1. TIP TERMİNOLOJİSİ
1.3. Sinir Sistemi ve Psikiyatrik Hastalıklar
rádio pensaram em programas dirigidos ao público infantil, para isso, num primeiro momento aproveitaram os desenhos animados importados dos Estados Unidos e países da Europa, embora ainda nesta época tenham pensado na produção de programas locais. Em depoimento ao livro escrito pelo diretor J. B. de Oliveira
Sobrinho, o Boni, em homenagem aos 50 anos de TV no Brasil, Álvaro de Moya então diretor artístico da TV Excelsior de São Paulo (Canal 9) comenta sobre os primeiros programas infantis da emissora, os “did|ticos”, Nhô Totico palhaço e Chicharrão. “Passavam também os desenhos animados de Norman McLaren e Lotte Reiniger, além de Popeye e O gato Félix”, recorda.
No mesmo livro, outro depoimento chama atenção, o hoje famoso escritor de novelas, Benedito Ruy Barbosa (apud BONI, 2000, p. 40-41) conta que foi convidado pelo governador do estado de São Paulo, Laudo Natel a assumir o posto de assessor especial do governo junto à presidência da TV Cultura. Aceitou, de acordo com ele, o desafio o de escrever uma telenovela educativa. E assim, em 1971 estreou Meu pedacinho de chão. Exibida simultaneamente pela TV Cultura e pela Rede Globo13, a novela se passava no ambiente rural e transmitia assuntos importantes aos trabalhadores rurais, além de abordar assuntos como doenças, desidratação, vacinação.
Benedito Ruy Barbosa escreveu ainda a primeira adaptação da Rede Globo de O Sítio do Picapau Amarelo (1977-1986). O seriado já tinha tido outras adaptações feitas por diferentes emissoras: a primeira adaptação foi feita pela TV Tupi de 1952 a1962, com direção de Júlio Gouveia e Tatiana Belinky; em 1964, Lúcia Lambertini resgatou o seriado pela TV Cultura, mas ficou apenas seis meses no ar; de 1967-1969, novamente com a direção de Júlio Gouveia e Tatiana Belinky, O Sítio foi transmitido pela Rede Bandeirantes de Televisão; e, em março de 1977, a adaptação estreou na Rede Globo, com reprise na TVE. Geraldo Casé (apud BONI, 2000, p.97) recorda que a primeira coprodução da TV Globo com a TV Educativa, da qual participou, foi a série Pluft, o fantasminha (1970), baseado na obra de Maria Clara Machado. Segundo o diretor, a adaptação de O Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, “implicou a elaboraç~o de um projeto voltado para um entretenimento com adequaç~o e estímulos educacionais sem nenhum didatismo”. Ele explica:
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A novela Meu pedacinho de chão que inaugurou o horário das 18 horas na Rede Globo, pode ter um
remake em 2012 (disponível em http://www.teledramaturgia.com.br/meu.htm, acessado 21 de
O objetivo só pôde ser alcançado pela integração de áreas ligadas à pedagogia e à dramaturgia, num esforço mútuo entre setores muitas vezes divergentes. A reunião de autores já consagrados, que deveriam obedecer a determinadas premissas originadas de currículos montados por um grupo de professores, psicólogos e alentados trabalhos recebidos de universidades e outras consultorias, foi tarefa árdua porém compensadora. O programa voltado para uma delicada faixa etária, deveria ter conteúdos e atrativos a ponto de ser um entretenimento que atingisse uma audiência mais ampla. A partir de uma estrutura consensual, fomos em busca dos elementos que pudessem sustentar tão arrojada meta. O elenco de atores foi estudado levando-se em conta, como é claro, o perfil dos personagens e o carisma dos protagonistas. Foi grande a dificuldade de encontrar as figuras representativas – Narizinho e Pedrinho – assim como as dos mágicos Emília e Visconde de Sabugosa. Para sustentar uma narrativa televisiva e compor o mundo lobatiano mantendo as características culturais brasileiras, alvo do qual não podíamos fugir, agregamos alguns personagens. A trilha musical, importantíssimo elemento, foi entregue a um dos maiores artistas brasileiros, Dori Caymmi, que cuidou de convidar os mais prestigiados compositores para preparar os temas de cada componente das histórias. Do prefixo ficou incumbido o nosso Gilberto Gil, que compôs uma obra-prima. Caetano, Chico Buarque, Dorival Caymmi, Ivan Lins, Sérgio Ricardo, entre tantos famosos14. (CASÉ apud BONI, 2000, p.97-98).
