2. TIBBİ TERMİNOLOJİ
2.4. Tıbbî Terimler
2.4.3. Son Ekler
As relações sociais, políticas, econômicas e comportamentais estão em constante mudança. A forma como a morte é vista e vivenciada e a maneira como ela é apresentada ou representada pelos meios de comunicação também muda de acordo com o ambiente, o local, o contexto, e, especialmente, com a cultura de onde o evento está inserido.
Na atualidade, os meios de comunicação estão cheios de relatos sobre morte e destruição. Se observado o início de 2011 como base para uma breve análise, serão encontradas matérias de enchentes e deslizamentos provocados por chuvas nas cidades serranas do Rio de Janeiro, resultando em mais de 900 mortos. Nesse mesmo período, início de janeiro, os veículos não paravam de noticiar uma enchente na Austrália, no Estado de Queensland, com 19 mortos. Ainda no primeiro mês do ano em referência, no estado de São Paulo, houve enchentes e 70 pessoas morreram. No Japão, em março, um terremoto de 9 graus na escala richter atingiu 130 km da costa leste na região de Tohoku, matando mais de 13 mil pessoas.
Essas notícias quase sempre se repetem, sendo que as mudanças ocorrem no número de mortos ou no local onde explode o terremoto, ocorre a enchente, o alagamento, o deslizamento. Em 2010 não foi diferente. No início do ano houve deslizamento e mortes no Rio de Janeiro, porém, em menor número. O que realmente abalou o mundo foi o terremoto que atingiu Porto Príncipe, a capital do Haiti, deixando mais de 100 mil mortos e uma cidade inteira arrasada, sem água, sem luz e sem comida. Em fevereiro, as notícias ruins voltaram a tomar as páginas dos principais veículos e persistiram por quase uma semana, devido à gravidade do problema: um terremoto atingiu o Chile provocando um tsunami que deixou mais de 800 mortos. Nos dois anos, houve enchentes em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, nas mesmas épocas. Se analisados os principais veículos do país, constata-se que, nos primeiros meses de cada ano dos últimos 10 anos, sempre houve enchentes no Rio de Janeiro e em São Paulo e terremotos ou deslizamento de placas provocando tsunami em algum lugar do mundo.
Se as notícias forem vistas por este ângulo, a impressão que se tem é a de que os meios de comunicação usaram a maior parte do seu espaço e tempo divulgando desgraças, pois assuntos dessa natureza realmente tornaram-se manchetes de jornais, chamadas de telejornais, de rádio e internet. A morte, em particular, a de natureza
horrível e dramática, é sempre um evento perturbador em qualquer sociedade e gera interesse por parte da população em geral. Essas mortes têm sempre destaque nos meios de comunicação porque atendem a uma série de critérios jornalísticos de noticiabilidade, no caso, a proximidade do ocorrido, o número de mortos, o fato estar acontecendo em vários paises ao mesmo tempo e ter atingido comunidades já devastadas anteriormente. Se considerados os exemplos acima e computados os espaços que eles conquistaram nos noticiários, comparativamente com outros assuntos no período, poder-se-ía sustentar que o tema morte tem destaque na mídia.
Por critérios jornalísticos de noticiabilidade entende-se uma série de valores atribuídos à notícia que são aplicados pelos profissionais, conscientemente ou não, no momento de avaliar os assuntos que devem compor a gama de informações que o veículo levará a seus leitores, telespectadores ou ouvintes. Os critérios de noticiabilidade não são rígidos e nem universais. São, frequentemente, de natureza esquiva, opaca e, por vezes, contraditória. Funcionam conjuntamente em todo o processo de fabricação e difusão das notícias e dependem da forma de operar da organização noticiosa, da sua hierarquia interna e da maneira como ela confere ordem ao aparente caos da realidade. Aqui não se está falando das situações de exceção, como a do dono da empresa mandar colocar ou tirar uma notícia ou da notícia não ser publicada por atingir diretamente um anunciante ou, ainda, de censura por motivos políticos, mas de mecanismos que se sobrepõem a essas questões e também tentam se sobrepor à subjetividade.
