A terceira campanha online analisada se refere a “Medicamentos”, disponível no Portal da Saúde no menu “Cidadão”, submenu “Orientação e Prevenção”. Algumas se- ções desta campanha estavam inativas (offline) no período de análise, como a de “Dire- trizes” e “Rename/FTN”, ambas apresentadas na página principal.
114 Para esta análise, adotou-se como recorte metodológico o limite de um clique de distância quando links direcionam para outros websites e sem limites de cliques quando redirecionados dentro do próprio Portal da Saúde.
Abaixo, estão alguns quadros-modelo que ilustram os dados levantados pela pesquisa. Os demais quadros constam no apêndice, no final desta dissertação.
28f) O vídeo “Triplica o número de gaúchos assistidos pelo programa que distribui re- médios”, veiculado pelo telejornal RBS Notícias da afiliada da Rede Globo do Rio Grande do Sul, apresenta reportagem sobre o programa Farmácia Popular, explicando como conseguir o benefício, medicamentos disponíveis e entrevistas com usuárias. Con- teúdo está disponível em página de agência de gerenciamento de clipping39, possivel- mente contratada pelo Ministério da Saúde para acompanhamento de notícias sobre os programas governamentais. Evidencia alguns trechos, como: “Triplicou este ano o nú- mero de gaúchos assistidos pelo programa federal que distribui remédios de graça”. Outros são destacados através de legendas. Matéria é datada de 10 de setembro de 2011 e traz como fontes de informação Salete Terezinha Bernardes, usuária do programa go- vernamental; Sara Gallina, farmacêutica de farmácia cadastrada no programa; usuária não identificada pela reportagem; Regina Nunes, usuária; site do telejornal RBS Notí- cias.
O vídeo é ambientado em uma farmácia cadastrada no programa. Usuárias ad- quirem remédios durante a reportagem, apresentando receitas e documentos necessários para retirada do mesmo. A imagem do banner do Programa, vermelho escrito em ama- relo e branco, é destacada pela reportagem. Também são mostrados medicamentos e sistemas informatizados de venda. A prestação de informações sobre a atuação do pro- grama no Rio Grande do Sul caracteriza o modelo de déficit cognitivo da comunicação científica.
Link: http://tinyurl.com/medicamentos11
Enquadramento: a) Seleção: “Triplicou neste ano o número de gaúchos assistidos pelo programa federal que distribui remédios de graça. São medicamentos para hiper- tensão e diabetes para qualquer paciente que tiver a receita médica. O RBS Notícias mostra como ter acesso a este benefício”. “Salete faz o tratamento da hipertensão há trinta anos. ‘Teve momentos que eu tive que tomar o medicamento que custou R$ 98’ – Salete Terezinha Bernardes, dona de casa. Agora ela retira o remédio de graça, basta apresentar identidade, CPF e a receita médica, que é válida por quatro meses. Seis re- médios para hipertensão e doze para diabetes fazem parte do programa. O objetivo é evitar a interrupção do tratamento de doenças que têm sequelas graves. (...) ‘Além dos medicamentos distribuídos de graça, há os que são distribuídos com descontos de até
39 É o trabalho de coleta e armazenamento de conteúdos midiáticos referentes à empresa contratante veiculados em meios de comu-
115 90%. São remédios para doenças como asma, osteoporose e glaucoma, que podem ser encontrados nas farmácias do governo ou naquelas que têm estes selo’ – Guacira Mer- lin, Porto Alegre. ‘Só apresenta a receita, a carteira de identidade e o remedinho tá en- tregue, a senhora tem garantia’ – usuária não identificada. Mas Regina tem uma recla- mação: alguns médicos receitam dosagens diferentes das oferecidas pelo governo. As- sim, o paciente não consegue o benefício. ‘Os médicos deveriam saber exatamente o que é que a rede pública está dando e o que não, senão fica difícil pra gente comprar’ – Regina Nunes, usuária. A lista dos remédios distribuídos de graça você encontra no site do RBS Notícias”. “O endereço é www.rbstv.com.br/noticias/rs”.
b) Ênfase: benefícios do programa Farmácia Popular no estado do Rio
Grande do Sul, como o aumento no número de beneficiados e a distribuição gratuita ou com desconto de medicamentos.
c) Exclusão: ao apresentar crítica de usuária do programa, reportagem
não apresenta os argumentos dos médicos nem do Ministério da Saúde sobre as dosa- gens diferentes receitadas pelos médicos e disponibilizadas pelo programa.
30o) O texto “Adesões ao programa (Rede Própria)” apresenta breve histórico da im- plementação do programa Farmácia Popular pelo Brasil, em especial as unidades da rede própria. Ao final, instrui sobre a adesão por parte dos municípios e estados. Desta- ca o trecho: “Gestores, saibam como aderir ao Programa Farmácia Popular e se tornar uma unidade própria”.
O conteúdo estimula a participação na política de distribuição de medicamentos gratuitos ou a baixo custo através da adesão ao programa Farmácia Popular, por parte dos municípios e estados, caracterizando o modelo de participação pública da comuni- cação da ciência.
