SİYASETTE KADIN FAKTÖRÜ 2.1 Kadın ve Siyaset
2.2. Kadınların Siyasete Katılımlarının Tarihsel Gelişim
CANAVIEIRA (SÉC. XVIII-XX)
Santo Antônio da Patrulha, ou apenas Santo Antônio, também é conhecida como Cidade
Romance,160 Capital da Cana161 ou Terra dos Canaviais.162
Fotografia 1 – Exemplar de fôlder de divulgação do município de Santo Antônio da Patrulha com alusão à cana-de-açúcar – década de 1970
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BARROSO, Véra Lucia Maciel. A expansão da lavoura canavieira no sul do Brasil. Rio Grande do Sul – séculos XVIII-XX. In: VIEIRA, Alberto. (Coord.). História do açúcar: rotas e mercados. Funchal: Secretaria Regional do Turismo e Cultura; Centro de Estudos de História do Atlântico, 2002, p. 444.
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Refere-se ao romance do casal povoador da Vila de Santo Antônio da Patrulha: Margarida Exaltação da Cruz (13 anos) e Inácio José de Mendonça (duas vezes viúvo, e com mais de quarenta anos). Mais detalhes: NEIS, Ruben. Guarda Velha de Viamão: no Rio Grande miscigenado surge Santo Antônio da Patrulha. Porto Alegre: EST; Sulina, 1975.
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Chamada destaque da 1ª aba de fôlder largamente difundido no município na década de 1970.
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Conforme Antônio Carlos Brito, esta denominação se deve a Jorge Pedro Nehme. Disse ele: “[...] eu me lembro como se fosse hoje, na boate do Clube Patrulhense. Não me lembro o ano, mas quando ele era prefeito, numa entrevista para a rádio, aí tinha sido feita alguma coisa em relação à AGASA, e o Jorge disse: ‘Essa é a terra dos canaviais!’ E aquele nome pegou.” Depoimento de Antônio Carlos Brito concedido a Véra Lucia Maciel Barroso em 1º nov. 2004.
Fotografia 2 – Exemplar de fôlder de divulgação do município de Santo Antônio da Patrulha com alusão à cana-de-açúcar – década de 1970
Fonte: Acervo do Museu Juca Maciel.
É com orgulho que o patrulhense diz: “Sou da terra da cachaça e da rapadura!”
Santo Antônio da Patrulha, Osório (Conceição do Arroio) e Torres são municípios situados no Litoral Norte do Rio Grande do Sul que têm no cultivo e na elaboração da cana- de-açúcar a sua atividade principal e portadora de tradição, desde o século XVIII. A sua história de ocupação tem mais de dois séculos.163 E é desse tempo a introdução da cana e a manufatura de seus derivados, no Brasil Meridional, prática desenvolvida inicialmente no litoral catarinense, e depois no Rio Grande de São Pedro do Sul, na conjuntura da conquista portuguesa do território sulino frente aos espanhóis. Nas povoações da Ilha de Santa Catarina e arredores, portugueses ilhéus, dos Açores e da Ilha da Madeira, e outros migrados de capitanias brasileiras plantavam cana, a contar dos anos 1700, para atender inicialmente às suas necessidades de consumo. Fabricavam aguardente, açúcar amarelo e rapaduras em
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A respeito escreveu MONTEIRO, Gustavo. O açúcar no Litoral Norte. In: BARROSO, Véra Lucia Maciel et al. (Org.). Raízes de Terra de Areia. Porto Alegre: EST, 1999. p. 452-455.
engenhos com toscas moendas de pau e movidos a bois, como ocorre até hoje em algumas localidades do interior do Rio Grande do Sul.164
Mas, quando e onde o primeiro engenho de cana teria sido instalado no Litoral Norte do Rio Grande do Sul?
Manoel Fernandes Bastos165 informa quem foi o introdutor da cultura canavieira no Litoral Norte. E o genealogista Paulo Xavier revela, a partir da pesquisa de Bastos, que ele era madeirense.166 Surpreendente é a sua afirmação, sobretudo porque a historiografia concede aos açorianos o papel precursor e difusor da cana no Brasil Meridional, silenciando sobre a presença dos madeirenses, sobretudo no Rio Grande do Sul. Assim, a Ilha da Madeira não é só o portal da introdução da cana em Pernambuco e São Paulo, áreas tradicionais canavieiras, como também da capitania portuguesa do extremo-sul brasileiro, precisamente no Litoral Norte, região que ficou consagrada como identitária da cana-de-açúcar até a atualidade. E de onde vieram as mudas? A origem da cana no Rio Grande do Sul também está ligada aos madeirenses, visto as primeiras mudas terem sido trazidas dos canaviais de São Vicente, onde os ilhéus da Madeira implantaram a cultura canavieira. Sem dúvida, os açorianos chegados adotaram a cultura da mandioca – o pão da terra –, como também difundiram a cana-de- açúcar e cereais, para sua alimentação e, especialmente, para atender ao mercado favorável, proporcionado pelo comércio muar, fazendo, dos tropeiros, virtuais consumidores de aguardente, sobretudo.
