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Soğuk Savaş Döneminde Avrupa Birliği ve Türk-Alman İlişkileri

3.2. AVRUPA BİRLİĞİ ÇERÇEVESİNDE TÜRKİYE-ALMANYA

3.2.2. Soğuk Savaş Döneminde Avrupa Birliği ve Türk-Alman İlişkileri

A julgar pelos resultados obtidos na segunda etapa de nosso teste, poderíamos afirmar que falantes de espanhol das cidades de Guadalajara, Guanajuato e Cidade do México selecionam apenas a ER padrão para relativas preposicionadas. Contudo, uma observação mais acurada sobre as descrições que os informantes fizeram na tarefa de descrever os quadrinhos nos permitiu obter dados relevantes sobre as ERs do espanhol, pois foram encontradas neste corpus algumas orações relativas formadas por outras ERs. Expandindo, então, nossa análise para as descrições, foram identificadas 5 orações relativas formadas por diferentes ERs, como se pode observar no quadro abaixo:

Estratégia de relativização Número de ocorrências

Padrão 1

Resumptiva 2

No pronominal 2

Quadro 12

Ao contrário do que vimos na análise das respostas dadas na segunda tarefa do experimento, no conjunto de orações relativas que apareceram nas descrições a ER padrão não é mais a que prevalece. Com apenas um caso registrado, esta ER é superada por 2 casos de uso do pronome resumptivo e 2 casos de uso da estratégia da omissão da preposição (no pronominal). Podemos atribuir esta diversidade de uso das ERs do espanhol ao fato de o contexto em que as relativas apareceram ser mais ou menos

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controlado. De fato, nas duas tarefas de nosso experimento o contexto que se apresenta é mais controlado, porém as descrições dos quadrinhos parecem ter um caráter um pouco menos controlado visto que o informante pode conduzir a narração da história que criou da forma como preferir. No caso da segunda tarefa, por outro lado, sua produção ficava muito mais restrita (e, portanto, mais controlada) pelo contexto criado para induzi-lo a uma determinada resposta.

Vejamos, no gráfico abaixo, a distribuição do total das ERs do espanhol encontradas:

Gráfico 5- Distribuição das Estratégias de Relativização no espanhol

Diante dos percentuais apresentados pelo gráfico 5 vemos que a estratégia padrão é a ER mais selecionada pelos falantes de espanhol das cidades mexicanas que selecionamos. As demais ERs foram utilizadas com menor frequência, mas sua presença em nosso corpus revela que são estratégias utilizadas pelos falantes desta variedade do espanhol. Contudo, como o número de dados com o qual trabalhamos é reduzido, não podemos ainda afirmar se alguma destas estratégias não padrão é mais selecionada pelos falantes que a outra ou se alguma delas é mais produtiva que as demais em contextos menos controlados.

(76) Son dos niñas [que alguien les da esa… más bien… una blusa rosa] (MX 09)

“São duas meninas que alguém da a elas essa… uma blusa rosa”

64% 18%

18%

Estratégias de relativização México

Estratégia padrão

Estratégia no pronominal Estratégia resumptiva

98

(77) el celular [con el cual había tanto soñado] (MX 03) “O celular com o qual havia sonhado tanto”

(78) dos chicas [que su mamá les dio dos camisas] (MX 03) “Duas meninas que a mãe delas deu duas camisas”

A pesar de serem poucos, os exemplos 76 77 e 78 nos permitem reconhecer as três ERs disponíveis no espanhol. Na sentença 76 a ER empregada foi a estratégia da omissão da preposição (no pronominal), a sentença 77 possui uma relativa formada pela estratégia padrão e na sentença 78 foi usado o pronome resumptivo. O uso de uma relativa padrão do tipo pied-piping em um contexto que consideramos um pouco menos controlado nos sugere que esta ER parece ser selecionada pelos falantes também em situações de fala menos formais nas quais não se exija o uso da norma culta. Já as ERs não padrão, por sua vez, parecem estar muito mais associadas aos contextos de fala menos controlados e à fala coloquial como já havia indicado Cerrón-Palomino (2011).

5.4.3. Função sintática do elemento relativizado

Discorreremos, nesta seção, sobre a influência que a função sintática relativizada pode exercer sobre a seleção que os falantes de espanhol das cidades mexicanas que abordamos fazem das ERs de que dispõem. Primeiramente, apresentamos um quadro que contém a distribuição das ERs utilizadas pelos informantes de nosso teste de acordo com a função relativizada.

