2.1. Hipertansiyon
2.1.6. Kan Basıncı Ölçüm Yöntemleri
Este dado contribui para a interpretação de que ainda é uma concepção tradicional sobre o turismo o ‘mito’ de que, para se trabalhar com essa atividade sócio-econômica, necessaria- mente o empreendedor do ramo tenha que disponibilizar serviços de alimentação e hospeda- gem, ou um desses. O detalhamento dos tipos de serviços desse universo de estabelecimentos retrata que a amostra Norte ainda está arraigada a essa concepção turística. De acordo com as informações presentes no mapa da página 102, apenas um estabelecimento possui o foco de atuação voltado, especificamente, para a oferta de serviços relacionados às atividades de en- tretenimento turístico (estabelecimento localizado no município do Serro e representado por uma estrela azul no mapa da página 102). Ainda sobre essa perspectiva, levando em conta os descritivos comerciais desses estabelecimentos, apenas quatro propriedades turísticas citaram trabalhar com a oferta de atividades de entretenimento turístico de forma independente da prestação do serviço de hospedagem. Os tipos de estabelecimentos que apresentam essas con- dições são: um Pesque-Pague, dois Restaurantes e uma Fazenda.
Como a diversificação da oferta turística é uma meta recente nas diretrizes do planejamento público do turismo no Brasil, ainda é constatada uma expressiva lacuna de orientações técni- cas que possam incentivar os proprietários de estabelecimentos turísticos a buscar novas opor- tunidades de prestação de serviço. A baixa disponibilidade de iniciativas desse caráter — estabelecimentos que não ofertam serviços de hospedagem — acena para a ausência de orien- tações técnicas locais voltadas para a diversificação e consolidação de novas atividades de Turismo Rural nessa área. Entretanto, o SENAR-MG, o IER, a EMATER-MG e outros órgãos já possuem projetos que trabalham a perspectiva de estruturação de produtos turísticos que não requeiram a existência dos serviços de alimentação e hospedagem. Alguns exemplos são as propriedades que “abrem suas porteiras” para que os visitantes possam interagir com o mo- do de vida local das pessoas do campo e o seu saber-fazer vinculado às lidas de engenhos, alambiques, moinhos, artesanato, criações de animais e outros ofícios. 49
Dessa forma, em linhas gerais, a decomposição dessa amostra de serviços turísticos aponta um cenário pouco favorável à integração dos estabelecimentos com seu entorno comunitário, constatação essa baseada no alto índice de iniciativas que concentram a prestação de todos os
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Um exemplo concreto de projeto dessa natureza é a estruturação ou reativação das Casas de Farinha de Man- dioca, trabalho encampado pela EMATER-MG, no estado de Minas Gerais, que tanto serve como uma inicia- tiva que viabiliza um espaço de trabalho para as comunidades rurais, como também pode ser aproveitado en- quanto uma atração turística vinculada aos ofícios do homem do campo, ao saber-fazer das mulheres, aos es- paços de convívio comunitário que influenciam a organização sócio-cultural dessas populações locais envol- vidas.
serviços turísticos na própria iniciativa e pela baixa disponibilidade de estabelecimentos com foco específico no serviço de Atividades de Entretenimento. Ao se estruturar iniciativas que tenham foco na oferta dessas atividades de entretenimento, é possível combinar a prestação de serviços entre diversos estabelecimentos, de forma que os mesmos possam funcionar como uma rede de empreendedores turísticos. Sendo assim, é aconselhável que os programas de Turismo Rural que venham a se desenvolver na área Norte considerem tal informação, bus- cando trabalhar propostas de formação de circuitos, de roteiros de propriedades rurais volta- das para o turismo e a produção artesanal associada a tal fenômeno. Essa sugestão poderá favorecer a estruturação de novos estabelecimentos de Turismo Rural, assim como contribuir para o aumento do tempo de permanência dos que visitam as iniciativas já existentes. Vali- dando tal consideração, é estabelecido no Programa de Turismo Rural na Agricultura Familiar (PRONAF, 2004) que
o Turismo Rural na Agricultura Familiar também ocorre nos arredores da unidade familiar. Os agricultores podem se beneficiar de atrativos culturais, naturais, tecno- lógicos e outros, nas comunidades ou propriedades próximas, a exemplo de festas populares e religiosas, eventos esportivos, técnicos e científicos, feiras e exposições agropecuárias, centros tecnológicos e de pesquisa, cachoeiras e rios, propriedades de Turismo Rural já consolidadas, outras unidades familiares que podem ser visitadas para aumentar o tempo de permanência do turista.