Às margens da Lagoa Pinguela, na então Estância da Serra, elevada a Freguesia em 1773, com o nome de N. Srª. da Conceição do Arroio, se instalou o madeirense Domingos Fernandes Lima com engenho de cana. Ali teria sido ele “usineiro”, a contar de 1778, ou aproximadamente a esse ano. Arranchou-se “[...] em 60 braças de terra, entre o rio da Pinguela (ao sul) e terras de Domingos Correa de Andrade (ao norte), fazendo frente para a Lagoa do Morro Alto, aonde trabalha há mais de doze anos, com escravos e engenho de mandioca e aguardente e de presente quer pôr fábrica de açúcar [...],” conforme requerimento de 1790.167 Anos depois, em 1798, ele afirma que “[...] tem fundado o seu
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Caio Prado Júnior destaca que, no período colonial, uma forma secundária de produção foi articulada. No caso, engenhocas e pequenos engenhos foram montados no Brasil, sem a presença da monocultura de exportação. Examinar: PRADO JR., Caio. História econômica do Brasil. 20. ed. São Paulo: Brasiliense, 1977.
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FERNANDES BASTOS, Manoel E. Notas e apontamentos sobre a cultura da cana-de-açúcar em Conceição do Arroio (atualmente Osório): Pinguela: A usina Santa Marta. Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, Porto Alegre: Globo, p. 142-149, III trim., 1938.
166
XAVIER, Paulo. Nossa lavoura de açúcar. Correio do Povo, Porto Alegre, 15 set. 1972. Suplemento Rural, p. 6.
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Cf. REQUERIMENTO de (sic) de dezembro de 1790. AHRS. Apud XAVIER, Paulo, 1972, p. 6. (Grifo do autor).
estabelecimento de lavoura e canaviais avultados nas 600 braças de terra de matos no lugar denominado da Pinguela.”168
Iniciava-se, então, a tradição canavieira da região.
Também na década de 1770 chegaram os irmãos Antônio Nunes Bemfica e Manoel Nunes Bemfica, naturais da Freguesia de N. Srª. do Amparo de Bemfica, do Patriarcado de Lisboa, em Portugal, instalando-se com engenho de cana em Santo Antônio da Patrulha. Segundo Mário Teixeira de Carvalho, eles já “[...] dispunham de bens de fortuna quando chegaram a este Estado. Suas estâncias eram das melhores de toda a região e estavam aparelhadas até com engenhos de açúcar, dos primeiros que existiram no Rio Grande do Sul.”169
A difusão canavieira, ainda no século XVIII, é evidente no corredor norte-litorâneo. Na área há campos de várzeas, planas e levemente onduladas, cobertas com pastos nativos que chegam até quase ao sopé dos contrafortes da Serra Geral. A seguir, adentrando-se, depara-se com as encostas em aclives, ora suaves ou abruptas, com degraus penetrando pelo interior da serra, até atingir outras áreas, mais profundas e mais distantes. Esses terrenos foram ao longo dos anos sendo desmatados, deixando os solos erodidos eesgotados pelo uso indevido.
A amenidade do clima, dada a influência termo-reguladora do mar, é amplamente favorável à cultura da cana-de-açúcar. Esse largo território do Litoral Norte pertencia ao primitivo município de Santo Antônio da Patrulha. Ou seja, essa faixa que incluía a Freguesia de Santo Antônio da Guarda Velha (depois Patrulha) mais a área de Palmares do Sul até o Presídio das Torres; portanto, no recorte apontado, de sul a norte, entre o mar e a serra, era patrulhense, até 1857, quando N. Srª. da Conceição do Arroio (Osório) se emancipou.
168
FERNANDES BASTOS, Manoel (1938) apud XAVIER, Paulo 1972, p. 6. (Grifo nosso).
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CARVALHO, Mário Teixeira de. Nobiliário sul-riograndense. Porto Alegre: Globo, 1937, p. 164.O Capitão- Mor Antônio Bemfica, nascido em 1752, segundo dados do autor, na década de 1770, estaria em Santo Antônio da Patrulha, onde nasceu, em 1774, sua segunda filha com a açoriana (da Ilha das Flores) Maria Felícia da Natividade. Quando da instalação da Vila, ele foi a quarta pessoa a assinar o auto de criação e da abertura dos pelouros, em 3 de abril de 1811. Para mais dados, examinar: MACIEL JÚNIOR, José. Quem foi o Capitão-Mor Bemfica: Histórias da nossa história. O Comercial, Santo Antônio da Patrulha, n. 33, p. 9, 19 abr. 1974.