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proposta da associação era trabalhar apenas com o foco no Turismo Rural. Entretanto, era observado, entre os associados, que a maioria trabalhava com outras atividades de turismo além do Rural. Assim, a presidente dessa associação, Sra. Dalva Lima, decidiu, em conjunto com os demais proprietários, ampliar o horizonte de atuação da associação, o que veio a forta- lecer sua representatividade.

Atualmente, o crescimento dos maiores segmentos turísticos, em parte dessa Área de Estudo, é estreitamente vinculado à sua dinâmica econômica empresarial. De acordo com as informa- ções veiculadas por meios de comunicação oficiais — portais eletrônicos dos municípios, agência de notícia do governo estadual de Minas Gerais e, também, por revistas de mercado, os segmentos turísticos de maior destaque na macrorregião do Triângulo Mineiro são o Tu- rismo de Negócios e Eventos. Assim como referido na abordagem dos aspectos do atual cená- rio econômico triangulino, a presença de empresas e indústrias na região de Uberlândia e U- beraba, somada ao bom acesso rodoviário e posição estratégica que essa macrorregião possui em relação aos estados de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul, proporcionou um ambiente favorável à consolidação desses segmentos turísticos. O comércio atacadista, a ampla rede de prestadores de serviços, combinados às atividades industriais, movimentam um significativo fluxo de profissionais responsáveis pela demanda turística.

Ainda em relação à concentração da oferta turística na região de Araxá, o Circuito da Canas- tra (criado pela Secretaria de Estado de Turismo), iniciativa da qual essa municipalidade tam- bém faz parte, possui municípios em evidência com uma outra medida para promoção do tu-

rismo nessa região, denominada “Roteiro Turístico Caminhos da Canastra”. Essa última ação é de responsabilidade do Ministério do Turismo, que, através do Programa Regionalização do Turismo, identificou 87 roteiros turísticos prioritários no país que contemplam 116 regiões turísticas e 474 municípios, com o intuito de investir na consolidação efetiva desses destinos turísticos. Segundo dados da Revista Fator Brasil61

em Minas Gerais, três roteiros terão prioridade, entre eles o Circuito da Serra da Ca- nastra, o roteiro Serra do Cipó/Diamantes e o Caminhos Reais nas Grutas e Cidades Históricas. O maior volume de recursos, no entanto, deverá beneficiar o ‘Caminhos da Canastra’, que congrega os municípios de Araxá (São João da Serra da Canastra), Tapira, Sacramento (Desemboque) e São Roque de Minas. São diversas obras de in- fra-estrutura básica e turística para essa região, entre elas: pavimentação da BR-146 (trecho de Tapira a São João Batista do Glória) e da estrada parque Serra da Canas- tra; obras de saneamento básico nos distritos de São João Batista do Gloria e Sacra- mento; a criação de trecho de ferrovia para tráfego de trem turístico para passageiros entre Araxá e o distrito de Itaipu; construção de Centro de Informações Turísticas e de um portal de entrada para a região do Circuito da Canastra e dos portais nas cida- des de Sacramento, Araxá e Tapira; reforma e implantação de melhorias no centro de eventos Expominas-Araxá; estruturação dos atrativos do Parque Nacional da Ser- ra da Canastra envolvendo os cinco municípios (Sacramento, São Roque de Minas, Tapira, São João Batista do Glória e Delfinópolis) com área no parque e recuperação da Gruta dos Palhares, em Sacramento.

Ou seja, o município de Araxá e sua região de entorno vêm recebendo atenção e investimen- tos públicos voltados para a consolidação da atividade turística. A existência de instituições locais e regionais voltadas para esse interesse, combinada com injeção de recursos públicos, vem garantindo a prosperidade e revitalização do turismo araxense.

Já o município de Uberaba tem recebido um número expressivo de visitantes e turistas que o procuram com objetivos diversos: a Expozebu, maior exposição de gado zebu do mundo,62 realizada anualmente, atraindo milhares de pessoas de várias partes do país e do exterior; o turismo religioso, impulsionado por Chico Xavier, grande líder espírita do Brasil; o Sítio Pa- leontológico de Pirinópolis. No guia de Turismo Rural da AMETUR, edição 2006, esse é o município que possui o maior número de iniciativas divulgadas. As quatro iniciativas dizem respeito a um Engenho (visita ao Alambique), uma associação de produtoras rurais, um hotel- fazenda e ao Museu do gado Zebu. Entre essas iniciativas, a proposta que apresenta uma rela- ção orgânica com o meio onde está sediada é a AMUR – Associação das Mulheres Rurais de Uberaba. Essa associação possibilita que seus visitantes, caso desejem, possam vir a conhecer a casa das artesãs. O contato com a comunidade local onde as residências estão localizadas é

61 Revista eletrônica disponível pelo site www.revistafatorbrasil, acessada em 03/05/2006. 62

uma oportunidade de conhecer melhor a cultura rural de base local. Tupaciguara e Patrocínio são as outras municipalidades que apresentam ofertas expressivas frente à realidade dessa amostra. Neste caso, ambas as ofertas, assim como já referido, estão voltadas para a atividade da pesca esportiva, sendo que a região é considerada um dos melhores destinos turísticos para a pesca do peixe Tucunaré. Dos 11 estabelecimentos que compõem a oferta dessas municipa- lidades, 8 são propriedades de aluguel voltadas para a pesca.