O Norte do estado possui uma extraordinária cultura associativista no meio rural, traduzida nas dezenas de associações comunitárias de pequenos produtores rurais registradas nos muni- cípios. Durante o trabalho de campo realizado nessa área, foi recorrente observar que alguns municípios com menos de 6.000 habitantes apresentavam em torno de 40 associações dessa natureza, número esse muito significativo. Entretanto, é válido ressaltar que as iniciativas de turismo levantadas para essa amostra não apresentam organização de caráter associativista entre elas. Também não foram identificadas na área Norte de Minas associações comunitárias ou comerciais que atuassem com foco voltado para o Turismo Rural. Um dos poucos órgãos públicos que responde diretamente pela assistência técnica dessa atividade na área em questão é a EMATER-MG – organizada em escritórios regionais e locais.
Sendo assim, em geral, no Norte de Minas as ações voltadas para esse segmento são desen- volvidas de forma pontual e sem a articulação entre os proprietários das iniciativas de turismo, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. Uma das poucas medidas de caráter associativista que começaram a vigorar nessa região, a partir de 2004, é a certificação
de alguns circuitos e pólos de desenvolvimento turístico, através do programa de regionaliza- ção da oferta turística encampada pela Secretaria Estadual de Turismo de Minas Gerais.50 Porém, o vigor desse programa ainda não foi capaz de gerar as condições necessárias à estru- turação turística regional, uma vez que a certificação dos circuitos não assegura o arcabouço de políticas públicas, imperativo à consolidação dessa atividade na área de estudo em questão.
Diante do exposto, aproveitar esse potencial comunitário de organização sócio-cultural pró- prio do meio rural nortista para a mobilização das associações em relação aos benefícios e custos trazidos pelo Turismo Rural pode significar uma exitosa medida rumo ao desenvolvi- mento local para algumas comunidades dessa região. Discutir com os pequenos produtores rurais o potencial de inserção dos mesmos na estruturação de planos de Turismo Rural que venham também a contemplar roteiros turísticos — combinando o conforto dos hotéis- fazenda e pousadas com a diversidade produtiva, cultural e a hospitalidade dessas pequenas propriedades rurais — poderá representar uma estratégia em benefício da construção de dife- renciais turísticos para as distintas regiões do estado. Desvinculado desse contexto de integra- ção sócio-cultural, de formação de redes de diversos atores sociais, o que se pode evidenciar é a propagação de um alienado discurso político sobre a unanimidade do Turismo Rural como “infalível” vetor de “Desenvolvimento Rural Local”; discurso esse que não se vale de bases empíricas do conhecimento, tampouco de comprovações estatísticas, para afirmar as reais conseqüências do Turismo Rural para as comunidades que o sediam.
Para finalizar o perfil geral das iniciativas de turismo que compõe essa amostra, outra infor- mação que contribui para a caracterização das mesmas é a decomposição da oferta de ativida- des de entretenimento turístico apresentadas por esses estabelecimentos. De acordo com o gráfico 04, é possível observar que as atividades que se destacam no conjunto da oferta de entretenimento são: Passeio a Cavalo, com 24%; Passeio a cachoeiras e Passeio de Barco, ambos com 10%. Segundo a forma como são descritas as ofertas de tais atividades, é possível concluir que as mesmas estão voltadas, em sua maioria, para a valorização do lazer e do con- tato com a natureza. Essa constatação tem como fundamento o fato destas iniciativas, de for- ma geral, não mencionarem qualquer relação entre essas atividades e o contexto do modo de
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Para obter mais informações sobre o programa de Circuitos Turísticos de Minas Gerais, de responsabilidade da Secretaria Estadual de Turismo, acessar o site desse órgão através do endereço eletrônico:
vida rural nas localidades onde são desenvolvidas. Dessa forma, a natureza é colocada como o pano de fundo para todas as atividades, onde ora esta é privilegiada como uma atração (ativi- dades voltadas para a dimensão ecológica), ora como mero “suporte físico” (atividades volta- das para o lazer).
