4. Bİ Çİ MLENDİ RME İ ŞLEMLERİ
4.1. Karakter Biçimlendirme
No final nos anos 90, os sistemas de publicação ainda eram uma preocupação constante para as empresas que pretendiam garantir sua presença na Internet. Naqueles anos, possuir um endereço na Web era como oferecer uma nova forma de acesso às informações institucionais e comerciais, mas antes de tudo era também uma forma de ser encontrado. Para esse tipo de uso, sistemas tipo CMS apresentavam os recursos necessários para publicação e comunicação com os usuários. Cerca de duas décadas depois, esses websites e sistemas ainda têm função de destaque na cena da comunicação mediada por Internet, eles ainda são a forma mais comum de publicação para empresas ou organizações de diversos segmentos. A mudança mais significativa desde então corresponde ao atendimento às novas necessidades de integração desses sistemas com outras formas de interação surgidas desde o início dos anos 2000. Por essa razão, em vários serviços encontramos funções ou plugins que permitem esse tipo de integração. O WIX é um serviço para construção de sites pessoais ou empresariais em HTML5, entre os recursos oferecidos por ele estão a integração de conteúdos de mídias sociais, botões para seguir perfis nessas mídias, ou recursos para configuração de SEO – Search Engine Optimization. O Wordpress é um serviço criado originalmente para criação de blogs, no qual as possibilidades de publicação são utilizadas por diversas formas de organização, como grupos, eventos e pequenas empresas. O sistema oferece recursos de publicação automática, login via Facebook e Twitter, entre outros.
Os blogs foram precursores dos serviços de compartilhamento dos anos 2000. Eles surgiram no final dos anos 1990 como um formato para registro e publicação rápida de considerações sobre o cotidiano, sobre o noticiário, ou sobre o próprio conteúdo da Internet (de acordo com narrativa em BLOOD, 2000). A
visualização de conteúdo neles era simples e intuitiva, com conteúdo organizado em sequência, em ordem cronológica inversa. O primeiro serviço para publicação automatizada de blogs foi criado em 1999, o Blogger oferecia uma forma simples de publicação através de formulários HTML e templates para composição de páginas- web. O Wordpress surgiria alguns anos depois, em 2003. A evolução desses sistemas na década seguinte envolveu a criação de funções de comentários, que antecederam a forma das timelines atuais, e também a possibilidade da incorporação de conteúdo das mídias de compartilhamento, como vídeos do You Tube, por exemplo.
As mídias sociais herdaram dos blogs, além da facilidade de publicação, características como a possibilidade de comentários associados às lexias, a organização por data, a personalização do conteúdo, etc. Um dos principais diferenciais desses serviços entretanto diz respeito às funções que nos acostumamos chamar como 'compartilhamento'. Essas funções envolvem publicação dirigida a listas de conexões ou redes sociais específicas, ou a republicação dessas lexias. As diferentes formas com que esses recursos são empregados nos serviços online desenvolvidos desde a primeira metade da década de 2000, repercutem naquilo que o teórico Henry Jenkins chama de pervasividade (FORD, GREEN e JENKINS, 2013). O teórico utiliza o termo para referir-se a recursos que "facilitam circular alguns tipos de conteúdo em detrimento de outros, às estruturas econômicas que sustentam ou restringem essa circulação, aos atributos do texto midiático que incitam a motivação da comunidade para compartilhar conteúdo, e às redes sociais que conectam as pessoas por meio do intercambio de bytes repletos de significado" (ibid., p.30). O importante a destacar aqui é a diferença entre o termo e a noção de difusão que foi característica das mídias massivas desenvolvidas no século passado, e indicam uma distribuição para públicos indiferenciados. O compartilhamento tornou-se central em estratégias de divulgação das empresas da nova economia, e ainda estamos nos acostumando a compreender 'mídia social' em meio às condições de pervasividade. Os serviços de compartilhamento restringem a difusão do conteúdo para agrupamentos específicos, e ao fazerem isso permitem que o usuário direcione o conteúdo. Por essa razão há pessoas que mantém perfis em vários serviços diferentes e procuram direcionar o que postam de acordo com as redes conectadas em cada um deles.
A quantidade crescente e a organização fragmentada das lexias em serviços pervasivos poderia ser problemática no caso de isso causar dificuldades de navegação ou orientação no ciberespaço. Para oferecer uma experiência satisfatória, os serviços online precisam garantir que seus usuários encontrem o que procuram. E, para lidar com isso os sistemas têm desenvolvidos critérios adicionais de relacionamentos de dados, que repercutem em novas funções de busca, filtros contextuais, etc. Em outras palavras, podemos dizer que os serviços online ampliam as possibilidades de indexação das lexias na medida em que usuários e novas formas de inscrição aumentam a quantidade de dados. Como exemplo, podemos mencionar algumas novidades apresentadas pelo Facebook nos últimos anos: o novo sistema de buscas, que chamado pela empresa como “busca social” (FACEBOOK GRAPH SEARCH), ou a adoção de hashtags.