O mapa de concentração turística também apresenta a relação dessa oferta com sua respectiva expressão quantitativa de população rural. De acordo com as informações expostas no mapa, todos os municípios que ofertam atividades turísticas apresentam uma baixa concentração de população rural — menor que 40% dos residentes. Na visão de Pessôa (1982), parte do con- texto que explica as condições do êxodo rural nessa Área de Estudo tem relação com o se- guinte contexto:

a inserção da agricultura uberlandense em um novo padrão agrícola, resultando em um desenvolvimento econômico do espaço rural, através da adoção de tecnologia e, conseqüentemente, da modernização agrícola, não resultou necessariamente em um desenvolvimento rural. Os benefícios dessa modernização agrícola como insumos, máquinas e créditos só foram alcançados pelos produtores rurais que tinham acesso a crédito ou possuíam bens. Os pequenos proprietários, os trabalhadores rurais, os arrendatários e parceiros não tiveram acesso a esses bens e, diante das precárias condições de trabalho e da baixa renda que obtinham, muitos desistiram da atividade rural e acabaram vendendo suas propriedades para os empresários rurais, contribuin- do para a concentração de terras no município e inchaço das cidades. Houve, portan- to, uma acentuação dos desequilíbrios internos na organização do espaço rural e ain- da falta muito a ser feito para proporcionar melhores condições de vida, saúde e e- ducação aos habitantes do espaço rural do município.

Dessa forma, é possível entender, parcialmente, porque as proposta divulgadas como Turismo Rural, sediadas na mesorregião TMAP, possuem uma relação menos orgânica com o espaço onde estão sediadas. A aquisição das terras por empresários de fora dificulta a estruturação de propostas que possuam maior vínculo com a cultura rural de base local. Além disso, a concen- tração de grandes extensões de terra também altera as relações sócio-produtivas que caracteri- zam o espaço rural e acabam por não favorecer esta atividade turística, uma vez que, nessa região, o destino desses latifúndios são as paisagens monótonas recriadas pela cultura do a- gronegócio. Essas características de organização do meio rural nessa Área de Estudo acabam por se refletir na localização da oferta turística. Dada a falta de vocação sócio-cultural de par- te dos espaços rurais, uma parte significativa dos empreendimentos se localiza a margem das rodovias. Evidentemente que essa estatística também está atrelada à excelente malha rodoviá- ria que recobre a região e à localização estratégica dessa área em relação aos grandes centros

econômicos. Apenas a BR262, na altura do município de Araxá, concentra 6 estabelecimentos turísticos. 0 5 10 15 20 25 30 35 Rodovias Estradas Vicinais Distrito Sede Municipal Não definido Centro

GRÁFICO 12 – Localização das Iniciativas da Oferta de Turismo Rural na Área de Estudo Oeste de Minas

Amostra: 56 iniciativas turísticas

Entretanto, os comentários anteriores procedem, visto que na região do Triângulo Mineiro não há iniciativas localizadas junto a povoados ou distritos rurais, ao passo que todas, ainda que poucas, as iniciativas desse gênero estão localizadas em Araxá e Tapira.

Colocado parte do panorama de aspectos gerais que caracterizam as atuais ações de caráter público e privado voltado para o turismo em relação a essa Área de Estudo, é possível obser- var que o conjunto de municípios que a compõe apresenta vocação turística para o desenvol- vimento de vários tipos de turismo — de Eventos e Negócios, Ecológico, de Pesca Esportiva, Rural. Ao verificar o conjunto de descritivos das iniciativas turísticas e sua respectiva confi- guração espacial, é possível identificar que, na porção Oeste de Minas, estão sediadas três Áreas Turísticas e um Eixo. O mapa da página 147 expõe essa informação e possibilita o a- pontamento de algumas observações a esse respeito.

Assim como pode ser observado, o único eixo existente nessa área é estruturado em função das represas de Tupaciguara e Patrocínio, possuindo seu foco de atuação voltado para a oferta de atividades de entretenimento turístico que valorizam o lazer. A pesca esportiva é a ativida- de que justifica o fluxo turístico nesse eixo. A Área Turística Noroeste também tem o foco da sua proposta turística voltada para o lazer. É notório que, em geral, as ofertas que se estrutu- ram em função da presença de rodovias de expressivo fluxo turístico tenham sua proposta de trabalho voltada para essa dimensão de entretenimento. No caso da oferta desse eixo, quatro dos seis estabelecimentos estão localizados a margem das rodovias MG188 e BR354. Via de

regra, é observado, de acordo com a amostra de estabelecimentos levantados para esta pesqui- sa, que as iniciativas turísticas localizadas nas rodovias têm uma atuação pontual e não se inter-relacionam com as comunidades do seu entorno. No caso dos estabelecimentos de Para- catu, um deles, o Hotel Fazenda Traíras, oferta os três tipos de serviços e não desenvolve ati- vidades fora da propriedade. Os demais estabelecimentos trabalham apenas com a oferta de serviços voltados para a alimentação, não disponibilizando, assim, alternativas de entreteni- mento aos turistas, o que confirma as afirmações quanto às ofertas que se estruturam em fun- ção do movimento turístico das rodovias.

Em relação às outras Áreas Turísticas – Arachás e Agronegócio – ambas reservam diferenças entre a proposta turística do seu conjunto de iniciativas. A oferta da área dos Arachás indica a porção territorial de maior potencial turístico para o desenvolvimento de atividades voltadas para o Turismo Rural nessa área de estudo, devido aos motivos expostos até esse momento.

Benzer Belgeler