Estudo realizado pela Associação lnternacional de Pesquisa em Mídia e Comunicação (IAMCR) em conjunto com a Unesco mostrou que a proximidade geográfica e fatores políticos e econômicos influenciam diretamente na decisão de uma notícia ser ou não publicada. O primeiro estudo, realizado em 1979, abrangeu 29 países e concluiu que acontecimentos ocorridos nas principais regiões de um país, especialmente, nas mais próximas dos centros de decisão ou dos centros econômicos, têm prioridade. Também houve maior número de notícias relativas a países desenvolvidos do que em desenvolvimento. Os países considerados, naquela oportunidade, do “terceiro mundo” conseguiam destaque na imprensa internacional com notícias desfavoráveis, com ênfase em crises políticas, econômicas, guerras, acidentes e corrupcão.
A pesquisa constatou, ainda, um desequilíbrio no fluxo de notícias. O terceiro mundo recebia muito mais notícias do primeiro do que vice-versa. Em 1995, o estudo
foi repetido e os pesquisadores constataram que não houve grandes mudancas nos critérios de proximidade geográfica e relações políticas e econômicas. Se a pesquisa fosse repetida hoje, provavelmente surgiriam alteracões, já que desde a crise de 2008 houve mudanças na economia mundial e Estados Unidos e Europa estão em crise enquanto Brasil, China e Índia estão em uma posicão favorável, nunca vivida anteriormente.
Quanto aos espaços ocupados nos meios de comunicação por notícias sobre a morte, o que se percebe é uma variação grande no viés adotado para abordar o assunto nas diversas mídias, especialmente na internet. Antes não cabia se pensar que um morto poderia continuar tendo um espaço com suas informações/perfil feito em vida e que continua sendo alimentado/atualizado pelos amigos e familiares mesmo depois de morto. Esses perfis podem ser encontrados nas redes sociais como Facebook e Orkut.
Há lembraças ou tributos até hoje, por exemplo, aos que morreram no acidente do vôo 3054 da empresa aérea TAM, em julho de 2007. O vôo, que saiu de Porto Alegre em direção a São Paulo e atravessou o final da pista do aeroporto de Congonhas, chocou-se com um depósito de cargas da própria TAM, matando 187 pessoas.
Mesmo nos veículos off line há, no mínimo, mudanças na forma como a mídia trata o assunto. Na Alemanha existe o EtosTV, dedicado inteiramente à questão da morte. O canal aborda de forma dramática o envelhecimento da população e suas implicações por meio de documentários sobre funerais, cemitérios, a cultura que gira em torno da morte, apoio a familiares e dicas de casas de repouso e programas para idosos. Nas telas brasileiras, produções norte-americanas que tratam da morte são cada vez mais populares como CSI, Desperate Housewives e Dexter.
Nas artes, a controversa exposição Corpo Humano: Real e Fascinante (Body Worlds) que percorreu o mundo e esteve em exibição no Brasil na OCA (Parque Ibirapuera) em 2007, gerou discussões profundas e muitas matérias na mídia pelo fato de, pela primeira vez, serem usados corpos humanos em uma exibição pública. Foi surpreendente, inusitado e “incomodou” os visitantes. Em 2010, uma nova mostra Corpos – A Exposição, do mesmo autor americano Roy Glover, voltou ao Brasil e não causou o mesmo espanto, embora essa fosse ainda mais realista que a primeira, já que aquela mostrava os corpos em movimento e a última, o avanço dos processos de dissecação dos corpos. Uma das grandes questões levantadas foi que os corpos, de
fato, poderia continuar “existindo” depois da morte, mesmo que como peças de exposição.
As matérias relativas a guerras, desastres e catástrofes também têm espaços relevantes nos meios de comunicação, por atrair a atenção da audiência e, consequentemente, dos anunciantes. Porém, alguns autores veem mudanças na forma como os veículos da chamada grande imprensa estão tratando o assunto. Cada vez mais, a mídia estaria assumindo o papel de reafirmação social que, antigamente, ficava ao encargo de outros setores.