Objeto

indireto Oblíquo Genitivo Total Relativas produzidas na 2ª tarefa do experimento Estratégia padrão - 6 - 6 Relativas presentes nas descrições das sequências de quadrinhos (1ª tarefa do Estratégia no pronominal 2 - - 2 Estratégia resumptiva - - 2 2 Estratégia padrão - 1 - 1

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experimento)

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Quadro 13

Um dos fatos que nos chamou a atenção durante a análise dos dados obtidos na segunda tarefa do nosso experimento foi que as únicas respostas que continham orações relativas foram as respostas da pergunta “¿cuál de las dos piscinas tiene la señal X?” que induzia à produção de uma relativa cujo alvo da relativização ocupasse a função de oblíquo, como podemos ver no exemplo 79. Não houve casos de elementos relativizados em função de objeto indireto nem de genitivo.

(79) La piscina [en la que él cae] (MX 12) “A piscina em que ele cai”

No exemplo 79, o SN alvo da relativização “la piscina” ocupa na relativa uma função de caso oblíquo representando o local onde ocorre a queda do menino, que é retomado pelo pronome “él”. Por se tratar de uma relativa formada pela estratégia padrão, a posição onde poderia estar “la piscina” é ocupada por uma categoria vazia correferente a este SN.

Considerando a HA de Keenan & Comrie (1977), as três funções sintáticas que escolhemos para compor nosso teste se apresentam na seguinte gradação de dificuldade de processamento (da menos complexa para a mais complexa): objeto indireto > oblíquo > genitivo. Portanto, o esperado seria que a função que oferece menor dificuldade de processamento, objeto indireto, favorecesse a ocorrência de orações relativas, porém nossos resultados revelaram uma preferência pela função de caso oblíquo, o que vai de encontro ao que prevê a HA. Cogitamos, portanto, a possibilidade de que as situações criadas no teste a fim de induzir o informante a produzir determinados tipos de oração relativa possam ter interferido de modo a inibir ou simplesmente não favorecer a relativização das funções de objeto indireto e genitivo. Do mesmo modo, tais situações podem ter favorecido a função de caso oblíquo.

Por outro lado, se nos voltamos para a análise das orações relativas encontradas nas descrições dos quadrinhos, podemos observar casos de relativização das três funções sintáticas que abordamos, como podemos ver nos seguintes exemplos que retomamos agora como 80, 81 e 82:

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(80) Son dos niñas [que alguien les da esa… más bien… una blusa rosa] (MX 09)

“São duas meninas que alguém da a elas essa… uma blusa rosa” (81) el celular [con el cual había tanto soñado] (MX 03) “O celular com o qual havia sonhado tanto”

(82) dos chicas [que su mamá les dio dos camisas] (MX 03) “Duas meninas que a mãe delas deu duas camisas”

A partir dos exemplos 80, 81 e 82 podemos afirmar que, no nosso corpus, a função de objeto indireto favoreceu o uso de relativas no pronominales, como na sentença 80 em que temos a omissão da preposição “a” cuja função é a de reger o SN relativizado “dos niñas”. A função de oblíquo, no exemplo 81, favoreceu o uso da estratégia padrão, reforçando o que ocorreu com as relativas produzidas na segunda tarefa do nosso teste, que eram todas relativas padrão na função de oblíquo. E, por fim, a função de genitivo favoreceu o uso da estratégia resumptiva, como ocorre no exemplo 82. Nesta sentença, o elemento relativizado “dos chicas”, que tem a função de genitivo na relativa, é retomado pelo pronome possessivo “su”, o qual junto com o pronome relativo “que” substituem o pronome relativo cujo que é utilizado nas relativas padrão. Diferentemente do que ocorre na relativização das demais funções sintáticas, nas quais o pronome resumptivo pode ser um pronome tônico ou um clítico, na função de genitivo o resumptivo é um pronome possessivo, pois este pronome é capaz tanto de retomar o alvo da relativização quanto de transmitir a ideia de posse própria do genitivo.

Com relação aos casos de relativização de objeto indireto e oblíquo mostramos em nossa análise que os nossos dados que revelaram tendências que ocorrem com um grupo de falantes, porém ainda não podemos afirmar que sejam tendências da língua de uma maneira geral pois não temos evidências suficientes para isso. Entretanto, o caso da função de genitivo se mostra diferente na medida em que é condizente com o que está previsto pela hierarquia do pronome resumptivo proposta por Hawkins (2004). Na língua espanhola o pronome resumptivo pode ocorrer em todas as posições da HA. De acordo com as predições dessa hierarquia, que se baseia também na HA de Keenan e Comrie (1977), quanto mais dificuldade uma determinada função sintática oferecer para ser relativizada, maior a probabilidade de que nela se utilize um pronome resumptivo a fim de facilitar o processamento da sentença. Como a função de genitivo é a mais baixa

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na HA e, portanto, a mais complexa, era esperado que ela favorecesse o uso do resumptivo como de fato aconteceu.

