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Slayt Geçiş ini Düzenleme

Belgede Powerpoint Ders 1 (sayfa 64-72)

6. SLAYT İ ŞLEMLERİ

6.4. Slayt Geçiş ini Düzenleme

No início dos anos 2000, no texto Padrões do hipertexto, o desenvolvedor de sistemas Mark Bernstein apresentou uma reflexão sobre tentativas de organização do hipertexto na Web na qual ele descreve tentativas de evitar possíveis dificuldades de navegação: "fornecendo muitas ferramentas de navegação, mantendo a simplicidade dos links, usando menos links, organizando-os de forma rígida" (BERNSTEIN, 2002, p.39). Segundo ele, o problema da navegação acabou sendo contornado pela criação de regras no desenvolvimento dos websites: "os primeiros sites, que cresciam ao acaso, eram, de fato, confusos e frustrantes. Reagindo a isso, os designers da Web adotaram ferramentas e regras rígidas, tais como: organizar os sites hierarquicamente, fornecer barras e menus de navegação por toda a parte, propiciar escolhas idênticas em cada página, evitar padrões de links complexos. Essa filosofia agora domina a Web e está incorporada em suas revistas, em sites corporativos, coleções de interesses específicos e até mesmo em página pessoais" (ibid., p.39).

Para Bernstein, essa tendência daria à Web melhores condições de orientação para a navegação, mas ao mesmo tempo poderia criar modelos cuja excessiva rigidez não permitiria ao usuário descobrir coisas, encontrar caminhos inesperados, surpreender-se. Depois de pouco mais de uma década dessa avaliação, as estruturas dos websites, tanto quanto de aplicativos desenvolvidos em outras plataformas, não se tornaram menos rígidas, embora possam ser muito mais personalizadas.

Bernstein propôs um caminho alternativo, no qual o hipertexto seguiria novos padrões, sem evitar a irregularidade, a surpresa, etc. Para comparar os dois caminhos, ele contrapõe imagens: o planejamento urbano versus o orgânico. "O hipertexto rígido é paisagem urbana e escritório corporativo planejado: simples, em ordem e nada surpreendente". E, "como a maioria dos hipertextos não tem por objetivo a natureza selvagem de conteúdo não-planejado, tampouco os canteiros alinhados da organização formal; jardins e parques podem inspirar uma nova abordagem da composição do hipertexto e podem ajudar-nos a entender os padrões que devemos buscar numa boa composição" (ibid. p.41). Em jardins e parques, o orgânico desenvolve-se em um ambiente controlado, mas em permanente tensão, ora no limite do crescimento exagerado que o transformaria em um espaço selvagem, ora no limite do controle excessivo que o desertificaria.

Serviços online interativos, como as mídias sociais, substituem estruturas rígidas de classificação de conteúdo, que já foram uma espécie de norma no desenvolvimento de websites, por sistemas de indexação baseados em filtros e relacionamentos adaptados aos perfis dos usuários. Esses serviços criam fluxos informacionais que misturam a produção individual, de pessoas comuns, a conteúdos de empresas, instituições, grupos e comunidades. Apesar do dinamismo dos fluxos, esses espaços podem ser extremamente rígidos em sua estrutura. Esse é o caso do Facebook e de suas interfaces padronizadas e controladas por sistemas de indexação. Ao mesmo tempo em que mais pessoas passam a usar um serviço como esse, as possibilidades de navegação são diminuídas se os programadores optam pelo roteamento da navegação do usuário.

Em competição por manter os usuários acoplados a seus serviços, as corporações digitais lutam pela formação de hubs, ou seja elas procuram criar serviços que consigam concentrar a interação. Com a Web, o Google conseguiu assumir essa condição a partir do sucesso de seu mecanismo de indexação/interface de buscas. Para isso, os programadores tentam garantir que o usuário encontre o que procura, que fique confortável em ambientes sempre reconhecidos, que identifique pessoas e agrupe-se de acordo com interesses comuns, que possa compartilhar o que ele encontra, e assim por diante. Diante do crescimento acelerado dos fluxos de informação online nas últimas décadas, a

criação de filtros que funcionem como roteamento para a navegação é uma das estratégias mais recorrentes nesse sentido.