Walter (2006) acredita que a mídia assumiu o papel que a medicina e a religião exerciam em reafirmar e reparar os laços sociais após um desastre, uma catástrofe. Ao observar a crescente importância da mídia como uma espécie de facilitador no processo de luto, surgiram estudos que analisam a cobertura da mídia sobre a morte como uma forma de construção de memória coletiva (HANUSCH, 2010, p. 3).
Grande parte da experiência em relação à morte que as pessoas vivenciam hoje, quando não perderam alguém próximo, se dá por meio de matérias, ou “cases” relatados em reportagens sobre a morte de pessoas famosas, catástrofes, guerras, acidentes. Seja por projecão, comoção, identificação, a pessoa não deixa de vivenciar a dor e, em alguns casos, de sentir o alívio de não ter sido com ela. As mortes relatadas na imprensa sempre são as inusitadas. As mortes invisíveis, comuns, cotidianas não são alvo de notícia, por isso a sensação de que o mundo está cheio de assassinatos, catástrofes e acidentes.
Nos Estados Unidos, um levantamento de notícias sobre a causa das mortes naturais evidencia que o maior número foi pelo uso de tabaco, neurovasculares e cardíacas. Morte por uso de drogas, acidentes de carro, agentes tóxicos e homicídios tiveram menor espaço nos meios de comunição. A maioria das pessoas, no entanto, morreu de causas naturais:
quase 50% das pessoas que morreram em 2006 tiveram como causa duas doenças: cardíacas (incluindo ataques cardíacos) e cerebral (HERON et al, 2009). As mortes por acidentes chegaram a 5%; 1,4% cometeu suicídio e 0,8% morreu por homicídio. Conclusão: 34 vezes mais pessoas morrem de doenças do coração do que por assassinatos. A situação é semelhante em muitos outros países ocidentais. Estudo posterior sobre a cobertura de morte nas seções de notícias estrangeiras de jornais
australianos e alemães também revelaram uma dependência similar em relação a publicações de mortes violentas (HANUSCH, 2008a). Mortes por bombardeios, ataques suicidas e guerras foram responsáveis por quase 70% das matérias. Cerca de 12% referiam-se a acidentes fatais e quase 7% relataram mortes por desastres naturais. Em contraste, pouco mais de 7% foram sobre mortes naturais e menos de 1% sobre mortes por doenças. (HANUSCH, 2010, p. 40).
No Brasil, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2008, a principal causa de morte é a cardíaca, que atinge cerca de 32% da população, seguida de câncer, com 15,6%. Não há levantamento dos espaços que os veículos de comunicação dedicam aos diferentes tipos de morte, muito menos às de causas naturais. Porém, pode-se afirmar com segurança que só terão visibilidade as mortes por doenças naturais de pessoas famosas. A revista Veja, por exemplo, nos últimos 10 anos, publicou cinco capas falando sobre as doenças cardíacas e os cuidados que as pessoas devem ter para evitá-las; quatro capas falando sobre o câncer; duas sobre o diabetes e duas sobre o alcoolismo. As capas seguem o ranking das doenças que mais matam no Brasil, divulgado tanto pelo IBGE, como pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde.
O tema doença também só ganha espaço quando o envolvido é celebridade ou político importante e, por esse motivo, os veículos falam da doença com um sentido informativo. Foi o caso do relato de Veja, na edição de 21 de setembro de 2011, que trouxe na capa o ator Reynaldo Gianecchini com a cabeça raspada depois do tratamento de um câncer linfático. A reportagem diz que foi o mesmo que atingiu a presidente do Brasil, Dilma Roussef, antes da campanha eleitoral de 2010 e ela se saiu vitoriosa da luta. Já o ator Andy Whitfield, que viveu Spartacus na primeira fase da série mundial Spartacus – Blood and Sand não teve a mesma sorte, sucumbiu no dia 11 de setembro de 2011 a um linfoma não-hodgking, o mesmo da presidente e de Gianecchini. Há gráficos e explicações técnicas de como o câncer atinge a pessoa e especialistas falando sobre as possibilidades de cura.
