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rios n:unidos não em tomo de um programa difen:nte do seu. porodue não há proar&mas. mas em lorno do primeiro gooernador ( ... 1. Não i. pois. a luta de dois partidos o que deoemos oer no pn:sente pleito. porque os que sus­ tentam o primeiro gooernador representam elementos muito semelhantes aos

do Partido Moderado."OI

O gooerno. naturalmente. ooltou a derrotar a oposição. Esta. mais umll oeto acusou o gooernador de ter lançado mâo de recursos ilegais e oiolentos p3J1l obter a oitória. Entretanto. essa segunda experiência eleitoral negatioa

prooocou ereitos difen:ntes no ânimo oposicionista. Dessa oez a derrotada

fora a máoduina eleitoral monarquista. o que deixava claro que a oposição e$o

gotara 05 l'e'Cursos legais para chegar ao poder. Ao mesmo tempo em que

amadun:cia a idéia de um recurso insurrecional contra Portela. republicanos históricos e moderados começaoam a concretizar o projeto de unificação.

Em 13 de abril de 1891, Porciúncula. na qualidade de chefe do Partido Republicano. conoocou um congresso dos " republicanos históricos em opo­ sição ao gooernador do estado". Presentes delegados de todos OS municr­ pio� _ "influências e chefes locais". na linguagem da época -. o con­

gresso aprooou a indicação apresentada pDf Alberto TOrTes e Santos Wer· neçk no sentido de odue fosse dissolvida a organização dos n:publicanos his­ tóricos e fundada, com o concurso de representantes de todos os antigos partidos, o Partido Autonomista Auminense. ctijo programa "se sintetiza na emancipação do municfpio dentro do estado e do estado dentro da União".

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nooo partido daoa portanto conseqüência ao papel que a reioindicação federalista tinha no quadro político de então. A interoenção federal, obs­ tando 05 planos dos chefes locais fluminenses de controle do poder. funcio­ nou como elemento aglutinador das forças em. oposição. Estas se fiuram n:presentar na comissão diretora do nooo partido. eleita na mesma ocasião com poderes ilimitados atê ) de dezembro de 1891: dela faziam parte Batista da Mota. membro da fração oposicionista da bancada federal. Alberto Tor­ res. pelos republicanos históricos. e Fonseca Portela. pelos moderados,�

S, A

INSTITUCIONALI ZAÇÁO DO PORTELISMO

o processo de elabonIÇão da Constituição numinense pelo Congresso Constituinte. bem como a alUação dos parlamentares na legislatura ordinária que se seguiu ir. promulgação da nooa Carta em junho de 1891. iria renetir dois tipos de preocupação: de um lado. erol preciso obseroar as caracteristi­ cas gerais do processo de institucionalização n:publicana em curso no país cum a promulgação da Constituição rederal em feoereiro de 11191: de Outro, era necessário leoar em conta as injunções particulares da cofl.iuntura poli·

tica estadual. de modo a criar mecanismos adequados ao enraizamento e es­ tabilização da facção porte lista_ Assim. como no resto do pais. a constitucio­ nalização numinense deve ser encarada menos do ponto de vista jurídico e mais como um ajuste das relaçôes de poder em todos os níveis da organiza­ ção republicana: distrital. municipal. estadual e Cederal.

O Primeiro Congresso Constituinte do Estado do Rio de Janeiro insta­ lou·se em Niterói no dia 10 de maio de 1891. com poderes para julgar a Constituição provisória promulgada por Portela em 19 de outubro do ano an­ terior _ que serviria assim de anteprojeto constitucional _ e para eleger o

governador e o vice-governador. Um de seus primeiros atos foi a eleição de Francisco Portda e Artur Getúlio das Nevu, respectivamente. para os dois cargos. nos quais ambos foram empossados em sessão solene realizada no dia 11." Anunciava-se assim o espirito que pl"edominaria nos trabalhos cons­ tituimes: a legitimação de uma situação de fato. Uma assembléia to talmente governista iria se en<:arregar de definir a nova moldur .. de poder. adeojuando as linhas genlis da organização republicana iu conveniências políticas do

portelismo.

As alterações introduzidas no anteprojeto constitucional tiveram portan­ to. todas elas. o sentido de fortalecer o governo e sua facção. Com esse es· pirilO. os mandatos parlamentares e executivos for.tm dilatados, passando a quatro anos para os deputados estaduais, oito anos para os senadores esta­ duais e seis anos para o governador. A defesa dessa ampliação dos manda­ tos baseava-se na análise das características do povo brasileiro. considerado incapaz para o exercício da cidadania. Preocupados apenas com a eswbili­ dade do governo. os constituintes consideravam que os momentos eleitorais poderiam permitir que a oposição manipulasse o imaturo eleitorado. tra­ zendo a desestabilização .... Ao retardar as eleições com a fixação de manda­ tos longos. ganhavam tempo e tr.lllqüili<lade par .. legislar sobre assuntos de­ licados como a lei orgãnj,;:a das municipalidades. a lei eleitoral e outras.

