Como observamos, a trajetória coletiva e pessoal de Charles Lavigerie gerou um destaque na hierocracia católica a ponto dele ascender até o cardinalato: acumulou experiências em debates políticos contra os iluministas franceses, contra a situação colonial da Argélia, contra o domínio religioso dos reformistas nos territórios africanos, direcionou práticas pastorais adaptadas ao continente africano para atender as crianças vítimas de guerras e do tráfico, instruiu seus missionários como se aproximar dos chefes locais, aprender a língua local e comer o que os nativos comiam (CERTEAU, 1994; CUNHA, 2010). Toda essa articulação católica de Lavigerie foi possível graças ao que seus missionários relatavam a ele sobre as dificuldades e os conflitos que surgiam nos postos subsaarianos.
Assim, segundo o rol das instruções de Lavigerie, o missionário deveria criar ações aproximativas para, o mais rápido possível, elaborar um dicionário bilíngue e uma gramática; apreendido o universo linguístico da população contatada, o missionário construiria um paralelo imaginário para implementar traços ou signos similares121, traduzir e fomentar ações de conversão. A escolha de uma linguagem para essa ação (a língua vernácula, e não o latim) apontava para qual tipo de atribuições estava associada à cultura religiosa. Como afirmou Pompa (2006), em uma população ágrafa, a tradução era um instrumento para dominar a alteridade por meio de classificações etnocêntricas, por ex., dicotomias de bem e mal, deus e diabo, virtude e vício, verdade e falsidade etc. Novos simbolismos foram criados, tentando subtrair a alteridade indígena, heterogeneidade, a traços católicos, homogeneidade: de
musenshi, pagão, em katolika, católico (OLIVEIRA, 2006). Até mesmo o caráter elusivo diante dos missionários ou da administração colonial era desejado ser convertido no de sinceridade, isto é, uma moralidade para ser aplicada a qualquer situação prática. A conversão seria uma tentativa de eliminar a tática, no dizer de Certeau (1994), por ser produto daquele que não detém o poder, a “arte do fraco”.
A conversão cristã, para ser eficiente na África, necessitou criar novos espaços simbólicos no imaginário das populações nativas. Pelo catolicismo missionário, buscava uma mediação com a cultura local. Inclusive, os reformistas da DRC (Dutch Reformed Church) e a da LMS (London Missionary Society) não tiveram uma atitude tão restritiva a ponto de negar ou tentar apagar o passado pagão dos cristãos convertidos, tanto que o propósito era divulgar e formar lideranças locais sem o anseio de soberania como o catolicismo (IPENBURG, 1992;
OGER, 1991). Havia uma dialeticidade entre a chegada das missões e a alteração do cotidiano dos vilarejos próximos aos postos comerciais árabes. Estar nas proximidades desses postos era uma maior garantia de contato com a Europa, por cartas e produtos. Por outro, fomentava- se na população local novas formas de organização social. Como afirma David Cohen,
As primeiras missões eram também modeladas pelo esforço que faziam para criar colônias de escravos libertos. Que estas colônias fossem no litoral (como em Freetown ou em Bugamoyo) ou no interior (como em Masasi, Blantyre, Mpwapwa, Tabora ou Ujiji), elas buscavam se estabelecer, sobretudo, perto das rotas das caravanas de escravos e em tornar os cativos libertos o núcleo das colônias missionárias, em conformidade com a sua intenção de combater o tráfico de escravos praticado pelos árabes. De fato, estas missões se transformaram em Estados teocráticos e atraíram até mesmo os exilados políticos, escravos fugitivos e aqueles que não tinham encontrado lugar nas sociedades onde elas estavam implantadas. É, deste modo, que enfraqueceram ainda mais as sociedades já submetidas às pressões econômicas da época e reduziram, portanto, sua capacidade de se opor à instauração do regime colonial. De uma maneira mais geral, pode̻se dizer que as sociedades missionárias foram igualmente as pioneiras deste regime. (2010, p. 314-315)
Desde 1878, em Tabora, 1879 em Ujiji, 1881 em Bukuni Rumonge, os missionários encontram certas limitações para reproduzir as prescrições de Lavigerie. Eles não eram os primeiros cristãos a chegar ao interior até os Grandes Lagos; por isso, a forma mais fácil de se instalar parecia ser onde os reformistas já estavam, mesmo com certas reticências mútuas. O objetivo era fazer valer a delimitação dos Pró-Vicariatos de Nyanza Victoria e do Tanganyika.
