Nos resultados das deformações totais, considerando as misturas não envelhecidas (Figura 5.29), verifica-se que todas as misturas apresentam valores superiores a 0,20% (2,0 x 10-3) e inferiores a 0,30 % (3,0 x 10-3). Aparentemente, todas as mistura não apresentam mudanças significativas com o volume de vazios (teor de asfalto), o que foi
corroborado pela análise de variância, apresentando αo5%AF = 91,16%,
αo10%AF = 87,04%, αo15%AF = 99,69% e αo10%AV = 97,36%. As misturas 5%AF e 10%AV
apresentam gráficos com a mesma tendência, exibindo valores mínimos no teor ótimo de asfalto (Vv = 4%), 0,21 e 0,246%, respectivamente,. As misturas 10%AF e 15%AF apresentam, praticamente, a mesma tendência, a deformação decresce com o aumento no volume de vazios, e valores muito próximos, sendo um pouco mais expressivo (maior) no Vv de 5% (0,258% e 0,287%, respectivamente).
As análises de variância identificaram que para as misturas não envelhecidas, todas apresentam médias das deformações totais iguais. Isto indica que o teor de areia (granulometria das misturas) não interfere expressivamente na resposta desse parâmetro.
Na Figura 5.31 (o segundo grupo de quatro barras), que ilustra as deformações totais neste ensaio para as misturas envelhecidas, nota-se que os gráficos das misturas não apresentam tendência definida. Nota-se também que todos os valores são superiores a 0,20% e inferiores a 0,35% (E.L.P) e que a mistura com 15% de areia de fundição apresenta os maiores valores, sendo seguida pela 10%AF e 10%AV. Quase todas as misturas têm um decréscimo na deformação total quando envelhecidas a curto e a longo prazos (E.C.L.P), com exceção da mistura 5%AF.
As análises de variância para essas condições de ensaios indicaram que o fator envelhecimento não interfere significativamente nas médias das deformações totais de todas as misturas (αo5%AF = 99,08%, αo10%AF = 98,60%, αo15%AF= 99,19% e
αo10%AV = 76,53%).
As deformações totais da mistura 5%AF apresentam a menor variação com o envelhecimento (de 0,21 a 0,235%), seguidas das deformações das misturas: 10%AF (0,246 a 0,277%) e 15%AF (0,274 a 0,310%). A mistura 10%AV é a mais susceptível ao fator envelhecimento, apresentando deformações que variam de 0,221 a 0,276%.
As misturas 10%AF e 10%AV apresentam decréscimo na deformação total quando submetidas ao envelhecimento a curto e a longo prazos (E.C.L.P), o mesmo acontece com a 15%AF. Quase todas as misturas são mais susceptíveis ao envelhecimento a curto e a longo prazos (E.C.L.P), com exceção da 15%AF, que é mais susceptível ao envelhecimento a longo prazo.
Mediante as análises de variância, pôde-se identificar também, que dentro de cada condição de envelhecimento não há diferença significativa entre as deformações totais médias das misturas. Isto indica que o teor de areia, bem como o tipo de areia (fundição
ou virgem) não interfere significativamente nessa resposta (deformação total), considerando o fator envelhecimento. A análise de variância apresentou os resultados a seguir: E.C.P (αo = 90,83%), E.L.P (αo = 61,12%) e E.C.L.P (αo = 97,43%), indicando
que não interferência significativa do teor e nem do tipo de areia.
Nos resultados de Recuperação (%) para as misturas não envelhecidas (Figuras 5.30), pode ser verificado que as misturas que apresentam maior e menor recuperação no volume de vazios de 4%, são as misturas 5%AF e 10%AF, ambas apresentam 75%, e a 15%AF (69%), respectivamente. Nesses gráficos, pode-se verificar também que aparentemente não existe diferença significativa entre as recuperações das misturas entre si, no Vv de 4%, com exceção da mistura 15%AF. Para as misturas com areia de fundição (5%AF, 10%AF e 15%AF), esse parâmetro demonstra mudança “expressiva” com o volume de vazios, o que não acontece com a 10%AV. Os valores de recuperação das misturas não envelhecidas variam de 68 a 83%. A mistura 15%AF aparenta ser mais sensível ao volume de vazios (teor de asfalto) do que as demais.
