3. GÖRÜNÜM AYARLARI
3.9. Bağ lantı lar Oluş turma
Nos smartphones e outros dispositivos móveis, obtemos aplicativos e os instalamos na memória local. Quando compram e ligam um aparelho deste tipo, as pessoas são convidadas em primeiro lugar a se identificarem. Para isso, utilizam algum tipo de serviço que já contenha os seus dados pessoais – por exemplo, uma rede social. Instalados, os aplicativos conectam-se ao sistema operacional para obterem dados do usuário e do aparelho. Alimentados por eles, podem ser configurados para atenderem às expectativas de quem o usa. Quando identificada em uma situação como essa, a pessoa passa a ser representada por dados em um objeto computacional, e então tem condições de receber instruções, atualizações, etc. O termo 'login' é utilizado nas situações que permitem essa identificação, ele pode acontecer quando ligamos um aparelho novo, mas também em sistemas Web e aplicações em outros tipos de plataformas. Com ele, o usuário também ganha poderes de ação sobre os outros objetos do sistema, pode publicar, modificar, compartilhar...
Os processos de login já estavam presentes nos serviços online nos anos 1990, eram parte de sistemas de Webmail, ou para acesso aos CMSs. Nos serviços de compartilhamento da década seguinte, o login foi fundamental ao permitir a associação de recursos de publicação a uma identidade, era com base nela que os sistemas ofereciam opções para gerenciamento da publicação e de redes de amigos ou contatos. Essa característica criou também condições para os programadores oferecerem visões diferentes sobre o mesmo conteúdo: cada usuário pode receber informações personalizadas de acordo com seu perfil. Com isso, esses sistemas assumiram cada vez mais funções baseadas em condições relacionais. Eles atuam de acordo com condições contextuais e conectam diversos objetos, que podem tanto estar na memória local do próprio aparelho, quanto em uma conexão via Internet.
Tanto na Web quanto nas plataformas móveis, não precisamos mais fazer login em cada serviço em cada vez que precisamos deles. A tecnologia evoluiu no
sentido de facilitar esse tipo de procedimento mas ao mesmo tempo concentrou nossos dados pessoais em alguns poucos serviços dedicados. Com uma conta Google (GOOGLE ACCOUNTS) podemos usar recursos em diversos serviços oferecidos pela empresa, mas também é possível acessar aplicativos desenvolvidos por outras corporações, ou ser identificado por aplicativos móveis em um celulares Android (GOOGLE ANDROID). Com uma conta Microsoft (MICROSOFT ACCOUNT) temos acesso a dispositivos com o sistema operacional Windows em notebooks ou smartphones, mas também podemos usar o serviço de email do Outlook (MICROSOFT OUTLOOK), ou falar com alguém via Skype (MICROSOFT SKYPE), ou acessar aplicações de parceiros da corporação.
Nesses serviços de identificação, o usuário é convidado a preencher um perfil – o termo corresponde ao conjunto de informações pessoais que será associado à conta. O perfil não é o login, os serviços precisam das informações pessoais por razões que estão além da identificação no sistema algorítmico. No entanto, esses sistemas de identificação estão muitas vezes associados a serviços que nos acostumamos a chamar como 'redes sociais' – com o termo nos referimos a aplicações que permitem a criação de perfis e coleção de contatos ou amigos. Os serviços de redes sociais existem desde a segunda metade dos anos 1990, e tiveram papel de protagonismo no desenvolvimento dos serviços de compartilhamento nos anos 2000. Além das listas de amigos, esses serviços oferecem funções para compartilhamento de textos, comentários e fotos, compostos em interfaces com formatos diversos, como as timelines. Com um login no Facebook, é possível também obter acesso a diversos websites ou aplicações. Com o Twitter, a mesma coisa32.
A troca e/ou associação de dados entre serviços distintos é uma característica que está cada vez mais presente nas aplicações conectadas à Internet. A
32 Sobre as redes sociais enquanto sistemas de identificação, são reveladoras as afirmações do presidente do Conselho de Administração do Google, Eric Schmidt, durante um evento em um evento na Suécia em 2011 (FRAGA, 2011). De acordo com Schmidt, "algumas pessoas são más e deveríamos ser capazes de identificá-las e desclassificá-las”.
identificação do usuário é uma das formas mais frequentes, e pode ser observada em aplicativos que necessitam login. Precisamos dela ainda quando usamos recursos que são incorporados aos aplicativos por meio de plugins, como, por exemplo, em áreas de comentários (FACEBOOK COMMENTS PLUGIN) ou botões de endosso, como o like do Facebook (FACEBOOK LIKE) ou o Google +1 (GOOGLE PLUS BUTTON). Essas são apenas formas mais visíveis de integração, aquelas que repercutem em funções claramente apresentadas ao usuário. Mas, há ainda muitas outras formas, que são utilizadas por programadores e não são facilmente identificáveis apenas ao observarmos as interfaces de usuário.
Nas nuvens, nos conectamos a sistemas nos quais deixamos inscritos rastros da nossa presença que serão utilizados não apenas para nos identificar novamente, mas para interpretar nossa presença e nos conectar a outros atores. Com isso, somos relacionados a outros usuários na formação de redes sociais em contextos que independem até mesmo de nossa iniciativa. Duncan Watts menciona a indicação de produtos na Amazon como exemplo de formação de contexto e de afiliação de atores por meio de algoritmos que nos dizem "pessoas que compraram esse livro também compraram..." (WATTS, 2009, p.88). Esse é um exemplo de associação de pessoas em uma rede na qual nós não solicitamos para entrar ou nem mesmo escolhemos quem vai fazer parte dela. Com ela, a Amazon interpreta quem somos e nos oferece opções de navegação e compra. Conforme nossa resposta a essas ofertas nós confirmamos ou não a indicação dos algoritmos, e com isso damos a eles a chance de produzir novas inferências. Em tempos nos quais muitas de nossas atividades sociais dependem de sistemas algorítmicos, a capacidade que eles têm de alterar ou produzir contextos é um poder que não podemos menosprezar.