Propaganda Fide erigiu os dois territórios provisórios em 1880, porém o primeiro obteve sua estabilidade como Vicariato Apostólico em 1883. Porém, pouco antes dessa data, novas perdas de missionários ocorreram no Saara e na África Central (ver ilustração das caravanas na Foto 4 e 5).
Foto 4 – Caravanas da África Equatorial dos Missionários da África
Fonte: VASQUEZ, 2007, p. 172.
Um exemplo de que maneira o habitus católico protegia suas fronteiras é a comparação entre a carta de Charles Lavigerie enviada ao padre Deniaud, em Rumonge, e a missiva enviada à mãe deste missionário após sua morte. Essa atitude discriminadora de Charles Lavigerie, sobre os que não giravam ao redor das circunscrições englobadas pelos papados, era tão inculcada que a tônica de sua comunicação era como instantânea: para nós e para os do mundo.
Sem saber sobre a morte do posto, em Rumonge, no dia 9 de abril de 1881, Charles Lavigerie (1927, carta 54) escreveu uma longa carta cobrando de Deniaud atitudes de verdadeiro apóstolo, e não como a de turista de viagem à África como lhe parecera pela última carta, vinda com os diários. Lavigerie argumentou que eles haviam sido enviados para lá para fazer valer a identidade missionária católica. Para reforçar o que deveria ser feito, Lavigerie apresentou como modelo a ação apostólica de Livinhac122: cinco horas por dia de
122Em três cartas anteriores a Léon Livinhac: carta 38, de 21 de junho de 1879; carta 39, de 22 de novembro de
1879; e 43, de 1° de abril de 1880, Lavigerie queixou-se de não receber notícias de seus missionários há quase um ano do embarque para a África Equatorial – 22 de abril de 1878. Os detalhes mencionados sobre a carta de Livinhac chegaram até Lavigerie, provavelmente, em julho de 1880, segundo a carta 52 de 10 de fevereiro de 1881. Teria sido em função dessa carta detalhada de Livinhac, que as instruções de Lavigerie tenderem a homogeneizar seu julgamento sobre os outros postos.
instrução catequética aos adultos, não se recusando a instruir quem quer que fosse; recomeçando o catecumenato toda vez que aparecesse um novo adulto para instruir; com zelo, eles aprenderam a língua Kiganda, a ponto de escrever com ela, e já traduziram todo o pequeno catecismo e as orações da manhã e da noite, também um livreto de gramática (silabário), para instruir mais facilmente os órfãos e neófilos. Esse trabalho dos missionários era tão valioso que estava sendo impresso em Argel. Livinhac e seus companheiros, mesmo com as dificuldades criadas pelo Rei Mutesa e seus conselheiros, batizaram um número grande de fiéis na véspera da Páscoa e de Pentecostes, do ano de 1880. Ao mesmo tempo, incrementaram o número de crianças em seus orfanatos em função da compra dos árabes e as que eram órfãs. Provavelmente pela dificuldade no serviço de correio e de os missionários não estarem escrevendo com maior frequência, Lavigerie demandou que Deniaud e seus companheiros escrevessem com maior frequência, questionando o que eles estavam fazendo dentre os infiéis, porque, em dois anos e pouco, em carta alguma eles mencionaram terem pregado o evangelho ou ensinado a lei cristã aos adultos. Talvez tivessem instruído não mais que sete crianças. Propôs ações a partir de sua experiência missionária e de outros relatos dos postos: ensinar os adultos quatro horas por dia sobre a lei cristã e, como havia percebido Livinhac, dar uma cruz ou uma medalha no dia do batismo tinha um bom efeito para a penetração do catolicismo na cultura africana; também, ao dar o nome cristão aos fiéis batizados, dizer-lhes que teriam saúde e iriam para o céu, desde que seguissem os direcionamentos dos missionários. Nesse sentido, Lavigerie estava adaptando seu estudo sobre catecumenato e as descrições dos costumes das populações descritas pelas cartas de seus missionários.
