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2. BETK-TABANLI GÜRBÜZ KONTROL S˙ISTEM˙I TASARIMI

2.3 ÇGÇÇ-Sistemler

2.3.2 ÇGÇÇ-sistemler için kontrol sistemi tasarımı

2.3.2.2 ÇGÇÇ-sistemler için BETK tabanlı kontrol sistemlerinin

As atividades que envolvem o público na discussão científica, seja através da comunicação de ciência, de consultas diretas ou conferências, são consideradas de enga- jamento público. É essencial que os especialistas ouçam e interajam com o público e vice-versa.

Este movimento favorece a prestação de contas da ciência perante o público e contribui para a legitimação dos investimentos em pesquisa. Com a exposição dos pro- dutos científicos, possivelmente haveria aprimoramento dos benefícios do conhecimen- to gerado, aumentando seu impacto e eficiência junto ao público. O envolvimento cien- tífico com o desenvolvimento escolar poderia contribuir para a capacitação de novos pesquisadores ou de uma sociedade mais crítica.

Para McCallie et al. (2009, p. 23)14, o engajamento público em ciência é “co- mumente apresentado como um modelo de ‘diálogo’ ou ‘participação’ no qual público e cientistas são beneficiados por ouvir e aprender um com o outro – referido como um

aprendizado mútuo”. Os autores argumentam que ambos possuem conhecimentos que

podem contribuir para o desenvolvimento da ciência e suas aplicações para a sociedade.

80 Salisbury e Nicholas (2005, p. 3)15 sustentam que “o modelo de diálogo, ou de engajamento público em ciência, objetiva estimular e instruir o debate e incluir a comu- nidade no processo de tomada de decisão, que envolve suas opiniões, expertises e valo- res de todas as partes”. Os temas científicos são abordados em seus contextos sociais e a comunicação é feita em duas vias, encorajando o debate e o feedback por parte do pú- blico.

Na Europa já existe a alguns anos processo de envolvimento do público na to- mada de decisão. Este mecanismo é conhecido como Green Paper. “Trata-se de uma consulta online que correu por vários meses em 2007 incluindo sete questões relaciona- das ao engajamento público em ciência, e todos os 686 participantes responderam às questões” (EUROPEAN COMISSION, 2007, p. 1516).

Este mecanismo possibilita uma aproximação nas relações entre população, ci- entistas e representantes políticos, favorecendo o processo de accountability de ambas as esferas.

Em 2002, a Comissão Européia adotou oficialmente a expressão “Ciência e So- ciedade” para as iniciativas que envolviam a participação e o engajamento público em questões antes restritas a especialistas.

Em cinco anos, houve uma mudança perceptível. A comunidade cien- tífica adotou um tom mais dialógico ao lidar com o público, se não sempre com entusiasmo, pelo menos com reconhecimento que no- vas formas de engajamento são agora uma cláusula não negociável em sua licença operacional (EUROPEAN COMISSION, 2007, p. 16).

As discussões ocorrem em situações especiais, através da abertura de consultas públicas ou organização de debates ou fóruns. Esta limitação pode representar um cam- po ainda em desenvolvimento do envolvimento do público nas questões científicas. Por outro lado, poderia indicar resistência da comunidade científica quanto à concessão do direito de opinião de pessoas não-especializadas.

Salisbury e Nicholas (2005) sugerem uma série de perguntas que devem pautar iniciativas de engajamento público, como:

Quais contribuições possivelmente serão vistas como úteis? Qual é o recorte temporal envolvido? O engajamento está estruturado como

15 Tradução nossa. 16 Tradução nossa.

81 um projeto de pesquisa (para obter informações para os tomadores de decisão ou trata-se de um exercício da democracia e da participa- ção dos cidadãos)? (SALISBURY e NICHOLAS, 2005, p. 16)

A consciência do que se busca com o envolvimento popular em ciência é essen- cial para garantir a qualidade da participação. Cada processo de engajamento público possui um papel e uma função. O êxito de uma iniciativa desta natureza está em formu- lá-la de acordo com o objetivo que se quer alcançar. O processo informativo oferece, como o próprio nome sugere, informações aos usuários (possivelmente que subsidiem sua participação). O consultivo obtém o feedback. O processo de envolvimento trabalha através de temas. O processo de colaboração possibilita a tomada de decisão em parce- ria com o público. E o processo de empowerment atribui a decisão ao público (SALIS- BURY e NICHOLAS, 2005).