Outra questão es!ratégica par.! o grupo governista era a eSlrutur.tçào do Poder JudicilÍrio no estado.

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capítulo constitucional relativo a este ponto veio concreti 7..ar uma inovação radical introduzida pelos republicanos na Constituição federal. qual seja. a dualidade da organização judiciária do país. Em complementação à Justiça Fedcr ... l. cabia aos estados o direito de estruturar seu aparelho judiciário. e eles o fizeram de maneir .. mais ou me­ nns uniforme, instalando "tribun<lis de seguml" instãncia nas capitais. juizes de direito nas com<lrcas:" tribunab de juri: juízes municip,ais nos termos:jui­ zes de p<lz. em regnl eletivos. no� "i�lTilOs·'." No enlanto. d<ld<l a importân­ cia politica do Poder Judiciário. sua regulamentação assumiu camcterísticas específicas de acordo com a rcalidade de cada est .. do. Assim. embora a

Constituição fluminense, eomo as demais, tenha preservado a J>f"Crrogativa da vitaliciedade dos juízes de direito. instituiu. através do expediente da re­ moção. um modo de subordiná-los às çonveniêndas dos çhefes po1itiço�. 17

A terçeira medida imPQnante para a afirmação do poder do governador foi a submissão do poder loçal a seu çontrole. As atribuições das çonstituin­ tes estaduais em relação aos munidpios estavam em princípio limitadas à formulação das linhas gerais de sua organização. devendo a matéria ser ob· jeto de lei orgánica a ser elaborada durante a primeira legislatura ordinária. Na auséncia da lei orgãnica. foi garantida ao governador a façuldade de criar municipios. o que significava um instrumento de ampliação de suas bases de apoio político.

Na medida em que a institucionalimção republicana tendia a favoreçer o governador e sua facção. cresciam igualmente os protestos e as críticas da oposição. Palmier refere-se à extrema tensão que envolveu o clima político do Estado do Rio durante os trabalhos çonstituintes. e eSp«ialmente apâs a promulgação da t:onslÍtuição." Iniciada a rotina çonstitucional no mês de

agosto çom o desmembramento do Congresso Constituinte em Senado e Cãmara estaduais. entr..nam em pauta as leis complemen13reS. todas de alto teor polítiço. pois que voltadas para aspectos da administração publica fun­ damentais paTa o desenvolvimento das relaçóes de poder, espeçialmente em nivel loça].

De modo genll, os trabalhos legislativos transcorreram em ritmo lento e çom baixo grau de eficiência. Ao término das sessóes do ano de 1891. no mês de novembro. nenhuma lei complementar fora votada. Não se pode atribuir a lentidão e a ineficiência à complexidade das matérias ou ao rigor das discussões, uma vez que os projetos foram apresentados quase um mês apâs o início da legislatura e pouco acrescentaram de substancial. que pu­ desse gerar polêmicas, às disposições constitucionais. limitando-se a regulamentá-Ias com maior detalhe. Para a oposição numinense. a ··Ienti· dão" dos legisllldores resultava da pressão sobre eles exercidll pelo gover­ nador, que estaria empenhado em preservar pelo pmw mais dilatado possí­ vel o poder de legislar por decreto. que cessaria quando o Congresso esta­

dual votasse as leis de regulamentação politica e administrativa do estado."

A organização do Judiciário estadual era um dos pontos em que as rela­ çõcs de poder assumiam contornos mais nítidos. Embora a Constituição es­ tatuísse que a primeira legislatura ordinária deveria legislar sobre a matéria. ela não chegou sequer a se tomar assunto de projeto de lei. A quest[1O se tomava ainda mais delicada na medida em que o Poder Judiciário era o unico que o estado não herdara do Império jã estnuurado. a não ser pela di· visão em comarcas. De toda forma. era necessãrio adaptar a rede de comar·

cas organizada na fase provincial à administração autônoma do estado. Por· tela fora temporariamente autorizado a fau·lo com poderes quase ilimita­ dos. o que sem dúvida representava um instrumento de afinnação de sua força política. e tudo indica que se utilizou largamente da capacidade de criar e distribuir cargos: mal foi promulgada a Constituição. já surgiam acu­ saçõcs segundo as quais estariam sendo preteridos antigos mlliistrados em favor de juízes que teriam colaborado com o situacionismo nas eleiçõcs es­ taduais."

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fato que. durante seu governo. Portela praticamente duplicou o número de comarcas. muitas delas criadas às custas da divisão de outras. coincidentemente em áreas dominadas por poderosos líderes oposidonistas.