Enquanto vários hubs dividem a atenção dos usuários, a interoperabilidade entre sistemas passa a ser uma questão para essas corporações. Por mais que procurem criar formas de atrair usuários, elas precisam lidar com o fato de que essas mesmas pessoas continuam a conectar-se a outros serviços. Diante disso, linguagens que criam possibilidades de interação entre sistemas mantém as condições para que exista troca de informações com origem em diferentes aplicações. No Facebook, mesmo quando acessado em interfaces em sistemas proprietários, como o Android e o iOS, muitas das conversações levam a conteúdos que estão disponíveis na Web.

A necessidade da interoperabilidade obriga que os serviços, sejam eles de propriedade da mesma corporação ou de uma concorrente, sejam criados em condições para a troca de dados ou para a navegação entre aplicativos. Nesse cenário, sistemas e usuários intercambiam conteúdos o tempo todo. É assim que recebemos notificação sonora no smartphone que avisa sobre um tuíte que faz menção a nosso perfil. Logo depois, clicamos para ler seu conteúdo no aplicativo no mesmo dispositivo. Em seguida, o hiperlink que acompanha o tuíte nos leva a uma notícia escrita em um grande portal jornalístico na Web. E, então encontramos um botão de compartilhamento e decidimos enviar essa mesma notícia para nossa rede de contatos no Facebook, uma vez que o software do portal identificou nosso perfil. Enfim, em uma única trilha simples, podemos ativar procedimentos de escrita e leitura que são mediados por diversos algoritmos e conexões, sistemas e bancos de dados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS -

T

RAMAS

No panorama que construímos até aqui, observamos que as informações apresentadas por aplicações online resultam de associações que envolvem tanto as pessoas que usam esses serviços, quanto os sistemas algorítmicos conectados a eles em uma mesma rede de interações. Com isso, aquilo que um usuário manipula em uma interface pode ser produto do processamento de associações de dados inscritos em qualquer dispositivo conectado à Internet. Neles, os procedimentos algorítmicos não são transparentes para os usuários, mas seus efeitos podem ser notados nas situações de uso. Por exemplo, quando utilizamos interfaces que contam com recursos de navegação baseados em critérios contextuais, como as timelines personalizadas nas mídias sociais, os mapas interativos baseados em geolocalização, ou mesmo em recursos garantem a personalização de buscas. As associações envolvidas nesses momentos misturam elementos como logins, geolocalização, banco de contatos/amigos, e assim por diante. As conexões necessárias para isso podem associar sistemas diversos, sejam eles parte de uma mesma corporação, ou não.

Na Internet atual, interações entre humanos, dispositivos e sistemas algorítmicos são difíceis de descrever em razão de suas associações serem híbridas e dinâmicas. Por isso, optamos por compreender os rastros dessas associações como inscrições digitais interconectadas, ou seja como “redes hipertextuais”: organizações baseadas em associações dinâmicas de dados. Com isso, não nos referimos a uma estrutura específica, mas a um conjunto de tecnologias que permitem essas associações. Por isso, procuramos organizar este texto com o cuidado de não posicionar nenhuma tecnologia ou personagem como sujeitos únicos em processos de criação de inscrições. Dessa maneira, seguimos também as indicações da Teoria Ator-Rede, que propõe descrever, em um mesmo plano, as

associações entre actantes como método para mapeamento de redes sociotecnológicas. As redes dinâmicas e a TAR foram apresentadas no Capítulo 1, enquanto também recuperamos alguns momentos históricos do desenvolvimento dos sistemas de telecomunicação. Os sistemas algorítmicos e as linguagens computacionais foram nossa ocupação principal no Capítulo 2, no qual também procuramos identificar papéis/actantes envolvidos na criação de redes hipertextuais. Para tanto, descrevemos também alguns recursos tecnológicos que fundamentam associações, como linguagens de programação e de marcação, estruturas de dados, interfaces de programação e de usuário.

