1. TIP TERMİNOLOJİSİ
1.9. Sindirim Sistemi Terimleri
Os episódios da quinta temporada do Cocoricó veiculados em 2009 e em 2010 trouxeram novidades para o destinatário do programa, começando pelo nome, que como vimos acrescentou o na cidade, dessa forma, já deixando explícito ao público que o Cocoricó não estava mais no campo, em Cocoricolândia, mas na cidade grande. Outra novidade, como também já vimos, foram o aparecimento de novos personagens que moram nessa cidade grande, dentre eles, um rato e um cachorro. Trata-se, portanto, de mais um fazer crer ao enunciatário dos valores colocados pelo enunciador deste programa.
Os episódios, nesta temporada, começam por um curto diálogo43 de aproximadamente 30 segundos entre esses dois bonecos. Começamos, assim, pensando nesses trechos inicias dos episódios do programa Cocoricó na cidade pela figuratividade, ou melhor, como o sentido pode ser dado a partir da apreensão dessa figuratividade. Como diz Greimas: a figuratividade “é a tela do parecer”, é a porta de entrada para a significação. E será pela figuratividade proposta pelo enunciador que estaremos chegando aos efeitos de sentido dados pelo programa. As figuras são apreendidas pelo plano da expressão e homologadas por figuras do conteúdo. A análise plástica desse objeto significante se dará pela descrição
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Esse diálogo é inserido antes da vinheta de abertura ir ao ar, portanto, trata-se de outro programa narrativo do episódio do dia.
enquanto texto visual, portanto, de suas figuras significantes e verossímeis, no estabelecimento de contratos de veridicção e de fidúcia entre os sujeitos da comunicação (OLIVEIRA, 2004, p. 15). Mas também de seus formantes (cromático, eidético, matérico, topológico, como na análise das vinhetas no item anterior), enquanto possibilidade de chegarmos aos seus efeitos de sentido, como diz Landowski àquelas constantes subjacentes articuladas em profundidade ( 2004, p. 103). Oliveira explica ainda que:
Entendemos que o adjetivo “pl|stica” pode abranger o estudo do plano da expressão das manifestações visuais distintas, quer as artísticas, quer as midiáticas, quer as do mundo natural. Considerando que um texto visual, qualquer que esse seja: arquitetura, escultura, paisagem natural ou pintada, desenhada, gravada, fotografia, é construído por um arranjo específico de sua plástica, organizada por mecanismos estruturais particulares de seu sistema com as suas regras, resultando em uma dada sintagmatização das unidades mínimas, optamos por denominar plástica a semiótica que se ocupa da descrição do arranjo do plano da expressão de todo e qualquer texto visual. (OLIVEIRA, 2004, p. 12).
Os formantes plásticos – matéricos, cromáticos, eidéticos e topológicos – são unidades do plano da expressão que podem corresponder a uma ou mais unidades do plano do conteúdo (OLIVEIRA, 2004, p. 120). Greimas (2004, p. 86-88) diz que a articulação do dispositivo topológico garante a apreens~o das “unidades mínimas do significante”, enquanto que as cores e as formas (cromático e eidético, respectivamente) se dão numa apreensão relacional, quer dizer, na função em que o enunciatário atribui a este ou aquele termo com relação ao demais. A partir dessas colocações, faremos algumas observações sobre esse trecho do programa Cocoricó na cidade.
Trata-se de uma conversa entre dois animais antropomórficos, não mais os animais da fazenda como a galinha e o cavalo, mas animais da cidade, um cachorro e um rato. Há, inicialmente, uma distinção de cores entre esses dois animais: o branco do cachorro e o cinza do rato. Essas figuras se encontram dispostas no
centro da tela em plano americano - do tronco para cima - enquanto que fazem fundo a eles, duas figuras grafitadas em um muro44.
Trata-se de uma figura masculina identificada figurativizando o “Calvin” das histórias em quadrinhos e de uma figura feminina baseada nas chamadas animées45. Os dois observam a cena protagonizada pelos bonecos através de um olhar dirigido e atento. Nesta cena, podemos ressaltar a presença de animais e ausência dos seres humanos, que na verdade aparecem figurativizados pelos carros que passam na rua onde os animais conversam e nas casas que aparecem também ao fundo da cena, numa cidade com horizonte, embora térrea. Num primeiro plano além dos personagens e dos carros que atravessam a cena, vê-se um sinal de trânsito indicativo para os pedestres que vai do vermelho ao verde, do início ao término da cena.
