2014 YILI YEREL SEÇİMLERİ
3.4.3 Siyasette Etkin Olan Kadınlara Türkiye’den Örnekler
Certo é que o homem norte-litorâneo, principalmente o pequeno produtor dedicado à lavoura canavieira, vinha há anos vivendo em subdesenvolvimento, o que o empobrecia progressivamente. Mas o Litoral Norte do estado, com seu quadro de grandes dificuldades, teve – a partir de 1957, sobretudo – seu cenário agudizado com a séria crise do setor canavieiro, o tradicional e identitário da região.
Sem dúvida, uma Portaria Federal de 31 de outubro de 1957 demarcou nova fase da história da cana-de-açúcar no Rio Grande do Sul. Com ela, a proibição de adicionar o açúcar mascavo na fabricação do café450, de bebidas e do vinho451 decretou, na verdade, uma crise de mercado, sem precedentes, para os canavieiros do Nordeste do estado. Tanto é que, poucos meses antes, o saco de açúcar era vendido a Cr$ 480,00 e, após a medida legal, não se encontrava mais compradores para o produto.452 Em situação de desespero, os canavieiros não vislumbravam, então, outra utilização econômica para o produto de suas terras.
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Depoimento de Cassílio Ourique Pereira concedido a Véra Lucia Maciel Barroso em 05 jan. 2005. O atacado Osório Irmãos encerrou suas atividades em 1953, em virtude da difusão dos supermercados na capital.
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O uso do açúcar na fabricação do café dissimulava o gosto, um tanto azedo, que ele tem.
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Na produção do vinho tinto, durante a fermentação tumultuosa (primeiro momento – há dois), na etapa da chaptalização (procedimento criado pelo francês Chaptal) era adicionado açúcar de cana. Isso se devia às características do solo e clima da região serrana, fazendo com que o açúcar da uva ali colhida fosse insuficiente para a obtenção da quantidade de álcool necessária para a composição do vinho (11%). Cf. JALFIM, Anete. Elementos para o estudo da agroindústria vinícola: uma abordagem da Cooperativa Vinícola Aurora. In: FUNDAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA. Ensaios FEE: a sociedade gaúcha. Porto Alegre: Secretaria do Planejamento e da Administração, 1980. p. 689-708. Sobre os inícios da vitivinicultura no Rio Grande do Sul, examinar: PESAVENTO, Sandra J. Capitalismo e pequena produção: a indústria vinícola rio-grandense. In: PESAVENTO, Sandra J. Agropecuária colonial & industrialização. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1983. p. 21- 68.
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Anotações manuscritas na documentação da Cooperativa Canavieira Santo Antônio Ltda. Acervo de Jorge Pedro Nehme.
Até então, carretas abarrotadas de açúcar mascavado deslocavam-se para a capital, para a fronteira com o Uruguai e Argentina e, sobretudo, para a serra de colonização italiana, onde as fábricas de vinho adquiriam o produto como insumo.453 Diferente não era a relação com as torrefadoras de café, onde os grãos eram moídos com o açúcar amarelo, resultando em produto saboroso e muito procurado no mercado interno gaúcho.454 É que Santo Antônio da Patrulha, conhecida atualmente como a terra da cachaça, era, desde o início do século XX até a década de 1950, responsável, em grande parte, pelo abastecimento do mercado interno de açúcar mascavo.455
Os armazéns da capital compravam sacos com 60 kg de açúcar que depois era vendido no varejo em embalagens de 1 kg. [...] Não só as vinícolas de Caxias, como as de Flores da Cunha eram grandes compradores de açúcar, como a Valverde, por exemplo. Igualmente os municípios da fronteira com o Uruguai (Santana do Livramento / Rivera, Jaguarão e Quaraí) e Argentina (São Borja / San Tomé) adquiriam o açúcar patrulhense. [...] Então, a produção de açúcar suplantou significativamente a da aguardente, a tal ponto de se poder chamá-la não mais
de Terra da Cachaça e sim do Açúcar Amarelo.456
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Verificar interessante monografia, impressa, a respeito das primeiras cantinas da serra italiana: RODRIGUES, Jimmy. Subsídios para a história da uva e do vinho. Caxias do Sul: [s.n.],1972. No Arquivo Histórico de Caxias do Sul, realizada uma pesquisa em seus inventários relativos à produção do vinho, não foram encontrados subsídios para essa pesquisa. Destaque-se que documentos de muitas das cantinas extintas não se encontram recolhidos ao acervo do Arquivo Municipal.
