABINEE - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, ABITAM - Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal, ABRAPET - Associação Brasileira dos Perfuradores de Petróleo, ASSESPRO - Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet, CIESP - Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, CNI - Confederação Nacional da Indústria, FENASEG - Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização, FIEB - Federação das Indústrias do Estado da Bahia, FIEMG - Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, FIESC - Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, FINDES - Federação das Indústrias do Estado do Espirito Santo, FIRJAN - Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, IBS - Instituto Brasileiro

de Siderurgia, SINAVAL - Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval, Operadoras de O&G, PETROBRAS - Petróleo Brasileiro S.A , IBP - Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás. Empresas estrangeiras transnacionais estabelecidas no Brasil, tais como: Agip, Amerada Hess, BP, ChevronTexaco, Devon, ExxonMobil, Ipiranga, Kerr-McGee, Maersk, Ocean, Phillips, Repsol, Shell, Statoil, TotalFinaElf, Unocal, Wintershall. Além das empresas, existe também a associação de entes públicos ou instituições governamentais: ANP - Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos, Governo do Estado de Minas Gerais, Governo do Estado de São Paulo, Governo do Estado do Espírito Santo, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, MDIC - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, Prefeitura Municipal de Macaé, Prefeitura Municipal de Niterói, SEBRAE - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

A missão desta organização não-governamental é promover a maximização dos benefícios decorrentes da expansão da indústria petrolífera, em tese para toda a sociedade brasileira, estimulando novos investimentos e maior participação nacional, com base em uma cooperação competitiva no fornecimento de bens e serviços, ampliando a geração de renda e emprego no país.

O objetivo da ONIP é maximizar o conteúdo local no fornecimento de bens e serviços, garantindo ampla igualdade de oportunidades para o fornecedor nacional para o mercado petrolífero no Brasil. Dentro dos seus focos de atuação, a ONIP destaca-se pela criação e manutenção de ambiente favorável a novos investimentos e operações no país, a orientação para redução de custos em toda a cadeia produtiva do setor petróleo, o aumento da competitividade dos fornecedores nacionais de bens e serviços, a implementação e operacionalização de políticas industriais orientadas para o setor de óleo e gás.

Um dos modos de atuar da ONIP é contribuir para a eliminação de barreiras ao pleno desenvolvimento da indústria local de bens e serviços. Desta forma, nos anos seguintes surgem novas legislações aduaneiras e fiscais que reduzem ou mesmo eliminam os tributos incidentes em operações de importação e exportação de insumos e bens destinados aos ativos de pesquisa e lavra do petróleo e gás (ONIP, 2006).

II) A ABSPetro - Associação Brasileira das Empresas de Serviço de Petróleo - que agrega cerca de 25 empresas estrangeiras sediadas no Brasil, que tem como finalidade representar

seus associados junto à sociedade e, em particular, junto à Indústria de Petróleo, visando a prestação de serviços com crescente qualidade, segurança e respeito ao meio-ambiente e à legislação. Tem ainda como objetivo promover os interesses gerais e legítimos de seus associados por estimular a cooperação entre os diferentes segmentos da indústria do petróleo (ONIP, 2006).

III) IBP - o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, com 50 anos de atuação, é uma organização privada de fins não econômicos, que conta hoje com 229 empresas associadas, e tem seu foco na promoção do desenvolvimento do setor nacional de petróleo e gás, visando uma indústria competitiva, sustentável, ética e socialmente responsável. Ao longo desse tempo, o IBP construiu reconhecida credibilidade junto à sociedade e ao governo não apenas por seu singular conhecimento técnico, mas também por fomentar as discussões de grandes temas afins para a constante estruturação do perfil do setor. A partir de 2003, o IBP passou por uma profunda reestruturação organizacional para garantir maior sintonia de suas atividades e produtos com o setor, sendo estes o resultado do trabalho desenvolvido por 42 comissões, subcomissões e comissões adhoc, nas quais participam voluntariamente mais de 950 profissionais, entre executivos e especialistas da indústria, instituições científicas e acadêmicas, órgãos do governo e associações congêneres. Tem como missão promover o desenvolvimento do setor nacional de petróleo e gás, visando uma indústria competitiva, sustentável, ética e socialmente responsável (IBP, 2006).

Abaixo segue quadro resumo das fontes de entrevistas efetuadas, classificado com interesse direto ou indireto pela utilização do regime REPETRO e quantidade de pessoas.

Entidades Classificação-beneficiário

direto/indireto

Quantidade de pessoas pesquisadas

ABSPETRO direto 03*

Estaleiro Mauá-Jurong indireto 01

IBP direto 01 LDC indireto 01 PB direto 05** ONIP direto/indireto/não 01 RFB não 01 Total 13

* Além do coordenador de logística e do secretário da ABSPetro foi ouvido também o Sr. Cees Van Diemen, Vice presidente da Empresa Noble do Brasil ltda, pertencente a associação.

** Pela Petrobras também participaram da pesquisa por intermédio de telefone e e-mail mais dois funcionários da área técnica da empresa na cidade de Macaé-RJ.