Após 9 anos no ar, mais de 1.400 capítulos e prêmio de melhor programa infantil de 1979 dado pela UNESCO, esta quarta adaptação de O Sítio do Picapau Amarelo saiu do ar em 1986, também pelo fim do contrato entre a emissora e os familiares de Monteiro Lobato. Em 2000, o contrato foi renovado por mais 10 anos para divulgação da obra do autor em meios de comunicação atuais e no ano seguinte a quinta adaptação da TV brasileira para esta obra de Monteiro Lobato estreou, permanecendo no ar até 2007.
A primeira adaptação de O Sítio do Picapau Amarelo foi pensada baseada em outro programa infantil de grande importância para a televisão do país. A versão brasileira do Sesame Street, programa norte-americano criado há mais de 30 anos e
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Geraldo Casé fala da importância de ter tido a colaboração da professora Maria Helena Silveira e da contribuição de universidades, como a Unicamp, que elaborou um estudo alentado sobre linguística para adequação dos textos (Apud BONI, p.98). A realização do programa contou ainda com equipes de ciência, educação, psicologia, sociologia, cuja seleção de conteúdo de cada capítulo era feita sob a supervisão dos autores e de uma equipe de apoio pedagógico (disponível em http://www.teledramaturgia.com.br sitio.htm, acessado em 21 de setembro de 2009).
que teve forte impacto na programação televisiva infantil de países do mundo inteiro. Atualmente, o programa continua sendo veiculado em TV’s de mais de 120 países.
De acordo com informações divulgadas pelo site da Rede Globo15, a primeira
fase da versão brasileira foi apresentada simultaneamente pela TV Cultura de São Paulo e pela Rede Globo, de 1972 a 1974. Como inicialmente a Globo não tinha estúdio para as gravações, estabeleceu-se uma coprodução entre as duas emissoras. No entanto, só a Rede Globo continuou exibindo Vila Sésamo numa segunda fase (de 1974 a 1975) e, posteriormente, numa terceira fase (de 1975 a 1977). A quarta fase do programa estreou novamente na TV Cultura no final de 2007, numa parceria com o canal de TV a cabo Discovery Kids e a empresa norte- americana detentora dos direitos autorais do programa, a Sesame Street.
Desde as primeiras fases, o Vila Sésamo se tornou sucesso porque as emissoras envolvidas investiam em pesquisas e observações junto a crianças de três a cinco anos. Com o objetivo de atrair a atenção do público, foram desenvolvidos aspectos diferenciais no programa16. O Site da Rede Globo explica:
Para atrair a atenção do público infantil e transmitir com eficácia mensagens educativas, a equipe do programa desenvolveu um processo pedagógico baseado na repetição. O cenário de Vila Sésamo representava uma vila, onde crianças conviviam com adultos e bonecos. Ali, eram apresentados pequenos esquetes com duração máxima de três minutos e a mesma informação era repetida mais de uma vez. Com tom de brincadeira, o programa ensinava, estimulando o raciocínio. Transmitia noções básicas do alfabeto, números e cores (2009).
A partir da versão de 1973, o programa passou a ser inteiramente nacional. Nesta época, foram criadas as versões brasileiras dos famosos bonecos Garibaldo e Gugu por Naum Alves de Souza. A partir dessa data, as músicas do programa
15 Disponível em http://memoriaglobo.globo.com/Memoriaglobo/0,27723,GYN0-5273-249656,00.html,
acessado em outubro de 2009.
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Silvia Cavalli, uma das produtoras do infantil na época de sua implantação, conta que o programa Vila Sésamo foi adaptado para a realidade brasileira, do cotidiano da criança que aqui vive. Segundo ela, tinha um corpo de consultores, psicólogos, pedagogos, especialistas em educação e psicologia infantil, que estudava cada frase dita, com os requisitos de crescimento, de desenvolvimento cognitivo, motor e de percepção dessa criança (apud Lima, 2008, p.80).
original também foram substituídas por outras, compostas por Marcos e Paulo Sérgio Valle, e os textos foram entregues a escritores brasileiros como Dinah Silveira de Queiroz, Ivan Lessa, Marcos Rey, Ronaldo Ciabrone e Carlos Alberto Seidl. Na versão brasileira, a rua foi transformada em uma vila operária, onde viviam personagens tipicamente brasileiros. O programa contava ainda com participações de crianças carentes entre 3 e 10 anos, estudantes de escolas públicas.