Para contrapor os argumentos de que a mídia só publica desgraça, embora o incomum seja um dos critérios utilizados no mundo inteiro para a decisão editorial, os estudiosos que defendem que essa exposição não é tão sem medida, dizem que a chamada grande imprensa, a que se pretende séria, toma muito cuidado quando o tema é a morte e os envolvidos estão próximos, principalmente, os da mesma cidade, estado e até país. Quando se fala de fotografias, o cuidado redobra, já que mostrar o
sofrimento exagerado das pessoas pode ser tomado como desrespeito aos familiares e a toda a comunidade e pode gerar revolta:
na maioria dos países ocidentais, as agências de notícias têm uma série de regras explícitas que regem a publicação de imagens de morte. Como outros estudiosos apontaram, muitas fotografias de morte nunca são realmente publicadas, em grande parte devido a restrições éticas e considerações ao bom gosto e sensibilidade do público. Taylor (1998, p. 193) acredita que a imprensa tem "o cuidado de escrever mais detalhadamente do que se preocupar em mostrar" e Campbell (2004, p. 55) argumenta que "temos assistido a um desaparecimento dos mortos na cobertura contemporânea". Embora jornais sensasionalistas exagerem em algumas fotografias, e procurem imagens cada vez mais horríveis e detalhada de pessoas mortas...(...) os grandes veículos, procuram considerar os sentimentos da audiência e muitas vezes tendem a tornar os eventos mais amenos e aceitáveis ao público (HANUSCH, 2010, p. 59).
Nos casos de guerras ou grandes catástrofes, também há uma auto-censura da mídia no que mostrar, pois essa decisão pode causar pânico e provocar mais mortes. Para ilustrar, pode-se tomar como exemplo o caos provocado por uma notícia transmitida sem avaliação das consequências durante a cobertura de deslizamento de morros que atingiu várias cidades da serra fluminense, no Rio de Janeiro, no início de 2011. Uma emissora de TV divulgou que havia comentários de que uma represa poderia se romper devido ao acumulo de água. Minutos depois, a própria emissora mostrou famílias inteiras correndo descalças pelas ruas tentando fugir do local. A notícia fazia todo o sentido já que a água havia levado casas e deixado muitos mortos, porém, foi desmentida em seguida. Na correria, muitas pessoas ficaram feridas.
Em algumas ocasiões, como ataques terroristas e acidentes de grandes proporções, vidas de pessoas comuns têm sido alvo de atenção. Apenas quatro dias após 11 de setembro 2001, o New York Times iniciou uma série de obituários sobre aqueles que morreram no desabamento do World Trade Center. A publicação foi tão bem recebida pelos leitores que foi prorrogada por mais de um ano, período durante o qual foram publicados mas de 1.800 retratos (HANUSCH, 2010, p. 10). No Brasil, se tomados os dois últimos acidentes aéreos ocorridos, o da TAM, em 2007, e o da Air France, 2009, em ambos, a revista Veja fez um obtuário dos mortos e, em um esforço de reportagem, conseguiu a fotografia da maior parte das vítimas brasileiras. Os jornais
Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo também publicaram os retratos nos dias subsequentes.
Os obtuários, que sempre foram mais utilizados pela mídia inglesa e americana, nos últimos 10 anos, ganharam força no Brasil de uma forma diferente. Além da publicação de fotos de vítimas de acidentes com um breve histórico, as redações passaram a deixar uma “biografia” pronta de políticos, autoridades e celebridades para no caso de morte súbita. Prova é que no dia primeiro de março de 2011 o presidente do Senado, José Sarney (PMDB/AP), reagiu com bom humor ao “vazamento” de um obituário feito pela Rádio Senado para sua eventual morte. Em discurso na sessão do Congresso Nacional em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, Sarney brincou com o tema e o jornal o Estado de S.Paulo de 02 de março de 2011 publicou: “Hoje um veículo noticia meu obituário, mas graças a Deus, aqui estou, vivo, cheguei do céu”. A biografia é prática comum das redações, especialmente para famosos em idade considerada avançada.
