1. BİYOMEDİKAL CİHAZLAR
1.4. Kullanım Alanına Göre Tıbbî Cihazlar
1.4.3. Laboratuar ve Hasta Dışı Uygulama Cihazları
A hipótese de Agenda Setting faz parte de uma corrente de estudos desenvolvida pelo norte-americano McCombs na década de 60 e sustenta a tese de que “os meios de comunicação de massa não dizem ao público o que pensar, mas dizem sobre o que pensar”, ou seja, quanto maior a ênfase da mídia sobre um tema, maior será o incremento da importância atribuída pelos membros da audiência aos temas enquanto orientadores da atenção pública.
A teoria se constituiu em uma ferramenta de estudos das relações da mídia, sobretudo da televisão com o poder político, em especial na época de eleições. Apesar do viés político que a hipótese de Agenda Setting adquiriu inicialmente, com o passar do tempo, constatou-se que o fenômeno de agendamento também acontece em outros temas considerados importantes para a formação da opinião pública.
As matérias jornalísticas são um meio importante para o agendamento do público a respeito de assuntos considerados de relevância social. É por meio delas que alguns temas passam a compor os principais debates na esfera pública. No caso de Veja, além de propor o agendamento, a revista cria um significado para os eventos, oferecendo certas formas de interpretação.
Na visão de Shaw apud Wolf (2003, p. 96), a hipótese de Agenda Setting enfatiza os efeitos da mídia no público-alvo. Em consequência da ação dos jornais, da televisão e dos outros meios de informação, o público é ciente ou ignora, dá atenção ou descuida, enfatiza ou negligencia elementos específicos dos cenários públicos. As pessoas tendem a incluir ou a excluir do próprio conhecimento o que a mídia inclui ou exclui no seu conteúdo. Além disso, o público tende a conferir ao que ele inclui em seu conhecimento uma importância, que reflete de perto a ênfase atribuída pelos meios de comunicação de massa aos acontecimentos, aos problemas, às pessoas.
Outra estratégia de construção do discurso jornalístico de Veja sempre presente é o enquadramento, ou seja, o direcionamento dado às reportagens de capa. A tendência por opções de determinados tipos de enquadramento das notícias pode ser facultada pelas narrativas jornalísticas, que são as escolhas textuais e discursivas das quais os jornalistas se utilizam no desenvolvimento de suas tarefas. As escolhas são influenciadas tanto pela formação profissional dos jornalistas quanto pela cultura organizacional dos veículos de informação em que trabalham.
O enquadramento ou frame é uma das estratégias discursivas cujo início deu-se nos trabalhos de Goffman apud Wolf (2003) sendo definido como conjunto de “construções mentais que permitem aos seus utilizadores localizar, perceber, identificar e catalogar um número infinito de ocorrências concretas”. Considera-se, assim, que a vida pública é organizada por meio de frames através dos quais as pessoas percebem os eventos ao seu redor.
No entender de Porto (2004, p. 78), enquadramentos “são marcos interpretativos mais gerais construídos socialmente que permitem as pessoas fazer sentido dos eventos e das situações sociais”. Na prática jornalística, um enquadramento é construído por meio de procedimentos como seleção, exclusão ou ênfase de determinados aspectos e informações, de forma a compor perspectivas gerais pelas quais os acontecimentos e situações do dia são dados a conhecer. Trata-se de uma ideia central que organiza a realidade dentro de determinados eixos de apreciação e entendimento, e envolvem, entre outros recursos, o uso de expressões, estereótipos, sintagmas.
Ao investigar as reportagens de capa de Veja é importante compreender algumas de suas características específicas. Uma delas é a disputa pelo público leitor. Essa disputa determina as condições de suas produções simbólicas, em virtude de a imprensa estar inserida em um mercado no qual a concorrência entre o que é produzido dentro e fora do país é grande. Outra característica é o fato de a revista constituir-se em espaço privilegiado de visibilidade de opiniões, de pessoas e de grupos diversos cujos interesses são variados. Nos espaços também circulam modelos de identificação que influenciam os modos de compreensão da realidade. Esses aspectos fazem os temas das reportagens funcionarem, muitas vezes, como agentes propagadores de ideias, possibilitando a articulação discursiva por meio de debate público de temas variados, por razões e circunstâncias diversas, como é o caso da morte.