Em 1974, o programa passou a ser produzido exclusivamente pela Rede Globo. Nessa nova fase, tinha como foco ensinar noções de higiene, comportamento no trânsito, alfabetização, agricultura, conflitos entre adultos e crianças. Os cenários foram ampliados e, apesar de ser exibido em preto-e-branco, novas cores foram usadas pela equipe de cenografia com a intenção de dar um visual mais rico à atração. Em abril de 1975, tem inicio a terceira fase da Vila Sésamo, empregando métodos educacionais brasileiros para maior integração com a nossa realidade, foram incluídos 20 novos personagens, todos criados pela equipe do programa, chefiada por Wilson Aguiar, diretor da Divisão de Educação da Rede Globo.
Após mais de duas décadas, o programa transmitido pela TV Cultura atualmente, mantém a característica de tentar adaptar o Sesame Street norte- americano à realidade brasileira, embora os esquetes do programa brasileiro tenham menos personagens e menor duração do que o americano. Existem dois bonecos nacionais, Bel – uma criação especial para a versão atual - e o pássaro Garibaldo - já conhecido do público e cujo nome é exclusivamente nacional - e gravações com crianças em várias partes do Brasil, além de blocos dublados da produção norte-americana. De acordo com o site da TV Cultura, “por meio da convivência e das brincadeiras17 na Vila Sésamo, essa dupla alia conteúdos educativos ao entretenimento”.
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São exibidas cenas de Garibaldo e Bel brincando e aprendendo. São quadros de pequena duração, em torno de 3 minutos, em que a personagem Bel dialoga com um narrador em off e precisa achar dentro de uma piscina de "dados coloridos", os objetos que o narrador lhe pede. Tem ainda o quadro em que Garibaldo aprende o nome de três objetos com uma letra também escolhida pelo mesmo narrador.
Outros programas também da TV Cultura foram sucesso na televisão brasileira, e até no mercado internacional. Os primeiros programas voltados ao público infantil baseados na tríade educação, cultura e entretenimento foram: o programa Bambalão, sucesso de público e crítica, que teve desdobramentos (Circo Bambalão, Bambalalão e Silva e outros) e que tinha um caráter de entretenimento, A Turma do Lambe-Lambe, ambos de 1978 e o Curumim18 considerado um dos precursores do Rá-Tim-Bum (com os desdobramentos de Castelo Rá-tim-bum e a Ilha Rá-tim-bum19). Esses programas inauguram a produção de infantis na Fundação Padre Anchieta.
O seriado Rá-Tim-Bum foi transmitido de 1989até 1992 dirigido por Fernando Meirelles e com os atores Marcelo Tas e Carlos Moreno.O enredo contava o dia a dia de uma família que liga a TV e, de repente, tudo se transformava, como numa grande brincadeira, os personagens apresentavam as cores, a matemática e o alfabeto20. O Castelo Rá-Tim-Bum21 seguiu também uma abordagem pedagógica voltada para o público infanto-juvenil. A criação do dramaturgo Flávio de Souza e do diretor Cao Hamburger estreou em 1994 e foi produzido até 1997. A produção fez parte da parceria entre Fiesp e TV Cultura, caracterizada assim, pelo caráter
18 O coordenador do programa Curumim, Pedro Paulo de Martini, lembra que esse era um projeto
entre a Secretaria Municipal de Educação do Estado de São Paulo e a TV Cultura, uma prática que poderemos comprovar utilizada ainda hoje com o Cocorico. “[...] a gente tinha uma equipe especializada em educação infantil, da Secretaria, que vinha aqui, uma ou duas vezes por semana, fazer reuniões e organizar o curso. E depois, programa a programa, discutia-se linha por linha [...] E essa série era utilizada nas Escolas Municipais de Educação Infantil [...] E também essa é uma experiência que fica assim meio termo entre a educação mais de curso e a educação geral. Porque a gente tentava fazer um programa que, se a criança, em casa, assistisse, ela aproveitaria alguma coisa. Se ela assistisse junto com o professor poderia trabalhar em cima e explorar. E havia manuais para o professora explorar uma metodologia (apud LIMA, 2008, p. 152).