Para observarmos as redes sociotecnológicas que geram redes hipertextuais, buscamos identificar, no decorrer do Capítulo 3, associações entre atores e a formação de grupos. O objetivo dessa abordagem é demonstrar que associações hipertextuais são dinâmicas e que, para mapeá-las, é preciso seguir atores humanos e não-humanos em ação. No mesmo capítulo, recuperamos menções ao conceito de ecossistema de mídias como forma de comparação do cenário online e multiconectado atual com períodos anteriores. No ecossistema da Internet, antigas mídias transformam-se em dispositivos, protocolos e linguagens, que misturam-se em serviços online e suas interfaces interativas. Os serviços, por sua vez, são resultantes da associação de diferentes sistemas, e apresentam interfaces para interação com usuários, mas também com outros programas.

Os computadores são máquinas que geram e transformam inscrições digitais, e, acoplados a sistemas de telecomunicação, eles podem fazer isso de maneira integrada e à distância. Neste texto, lembramos que os objetos algorítmicos são resultantes de códigos ou classes, mas também da incorporação de dados obtidos na própria máquina ou na rede. Nas redes de computadores, as associações de dados podem acontecer em diferentes níveis de inscrição: nas estruturas de arquivos, nas tabelas e nos relacionamentos em sistemas de armazenamento de bancos de dados, nos endereçamentos que permitem que objetos distintos se reconheçam e se comuniquem. Os sistemas são programados de modo a explorar essas possibilidades, em recursos que se tornam cada vez mais multiconectados na medida em que o desenvolvimento tecnológico introduz novos protocolos e linguagens.

Enquanto isso, as interfaces de usuário também passam por transformações e apresentam novas formas de composição da informação que misturam signos de diferentes matrizes, nas quais linguagens sonoras, visuais, verbais, são integradas a linguagens computacionais variadas – elas, também, formas de inscrição verbal. Então, algumas descrições de recursos tecnológicos que produzem inscrições digitais podem nos levar a pensar, em um primeiro momento, apenas em uma mudança de suporte: saímos do papel e vamos ao digital. Porém, alguns problemas com esse tipo de perspectiva surgem quando observamos que entre a recuperação de uma inscrição em um dispositivo de memória digital de longo prazo, como um disco rígido, e sua aparição em uma interface de usuário existem processos que não podem ser descritos apenas como tradução de bits. Nesses processos, há também composição da informação.

Entre processos de composição, redes híbridas formam-se em procedimentos de mediação que misturam tanto atores humanos – usuários, programadores, quanto não-humanos – dispositivos, objetos algorítmicos. Como exemplo, podemos descrever a gravação de um post, sua apresentação composta por um template em um sistema de publicação de blogs, até a interação com outros sistemas e usuários na blogosfera. Em outro exemplo, com maior variedade de conexões, podemos descrever a composição de um mapa no Waze em uma situação de trânsito intenso em uma grande cidade, que envolve motoristas, sistemas cartográficos, agentes de trânsito, e suas representações manipuladas e visualizadas em tempo de execução.

Diante das capacidades inéditas de manipulação de signos apresentada pelos computadores, Lev Manovich (2013) propõe que eles podem ser analisados como uma "metamídia". A escolha da palavra procura destacar um diferencial tecnológico: diante de outras máquinas que também processam signos, o computador diferencia-se na medida em que apresenta condições de incorporação de novas programações e linguagens. Em sua argumentação sobre o conceito, Manovich contrapõe-se à posição de Jay David Bolter e Richard Grusin (2000) sobre a mesma cena, na qual a ideia de "remidiação" indica que a nova mídia incorpora as

anteriores – em uma posição que é um desenvolvimento da proposta de Marshal McLuhan quando afirma que "o meio é a mensagem37. Em Remediation, os autores descrevem esse processo como oscilação entre dois polos opostos: no primeiro, a "imediação" caracteriza uma "apresentação transparente do real", e no segundo, a "hipermidiação" indica uma interação caracterizada pela opacidade da mídia, quando o meio chama a atenção por suas próprias características (ibid.). Para eles, a Web das páginas foi um exemplo de hipermediação: no momento inicial do desenvolvimento da tecnologia, as próprias características da mídia estavam em evidência.

