A disputa entre Portela e o PartidQ Republicano pela direção polílica do estado chegou ao auge quando entraram em pauta as eleições dos deputados
ã Assemblêia Nacional Constituinte, convocada desde dezembro de 1889 para reunir-se em 1.5 de novemanro de 1890. A legitimidade da República co meçava a construir-se com esse pleito, marcado para 1.5 de .setembro de 1890. e o desempenho eleitoral das facções políticas estaduais .seria o princi pal indicador das perspectivas que estas poderiam começar a traçar em rela ção ao acesso ao poder.
A estratégia definida pelo governo provisório baseava-se na existência de uma suposta ameaça monarquista, conforme está registrado nas alas das reuniões ministeriais.'" Diante disso. estabeleceu-se um mecanismo eleitoral
- Decreto n.O 200-A. de 8 de fevereiro de 1890, e Decreto n.o .511, de 23 de
junho de 1890. o ,. Regulamento Alvim" - que deixava nas mãos dos presi dentes das cãmaras de intendentes. nomeados pelos governadores. o con trole total dos trabalhos eleitorais. desde a formação das mesas em cada dis
trito até a apuração final dos votos.- Não havia restrições legais à organiza
ção partidária, mas eram muito remotas as possibilidades de eleição de can didatos desvinculados do poder administrativo. Quanto aos casos de inelegi
bilidade, restringiam-se
à
incompatibilidade entre as funções executivas ejudiciárias.
A elaboração da lista ofkial de candidatos do Estado do Rio veio susci tar sérios desentendimentos. A insistência de Ponela na inclusão de três nomes claramente impostos sor Deodoro tomou-se o srincisal obstáculo a um acordo com o diretório do Panido Resublicano. que acusou o governa dor de. aceitando-os, desresseitar a autonomia estadual. Ainda assim, o di retório tentou, durante todo o mês de junho. chegar a um acordo com o go verno e a uma lista que reunisse resublicanos, sonelistas e adesistas. A srósria imsrensa por1elista emsenhava-se em alardear posturas conciliató rias adotadas selo diretório em relação aos governos estadual e federal.
Entretanto, sreocusado em sreparar o terreno sara o bom funciona mento do mecanismo srevisto pelo "Regulamento Alvim", quc imslicava a total sintonia entre o governo e as intendências. Ponela itensificava o sola samento das bases locais de seus adversârios. Quintino Bocaiuva observll que a orientação solitica adotada sor Ponela "mais sarecia dirigir-se ao siso temático aniquilamento de todas as influências reais. sreexistentes ã revolu· ção. substituindo-as sor outras exclusivamente engendradas selo elemento oficial e auloritârio." A seu ver. o governador fluminense desfrutava de inu· sitado asoio do governo federal: .. A esse tempo já não era segredo para nino guêm que o sr. governador do Estado do Rio de Janeiro era mais forte e sresonderante no ãnimo do honrado marechal Deodoro do que o srósrio Ministério ... Iniciou·se. assim. um amslo srocesso de demissão de inten· dentes nomeados selo srósrio governador a sartir da indicação de soliticos agora ososicionistas.
A insistência de Ponela em subordinar ã sua liderança a solitica estadual imsediu-\) também de chegar a um acordo com os srincisais chefes monar quistas." Estes. sor seu turno. decidiram reorganizar-se indesendentemen te. em 3 1 de agosto de 1890. sob a liderança mbima do Conselho Paulino de Sousa. fundaram o Panido Resublicano Moderado. Comsareceram ã reu nião, na cidade do Rio de Janeiro. além de políticos de tradiçâo conserva· dora e liberal, resrescotantes da corrente resublicana. sresença essa indica dom de uma asroximação que teria, como se verá adiante, imsonantes des· dobramentos soliticos. Na ocasião. o Conselheiro Pau lino definiu a orienta· ção política a ser seguida selos moderados naquele momento de reorganiza· ção institucional. Tra tava·se de estabelecer as bases da federação. '"grande srincisio conservador das novas instituições e o srimeiro elemento da sua estabilidade'"." Assim. acrescentava o Conselheiro. aos antigos monarquis· tas caberia. naquele inicio da Resüblica. colaborar sara a manutenção da ordem e a garantia do srincísio da autonomia estadual. questão que. aliás. no seu entender. imsunha que se denunciasse a intervenção do governo sro-
visório e dos governadores na elaboração das chapas de candidalOs à Cons eituinee. -
No eneanto. apesar de eodo o poeencial polieico-cleieoral de que dispu nlmm. os moderados assumir.tm uma posição defensiva em relação às elet· ções. Talvez por eerem a certeza de que o poneo principal de seu programa
-a federação - seria faealmenee vieortoso. jâ que era defendido por eodas as correntes polieicas. deram prioridade à sieuação eseadual. O Conselhetro Paulino de Sousa já afirmava. quando da promulgação do regulameneo elei· eoral. que naquelas condtções o pleieo não passaria de uma farsa, e que o govemo ditatorial elegeria a quem quisesse eleger.- Por isso, o Parttdo Mo der.tdo recomendou a seus simpaeizanees que se abseivessem de votar nas eleições de depueados à ConstilUinee, evteando o desgasee que sofreriam com a derroea inevieável.
Quando a eese abstencionisea foi proposta, despenou resiseências entre alguns dos aneigos chefes monarquistas, preocupados em apoiar o governo, responsável pela manUlenção da ordem e do crêdieo do país no exeerior.11' Abria-se, por ai, um caminho para a adesão dos monarquiseas - especial menee os ltberats. carenees de uma liderança polarizadora como o Conse lheiro Paultno -, não mais ao projeeo republicano. mas ao governo. Deve se lembrar. eambêm, que Portela mantivera esereieos conealos com os libe rais na Assembléia Provincial. onde formavam um grupo conhecido por .. Moneanha" .
1\ chapa governisea de candidaeos à Conseieutnte" acabou sendo lançada sem qualquer menção aos responsáveis por esse lançamento, e na verdade jamais seria encampada publicamente pelo SOvemo. Já o direeôrio republt cano anunciou sua lisea em manifeseo" divulpdo pela imprensa em 2 de se tembro de 1890. J3 dias antes das eletções, o que sugere a dificuldade en freneada pela oposição para compor sua chapa. No mantfeseo, Pareela em acusado de conduzir políticas piores do que as da era monárquica e de eer alijado do processo polfeico eseadual o Pareido Republicano e as forças dos aneigos partidos. Por fim. aeribuía-se ao governador a subordinação do "CS eado ao poder dieaeorial". concluindo o documeneo com a reivindicação da " aueonomia numinense" ,
A composiçâo das duas chapas sugere-nos algumas observações sobre as eâeicas adoeadas pelas duas facçÔlCs. Ponela dispunha da máquina eseadual e, poreaneo. do poder de manipular as eleições com base no ., Regulameneo AI vim", Enereeaneo, a ineranstgência com que eeneava impor sua innuência no eseado criava dificuldades na negociação com a maioria dos chefes polfeicos
de real expressão. rossem aneigos monarquistas ou republicanos. Para supe·