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2. Ercüment Behzat’ın Şiirinde İroni

2.2. Siyasal İroni

O caminho a ser percorrido será explicar o poder católico da Propaganda Fide com o qual os Missionários da África desenharam suas ações expansionistas, como ilustrado no Mapa 1, disputando o espaço com outros institutos católicos, como combonianos no interior africano, jesuítas e franciscanos nas regiões costeiras. Como mediadora de confrontos eclesiásticos, a Propaganda Fide intervinha para reconhecer a extensão do poder institucional a cada grupo.

Mapa 1 – A expansão do cristianismo entre os séculos XVIII a XIX

Fonte: DAVIS, Hunt. Encyclopedia of African History and Culture: The Colonial Era: 1850 to 1960, vol. IV, 2005, p. 85.

O poder comercial dos reformistas teve relação com a reconfiguração do Império Romano Papal na Europa. Em 1549, o édito papal Pragmática Sanção, de Carlos de Habsburgo, ou Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano, estabeleceu as Dezessete Províncias, correspondentes hoje à Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, parte da França e Alemanha, unificando-as e separando-as do Sacro Império e da França (MARTINA GIACOMO, 1997). Esse interesse reportava-se ao domínio político, entre os séculos XIII e XVII, que fora herdado da Liga Hanseática, para desenhar uma forma de autogoverno entre

comerciantes e nobres locais, unidos por Hansas ou Ligas, e liderar o comércio e a navegação do Báltico. As Ligas mantinham relações diretas com o poder papal, sem intermediários. Depois cederam sua autoridade para as companhias majestáticas neerlandesas, a Companhia das Índias Orientais (1602) e a Companhia das Índias Ocidentais (1621). Esta era responsável pelo comércio escravagista no Brasil, Caribe e América do Norte, com a permissão de atuar na África Ocidental, nas Américas, no Pacífico e na região oriental da Nova Guiné. A outra, Companhia das Índias Orientais, com poder militar, impunha-se nos mares, apropriando-se de feitorias portuguesas no Brasil, Ásia e Oceania (PAGE, 2005a; PAGE, 2005b).

Em 1622, após a morte do papa Gregório XV, a Propaganda Fide teve seu poder acentuado, pois um de seus 13 membros, Cardeal Barberini, foi eleito papa. Urbano VIII fundou um colégio para missionários e uma imprensa poliglota, para divulgar o catecismo em vulgata, por meio da bula Immortalis Dei, em 1627. A Congregação para a Evangelização dos Povos, mais conhecida por Sagrada Congregação da Propagação da Fé, termo moderno para

Congregatio pro Gentium Evangelisatione, foi a instituição romana responsável pela evangelização missionária e por atividades religiosas em países não católicos (FLINN, 2007;

CATHOLIC ENCYCLOPEDIA, 2012). Em 1622, o papa Gregório XV, diante da Reforma Protestante, criara esse setor para apoiar o catolicismo e assuntos eclesiásticos em países não católicos, pela bula papal Inscrutabili Divinae (RENAULT, 1992). Essa Congregação conta com quatro ramificações para as questões missionárias específicas, ou Sociedades Pontifícias Missionárias: da Propaganda da Fé, Propaganda Fide (criada em 1822, em Lion, na França); de São Pedro Apóstolo (em 1889, na França); Santa Infância (1843, Nancy, França); e União

Missionária, em 1916, para as missões em igrejas locais. A criação da Congregação esteve relacionada com o avanço do domínio das Coroas neerlandesas, inglesas e alemãs, por serem

reformistas, nas colônias americanas, africanas e asiáticas (CATHOLIC ENCYCLOPEDIA,

2012).

A abrangência do poder da Propaganda Fide pode ser percebida pela presença católica em todos os territórios e colônias reformistas, islâmicas ou qualquer outra dominação religiosa não católica, bem como em territórios de ritos católicos ortodoxos. As novas explorações do globo reativaram o apelo ao Credo Niceno-Constantinopolitano: “Santa, Una, Católica e Universal”. Com esse intuito, as ações expansionistas foram forjadas e originou-se o Colégio Urbano, com o objetivo de incentivar o surgimento de outros colégios pelo Velho Mundo, que respondessem à expansão do domínio católico em territórios hostis. Nesse sentido, o pedido de Lavigerie (1927, p. 282), em 4 de novembro de 1886, ao superior do noviciado, Padre Viven: “me façam santos” correspondente ao heroísmo católico de

obediência e santidade, e o complemento de sua fala: “que eu farei deles mártires”, significava o tipo de formação e visibilidade pensados para os Missionários da África exercerem a catolicidade em um continente visto como fetichista. Esse era o prelúdio dos acontecimentos aos quais os Missionários da África se exporiam: mortes por assassinatos pelos guias das caravanas no Deserto do Saara, por condições insalubres (doenças, fome, feras e moradia) e por disputas por poder com chefes do interior africano. Como podemos observar no Diário de Chilonga, em 14 de maio de 1934:

[...] We are told in the same letter that permission to open the mission station of Calabesa has not come from the Governor yet. The reason is that Chief Luchembe does not want the Catholic priests to build a mission on his territory. What he fears is that his people would at once flock to settle down around the new Mission and refuse to do any ‘mulasa’ for him, in others words he would no longer be able to pressurize them at will to work for him in his garden. We hope that the Administration will see the real reason behind his objection and not withhold their approval too long. This delay is very irritating, for our two confreres are camping out at Calabesa, living in provisional huts, and champing at the bit to start work on the constructions. Os movimentos reformistas de Martinho Lutero e Calvino distanciaram algumas potências, como a Alemanha e a Inglaterra, da Cúria Romana, que sofria, também, com pressões político-religiosas das Coroas católicas. Impulsionados pelo Marquês de Pombal, os cardeais de Bourbons provocaram outros cardeais, incitando o papa contra os jesuítas e, em 1773, pela pressão de Portugal, Espanha e Itália, o papa Clemente suprimiu a ordem jesuíta. Somente em 1814, pela Bula Sollicitudo Omnium Ecclesiarum, o papado de Pio VII autorizou a restituição da Companhia de Jesus.

Os jesuítas foram importantes para o projeto político-religioso da Cúria Romana contra a Reforma Protestante e, internamente, para as práticas vinculares dos institutos aos papados: eles instituíram um conjunto de disposições identitárias por meio da rigorosidade moral, submissão incondicional às normativas romanas e enaltecimento da tradição hierárquica da Igreja. As ações inacianas contribuíram para o surgimento de novos institutos religiosos, com rigorosos esquemas eclesiásticos, com vista ao expansionismo da identidade católica em todos os continentes (RENAULT, 1992; LOYOLA, 2011; FLINN, 2007).