Para Manovich (2013), antigas mídias não são incorporadas como conteúdo, a mistura entre antigos e novos meios gera "híbridos". Com o termo ele indica processos de fusão de características em um mesmo. A noção de híbridos é um pouco diferente daquela que temos usado até aqui. Nós seguimos indicações de Latour, no âmbito da TAR, que com o termo refere-se a misturas de humanos e não- humanos. Mas, vamos argumentar que as duas abordagens não são incompatíveis se admitirmos uma continuidade entre códigos e conteúdos: transformadas nos computadores, antigas mídias viraram ao mesmo tempo programação e dados, e ambos são inscrições – linguagem.

Os serviços online estão em multiplicação, e isso amplia a variedade de apresentações e formas de interação com a informação digital. O antigo e o novo convivem nesse cenário, ainda que nesse caso o "antigo" possa ter somente pouco mais de duas décadas de existência. As ideias perambulam por esses sistemas, mas agora elas não são mais apenas reproduzidas e distribuídas. Ao serem conectadas, as linguagens computacionais permitem outros processos, nos quais as ideias são reproduzidas, distribuídas, compartilhadas, colecionadas, comentadas,

37 A tradução desse termo pode ser controversa, pois no Brasil utilizamos a palavra "remediação" com um sentido muito específico. Apesar de podermos relacionar esse sentido com aquele desejado pelos autores, acreditamos que o uso de "remediação" causaria mais confusão do que esclarecimento sobre a ideia. Por isso, optamos por propor um neologismo: "remidiação".

remixadas, tuitadas, etc. Tudo isso em um mesmo ambiente tecnológico: a Internet e suas aplicações conectadas.

Em meio a tudo isso, as pessoas orientam-se no ciberespaço, mas agora não mais somente com listas de links, como aquelas escritas por funcionários do Yahoo nos anos 1990, ou mesmo aquelas produzidas pelos robôs do Google no início dos anos 2000. Com as mídias sociais, aprendemos a nos reunirmos em agrupamentos diversificados, mediados por serviços online, e nos quais as ideias são passadas de conexão em conexão entre contatos persistentes ou descartáveis, ou então são compostas algoritmicamente em razão dessas conexões. O usuário que navega/lê é mais um ponto nessas redes de interações.

Neste texto, nos referimos a 'agrupamentos' como um esforço para não confundirmos situações de aglomeração – quando ampliam-se as conexões em rede, com recursos de alguns serviços online que são identificados como 'grupos' ou 'comunidades'. Com a palavra, indicamos tanto situações com usuários comuns, quanto outras que envolvem atividades sociais, profissionais, etc. Como demonstra a TAR, a formação de grupos não precisa ser antecedida por alguma estrutura ou instituição, ela ocorre dinamicamente em razão dos processos de formação de redes híbridas.

No Capítulo 2, apontamos tecnologias que fundamentam o surgimento de redes hipertextuais, mas também mencionamos atores humanos, que identificamos, de uma maneira genérica, em dois papéis: programadores e usuários. No Capítulo 3, seguimos o SEO e o SMO como forma de exemplificar descrições de agrupamentos que vão além desses dois papéis gerais. Assim, buscamos demonstrar que redes hipertextuais se formam na interação de redes híbridas que ultrapassam os limites de um sistema tecnológico específico. E, também, que a TAR é uma teoria adequada para descrever a interação em situações com múltiplos actantes como nos sistemas online multiconectados.

Em alguns outros momentos, mencionamos a produção de notícias em comparação com sistemas de publicação e difusão, como os portais nos anos 1990, os blogs no início dos anos 2000, as mídias sociais nos anos seguintes. Com essas menções, nossa proposta é exemplificar processos. Aqueles que existiam antes das tecnologias hipertextuais, em comparação àqueles que agora passam por

transformações ao serem levados a um novo cenário tecnológico. Como lexia, as notícias passaram de sistemas que propomos descrever genericamente como 'disponibilização de conteúdo', para outros em que há transposição. Nesse caso, ao transitarem por dispositivos, sistemas e pessoas, as lexias associam-se a novos mediadores, e com isso assumem nova condição topológica, e nova condição de sentido/interpretação.