Figura 9 – Os actantes do Beco do Cocoricó: as figuras pichadas no muro e Esfarrapado à esquerda e, Roto à direita
Podemos citar como tema principal da cena o universo adulto e o universo infantil e as relações entre um e outro. Esse tema perpassa os desenhos pichados
44 Os grafites do Beco do Cocoricó na cidade foram pintados pelos artistas-plásticos Nina Pandolfo e
Finok, a pedido da direção do programa, configura-se como um dos ambientes cenográficos desta temporada. Nascida em São Paulo, Nina começou a grafitar em 1990 e é uma das pioneiras no Brasil. “Suas figuras que geralmente representam animais, insetos ou outras formas da natureza, têm um elemento infantil intencional, que ela usa para salientar a beleza e o valor dos objetos que pinta” (GANZ, 2008, p. 83). “O enunciado do grafite manifesta através de sua figuratividade os percursos de manipulação que seu enunciador propõe, e o fazer querer-ser-visto é o tipo de manipulação que decorre desse texto” (ZUIN, 2003, p. 175). Relacionando ao nosso objeto, apreendemos que a TV Cultura tem um fazer querer-ver, dotado de significado e valor. A pichação não é dada como anárquica ou subversiva – pois “estabelece o elo de profunda identidade entre espaço e público”. (ZUIN, 2003, p. 179-180).
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Animée é um dos estilos de desenhos animados japoneses. As personagens são caracterizadas pelos olhos grandes e pelas roupas.
no muro, como dito anteriormente; à esquerda, o actante Calvin, um garoto de seis anos, hiperativo que vive aprontando ao lado do urso Harold. Esse Calvin, no entanto, apenas figurativiza àquele criado por Bill Paterson; o Calvin do Cocoricó possui uma pele azul, como dos personagens das Histórias em Quadrinhos que tratam do mundo dos mutantes ou algo parecido. O cabelo e a fisionomia transtornada e agitada se assemelham ao Calvin das histórias norte-americanas. A figura dele está disposta na parte central do muro e as cores que dominam o desenho é o azul e vermelho. Mesmo azul e vermelho do vestido do outro actante que se encontra no lado oposto do muro: a figura de um desenho no estilo japonês animée. Trata-se de uma garota, com cabelos longos e olhos exagerados, expressivos, em posição inclinada para baixo, com as mãos sobre os joelhos, ocupando o muro também da metade para baixo. Topologicamente as duas figuras estão dispostas na mesma altura. Ao mesmo tempo, em que as temáticas do feminino e do masculino são instaladas pelos actantes, o mundo infantil de Calvin, da criança e o mundo adolescente, ou melhor, adulto da animée, reiteram o diálogo, portanto, as figuras da expressão reiteram o conteúdo verbal, dado pelo diálogo do cachorro e do rato.
O cachorro e o rato conversam nos diferentes curtinhas sobre: ser grande e criança e/ou pequeno e adulto, lugares de passar férias ou de dormir, o clima (objetos inanimados) e o medo. Acompanhe os diálogos entre o cachorro que se chama Esfarrapado e Roto, o rato, é o seguinte:
DIÁLOGO CURTINHA 1
BECO DO COCORICÓ
ESFARRAPADO: O que é que você quer ser quando crescer? ROTO: Eu já cresci, Esfarrapado.
ESFARRAPADO: Já... mas não parece ROTO: Ah, eu sou um rato adulto enoorme!
ESFARRAPADO: E eu sou um cachorro criança. Cachorro criança. Pausa. RATO: E pequenininho. Continua: O sinal abriu e rato atravessa a rua.
ESFARRAPADO: Quando eu crescer eu quero ficar pequenininho como você, tá? Dá risada, numa posição de frente para a câmera.
DIÁLOGO CURTINHA 2
ESFARRAPADO: Roto, a gente vai passar as férias na praia ou na montanha? ROTO: Nenhum dos dois.
ESFARRAPADO: Ah, é, então onde é que a gente vai passar as férias. ROTO: do outro lado da rua. Opa, abriu.
ESFARRAPADO: ai, ai, ai,. Todo ano a mesma coisa. Au, au, au. DIÁLOGO CURTINHA 3
Opa, fechou! (Os dois falam ao mesmo tempo). ROTO: ai, que frio.
ESFARRAPADO: você acha é? Tá tão gostoso hoje. ROTO: gostoso porque você tem esse cobertor de pelos. ESFARRAPADO: uhh?
ROTO: tá quentinho aí, tá.
ESFARRAPADO: Aqui? Tá gostoso. (O rato se aninha no cachorro). ROTO: gostoooso.
ESFARRAPADO: abriu.
ROTO: quem será que teve a ideia de colocar pernas no meu cobertor? Ou, ou volta aqui. DIÁLOGO CURTINHA 4
Opa, fechou! (Os dois falam ao mesmo tempo). ESFARRAPADO: Roto eu sou um vira-lata e você? ROTO: um rato, ué.