A partir da arquitetônica conceitual de discurso, entende-se o jornalismo como atividade cotidiana em que, por meio de seus textos, circulam discursos sociais vinculados a determinados ideários políticos pelo alcance tido na sociedade, pois, “a imprensa (a mídia em geral) não vive apenas dos episódios ocorridos num determinado dia, mas também da discussão, do debate e da análise de acontecimentos ou situações intemporais (...), e não simplesmente que aconteceram” (ROSSI, 1998, p.17). Esses conceitos significam que, ao atuar privilegiadamente no cotidiano da
sociedade, o jornalismo edita o mundo, agenda temas e entra no processo permanente de produção de significado em todas as suas manifestações. O jornalismo é capaz de concentrar e orientar a atenção do público leitor para determinados temas.
De acordo Mauro Wolf (2009), uma das críticas à teoria de Agenda Setting, ou, simplesmente, teoria do agendamento, era o fato de a mesma se limitar à análise dos aspectos que incluiriam determinada notícia na agenda do público. A teoria do enquadramento complementa esses estudos ao observar como o jornalismo pauta a maneira da audiência refletir sobre o tema, delimitando-o, recortando-o. O autor afirma que com o enquadramento é possível atuar politicamente, definir problemas, diagnosticar causas, fazer um julgamento moral e sugerir remediações.
Os critérios de noticiabilidade, enquanto critérios de valoração do que é suscetível de se tornar notícia, ajudam a desvelar os elementos que influenciaram o agendamento das capas. Foram consideradas situações como importância, oportunidade, atualidade, novidade, frequência, interesse dos leitores, interesse público, impacto, consequências e repercussão, controvérsias, conflitos, negatividade, dramatização, crise, desvio, sensacionalismo, emoção, proeminência das pessoas envolvidas e excentricidade, entre outros (WOLF, 2006).
O agendamento temático é relevante na imprensa. Nas capas de Veja, percebe- se que são privilegiadas as notícias mais recentes e importantes, também consideradas, por decisão editorial, as que terão maior repercussão entre os leitores.
Ao contrário do entusiasmo que a revista demonstra em realizações bem sucedidas, na abordagem política, Veja se mostra “mal humorada” (PRADO, 2006), mas tem nesse posicionamento um dos seus principais pilares de credibilidade, segundo editoriais da mesma, que se vangloriam por já ter derrubado presidente e ministros. Seus últimos feitos, nesse sentido, foram a queda do deputado Renan Calheiros (outubro de 2007) como presidente do Senado, após denúncia de desvio de dinheiro, feita pela revista, a queda do ministro da Agricultura, Wagner Ross (agosto de 2011), também por desvio de recursos públicos no Ministério e, mais recentemente, o ministro dos Esportes, Orlando Silva (outubro de 2011), por desvios de recursos do Governo para ONGs. Nos três casos, Veja pautou a mídia e a política. As capas responsáveis pela queda Calheiros:
Outro vetor de sustentação de capas da revista é a saúde, não apenas como ideal de beleza, mas para se manter o corpo saudável e poder viver mais e com melhor qualidade de vida. As novas descobertas da medicina, seguidas por uma bem montada “receita” de como viver bem, também fazem parte desse imaginário ideal construído e proposto pela revista.
As temáticas mais presentes nas capas de Veja, nos seus 43 anos de existência, falam de riqueza, de milhões e bilhões ganhos por personalidades dos mais diversos mundos, além das reportagens que propõem aos leitores formas de vida que levam ao sucesso ou a ganhar dinheiro.
Como está no próprio nome, Veja é um enunciador imperativo, julgador e manipulador que, a exemplo de outros meios de comunicação, se utiliza de programas modalizadores para fazer seu leitor saber o que os outros não sabem, saber fazer melhor do que todos e agindo assim estarão em consonância com os valores e crenças da sociedade atual e farão parte de um grupo especial: o “dos mais bem informados” e “melhor posicionados”.
O leitor de Veja é implicitamente instado, deste modo, a pertencer performativamente a um grupo seleto de vitoriosos, que conhecem o mundo e sabem dos passos exigíveis. O reino mágico de Veja algumas vezes pacifica o leitor (use seu cérebro e serás feliz), outras alerta-o para os perigos do mundo (veja o crescimento urbano, da violência, do crime), outras o localiza (as novas
tendências das ações das mulheres, dos governos, da globalização) (PRADO, 2006).