19 O seriado Ilha-Rá-tim-bum teve apenas uma temporada e sua audiência não foi muito significativa. 20
O programa Rá-tim-bum ganhou a Medalha de Ouro no Festival de Nova York, no entanto, não alcançou audiência significatica, atingiu 4 pontos de audiência no IBOPE (http://www.estadao.com.br/arquivo/ arteelazer/2002/not20020718p6229.htm, acessado em dezembro de 2009). Segundo Almeida (p. 11), as estratégias utilizadas privilegiavam a aprendizagem para o prazer, e n~o o prazer da aprendizagem num programa dito educativo. “O fazer continuar querendo ver (assistir), logo, fazer querer ter prazer em viver, significa também fazer querer assistir aos próximos episódios”, explica.
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O Castelo Rá-Tim-Bum foi considerado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) o melhor programa infantil de 1994. Em 1994 e 1995, recebeu a medalha de prata na categoria melhor programa infantil do Festival de Nova York. Em 1995 ganhou o Prêmio Sharp de Música para o melhor disco infantil (disponível em http://www.tvcultura.com.br/casteloratimbum, acessado em 3 de outubro de 2009).
educativo, tal como outros programas infanto-educativos da emissora. A audiência da série foi considerada um sucesso para a TV Cultura, com uma média de 12 pontos, índice jamais alcançado por uma série educativa ou por um programa da emissora. O enredo contava a história do menino Nino, de 300 anos de idade, que mora no Castelo com seu tio o mágico Dr. Vítor e a tia Morgana. Nino é um aprendiz de magia que vive grandes aventuras com as crianças Pedro, Biba e Zequinha, convidados e frequentadores do Castelo e ao lado de outros animais estranhos, como a Cobra falante Celeste e o Gato Malhado, entre outros. A série apresentava noções de Ciências, História, Matemática, música, artes plásticas, ecologia, cidadania e incentivo à leitura nos 27 quadros temáticos. Explica o autor Carlos Magalhães (2007, p. 86-87) que o programa segue a vertente de projetos infanto- juvenis para televisão com quadros e esquetes com conceitos pedagógicos dentro de uma trama ambientada em um pequeno universo com personagens permanentes, convivem harmoniosamente pessoas de carne e osso e bonecos falantes. O autor relaciona os três programas: Castelo Rá-tim-bum, Vila Sésamo e O Sítio do Picapau Amarelo.
Nos três casos, os programas se assemelham muito em sua estrutura dramática, com a presença de um adulto sábio e catalisador (Juca/Gabriela na Vila Sésamo, Dona Benta no Sítio do
Picapau Amarelo, Dr. Vítor no Castelo Rá-tim-bum), um personagem
central atrapalhado, mas valente e destemido (Garibaldo, Emília, Nino), uma figura caricatura o mal (Gugu, Saci, Mal), crianças coadjuvantes, bonecos falantes. Outra característica importante é a utilização de valores nacionais, além dos conceitos pedagógicos universais. Todos os projetos também são acompanhados, desde a produção dos roteiros, por pedagogos. (MAGALHÃES, 2007, p. 87)
E o autor permanece na comparação entre os programas, trazendo para o grupo dos outros três, o Cocoricó.
Com exceção da presença de humanos, a estrutura se repete no atual sucesso da rede educativa paulista, o programa com bonecos manipuláveis Cocoricó. Júlio – a figura central e destemida da série
– é um garoto de seis anos22 que mora no sítio com seus avós. Compartilha com seus amigos – entre eles, um cavalo, três galinhas, uma vaca e um papagaio – dúvidas próprias das crianças e defende a natureza. Episódios igualmente com tema centrais “educativos”, ainda dividem o espaço com videoclipes de músicas próprias e adaptadas de canções clássicas infantis e dicas de brincadeiras. (MAGALHÃES, 2007, p.87).
Todos esses programas que vimos até agora e outros que foram criados e\ou transmitidos pela TV brasileira contribuíram para a história dos programas infantis e para a atual configuração dos programas e principalmente, deles em relação ao Cocoricó. Como veremos ainda neste capítulo, e já antecipado por Magalhães, esses programas têm uma estrutura básica similar, as relações estabelecidas entre os bonecos e inseridas em dada sociedade. No entanto, o Cocoricó e em especial, a temporada Cocoricó na cidade, diferentemente dos anteriores, apresenta uma temática rural e posteriormente (com a nova temporada) passa a contextualizar a vida urbana, àquela da “cidade grande”, apresentada, mostrada e construída pelo programa. Entretanto, antes ainda de falarmos sobre o Cocoricó, precisamos conhecer a emissora responsável pela produção e veiculação, o destinador do programa: a TV Cultura.