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2. TIBBİ TERMİNOLOJİ

2.4. Tıbbî Terimler

2.4.2. Ön Ekler

Esse culto ao individualismo, ao “seja você mesmo”, “seja feliz”, na verdade, esconde um medo que assola todo o ser humano e todas as sociedades. Como já dito, o medo da morte. Porém, se o homem vive assombrado pela morte, seria de se supor que ele já deveria estar acostumado à ideia da mesma, adaptado ao fato de ela fazer parte da existência. Mas não é o que acontece. Faz parte, como diz Morin,

da espécie humana, que, como todas as outras espécies evoluídas, vive da morte de seus indivíduos: o que nos deixa entrever uma inadaptação interior, geral, do homem à sua natureza, uma inadaptação íntima do indivíduo humano a sua própria espécie (MORIN, 1997 p. 55).

Becker (2009) reforça a relação do homem com a morte e como ele rejeita a ideia de finitude. Para o autor, o ser humano tem dificuldade em entender que este é o

seu destino final e que, por mais que ele se sinta poderoso, não pode mudar a sua condição humana.

A ideia da morte e o medo que ela inspira perseguem o animal humano como nenhuma outra coisa. É uma das molas mestras da atividade humana – atividade destinada em sua maior parte, a evitar a fatalidade da morte, a vencê-la mediante a negação de que ela seja o destino final do homem (BECKER, 2009, p. 11).

A morte é componente central no comportamento de todas as sociedades que, ao longo de milhares de anos, desenvolveram vários rituais para elaborar a perda de seus entes queridos. Na idade média, a morte era vista como parte da existência. O homem vivia em grupo e a expectativa de vida era relativamente baixa. Com a evolução, a sociedade se tornou mais complexa, surgiram as unidades familiares que, depois, foram cada vez mais reduzidas em seu tamanho e individualizadas. Nos últimos cem anos, a morte vem sofrendo interdições e alterações significativas. O deslocamento do cenário da morte - da casa do moribundo para os hospitais - implicou diretamente na mudança do cerimonial. Foram substituídos os antigos agentes, o médico de família, o padre, os parentes e amigos por médicos especialistas, plantonistas e enfermeiras.

Durante a década de 1920, quando a morte rapidamente desapareceu da vista do público, foi chamada por Ariès (2003) de tempo da "morte invisível". Rituais religiosos e sociais declinaram em importância e tornou-se mais e mais difícil para as pessoas lidar com a própria morte, bem como para os enlutados lidar com a própria dor. A remoção da morte para a esfera médica resultou, assim, na cultura da negação da morte, de acordo com Becker (2009).

Existem pelo menos três discursos dominantes identificados por estudiosos em relação à morte ao longo dos séculos. Nas sociedades tradicionais, a morte era vista pelo prisma da religião dominante. Nesse caso, a morte era aceita e o modo das pessoas tolerarem, conviverem com ela era por meio da oração. Nas sociedades modernas, predominou o discurso da medicina e a morte passou a ser controlada e evitada nas conversas. Na sociedade pós-moderna, a psicologia tornou-se o discurso vigente para lidar com o tema. Há uma maior ênfase na individualidade, uma tentativa de voltar a inserir a morte na vida e a forma de lidar com a morte se dá por meio da expressão dos sentimentos. Voltou-se a poder sofrer, a demonstrar a dor.

Os relatos, e mesmo experiências de morte, chegam às pessoas, muitas vezes, primeiramente, pelas mídias. Isso está mudando o papel social dos meios de comunicação. Por exemplo, depois de grandes desastres, a Igreja ou órgãos governamentais assumiam o papel de ajudar e agregar a comunidade no socorro aos atingidos; esse papel está cada vez mais, também, sendo exercido pelos veículos de comunicação como observa Walter (2006) apud Hanusch (2010) que

nas matérias sobre desastres, os meios de comunicação, por exemplo, desempenham um papel cada vez mais importante nesta expressão dos sentimentos. Ele argumenta que, após tais evento, os meios de comunicação reafirmam os laços sociais e repararam o tecido social. Nesse caso, a mídia está assumindo parte do papel que a medicina exercia com muita força anteriormente (HANUSCH, 2010, p. 11).

Durante a época vitoriana, as pessoas cultivavam a memória de seus entes queridos por meio de pinturas, fotografias, máscaras mortuárias e bustos do falecido. Visitas à túmulos eram práticas comuns, como era a literatura infantil sobre a morte que, ao mesmo tempo que servia ao propósito de assustar as crianças para a obediência, procurava reduzir o medo da morte, sem sucesso pela forma assustadora como era abordada. Foi o período em que a demonstração de luto em público foi mais evidente. Nada, no entanto, como o excesso da rainha Vitória, que guardou luto pela morte do marido, principe Albert, durante 40 anos.