Retomamos abaixo o exemplo 82 como 83 e trazemos mais um exemplo de uso do pronome resumptivo encontrado em nosso corpus:

(83) dos chicas [que su mamá les dio dos camisas] (MX 03) “Duas meninas que a mãe delas deu duas camisas”

(84) son dos hermanas gemelas [las cuales su madre le compró dos blusas idénticas] (MX 05)

“São duas irmãs gêmeas que a mãe delas comprou para elas duas blusas idênticas”.

Analisando os exemplos 83 e 84 notamos que apesar de o uso do pronome resumptivo foi combinado a duas formas diferentes de pronome relativo, o “que” e a forma “las cuales”. A partir disso, podemos postular que, ou os dois tipos de pronomes relativos podem ser utilizados indistintamente nas relativas do espanhol, ou o falante que utilizou “las cuales” optou por utilizá-lo de maneira consciente como uma forma de tornar essa construção mais formal e, portanto, mais adequada à situação do teste que era mais controlada. Neste último caso, essa escolha pode reforçar a ideia de que a função sintática de caso genitivo oferece grande dificuldade aos falantes para construir uma relativa sem o pronome resumptivo. Por isso, diante da complexidade de se produzir uma relativa padrão pied-piping, estes falantes combinam uma ER mais coloquial ao pronome relativo “las cuales” numa tentativa de se adequar à norma culta.

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CONSIDERAÇO ES FINAIS

Na presente dissertação nos propusemos a verificar se haveria uma relação de correspondência entre ERs e tipos de retomada de objeto no PB e no espanhol, este último sendo delimitado pela variedade mexicana de três grandes cidades: Guadalajara, Guanajuato e Cidade do México. Pretendíamos verificar o grau de produtividade tanto das ERs quanto de cada tipo de retomada de objeto e tentar determinar de que maneira estas estruturas linguísticas poderiam estar relacionadas entre si. Inicialmente, defendemos a hipótese de que ERs e tipos de retomada de objeto estão correlacionados no PB e no espanhol.

A metodologia que adotamos foi a aplicação de um teste de produção de fala induzida que nos gerou como corpus um conjunto de descrições orais breves e sentenças contendo orações relativas. A partir deste material pudemos identificar as estratégias de a retomada de objeto direto e as estratégias de relativização utilizadas por falantes de PB e de falantes de espanhol.

A partir da análise dos dados do PB verificamos que, entre falantes com alto nível de escolaridade, nas orações relativas preposicionadas a estratégia cortadora é a ER mais produtiva, porém concorre ainda com a estratégia padrão que teve presença significativa. O fato de esta última não ser uma estratégia própria da Língua-I dos falantes e oferecer maior complexidade em seu processamento não pareceu suficiente para inibir sua ocorrência. A explicação a este fato atribuímos à forte influência que o processo de escolarização exerce sobre os falantes, fazendo com que, em um contexto de fala mais controlado, optem por utilizar estruturas que julguem ser mais formais e adequadas à norma culta da língua. A estratégia copiadora, ao contrário, não se mostrou produtiva, o que atribuímos aos mesmos fatores que favorecem a estratégia padrão: a fim de se adequar à norma culta, os falantes evitam estruturas marcadas socialmente como a estratégia copiadora.

Com relação às retomadas de objeto do PB temos um quadro comparável ao das ERs no que se refere às estruturas mais utilizadas, pois o apagamento do objeto foi a forma de retomada mais produtiva, superando os baixos índices apresentados pelo pronome tônico e o uso de clíticos. Este quadro nos pareceu comparável ao das ERs

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porque o emprego das retomadas de objeto, assim como das ERs, nos pareceu uma consequência da consciência que os falantes têm sobre a importância de escolher a variedade (padrão ou não padrão) que usam de acordo com o nível de formalidade da situação em que se encontram. Ainda que nossos informantes tenham utilizado preferencialmente estruturas próprias de sua Língua-I como as ERs cortadora e copiadora e a retomada por pronome tônico e o apagamento, optam por elementos que fazem parte de sua Língua-E quando julgam necessário.