Embora houvesse certa decepção com o processo lento e inicial das missões, Lavigerie sabia que dependia deles a expansão, e que essa pressupunha lidar com situações não tão comuns para os clérigos na Europa.
Como apresentamos acima, sobre as cartas relativas aos missionários assassinados, Lavigerie, embora sentindo certa decepção em função das práticas dos missionários e cobrando-os por esse posicionamento de Robinsons, para comunicar a morte deles a seus pais, estrategicamente, atribui-lhes traços do heroísmo missionário: santidade123, bravura124, modelos do cristianismo para a África125. Observamos, assim, a diferença que acontecia, operada pelo esquema de sinceridade. Para os de dentro das circunscrições do instituto — e
123 Paterna Caritas (July 25, 1888, cap. 05) 124 Summi Pontificatus (20 de Outubro de 1939,
cap. 64)
dependendo da informação, para os superiores da Propaganda Fide —, a cobrança das prescrições sobre os atores religiosos ocorriam em qualquer momento, ou melhor, em todo momento. Posto que, associada a esse esquema, estava operando a vigilância-autovigilância, manifestando-se em torno do que os superiores julgavam ser mais apropriado e de acordo com o que havia sido inculcado, de como se pronunciar sobre qualquer assunto. Por isso, o que o Padre Deniaud e os outros missionários escreviam para Charles Lavigerie era interpretado pela disposição do missionário subalterno relatar ao superior sua vida, seus sentimentos, seus planos e a ocorrência do seu cotidiano ao superior como se esse, pelo poder eclesiástico, pudesse lhe interpretar e orientar qual a melhor forma de responder à vontade divina — em um tom similar à relação proposta pela confissão dos pecados a um padre que orientaria como corresponder aos desígnios divinos. Entretanto, o companheirismo, diante dessa relação diamétrica, não pressupunha uma transparência per se sobre qualquer coisa que viesse a acontecer, justamente pelo receio da arbitrariedade da interpretação que esse tipo de relação pressupunha. O missionário iria adquirindo, na convivência com seus superiores, a técnica do quê, e como, algo deveria ser dito, isto é, uma experiência de como responder ao sentido de sinceridade esperado pela instituição.
Já em relação aos de fora das circunscrições, no caso da morte do padre Deniaud, Lavigerie escreveu gravitando o evento em torno do catolicismo. Aqui não se configurou uma atuação pelo esquema da sinceridade, operando dinamicamente com a obediência e vigilância-autovigilância devido à qualidade da relação. Visto assim, os esquemas caracterizavam o habitus católico pelos atores religiosos, com fronteiras claras entre o ego institucional e o mundo lá fora. Por outro lado, a expressão do heroísmo católico foi o que corroborou a visibilidade desejada para seu expansionismo.
Escrevendo à mãe do padre Deniaud, no dia em que recebeu o telegrama das três mortes na missão de Rumonge, Lavigerie afirmou:
Une dépêche télégraphique de Zanzibar nous apporte aujourd’hiu même, la confirmation de bruits alarmants qui courraient depuis déjà quelques semaines. Votre cher fils n’est plus : avec deux de ses compagnons, le P. Augier, du diocèse de Belley, et un auxiliaire de la Mission, M. d'Hoop, du diocèse de Bruges, il a donné sa vie pour Dieu et pour ses frères.
...
[...] Nous savons seulement qu’il a été mis à mort par ces pauvres barbares auxquels il allait porter la Foi.
Ils sont donc tout ensemble les martyrs de leur foi et les martyrs de la charité fraternelle. Sin ous ignorons, d’ailleurs, jusque’ici, les
circonstances précises de leur fin glorieuse, nous connaissons les sentiments que les ont menés aud-devant d’elle ; connaissons, en particulier, ceux votre fils, et je ne croix pouvoir mieux faire, pour assurer vos espérances et honorer sa mémoire, que de reproduire ses propes paroles. Elle sont en tout dignes d’un apôtre. (LAVIGERIE, 1927, p. 458-459).