A área de biotecnologia é uma das que têm explorado as iniciativas de engaja- mento público. Na Europa, diversas correntes populares contrárias à utilização de ali- mentos geneticamente modificados para consumo humano proibiram seu comércio du- rante a década de 2000. A produção de rações para animais só foi permitida para aque- les que não serviriam de alimento humano.

De acordo com Salisbury e Nicholas (2005, p. 17),

Na investigação A proteção da informação genética humana, a Aus- tralian Law Reform Commission observou que um objetivo era pro- mover a educação da comunidade e o debate sobre as tecnologias envolvidas, e que esta não era uma área para ser deixada para espe- cialistas, indústria, profissionais ou grupos de interesse. Adicional- mente, para prover informação, eles planejaram fóruns públicos e encontros direcionados com um grupo de profissionais, interessados e grupos comunitários.

Em recente estudo, Kouper (2010) analisou a capacidade de onze blogs nos Es- tados Unidos que abordam a temática científica de promover o engajamento de seus leitores. Os autores dos blogs são, geralmente, estudantes graduados que cursam pro- gramas de especialização, professores universitários, pesquisadores e jornalistas. Os usuários compartilham das mesmas formações dos autores.

A autora (2010) define engajamento público como o envolvimento de leigos com a ciência.

82 Os não-cientistas podem estar envolvidos na ciência de múltiplas formas, como através do engajamento em discussões, participando da coleta de informações, experimentando, provendo feedback ba- seado em seu conhecimento sobre o contexto em que se insere, con- tribuindo com a produção de políticas públicas e assim por diante (KOUPER, 2010, p. 2).

Foi constatado que os blogs apresentam conteúdos informativos sobre ciência, em formato de notícias, traduzindo alguns termos para que usuários leigos tenham aces- so à informação. Isso possibilita que sejam tratadas outras temáticas além das científi- cas. Entre os tópicos relacionados à ciência, de acordo com Kouper (2010, p. 4), “os mais frequentes foram evolução, saúde e espaço”. A partir das participações dos usuá- rios, foram identificadas quatro categorias: contribuição com o tópico, desvio de assun- to, expressão de atitudes e emoções e tentativas de influenciar a ação dos demais.

A organização textual dos blogs se divide em três formatos: jornalístico, conten- do exageros, generalizações e apelo sensacional; de explanação, com explicações que visam o público leigo e o estímulo ao engajamento e participação; e de avaliação, que qualifica os temas tratados em positivos e negativos, bons e ruins, interessantes ou não (KOUPER, 2010).

De acordo com a autora (2010, p. 8), a forma como os comentários são postados no blog favorecem a criação de

um senso de comunidade que compartilha um contexto social e cul- tura, mas ao mesmo tempo, cria uma barreira que previne que estra- nhos ou intrusos participem da conversa. Como uma comunidade de cientistas ou pessoas com familiaridade com a ciência, os leitores po- dem apreciar os blogs de ciência como entretenimento e não neces- sariamente utilizá-los como local para discussão e debate racional.

Torna-se, portanto, um objeto de discussão entre os próprios iniciados em ciên- cia, não favorecendo a inserção do público leigo. McCallie et al. (2009, p. 24) afirmam que o modelo de engajamento público não rejeita que o público aprenda conceitos de ciência para aprimorar sua participação, porém, “o foco deve estar nas perspectivas va- liosas e conhecimentos que o público traz de suas vidas que enriqueçam as discussões da ciência e temas relacionados a ela no contexto social”. O objetivo é valorizar a expe- riência de vida e os valores da comunidade em que o público está inserido.

A grande variedade possível de repertórios do público pode contribuir em muito com os conhecimentos dos especialistas na tomada de decisão. Trata-se de uma com-

83 plementaridade entre especialistas e públicos, em que ambos ouvem, compartilham e contribuem uns com os outros. “Muitas destas experiências ocorrem pessoalmente, através de eventos de conversação ou fóruns, ou usando os meios de comunicação em enquetes, e-mails ou capacitação através de mensagens de texto” (McCALLIE ET AL., 2009, p. 27).

Tomando como base os conceitos aqui referenciados sobre os modelos de comu- nicação pública de ciência e tecnologia, à estrutura jornalística de difusão do conheci- mento especializado, os dados correntes sobre compreensão pública de C&T na Améri- ca Latina, Estados Unidos e Europa e o conceito de engajamento público em ciência, construiu-se um roteiro de avaliação dos conteúdos científicos transmitidos nas campa- nhas online, que será descrito de forma circunstanciada no capítulo seguinte.

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