O que nos parece digno de destaque, como nossos dados nos mostraram, é que alguns tipos de retomada de objeto são “acompanhados” por determinadas estratégias de relativização quando o falante decide utilizar uma variedade ou outra da sua língua. Como vimos em nosso corpus, em uma situação de fala controlada falantes de PB optaram pela estratégia cortadora e pelo apagamento, ambos estruturas pertencentes à sua Língua-I e ao mesmo tempo caracterizadores de uma das variedades faladas do PB. Desta forma, entre eles parece haver uma relação de correspondência delimitada pelo nível em que se encontram, o de Língua-I, e pela variedade linguística que delimitam. Por isso, defendemos que a correlação entre a estratégia cortadora e o apagamento do objeto ocorre no PB do mesmo modo que estão correlacionados a retomada por clíticos e a ER padrão de relativas preposicionadas, pois estas duas estruturas fazem parte da Língua-E de falantes de PB e caracterizam a norma culta desta língua.

No que se refere ao espanhol, os dados nos revelaram uma situação diferente do que ocorre no PB. A variedade do espanhol que investigamos não apresenta uma possibilidade tão variada de tipos de retomada de objeto, já que estas foram realizadas preferencialmente por clíticos. As ERs, por outro lado, apresentaram uma distribuição mais variada com a estratégia padrão como a mais utilizada e algumas poucas ocorrências de uso da estratégia resumptiva e de relativas no pronominales (omissão da preposição).

Apesar do que afirmou Kenedy (2007) sobre as relativas pied-piping serem uma ER extremamente custosa para ser produzida e considerando também o grau de complexidade que elas apresentam segundo a HA de Keenan & Comrie (1977), poderíamos esperar que falantes de espanhol recorressem mais às ERs não padrão de que essa língua dispõe. No entanto, a estratégia padrão é a ER mais selecionada para a formação de relativas

104 preposicionadas. Como afirmou Cerrón-Palomino (2011) e conforme verificamos em nossos dados, o contexto de fala mais controlado é determinante para inibir o uso do pronome resumptivo visto que esta ER é considerada informal e por isso os falantes tendem a evita-la. Além disso, o tipo de função sintática influencia o uso de determinadas ERs do PB e do espanhol do México de modo que ambos têm como ponto em comum o fato de a função de genitivo ser relativizada de maneira não padrão ou ser simplesmente evitada. Este comportamento dessas línguas parece corroborar as previsões da HA de Keenan & Comrie (1977), de que relativas de genitivo tendem a ser evitadas por esta ser a posição mais difícil de ser relativizada. No caso do PB e do espanhol do México há a particularidade de se evitar relativas padrão de genitivo, pois as não padrão não parecem sofrer a mesma resistência.

Se considerarmos apenas a questão da produtividade, poderíamos propor que a retomada por clíticos e a estratégia padrão do espanhol estariam correlacionadas, caracterizando, assim, a norma culta desta língua. Contudo, devemos considerar o fato de que os clíticos pertencem à Língua-I de falantes de espanhol, mas as relativas padrão não, elas pertencem à sua Língua-E por ser uma estrutura aprendida na escola, através de instrução formal. Isso impediria a correlação neste caso já que os dois tipos de estrutura estariam em níveis diferentes.

Entendemos que no caso do PB o apagamento do objeto e a ER cortadora podem estar correlacionados porque ambos fazem parte da Língua-I dos falantes e compartilham de uma característica que é algo naturalmente adquirido por estes falantes, a categoria vazia. Assim, este par caracteriza uma variedade da fala que os falantes de PB optam por utilizar em alguns casos. Os clíticos a as relativas padrão podem não compartilhar características comuns no PB, mas podem ser considerados um par correlato por fazerem parte da Língua-E dos falantes e caracterizarem a variedade padrão da língua. No espanhol, além de as relativas padrão preposicionadas não serem adquiridas naturalmente como os clíticos, elas estão mais relacionadas à norma culta da língua já que na fala espontânea dividem espaço com outras ERs. Os clíticos, por outro lado, predominam tanto na variedade padrão da língua quanto na variedade não padrão. Esperamos, por fim, que nossa pesquisa contribua para futuros estudos sobre a relativização e as retomadas de objeto do PB e das diferentes variedades do espanhol. Nossa intenção foi conseguir realizar um estudo de cunho descritivo que levantasse alguns questionamentos que permitam a outros pesquisadores e também a nós mesmos compreender melhor os fenômenos aqui abordados.

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