Outro fato levado em consideração para maior ou menor exposição da morte é a questão cultural e religiosa de cada país. No México há uma celebração do dia dos mortos, em que as pessoas saem às ruas com vestimentas especiais para homenageá- los. No Brasil, o dia é tido como de oração e recolhimento. Os elementos religiosos reconhecidos, muitas vezes, são utilizados em matéria de acordo com Seaton (2005, p.76) apud Hanusch (2010) “para melhor caracterizar suas imagens e despertar a emoção ou comoção, mas também porque esteticamente ajudam no impacto da dor”. A autora observa que, em muitas fotografias mostradas depois de um desastre, as mães em luto assumem um ar de Pietá, que na língua italiana significa compaixão, e cuja maior referência é à Virgem Maria que embala o corpo
sem vida de Jesus em seus braços. Uma imagem replicada inúmeras vezes ao longo dos séculos, sendo a mais famosa delas a escultura La Pietá, de Michelangelo, criada em 1499.
A revista Veja tem um exemplo bem acabado do que a autora diz. Basta ver a capa de 8 de setembro de 2004, em que há a imagem de uma mãe agachada acariciando o rosto da filha. A criança é uma das mais de trezentas vítimas de um ataque terrorista praticado por chechenos a
revista mostra uma mãe que observa a filha morta, sem lágrimas ou gritos, mas com um gesto de amparo e conforto.
As fotos abaixo são imagens das páginas internas da reportagem e pode-se ver a opção da revista por um recorte ou close da mãe acariciando a filha em meio a várias outras opções.
A cobertura jornalística dos veículos de comunicação em relação à morte, em alguns aspectos, não difere da de outros assuntos. Porém, tratando-se de número de mortes, muitas vezes a popularidade de um governo fica ameaçada e o mercado também pode ser afetado. Isso significa que, embora existam critérios de noticiabilidade, o sistema político e econômico podem tomar a frente. Por exemplo, em tempos de guerra ou de graves crises econômicas, os governos precisam manter o apoio de seus cidadãos e, por vezes, se utilizam do controle das informações que liberam para os veículos. A mídia sabe disso e os jornalistas brigam por um “furo”, porém, os veículos são dependentes do mercado e comprometidos, em grande medida, com o governo, especialmente quando se tratam de concessões de emissoras de rádio e televisão.
Esta dependência leva os veículos de comunicação a se alinharem com a fonte ou a reproduzirem e reforçarem os pontos de vista e valores da classe dominante. Mundialmente, antes do fim da Guerra Fria, a ideologia dominante era a anti- comunista. Desde a falência do comunismo, Herman (1996) observa que a ênfase foi substituida pelo "milagre do mercado". No milagre econômico, além da censura do mercado e do governo, a própria imprensa passou a se auto-censurar, pois ela já está tão impregnada do espírito do sistema que segue naturalmente as regras.
Diante dessa situação, os veículos de comunicação, como empresas que são, tendem a tratar o conteúdo como produto ou mercadoria e o público como cliente. Consequentemente, há uma monopolização crescente das empresas de comunicação, perda da diversidade no conteúdo das matérias e redução de operações menos rentáveis, ou seja, serviços de utilidade pública. As grandes reportagens que requerem apuracão, deslocamento de equipe e gastos com hospedagem e infraestrutura são cada vez mais raras.
Não há nada de novo no fato, porém, nas últimas décadas, isso tem afetado a qualidade de todos os tipos de reportagem, em função das mudanças de cunho mercadológico e de alinhamento natural das empresas de comunicação com o sistema. Se usado como exemplo as reportagens da revista Veja no inicio da década de 1990, serão encontradas capas que demandaram grade investimento como Ianomamis, a Morte de um Povo (19 de setembro de 1990), com apuração nas aldeias indígenas; Os Miseráveis (19 de dezembro de 1990), uma tentativa de radiografar onde estavam os maiores focos e como viviam os miseráveis naquele período; e O Brasil Verde (1991), preservação dos 30 milhões de hectares dos 120 parques de reservas florestais, com fotos e visita aos mais significativos.
Já no inicio da década de 2000, as reportagens passaram a priveligiar as chamadas matérias de redação, aquelas que são apuradas por telefone sem entrevista