Link: http://tinyurl.com/medicamentos31
Enquadramento: a) Seleção: “O Governo Federal lançou o Programa Farmácia Popular no dia 07 de junho de 2004, simultaneamente nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiânia. (...) Em setembro de 2004, iniciávamos a 2ª fase de pros- pecção do Programa trabalhando com os 56 aglomerados urbanos reconhecidos pelo IBGE e hospitais filantrópicos dos municípios sede, desses aglomerados urbanos, repre- sentando a valorização de importantes núcleos de desenvolvimento urbano. Na 3ª fase de expansão do Programa, foram credenciados municípios e entidades filantrópicas com população a partir de 70.000 habitantes, exceto o Estado de São Paulo, com população a partir de 100.000 habitantes. Atualmente, a parceria é feita somente com municípios que fazem parte dos Territórios de Cidadania e que possuem população superior a 40.000 habitantes. Para aderir ao Programa, o município ou estado com o perfil citado acima deve encaminhar para a Coordenação Geral do Programa Farmácia Popular do Brasil a Proposta de Adesão (ADENDO I) e Termo de Compromisso (ADENDO II) devidamen- te assinados pelo Gestor Municipal ou Estadual”. Os modelos destes documentos estão disponíveis através de link.
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b) Ênfase: instruções para adesão ao programa Farmácia Popular para
municípios e estados.
c) Exclusão: não cita outra modalidade de adesão ao programa, através
de rede de farmácias ou drogarias particulares, que podem oferecer os medicamentos a baixo custou ou gratuitamente para populações de cidades com menos de 40 mil habi- tantes.
32h) O vídeo “Fitoterápicos” apresenta o Programa de Plantas Medicinais e Fitoterápi- cos, destacando seus objetivos, diretrizes e etapas de implementação. Envolve os conhe- cimentos locais das populações, sua valorização e utilização como forma de resolver problemas de saúde. Também apresenta o contexto da agricultura familiar como favorá- vel para a produção sistêmica destas espécies, que resultará no beneficiamento em in- dústrias nacionais e utilização no SUS. O trecho é destacado: “Assista ao filme do pro- grama de Plantas Medicinais e Fitoterápico”. Durante o vídeo, alguns trechos são desta- cados com a utilização de textos na tela. São referenciadas a Política Nacional de Plan- tas Medicinais e Fitoterápicos; o Decreto nº 5813, de 2006; a Portaria Interministerial nº 2960; e a Organização Mundial da Saúde.
O vídeo apresenta imagens de produtores rurais e comunidades locais apontando para plantações de espécies medicinais. Também são mostrados especialistas ensinando a grupos de pesquisa sobre tais plantas. Produtores e especialistas vão para o meio do mato coletar estas plantas. São apresentados meios de produção sistêmicos, como plan- tações e indústrias de beneficiamento. O vídeo é legendado.
O vídeo ressalta o reconhecimento, a valorização e a utilização do conhecimento das populações sobre o uso de plantas medicinais para solução de problemas de saúde. Isso caracteriza o modelo de expertise leiga da comunicação científica.
Link: http://tinyurl.com/medicamentos56a
Enquadramento: a) Seleção: “(...) Os princípios orientadores tanto da política quanto do programa podem ser resumidos em: ampliação das opções terapêuticas e me- lhoria da atenção à saúde aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS); uso sustentá- vel da biodiversidade brasileira; valorização e preservação do conhecimento tradicional das comunidades e povos tradicionais; fortalecimentos da agricultura familiar; cresci- mento com geração de emprego e renda, redutor das desigualdades regionais; desenvol- vimento tecnológico e industrial; inclusão social e redução das desigualdades sociais; e participação popular e controle social. (...) Conhecimento tradicional e popular. A bio- diversidade brasileira está aliada a uma diversidade de povos e comunidades com vi- sões, saberes e culturas próprias. Por isso, é imprescindível promover o resgate, o reco- nhecimento e a valorização das práticas tradicionais e populares de uso de plantas medi- cinais e remédios caseiros como elementos para a promoção da saúde, conforme preco- niza a Organização Mundial da Saúde. (...) Para a transmissão do conhecimento, devem ser estimulados espaços para informação e a discussão de questões pertinentes ao tema plantas medicinais e fitoterápicos, abrangendo públicos-alvos distintos, como setores
117 acadêmico, de serviços, produtivo e sociedade civil. A divulgação do tema contribuirá para o compartilhamento do conhecimento para expansão da base de pesquisa e conse- quente fortalecimento da tecnologia, e para utilização correta, segura e responsável das plantas medicinais e dos fitoterápicos pela população brasileira. (...) Manejo e culti- vo/produção de plantas medicinais. Para o cultivo de plantas medicinais, a agricultura familiar apresenta diversas vantagens, como disponibilidade de terra e trabalho, deten- ção de conhecimentos tradicionais, longa experiência em práticas agroecológicas, dentre outras. (...) A ampliação de opções para a prevenção e tratamento de doenças ofertadas a usuários do SUS, com garantia de acesso a plantas medicinais e fitoterápicos, seguran- ça, eficácia e qualidade, é uma estratégia que visa à melhoria da atenção à saúde da po- pulação e à inclusão social”.
b) Ênfase: etapas para implementação do Programa Nacional de Plantas
Medicinais e Fitoterápicos, desde o reconhecimento do conhecimento local até o envol- vimento da agricultura familiar na cadeia produtiva e processamento em indústrias na- cionais.
c) Exclusão: apesar de citar o conhecimento leigo sobre plantas medici-
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