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Para a historiadora patrulhense Lézia Cardoso, filha de torrefador de café à época, em depoimento concedido a Véra Lucia Maciel Barroso em 04 maio 2005, a proibição se devia também ao fato de ter que ampliar a venda de café, pois “[...] tinha que consumir mais café em grão. E se tu botas o açúcar, economiza café.” Na mesma direção falou Antônio Nazir, vereador, na década de 1950, em Santo Antônio da Patrulha: evocou a atuação dos cafeicultores paulistas, junto ao IBC, para impor a proibição de qualquer ingrediente na torrefação do café. Depoimento de Antônio Nazir Ferreira concedido a Véra Lucia Maciel Barroso em 04 fev. 2005.
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Houve um pequeno acréscimo de produção da cana-de-açúcar em 1958, diante dos números de 1957, conforme dados de CALDAS, Ney Ulrich. A conjuntura nacional e os problemas do Rio Grande do Sul: necessidade de planejamento regional. Porto Alegre: Sulina, 1963. p. 57. Para produzir-se um bom açúcar mascavo, a cana deve ser plantada preferentemente em solo bastante pedregoso e de pouca umidade, com exposição para o norte. A melhor variedade de cana é a precoce, e deve estar bem madura, com teor de açúcar acima de 19° Brix. No corte deve ser deixado 2/3 da parte inferior da cana para o açúcar mascavo. Para maiores detalhes examinar: MANUAL prático de produção de aguardente. EMATER/RS, [s.l.:s.d.].
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BARROSO, Véra Lucia Maciel. A expansão da lavoura canavieira no sul do Brasil: Rio Grande do Sul (séc. XVIII-XX). In: VIEIRA, Alberto. (Coord.). História do açúcar: rotas e mercados. Funchal: Secretaria Regional do Turismo e Cultura; Centro de Estudos de História do Atlântico, 2002, p. 440. (Grifo da autora).
Mapa 7 – Rio Grande do Sul, indicando-se as áreas abastecidas com açúcar mascavo de Santo Antônio da Patrulha – década de 1950
Fonte: BARROSO, Véra Lucia Maciel. A expansão da lavoura canavieira no sul do Brasil: Rio Grande do Sul (séc. XVIII-XX). In: VIEIRA, Alberto. (Coord.). História do açúcar: rotas e mercados. Funchal: Secretaria Regional do Turismo e Cultura; Centro de Estudos da História do Atlântico, 2002, p. 440.
Os números confirmam. Estatísticas realizadas nos anos 1940/1950 são indicativas. A produção de cana-de-açúcar no Rio Grande do Sul, em 1939, foi de 1.030 toneladas; em 1949, 673.342; em 1959, 820.000.457
Essa realidade é descrita por muitos, fruto de suas próprias lembranças ou das transmitidas pelos seus antepassados.
Acácio Maciel Gomes, membro fundador da Cooperativa Canavieira Santo Antônio Ltda, recorda:
[...] foi do ano 54 a 60 por aí... deixa eu ver, 55... nós tínhamos a rapadura e o açúcar mascavo, que era bem o nosso comércio. Naquela época exportava para a fronteira com a Argentina; tinha uma boa freguesia, um consumo muito bom, muito grande. Nós comprávamos de todo o município e aí passamos a comercializar. Vendia na fronteira, através de representantes: venda indireta. Então a gente transportava de caminhão. Às vezes a viagem era via viação férrea. Nós comprávamos e revendíamos rapadura e açúcar mascavo. Aguardente, não. Nós tínhamos um comércio relativamente grande aqui em Santo Antônio. Ali nós estávamos nos primeiros contribuintes do ICM, IVC naquela época. Passava bem
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Fontes: FEE. Da Província de São Pedro a Estado do Rio Grande do Sul: censos do Rio Grande do Sul: 1803-1950. Porto Alegre, 1986. p. 222 e 264;CNE. Situação econômica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1960, p. 59.