Emoldurando e justificando à mãe de Deniaud o tipo de trabalho e missão ao qual ele havia sido enviado, Lavigerie reproduz, no interior da missiva, a mensagem que o padre mártir havia enviado ao príncipe católico, Léon XIII. Nesta carta, ele demonstrou os sacrifícios que estavam fazendo entre os bárbaros para convertê-los ao catolicismo e que haviam assumido essa posição, de até morrer pelas almas africanas, por se conformarem ao apelo divino em salvar essas almas. Com isso, Padre Deniaud também enfatizava ao Papa que não deveria fechar os caminhos da Igreja para África Equatorial. Por uma atitude de destaque, sua morte significava o verdadeiro cristianismo, impulsionando mais apóstolos à construção do reino cristão africano.
Entretanto, dentro da circunscrição do instituto, os eventos relativos ao assassinato dos missionários e do auxiliar, em Rumonge, foram descaracterizados como de martírio para o foro interno. Shorter (2006) encontrou uma carta escrita para Léon Livinhac, em 14 de janeiro de 1898, pelo Irmão Jerome Baumeister (1831-1898). Este irmão narrou uma versão que não ultrapassou as fronteiras eclesiásticas. Os supostos assassinos dos europeus, os guerreiros Bikari, haviam sido desafiados por Padre Dromaux, por causa de um escravo fugitivo. Padre Dromaux havia servido o exército papal dos zouaves126, bem como na Guerra Franco- Prussiana. Os dois missionários, Padre Dromaux e Padre Deniaud, e o auxiliar-armado, D’Hoop, tentaram intimidar os Bikari com tiros de rifles, provocando uma batalha em que foram mortos oito guerreiros Biskari. Não satisfeitos, os missionários e o auxiliar foram atrás do restante do grupo e, em uma emboscada, os Bikari conseguiram matar os três. Dessa forma, Irmão Jerome afirmava que, ao invés de terem sido apóstolos, agiram como soldados; os europeus foram antiapóstolos127.
126 Em 1831, foram recrutados indivíduos berberes da tribo cabília da Zouaoua para o exército francês na
Argélia. Em duas décadas, esse agrupamento contava apenas com franceses e se tornou uma elite de combate do exército francês. Atuaram na África, Oriente Médio, Europa e no México. Além disso, os clérigos contavam com o apoio de um regime denominado de Zouaves do Papa.
127 A questão dos irmãos auxiliares armados que tinham a autorização de portar armas, não foi uma questão
Foto 5 - Primeira Caravana para a África Equatorial
Fonte: MAFROME, 2010.
Quando os missionários chegaram à Buganda, no reinado de Mutesa, havia uma disputa simbólica entre árabes muçulmanos que faziam o comércio dos produtos do reino até o posto de Zanzibar e a Christian Missionary Society.
O reino de Buganda, dirigido pelo kabaka, rei, Suna, impressionou os primeiros viajantes europeus (Speke e Stanley) por seu domínio sobre suas províncias e todos os tipos de decisões comerciais relativas a seu reino, que se estendia até seus postos comerciais em Zanzibar. Logo após a morte de Suna, em 1856, seu filho Mteça ou Mutesa se tornou o novo
kabaka, responsável pelo comércio e pela abertura às negociações com a crescente presença árabe e europeia em Buganda (COHEN, 2010).
Os kabaka apreciavam a presença islâmica entre eles. Suna aceitou ser instruído por Ibrahim, um Wahhabi, puritano muçulmano (CAMPO, 2009), mas este condenou a prática de sacrifícios humanos da corte. Mutesa, inclusive, aceitou a leitura do Corão em sua corte. À medida que o islamismo passou a influenciar o cotidiano de Buganda e interferir nas relações de poder, em 1874, o kabaka condenou à morte um grande número de súditos convertidos ao islamismo. Esse tipo de ação teve continuidade pelo sucessor de Mutesa, Mwanga, diante de disputas cristãs entre a nobreza e a população, executando 45 súditos (23 anglicanos e 22
católicos) entre os anos de 1885 a 1887128. (Ver Foto 6).
Com um peso diferente, dentre os mortos não constavam missionários católicos, anglicanos sim. Os assassinatos eclodiram como uma ação heroica única para o instituto de Lavigerie e da Eclésia. Ao invés de serem entendidos pelas categorias das outras mortes ao redor da missão, cuja causa mortis era doença, razia entre tribos e velhice, elas magnificaram a força centrípeta da Igreja Católica para expandir o efeito de seu discurso sobre os fiéis no Ocidente. Posto que, em seu campo simbólico, as mortes significavam a repetição da escolha da fé católica em detrimento da oposição do rei Mwanga, como se seguindo os exemplos dos antigos cristãos e dos santos católicos.