ESFARRAPADO: um rato vira-lata? ROTO: claro que não.
ESFARRAPADO: ué mas você dorme numa lata. ROTO: mas a minha lata não vira.
ESFARRAPADO: uh, faz sentido. Já sei, você é um rato abre-latas. Você dorme numa lata e tem que abri-la todos os dias.
ROTO: abriu.
ESFARRAPADO: a lata? ROTO: não, o sinal. DIÁLOGO CURTINHA 5
Opa, fechou! (Os dois falam ao mesmo tempo).
ESFARRAPADO: Roto você tem medo de alguma coisa?
ROTO: eu, de nada. Ãnh.(treme) Eu quero dizer uma coisa. Eu tenho medo sim eu tenho medo de uma coisa que eu não abro pra ninguém.
ESFARRAPADO: eu já sei. Você tem medo de trovão.
ROTO: não, não. Eu tenho medo que as pessoas saibam que eu tenho medo de trovão. ESFARRAPADO: abriu.
ESFARRAPADO: não. O sinal.
O que seria então ser criança ou ser adulto no diálogo 1? O parecer e o ser podem ser citados como a dêixis desta cena. O cachorro parece adulto mas é criança e, o rato parece criança, mas é adulto. Qual a diferença entre eles? Trata-se do parecer fisicamente, do parecer grande da garota animée que ainda é criança, ou do parecer criança Calvin que possui comportamentos e ações de um adulto?
Ao mesmo tempo, a temática do adulto vs criança está acompanhada da temática secundária do trânsito, figurativizada pelos carros que passam pela rua e pela sinaleira para pedestre. Uma figura do mundo natural ligada à modalidade de ordem prescritiva (do dever), do dever respeitar os sinais de trânsito, regras que existem para os motoristas (adultos) e para os pedestres (crianças e adultos) e que, portanto, novamente, remete à temática principal da cena.
Tentando refazer o percurso de apreensão do sentido, partimos para o nível narrativo. Se primeiro, começamos a entender nosso corpus, a partir do plano da expressão e das figuras que nele encontramos. Cabe-nos, agora, perceber as relações entre essas figuras identificadas no plano da expressão com os sujeitos instalados por um enunciador para o fazer sentido deste corpus. Nossa primeira preocupação foi identificar a relação entre os actantes: o sujeito e o objeto. Barros (2002, p. 17) diz que a relação que define os actantes; é essa relação transitiva entre sujeito e objeto que lhes dá existência, ou seja, o sujeito é o actante que se relaciona transitivamente com o objeto, o objeto aquele que mantém laços com o sujeito. Havendo duas relações possíveis: a junção e a transformação. Na organização narrativa em que existe uma relação de junção entre o sujeito e o objeto de valor, essa relação é chamada de enunciado de estado pode ser assim, de dois modos, a conjunção quando o sujeito está conjunto com o objeto de valor, e de disjunção, quando ele está disjunto. A outra relação possível é a transformação, chamada de enunciado de fazer, quando há uma transformação da relação de junção. A organizaç~o narrativa se d|, assim, a partir de uma “sucess~o de estados e transformações”, como nos diz Barros (2002, p. 20), definindo-se como um
programa narrativo. A cena entre o cachorro e o rato nos mostra os programas narrativos a seguir:
a) O rato é adulto (o sujeito do fazer é o tempo; a transformação é o de ser grande; o sujeito de estado é o rato);
b) O rato é pequeno (o sujeito do fazer é a espécie animal; a transformação é o de não crescer; o sujeito de estado é o rato);
c) O cachorro é grande (o sujeito do fazer é a espécie animal; a transformação é o de crescer; o sujeito de estado é o cachorro);
d) O cachorro recebe do rato a experiência e atenção, adquiridos pela vida adulta (o sujeito do fazer é o rato; a transformação é a atenção, diálogo; o sujeito de estado é o cachorro);
e) O rato atravessa a rua (o sujeito do fazer é o semáforo; a transformação é ficar na cor verde; o sujeito de estado é o rato).
A partir desses programas narrativos, podemos dizer que:
1) Enquanto o cachorro está em busca da aquisição de uma competência que não tem que é a experiência da idade, o ser adulto; o rato já se considera adulto e não quer crescer, por que segundo ele é já enorme; 2) Para poder ser adulto o cachorro tem que estar conjunto com o objeto de valor idade e, não apenas com o objeto de valor tamanho, o inverso para o rato também é válido;
3) A performance do sujeito rato é convencer o cachorro de que é adulto e enorme;
4) O sujeito rato faz fazer o cachorro, manipulando-o a achar que é criança e pequeno;
5) A sanção é negativa, já que o cachorro sabe que é grande e criança, e que o rato é pequeno e adulto.