Em contraposição ao exposto, o tema da morte não é euforizado nos meios de comunicação, nem na revista, indo na contramão dos ideais de Veja em termos de vitória e sucesso. Por esse motivo, será importante analisar como a revista trata o assunto.
Não pensar na morte é possível até que o Real se imponha e a morte se faça presente, seja pela ameaça da própria vida ou pela morte de uma pessoa próxima. A partir desse momento, é impossível negá-la, mesmo que esse seja o primeiro impulso. Nega-se a morte pelo desejo de viver e de não tomar consciência de que cada dia vivido é um passo em direção ao fim físico. Alguns pensadores afirmam que tentar negar a morte faz parte do “conseguir viver”, pois, na lucidez total, não se teria motivação suficiente para seguir adiante. “Eu acredito que têm razão, absoluta razão, aqueles que acham que uma plena compreensão da condição humana levaria o homem à loucura” (BECKER, 2007, p. 49).
A angústia gerada pela consciência da própria morte induz o homem, na maioria das vezes, a se defender e agir como se ela não existisse. A impotência é um fator que leva os seres humanos a vê-la como um acidente que acontece no percurso do “outro”. Sigmund Freud lembra que o homem vive como se a sua própria morte não estivesse presente em suas relações, somente a morte do outro. “Negar a mortalidade, atualmente, é viver como se ela não existisse” (FREIRE, 2006, p. 28).
O medo da morte, presente em praticamente todas as sociedades, se apresenta de maneira diferente em cada época, mas tentar dissimulá-la, com frequência, compromete a autonomia do individuo, de acordo com Wolf (2006, p. 17),
[...] Certos períodos, como o da Idade Média, parecem obcecados pelo medo da morte; outros, como o nosso, parecem sobremaneira preocupados em dissimulá-lo em uma espécie de falso pudor hipócrita. Falamos abertamente de doenças, dos sofrimentos, de assassinatos, de massacres, de terror, mas da própria morte só falamos de maneira camuflada, e do medo que ela inspira – e do medo que nossa própria morte nos inspira – não falamos absolutamente nada: é como se existisse uma indecência, hoje, no fato de confidenciarmos que sentimos medo de morrer.
Para dissimular a morte ou sublimá-la, uma das maneiras encontradas, de acordo com alguns autores é no contato com imagens de morte na mídia. Essa seria uma forma de extrapolar simbolicamente o medo que fere a individualidade do homem para que ele consiga conviver com a ideia da morte:
o homem satisfaz seus desejos imaginários na observação da morte do outro através da imprensa, ou seja, dos dispositivos jornalísticos. A morte só pode ser ultrapassada no campo simbólico, no imaginário (MORIN, 1997b, p. 14).
Os veículos de comunicação impressos apresentam milhares de imagens dos mais variados tipos, sejam fotografias, fotogramas, ilustrações ou desenhos. Da principal fotografia do dia – normalmente de grandes dimensões, estampada na chamada de capa - à pequena ilustração de uma matéria no miolo de um suplemento, representações imagéticas povoam toda a superfície dos periódicos.
Uma das principais características do discurso jornalístico é a pretensão de verdade, ou seja, o meio para conquistar e manter a confiança de seu leitor precisa atestar de alguma maneira as informações que lhe são apresentadas; a fotografia é, junto às citações de fontes autorizadas, o recurso mais utilizado nas reportagens para confirmar a veracidade de uma notícia. Seu uso é recorrente nas matérias, seja para ilustrar eventos de grande impacto junto ao público – como o atentado de 11 de setembro – ou simplesmente retratar uma jovem correndo em um parque em matéria de atividade física em editoria de saúde. Na revista, as fotografias têm especial importância já que elas compõem a maioria das capas e cobrem cerca de 60% dos espaços das reportagens. Por isso, também, são de fundamental importância na análise de como o periódico dá a ver a morte.
O ser humano é bombardeado diariamente por um grande fluxo de informação por meio de imagens de jornais, revistas, televisão, vídeo, cinema, internet. Obviamente, esse é o papel dos veículos de comunicação, mas ao se tornarem tão presentes e pautarem a vida cotidiana, eles distraem as pessoas da própria morte ao espumarem informações e signos, de acordo com Wiener (1954). Diante dessa influencia tão profunda da mídia e servindo ela como um canal para levar o ser humano a não pensar em questões essenciais, considera-se importante discorrer, de forma breve, como a morte é vista/percebida na atualidade, na sociedade e na própria mídia.