Com clareza dos efeitos no campo simbólico, Léon Livinhac, superior geral, em 6 de março de 1920, carta 49, escreve, após os 22 neófilos católicos de Uganda terem sido beatificados pela Santa Sé:
Cette béatification des premiers martyrs de lar ace noirte sera, em efft, um véritabable événement. Elle honorera notre petite Société dont Dieu a daigné se servir pour gagner à Jésus-Christ ces âmes d’élite ; elle envouragera tous les missionaires qui travaillent à la conversion des Noirs, et elle réjouira et excitera `la pratique fervente de leurs devoirs les chrétiens nègres, quei seront heureux et fiers de voir des frères placés sur les autels et de pouvoir les invoquer comme des protecteurs puissants dans le ciel et vien disposés à leur égard. (1960, p. 236).
A beatificação era o reconhecimento dos superiores eclesiásticos, não somente dos da
Propaganda Fide, mas da Cúria Romana dos trabalhos dos missionários da África para a construção do catolicismo entre os negros. Nesse sentido, passava a ser celebrada como a manifestação máxima de fé, isto é, do heroísmo católico, pela totalidade da igreja, além da nascente Eclésia africana, em rituais oficiais do Ocidente e do Oriente.
Dentro das constelações de categorizações da hierocracia, em 18 de outubro de 1864, pelo papado de Paulo VI, os 22 mártires de Uganda foram canonizados, o ápice sobrenatural católico reservado para a humanidade. A prova humana de que, a partir das intencionalidades da Igreja Católica, é possível atingirem a maior posição possível no estado sobrenatural. Paulo VI, ocupando a posição de epicentro da hierocracia, dirigiu-se aos dignitários presentes no anúncio da canonização de Charles Lwanga e seus companheiros, como assim ficaram conhecidos:
128 Durante o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI canonizou os 22 mártires católicos, primeiros santos africanos da Igreja Católica.
Your visit, occurring on the happy occasion of the canonization of the Martyrs of Uganda, fills Our heart with joy.
We have been particularly pleased to add these new Saints to the long list of Africans who have been raised to the honours of the altar, Martyrs, Confessors, and even Roman Pontiffs, among them the African Popes Saint Victor the First, Saint Meltiades, and Saint Gelasius the First.
We thank you for your kindness in coming to represent your Dioceses at this solemn ceremony, and We lovingly bless you and your dear ones. Through your good offices, We send Our blessing to all the beloved people of Africa, especially those noble Nations represented here by the distinguished Missions from Uganda and Central Africa. By the intercession of the Holy Martyrs, We invoke upon all Our African children the choicest graces and favours of Heaven. (VATICAN, 2011).
Foto 6 – Os futuros mártires de Uganda
Fonte: GOOGLE IMAGES, 2012.
Em outra carta (64), agora para o Padre Hauttecouer em 29 de agosto de 1883, o Cardeal Lavigerie ratificou a posição central do padre Livinhac na posição de vigário apostólico do Nyanza, desde 15 de junho de 1883, a quem os outros missionários da missão de Victoria Nyanza e Tanganyika deviam obediência. Reestruturou-se o Vicariato do Nyanza em três postos estratégicos: Tabora, por onde passavam as rotas do interior para a costa, outra
em Karema, como posto da AIA ao leste do lago Tanganyika, e outra no extremo sul do Lago Nyanza, em Bukumbi (cf. RENAULT, 1991a; AJAYI, 2010).
Por outro lado, quando ocorreram vínculos de trabalho nas obras dos missionários, plantações e construção de casas, do desejo de homens em se tornarem catequistas e auxiliar o processo de conversão nas outstations, e principalmente, a aceitação dos chefes locais, a catolicização foi eficiente e os vicariatos começaram a proliferar, como iremos demonstrar no próximo capítulo.
Em síntese, os Missionários da África responderam prontamente aos interesses romanos de se arriscarem em caravanas pelo Saara ou a partir da costa índica até o Buganda.