No decorrer desse texto, mencionamos também situações em que os sistemas algorítmicos interferem em processos de transposição. Por exemplo, quando nos referimos ao "roteamento" da navegação promovido por sistemas de mídias sociais. Com o termo, indicamos momentos em que os sistemas estabelecem filtros contextuais para definir o que exibir em sua interface. O roteamento não é criado apenas pelos programadores, mas também pelos usuários quando configuram o sistema, constroem listas de contatos, endossam alguma publicação, e assim por diante. Essas inscrições são seguidas pelos mecanismos de indexação quando eles filtram a informação para exibição em um contexto específico de acesso.

Em um ecossistema transformado pela presença de sistemas que funcionam por lógicas de compartilhamento e roteamento, as notícias deixaram de ser 'a' informação – com essa expressão, nos lembramos da noção comum no ambiente do jornalismo, que equipara notícia e informação. Na Internet multiconectada, a notícia é parte de redes de interações que a posicionam, seja como parte de comentários, de compartilhamentos, endossos etc. Nesse mesmo cenário, aquelas conversas que sempre foram fomentadas pelo noticiário diário também foram incorporadas pelos mesmos sistemas. Antes, elas aconteciam ao lado dos jornais como acompanhamento de bate-papos matinais nos balcões dos cafés e padarias, por exemplo. Agora, também espalham-se por timelines, blogs, memes, etc.

A diversidade de leituras que partem de uma mesma notícia em um ambiente rico em perspectivas como esse nos leva a pensar positivamente sobre as tecnologias hipertextuais. No entanto, nas mesmas cenas, sistemas criados para melhorar o acesso a informação também reduzem sua diversidade. Ao rotearem a navegação, esses sistemas promovem contextos específicos: encontramos notícias sobre temas que interessam somente a alguns agrupamentos, lemos opiniões

apenas de alguns amigos, seguimos assuntos que têm alcance apenas em nossa rede de contatos digitais. A atitude que tomamos interfere nesses contextos: bloqueamos amigos com os quais não concordamos, endossamos publicações e ensinamos ao sistema que temos preferências, navegamos e deixamos rastros que são utilizados para adivinhar o que queremos.

O que pretendemos com esses exemplos é indicar a existência de transformações nas redes mediadas por tecnologias de comunicação e computação. Com eles, descrevemos a formação de novas associações entre pessoas, informações e sistemas computacionais, em rede. Como inscrição digital, essas associações são materializadas nos dispositivos conectados como dados, assim como em estruturas, relacionamentos, endereçamentos. Enfim, todas as diferentes formas de organização que tornam legíveis os bits para os sistemas algorítmicos online.

Em uma interface de usuário, a informação é resultante da navegação e da leitura que os sistemas realizam, e sua apresentação pode ser materializada como pixels, sons, luzes. E, portanto, em signos não apenas verbais, mas também sonoros e visuais. Diante disso, o acoplamento humano passa a ser um ponto de conexão em uma rede de inscrições digitais, nas quais não apenas acessamos informação mas também a produzimos continuamente, tanto a partir de nossa interação, quanto por mecanismos de rastreamento. Nessa condição, o que compreendemos como leitura ganha uma nova dimensão.

Na primeira metade do século passado, o teórico da linguagem Mikhail Bakhtin (2002) argumentava em favor de uma abordagem sobre o signo que considerasse sua condição social. Com base nessa perspectiva, ele propôs a observação das relações dialógicas criadas na convivência entre os textos. Em contraposição à leitura isolada de um texto, ele nos chama a atenção para suas relações com outros textos que formem com ele um quadro comum de interpretação.

A 'intertextualidade' é o termo que se refere a esse tipo de relação, e essa noção também aparece em abordagens de teóricos do hipertexto nos anos 1990 como Jay David Bolter e George Landow, que relacionam tecnologias hipertextuais como uma possibilidade tecnológica de escrita/leitura baseados em intertextualidades. Segundo Landow, o "hipertexto, que é fundamentalmente um

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