de mil barricas de rapaduras e mil sacas de açúcar por mês. [...] Então, dentro desse trabalho que a gente teve desde menino com a cana-de-açúcar, trabalho que a gente sempre se envolveu nele sobre a cana, surgiu uma proibição do IBC, naquela época, Instituto Brasileiro do Café, proibindo a mistura do açúcar mascavo no café e nas vinícolas, vinte vinícolas, que era o forte do consumo. Então, ali a gente ficou preocupado, pois era um dos nossos negócios maiores. [...] preocupado não só com o nosso comércio, como também pela vida do produtor, que eles estavam vivendo. Nós tínhamos mais área de cana naquela época do que arroz. [...] A minha família comercializava, passava bem de mil barricas e mil sacas de açúcar por mês.458
Na família de Angelino Costa Neto, da cana plantada em cerca de 8 ha, rendia 300 a 400 sacos de açúcar mascavo, duramente trabalhado por todos, como descreve:
[...] nós levantávamos de manhã, ali por quatro horas da madrugada, cangávamos os animais no engenho, que era moído com boi ou com cavalo, ou com burro, que eram os animais que tocavam o engenho. E um ficava moendo e o outro botava fogo na fornalha para começar a ferver o melado. E ali quando um encarangava as mãos, porque era no inverno e tinha muita geada, aí trocava aquele e ia para perto do fogo, e o outro vinha moer até que amanhecesse o dia, para o pai chegar lá e assumir, e nós íamos para a roça cortar cana. Assim é que funcionava a safra. [...] Nós, guris, íamos cortar cana e transportar de carreta para o engenho, para sempre nunca deixar faltar cana no engenho. Não tinha hora. Nós, às vezes, íamos até onze horas da noite porque tinha que esfregar o açúcar, tirar e botar outra fornada para deixar para o outro dia. A gente trabalhava direto. [...] A mãe atendia a casa e às vezes ia lá no engenho ajudar. O falecido pai cuidava da fornalha, e a Marica, que era a minha irmã mais velha, é que moía. Era a que assumia a parte do engenho quando nós largávamos para ir para a roça. [...] Às vezes nós moíamos cana a meia. [...] Era tu teres a cana e não teres o engenho. Então aquela pessoa cortava a cana. A gente buscava, e a metade era para o fabricante, e a metade para o dono da roça. Isso se chamava a meia. [...] Esse açúcar ia para a fronteira, para Marumby, para Caxias. Para lá era uns dos maiores compradores nossos. [...] Eu viajei muito para Caxias levando açúcar.459
E era um desafio enfrentar o comércio do açúcar já no carregamento:
[...] nós íamos carregar. Às vezes encostava um caminhão às dez horas, onze horas da noite. E nós não tínhamos chuveiro. Era uma mangueira de água. Eu ia para ali, carregava um caminhão de açúcar. Quando terminava, eu era só melado. E aquelas bolsas que o Jorge Nehme tinha aqui na fábrica de café, que vinha com café, nós enchíamos de açúcar, e cabia cem, cento e poucos quilos de açúcar, até cento e vinte quilos dentro duma daquelas. E eu “coquiava” aquilo ali. [...] Nós não levávamos os sessenta quilos ou sessenta e um. Era o que cabia no saco. [...] Depois, lá o caminhão, era pesado com tudo.460
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Depoimento de Acácio Maciel Gomes concedido a Véra Lucia Maciel Barroso em 21 jan. 2000. O sistema cooperativista também foi responsável pela associação, com sucesso, da produção de trigo e de soja. A propósito, examinar: HEIDRICH, Álvaro Luiz. Além do Latifúndio: geografia do interesse econômico gaúcho. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2000.
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Depoimento de Angelino da Costa Neto concedido a Véra Lucia Maciel Barroso em 1º fev. 2001. Como diz outro ex-canavieiro, “[...] trabalhavam tudo no monte.” Ele explicou o seu significado: “Monte é a reunião que trabalhava tudo para o pai e o pai assumia os compromissos dos filhos também.” Depoimento de Nepomuceno Rodrigues da Silveira concedido a Véra Lucia Maciel Barroso em 1º fev. 2000.
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