As misturas 5%AF e 10%AF apresentam gráficos, misturas não envelhecidas, com comportamento inverso. Para a 5%AV, a recuperação cresce com o volume de vazios, com valor máximo no Vv 5% e apresentando 75% de recuperação no Vv 4%, enquanto para a 10%AF, a recuperação decresce atingindo um valor mínimo de 72% no Vv 5%. Na mistura 10%AV, a recuperação cresce até o Vv 4%, apresentando o mesmo valor para o Vv 5% e na mistura 15%AF, esse parâmetro decresce com o volume de vazios, atingido valor mínimo no Vv 4% (69%), quando começa a crescer.
No caso das misturas envelhecidas (segundo grupo de quatro barras da Figura 5.32), os valores da recuperação estão entre 65 e 80%, sendo que a mistura 15%AF (66 a 77%) apresenta, em quase todas as condições de envelhecimento (três de quatro), a menor recuperação e as 5%AF e 10%AV, as maiores (ambas 78%), respectivamente, nas condições E.C.L.P e E.C.P. Todas as misturas mostram alteração pouco expressiva com o envelhecimento. As misturas 5%AF e 10%AF não mostram nenhuma susceptibilidade ao envelhecimento, quando envelhecidas a curto prazo (comparar S.E com E.C.P), inclusive, dentro destes condicionamentos, apresentam o mesmo valor, indicando que a granulometria (teor de areia de fundição, principalmente) não interfere na recuperação. No geral, as misturas que apresentam a maior susceptibilidade ao envelhecimento, considerando a recuperação, são: a 5%AF (75% no S.E a 67% no E.C.P – variação de 8%) e a 15%AF (69% no S.E a 77% no E.C.P – variação de 8%). A menor susceptibilidade é apresentada pela 10%AF.
De um modo geral, o teor e o tipo de areia (fundição ou virgem) não apresentam, aparentemente, interferência significativa na recuperação das misturas estudadas, pois a variação da recuperação, considerando todas as misturas, é de 66 a 78%. As variações de recuperação para as misturas 10%AV e 10%AF são de 73 a 78% e de 73 a 75%, respectivamente.
Nos resultados de Inclinação do estágio secundário (Figuras 5.33 e 5.34), nota-se que a mistura 5%AF é a que apresenta menor inclinação (0,029) no Vv de 4% (teor ótimo de asfalto). Nesses gráficos, pode-se verificar que existe diferença “expressiva” entre os resultados dessa mistura (5%AF) e da 10%AV e 15%AF e que não há aparentemente mudança significativa em sua inclinação com o volume de vazios, contudo, para as demais parece ocorrer o contrário. As inclinações para as misturas 10%AV variam de 0,051 a 0,086 e para a 15%AF, variam de 0,024 a 0,062. Os gráficos das misturas 5%AF e 10%AF apresentam comportamentos afins, com inclinação mínima (0,029 e 0,031, respectivamente) no teor ótimo de asfalto, ocorrendo o inverso com a 15%AF, com valor máximo, 0,062, no Vv 4%. A inclinação da mistura 10%AV diminui com o aumento do volume de vazios, sendo de 0,051 no teor ótimo de asfalto (Vv = 4%).
Nos gráficos das misturas envelhecidas (segundo grupo de quatro barras do gráfico da Figura 5.34), observa-se que, dentro de cada condição de envelhecimento, há mudança expressiva nos valores da inclinação com o teor e tipo de areia (virgem ou de fundição). Todas as misturas apresentam visualmente o parâmetro inclinação com grande sensibilidade ao envelhecimento, com exceção da mistura 10%AV, onde a variação é de 0,046 a 0,053% s-1.
Com o envelhecimento, a 10%AV sofre um decréscimo na inclinação e a 10%AF um acréscimo, com exceção do que acontece no E.C.L.P (a primeira cresce e a segunda decresce). Quando envelhecidas a longo prazo (E.L.P), a 10%AV apresenta o menor valor (0,046) e a 10%AF, o maior (0,076).
Vale ressaltar que na condição S.E, o menor valor de inclinação, 0,029, é apresentado pela 5%AF e o maior, 0,062, pela 15%AF, e na condição E.C.L.P, o menor valor, 0,053, é apresentado pela 10%AV e o maior, 0,106, pela 15%AF. No gráfico da Figura 5.34, é possível verificar ainda que o envelhecimento a curto e a longo prazos interfere (aumentando) mais no valor da inclinação da 15%AF do que o envelhecimento a curto prazo e que a mistura 5%AF sofre maior interferência (0,029 na S.E a 0,064 na E.C.P) do envelhecimento a curto prazo.