0 5 10 15 20 25 30
Passeio a Cavalo Passeio Barco Passeios Trilhas Ecológicas Passeio Ecoturistico
GRÁFICO 04 – Atividades de Entretenimento Turístico ofertadas pelas Iniciativas de Turismo Rural na Área Norte de Minas
Amostra: 67 Ocorrências de Oferta de Atividades Turísticas
O gráfico 04 não expõe todas as atividades ofertadas nessa amostra visto que essas totalizam 13 tipos diferentes de atividades e algumas não apresentam um percentual significativo. Con- tudo, ao considerar as atividades de entretenimento que respondem pela maioria das opções ofertadas por essas iniciativas, tem-se a primeira impressão sobre o perfil dos estabelecimen- tos que compõe a Área de Estudo Norte de Minas. Neste momento, é pertinente relembrar que frente aos critérios utilizados para avaliação das iniciativas que se aproximam ou se distanci- am de uma coerente proposta de Turismo Rural, o quesito Que haja uma oferta integrada de
recursos e atividades turísticas rurais é de suma importância para o entendimento das amos-
tras consideradas desse segmento turístico. Afinal, é a partir do cruzamento das informações entre os tipos de serviços (Hospedagem, Alimentação e Atividades de Entretenimento), os tipos de Atividades de Entretenimento (Passeio a Cavalo, Oficina de Doces Típicos, Colheita de Frutas, entre outras) e a forma como ambos são descritos comercialmente que se avalia, principalmente, nessa pesquisa, a proposta turística desses estabelecimentos. Bovo (2004) relata a esse respeito que
a diferenciação, portanto, nos fornece algumas informações preciosas para identifi- car o Turismo Rural, pois através do atrativo central, das atividades, dos serviços e dos equipamentos, podemos identificar qual é o provável tipo de modalidade turísti- ca.
O pacto de uma iniciativa turística com a estruturação de atividades de entretenimento que visem à valorização do modo de vida rural é uma das condições sine qua non da aproximação com esse segmento.
Desse modo, em harmonia com a observação de Bovo (2004), essas atividades acabam por funcionar como uma “radiografia” da essência turística dos estabelecimentos, ou seja: a partir das mesmas, é possível avaliar, de certo modo, o foco de proposta turística que a iniciativa possui. Ao levar em conta essas considerações, é factível avaliar que, num primeiro olhar, essa amostra de estabelecimentos turísticos mais se distancia do que se aproxima das caracte- rísticas que definem o Turismo Rural. Isto porque, recapitulando, no perfil traçado da amostra em questão, a maioria dos estabelecimentos turísticos concentram os três tipos de serviços, não desenvolvendo atividades em rede e em seu entorno autóctone. Assim, a inter-relação entre tais iniciativas turísticas e a comunidade onde estão sediadas não é expressa em suas propostas turísticas através da oferta de atividades que promovam tal integração. Outro ponto importante que anuncia o distanciamento dessa amostra frente ao cerne do Turismo Rural é a análise dos tipos de atividade ofertada somadas à forma como são desenvolvidas. Destarte, foi observado que os recursos naturais não são considerados como um atrativo complementar a essa oferta, mas como atrativo principal, ou como suporte físico para atividades de lazer. Por fim, é evidente a ausência de atividades que tenham como foco a valorização do modo de vida rural.
Se, num primeiro momento, as impressões preliminares são essas, ao analisar tal oferta turís- tica a partir de Eixos e Áreas de Oferta turística correlacionados a suas respectivas configura- ções espaciais, outras interpretações sobre tal amostra são sucitadas.
Eixos e Áreas de Oferta de Turismo Rural no Norte de Minas
Para melhor apreciação das especificidades turísticas que caracterizam essa amostra, é apre- sentado, na página 108, o mapa de População Rural e Concentração da oferta turística a res- peito dessa amostra. Em consonância com as informações desse mapa, é perceptível que a distribuição da oferta ocorre de forma irregular, sendo que os municípios com maior índice de oferta estão concentrados ao sul da Área de Estudo Norte de Minas. Nesta área, a mesorregião que oferta a maior quantidade de municípios e iniciativas de Turismo Rural é a Norte, totali