O homem teme a morte porque com ela perde a sua individualidade, por isso, quanto mais próximo for o morto, mais violenta será a dor. Para ajudar na elaboração dessa perda, as sociedades desenvolveram vários rituais. Segundo Morin (1997, p. 25), “não existe nenhum grupo arcaico, por mais primitivo que seja, que abandone seus mortos ou os abandone sem ritos”. Os dados sobre os rituais levam a crer que se havia preocupação com as práticas funerárias é porque os primitivos acreditavam na sobrevivência do morto. Do contrário, deixariam os cadáveres insepultos e prosseguiriam.

Guardada a devida distância, a crença da vida após a morte ou de outra vida, atualmente, se concretiza de forma virtual com os famosos avatares. Seres de um mundo virtual, eles possibilitam que as pessoas por trás das telas dos computadores sejam quem quiserem ser. No ciberespaço, todos os tempos são dados em todo

momento e o ser humano vai criando e se adaptando às novas realidades. Porém, a fascinante ideia do duplo, de outra vida, não é nova.

A crença na possibilidade de renascimento ou no retorno à vida remete a outras crenças que surgiram nas concepções arcaicas. Trata-se do duplo por meio do qual o indivíduo acredita garantir sua vida após a morte. Desde que o homem passou a enterrar o morto com seus pertences, percebe-se a crença de que o morto tem vida própria,

mas este duplo não é tanto a reprodução, a cópia exata post

mortem do indivíduo morto: ele acompanha o vivo durante sua

existência inteira, ele o duplica, e este último o sente, o conhece, o ouve, o vê, conforme sua experiência quotidiana e quotinoturna, em seus sonhos, sua sombra, seu reflexo, seu eco, sua respiração, seu pênis e até seus gases intestinais (MORIN, 1997, p. 234).

É interessante observar que esse medo que acompanha o homem pode desaparecer nos casos de guerra ou de grandes catástrofes. Quando o ser humano é tomado por um sentimento maior e tem em suas mãos a responsabilidade de salvar vidas, que acredita dependam exclusivamente dele, essa responsabilidade funciona como uma missão a ser cumprida e ele se sente imunizado, ganha força e coragem que em condições normais não teria.

“A morte horrível retorna mais tarde, quando a guerra já acabou”, diz Morin (1997, p. 42). Essa coragem nasce de uma atitude da sociedade diante da guerra, denominada, segundo o autor, de “regressão geral da consciência”, estado no qual o indivíduo se endurece, se encoraja, numa atitude de civismo. Há uma causa maior para lutar e defender e, a sociedade, ao se afirmar em relação ao indivíduo, anula quase completamente a morte.

Mesmo quando não há um sentimento de coragem provocado por um senso cívico, a sociedade atual está em uma verdadeira luta contra a velhice e a morte, embora se constatem movimentos pela reintrodução da “morte na vida”. O que de fato o ser humano gostaria é de poder vencer o inimigo, a morte. “Poderá o gênio humano ultrapassar o estágio atual de luta contra a morte?”, pergunta Morin. Ele acredita que “como um ser indeterminado, aberto a infinitas possibilidades, não é possível prever onde tudo isso vai dar. Mas o homem ‘amortal’ seria ainda o mesmo homem?”. O próprio Morin responde:

nós nos aproximamos de uma fronteira ou para nos despedaçar contra ela, ou para dar meia volta, ou para transpô-la. Assim caminha o homem, entre o indefinido e o infinito. Nada está realmente aberto, nada está realmente fechado. Uma nova aventura é possível (MORIN, 1997 p. 353).

No início desse século, há quem veja um começo de nova mudança nos rituais e vivência da morte. Em função da individualização cada vez maior do ser humano e da proximidade da comunicação em rede, os meios de comunicação estariam exercendo um papel de retorno da morte à esfera pública.

Atualmente, o que pode ser visto é uma tentativa de transferir novamente a morte para a esfera pública, especialmente, por meio dos veículos de comunicação. Uma quantidade crescente de matérias fala que a morte está se tornando cada vez mais presente na mídia e, que isso, deverá mudar a forma como a sociedade ocidental vem se relacionando com a morte (HANUSCH, 2010, p. 2).

Essa ideia tem base na avaliação de que o papel das mídias na sociedade é cada vez mais fundamental. Em um mundo globalizado e dominado pela tecnologia, as pessoas adquirem a maior parte de seus conhecimentos por meio dos veículos de comunicação, cujos enunciadores levam o leitor às mais diversas experiências e a se sentirem parte integrante desse mundo mostrado em texto e imagem. Um exemplo disso é a proximidade que as pessoas têm quando expostas à vida de celebridades. Poucos, de fato, tiveram oportunidade de encontrá-las ou falar pessoalmente. No entanto, a maioria das pessoas tem a impressão e o sentimento de conhecê-las com base no que lêem ou ouvem sobre elas na mídia. Da mesma forma acontece com lugares sobre os quais pode-se discorrer com precisão sem nunca ter estado lá, por se ter uma imagem razoavelmente clara a partir de reportagens. Isso leva a crer que a experiência de morte partilhada nos meios de comunicação, de estranhos famosos ou não, sejam as experiências de morte mais comuns na cultura moderna (HANUSCH, 2010, p. 5).

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