Nos resultados dos módulos de fluência antes da recuperação (MPa) para as misturas não envelhecidas (Figura 5.35), verifica-se que todas apresentam valores superiores a 110 MPa e inferiores a 290 MPa. Aparentemente, quase todas as misturas não apresentam mudança expressiva com o volume de vazios, com exceção da mistura 5%AF, principalmente entre os Vv: 3 e 4% e 3 e 5%, contudo, verificando a análise de variância referente à deformação total para esta condição de ensaio, nota-se que esta mistura também não sofre interferência expressiva com o volume de vazios. A mistura 5%AF é a que apresenta maior módulo (196 MPa) no volume de vazios 4%, seguida pela 10%AV (175 MPa).
Na Figura 5.37 (segundo grupo de quatro barras), que ilustra os módulos de fluência antes da recuperação para as condições de envelhecimento estudadas, nota-se que os gráficos das misturas não apresentam tendência definida. Verifica-se também que todos os valores são superiores a 130 MPa e inferiores a 230 MPa e que a mistura com 5% de areia de fundição apresenta os maiores valores, com exceção do valor referente ao envelhecimento a curto e a longo prazos (E.C.L.P), onde o maior é o da mistura 10%AF (223 MPa – valor máximo). Todas as misturas mostram um aumento no módulo de fluência quando envelhecidas a curto e a longo prazos (E.C.L.P). No envelhecimento a curto prazo (E.C.P), as misturas 5%AF e 10%AV apresentam uma diminuição nesse parâmetro.
Por meio dos gráficos da Figura 5.37, é possível verificar que a variação dos módulos de fluência da mistura 5%AF é pouco expressiva com o envelhecimento. Entretanto, verificando-se a análise de variância realizada para as deformações totais nestas condições, observa-se que todas misturas não sofrem influência significativa deste fator.
Nos resultados dos módulos de fluência após recuperação (MPa) (Figuras 5.36 e 5.37), verifica-se que a mistura 5%AF apresenta valores superiores a todos. No teor ótimo de asfalto esta mistura apresenta o valor 784 MPa, a 10%AV, 648 MPa, a 10%AF, 584 MPa e a 15%AV, 481 MPa. Aparentemente, todas as misturas, com exceção da 10%AV, apresentam mudança significativa no módulo com o volume de vazios (teor de asfalto). A mistura 5%AF apresenta gráfico com comportamento similar ao da mistura 15%AF, ambas apresentam módulo mínimo no teor ótimo de asfalto, respectivamente, 784 e 481 MPa e a mistura 10%AV apresenta gráfico com comportamento contrário aos dessas misturas, módulo máximo para o volume de vazios 4%; o módulo da mistura 10%AF diminui com o aumento do volume de vazios.
Na Figura 5.38 (segundo grupo de quatro barras), que ilustra os módulos de fluência após recuperação para as condições de envelhecimento estudadas, verifica-se que os gráficos das misturas não apresentam tendência definida. Nota-se ainda que todos os valores são superiores a 340 MPa e inferiores a 940 MPa. Todas as misturas demonstram mudança expressiva com o envelhecimento. Verifica-se também que o módulo de fluência da mistura 5%AF cresce quando a mistura é submetida ao envelhecimento simultâneo (curto e logo prazos), no entanto decresce, quando esta é envelhecida em curto (E.C.P) ou a longo prazo (E.L.P). Para a mistura 10%AF, o módulo após a recuperação cresce, quando submetido a qualquer condição de envelhecimento (E.C.P ou E.L.P ou E.C.L.P), sendo mais sensível ao envelhecimento a curto e a longo prazos (comparar S.E com E.C.L.P). O módulo após recuperação da mistura 10%AV cresce, quando esta é submetida ao E.C.P ou ao E.C.L.P, no entanto decresce, quando submetida ao envelhecimento a longo prazo (E.L.P), sendo mais sensível, da mesma forma que a 10%AF, ao último condicionamento a curto e a longo prazos (variação do S.E para E.C.L.P – 160 MPa).
Os módulos antes da recuperação da mistura 5%AF mostram pouca sensibilidade ao envelhecimento (varia de 184 a 205 MPa), mas após a recuperação esses parâmetros mostram-se bem mais susceptíveis a este fator (de 558 a 932 MPa).
5.6.2.3 Comparação entre resultados do ensaio com o prato superior padrão e os