A organiõ2ção municipal foi outro ponto crítico da adminisuação pone­ lista. Como o projeto de lei referente ãs municipalidades foi apresentado tardiamente (S/1O/l891) ao Senado estadual. o governador. usando de suas atribuições constitucionais. manteve a política que praticara desde li posse

em novembro de 1889, de retificação da divisão administrativa do estado. Efetivamente. o poder de criar municípios era duplamente útil para um chefe político na situação de J'(mela. carente de bases próprias e detenninado a enfraquecer adversários de raízes tradicionais. A criação de um município sianificava novos se ... iços. repartições e um órgão lcgis1alivo, isto é. verbas e empregos. Por outro lado. os municípios. assim como as comarcas, esta· vam sendo criados por desmembramento de outros. em geral controlados por chefes oposicionistas. que com isso tinham suas bases de apoio reduzi· das na medida em que perdiam eleitores. funcionários. empregos que pode­ riam distribuir. fontes de receita etc."

Na auséncia da lei das munkipalidade$ e da lei eleitoral. Portela pôde também nomear diretamente os intendentes gerais dos municípios. De acordo com a Constituição. os chefes dos executivos municipais seriam es­ colhidos pelos membros dos conselhos locais. os quais. no entanto. só pode­ riam ser eleitos depois que se aprovasse a lei eleitoral. Pode-se supor que, empenhado em retardar as eleiçõcs municipais. ou certo de que elas não se realizariam a curto pr.u.o em função da morosidade do Congresso estadual. Portela tenha procurado fortalecer sua posição nos municípios de maneira a controlá·los ã época das eleiçõcs através dos intendentes gerais. dotados de atribuiçõcs de alto poder aliciador.

Os próprios situacionistas indicavam muitas vezes a relação pragmática e casuística e�i5tente entre a administração estadual e as lutas pollticas. As· sim. o deputado Marcondes Ferraz defendia a existência da Força Pública.

considerada supérflua pelo deputado Malvjno Reis. para quem já bastaria a

organiuçfto dos corpos policiais dos municípios. com os seguintes ólrgumen· tos: " A Forca Pública. ao conlnirio de supérflua. ê atuóllmente necessâria

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para conter as maquinações desses sindicatos de condes. barõcs e comenda­ dores do lmpêrio que. nas trevas. conspiram contra a República .

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O situacionismo portelista. dependente do governo federal e da máquina estadual. evidentemente reconhecia as oligarquias oposicionistas. profun­ damente enraizadas em solo fluminense. e mobilizava todos os recursos polí­ ticos e administrativos no sentido de construir uma estrutura própria de p0- der para mante-Ios sob controle. E1tterminar o espectro do Conselheiro Pau­ lino era o seu programa político. Derrubar o governador era o objetivo da oposiçso.

6. A DERRUBADA DO GOVERNADOR

A promulgaçso da Constituiçso flllminense de 1891 coincidill com o ini­ cio da primeira legislatura ordinária do Congresso Nacional. A transforma­ çso da Assembléia Nacional Constituinte em Congresso ordinário evitou a realizaçso de novas eleições. mas manteve a composiçso de forças no Legis­ lativo. caracterizada por sérios conflitos entre o governo e o bloco oposicio­ nista. liderado pela maioria da bancada paulista e integrado por " deputados e senadores titias facções vinham sendo preteridas nos cstados·· ... Tomava­ se evidente ponanlo que o governo constitucional de Deodoro manteria a caracteristica básica do governo provisório: o impasse político. Dada a in­ terpc:netraçso dos processos de definiçso das estrotllras políticas em todas as instâncias da vida do país. tal situaçso teria rent:1tOS em todos os estados. e assim também no Estado do Rio.

Na verdade. a legislaçso juridica da Republica nso resultou na superaçso dos antagonismos existentes. nem permitiu " reconstituir um sistema político viável e legítimo ... Em conseqüencia. as relações entre o Executivo e o Congresso se deterioraram rapidamente, em especial durante a tramitaçso

de projetos que acabaram vetados por Deodoro. Negociações malsucedidas

resultaram na decretaçso do fechamento do Congresso. por ato de Deodoro, em 3 de novembro de 1891. O golpe recebeu o apoio de todos os governado­ res, com exceçso de Lauro Sodré, do Pará. Essa solidariedade nso signifi­ cou, porém, o efetivo respaldo das oligarquias estaduais. já que os governa­ dores alinhados com o governo federal haviam chegado ao poder, em sua maior parte, por meio de nomeações e eleições fraudulentas para as consti­ tuintes estaduais. Também entre as Forças Armadas, as bases deodoristas eram precárias e estavam mesmo em desagregaçso, por força do surgimento de lideranças concorrentes, como o vice-presidente Aoriano Peixoto e os almirantes Custódio de Melo e Eduardo Wandenkolk.

A opo�'Çao ao governo federal aJnlava. ponanto. com parlamentares.