Esses desenvolvimentos – que destacamos ao descrever funções de serviços online de publicação e compartilhamento, podem ser relacionados a algumas características fundamentais dos computadores e das redes de computadores. Em primeiro lugar, se mencionarmos a memória digital e sua capacidade de inscrever dados em estruturas para recuperá-los depois em grande velocidade. E, os relacionamentos de informações nos modernos sistemas de bancos de dados que permitem ampliar ainda mais essa velocidade, enquanto também possibilitam programadores criarem novas combinações para os dados. Em segundo lugar, às possibilidades de criação de novas linguagens, de programação, de marcação, etc; que têm permitido ampliar constantemente as capacidades de programação dos computadores e das estruturas de dados. Por fim, à ampliação das conexões dos sistemas na rede, que colocam ao alcance dos programadores um grande manancial de recursos informacionais que complementam seus sistemas. Para avaliar a influência dessas tecnologias, propomos observarmos não apenas as mídias sociais, mas também como elas participam do desenvolvimento de outros tipos de serviços.
O livro talvez seja o formato mais polêmico quando o assunto é a incorporação de antigas linguagens aos meios digitais. Há uma tendência à dicotomia em algumas conversas sobre este tema, como se a expansão digital necessariamente nos levasse ao fim do livro. Para não encaminhar nossa descrição
nessa direção, e nem comparar o livro-papel com o livro-eletrônico, preferimos apenas exemplificar algumas formas de incorporação dos textos-em-livro a tramas hipertextuais. A Amazon não apenas vende livros, ela os indexa de várias maneiras diferentes, associando a eles trechos do conteúdo, resenhas, avaliações, e relacionando-os com os perfis e histórico de navegação dos usuários. A Estante Virtual é uma rede brasileira de vendedores e compradores de livros usados que reúne milhões de livros representados por descrições acompanhadas de avaliações, no qual a navegação dá destaque às informações daqueles que vendem os livros. O Google Books digitaliza e indexa livros de diversos autores, editoras e épocas, com isso torna o texto dessas obras buscável e também o livro possível de ser referenciado na rede.
A união entre telefones e computadores nos smartphones tornou-se um marco no desenvolvimento das tecnologias hipertextuais ao multiplicar a quantidade de pontos de acesso à rede para as pessoas e também ao criar novos mecanismos de inscrição, com os sensores para geolocalização, por exemplo. Como é uma tecnologia ainda relativamente recente, é possível observar a formação de novos relacionamentos somente enquanto surgem novidades, apresentada pelos fornecedores de equipamentos, sistemas operacionais ou serviços. A primeira repercussão hipertextual na mistura entre tecnologias de telefonia e Internet foi a conexão entre as listas pessoais de contatos telefônicos e as listas de contatos mantidas em serviços como o Facebook ou o Google — em uma cena que nem mesmo os mais visionários telefonistas das primeiras centrais de Graham Bell no início do século passado poderiam imaginar. Para descrever outro exemplo do mesmo tipo de repercussão, podemos também lembrar o WhatsApp e outros aplicativos que utilizam sistemas de identificação baseados no número do aparelho telefônico, e que funcionam através de conexões na Internet. Essa é uma situação diferente dos sistemas de SMS – Short Message Service, que dominaram o cenário da telefonia móvel antes da disseminação da Internet nos celulares.
A digitalização das tecnologias de radiodifusão é um processo ainda em desenvolvimento, corporações que exploram essas tecnologias ainda lidam com dificuldades como encontrar modos de integração ou competir com iniciativas que já nascem inspiradas por lógicas alternativas de negócio, mais adaptadas ao cenário
multiconectado da Internet. Alguns serviços online procuram integrar transmissões na Internet, esse é o caso principalmente das emissoras de rádio, que podem ser acessadas por aplicativos em smartphones ou em serviços que indexam os endereçamentos das transmissões em ambientes unificados, como o TuneIn. Além da integração de transmissões em sistemas de streaming, há também formas de distribuição que envolvem armazenamento e entrega de conteúdo como lexias conforme busca e solicitação do usuário. Esse tipo de sistema pode ser exemplificado com serviços como o Netflix, que reúne um acervo de filmes, séries, entre outros formatos originalmente cinematográficos ou televisivos para distribuição por meio de aplicativos conectados. Esses serviços convivem em nossos dispositivos de usuário ao lado de outros que reúnem conteúdos compartilhados por usuários de serviços de rede social ou blogs – esse é o caso do Frequency, um serviço de agregamento de conteúdo em vídeo que é acessado por aplicativo disponível para plataforma iOS.
Entre as misturas de linguagens e tecnologias hipertextuais há inúmeras possibilidades de exemplos, mas não podemos deixar de mencionar neste momento que no histórico do desenvolvimento dessas tecnologias passamos também pela integração de linguagens criadas pela própria informática. Hoje, é possível encontrar na Web e nas lojas online de aplicativos, inúmeras opções de ferramentas para serem acessadas online. Além de obtidas via Internet, muitas dessas aplicações dependem da conexão à rede para funcionar. Nela, buscam dados para identificação do usuário, para configuração, para armazenamento de dados. Até mesmo a maneira como as encontramos, por meio dos sistemas de indexação e metadados das lojas de aplicativos, aponta para um processo de integração. Essa é uma cena muito diferente daquela em que comprávamos software em caixas com discos magnéticos ou óticos em lojas de alvenaria nas grandes redes de varejo nos anos 1980 e 1990.