A cena possui um narrador implícito, o ator da enunciação, ou melhor, o próprio enunciador que delega a voz aos interlocutários, os sujeitos Esfarrapado e Roto. Considerando Esfarrapado, o sujeito 1 e Roto, o sujeito 2, o objeto de valor seria o ser adulto. Esfarrapado pode ter o tamanho de um adulto, mas é criança. Roto, por sua vez, pode ser adulto, mas tem o tamanho de criança. O rato, ironicamente, não aceita o seu papel de adulto pequeno no tamanho e, faz fazer o cachorro ser pequeno, através de sua fala e da gestualidade das mãos. “Pequenininho”, diz Roto para Esfarrapado. J| o cachorro pode ser adulto, a competência dele virá com o tempo, com o passar dos anos. Entretanto, o tamanho não é objeto de valor para o cachorro, o objeto é o ser adulto e não ser grande ou pequeno. O rato manipula o cachorro para o saber ser criança e querer ser pequeno, pela provocação irônica e ele responde que sabe que não é. A sanção é, portanto, positiva. Entretanto, o cachorro diz que quer ser adulto e pequeno, configurando aí o contrato entre o destinador - que sabe e pode fazer crer - e o destinatário do valor de ser criança, mesmo sendo adulto.
Se no nível narrativo, o enunciador nos coloca através do diálogo dos personagens no ser adulto ou ser criança, no nível discursivo, mesmo já tendo apreendido as figuras plásticas, o conteúdo também nos apresenta pistas. Podemos começar pelas pistas dadas pelos sujeitos, no tempo e no espaço da enunciação. Os sujeitos da enunciação são aqueles que identificamos na plástica da cena, mas são ainda, a própria linguagem da cena videográfica e os planos em que os bonecos foram enquadrados. O enquadramento da cena é fixo, não há movimentações de câmera, nem distanciamento ou aproximações, mesmo por que os personagens encontram-se parados aguardando o sinal de trânsito ficar verde. Os outros actantes compõem apenas o fundo para o desenvolvimento da cena principal entre o cachorro e o rato. Essa opção do enunciador nos mostra que a própria figura dos personagens e, do diálogo entre eles, foi privilegiada em detrimento das outras categorias de espaço e tempo.
Como nos é apresentada a espacialidade da cena? Pelas figuras que compõem aquele espaço onde a cena foi feita. Vemos, portanto, que a cena foi
realizada num beco com muros pintados, localizado num bairro arborizado, com casas térreas46 onde há uma rua movimentada com trânsito intenso de carros, com necessidade de um semáforo para os pedestres poderem atravessar a rua. Trata-se de um beco reconhecido pelo enunciatário como um lugar da cidade, com ruas, muros, casas, árvores, etc. E a temporalidade? O tempo da cena é o nosso tempo, atual, das histórias em quadrinhos, dos desenhos japoneses, dos animais de estimação, ou dos ratos vindos com os lixos que sujam as cidades. O enunciador nos coloca próximo da cena, um eu-aqui-agora dos dias atuais, num discurso com efeito de realidade, onde nas grandes cidades, sobraram apenas os becos e os condomínios fechados para as crianças brincarem, poderem ser crianças, mas também aprenderem a ser adultos, respeitando as regras e normas da sociedade. Nesta relação podemos dizer que está configurado o contrato comunicativo, de um lado o enunciador, que enuncia o dizer veridictório, enquanto que o enunciatário precisa encontrar e interpretar essas marcas deixadas, crendo ou não nesse dizer.
O conteúdo fundamental da cena em questão encontra-se fundado na valorização do ser criança, em detrimento do ser adulto. Primeiro, na cena de fundo, o olhar do enunciatário é direcionado para Calvin ao invés da garota animée, é ele quem se encontra na parte de cima da tela em posição ascendente ao contrário dela que como dito encontra-se inclinada para baixo. Valoriza-se então quem é a criança, portanto, Calvin. O cachorro que é criança também está no mesmo lado da tela que Calvin, enquanto o rato adulto fica do mesmo lado que a garota animéé. O contraste das cores também já diz: de um lado o branco do cachorro, a cor que absorve que ainda pode conter as outras cores, assim como a criança apta pelo aprendizado; do outro, o cinza do rato, quase um preto, a mistura de todas as cores, um adulto experiente. Para representar as estruturas elementares, poderíamos afirmar que a cena começa pela afirmação da experiência (Já cresci, sou adulto, sou enorme) para em seguida negá-la, (sou criança, pequeno) e afirmar o aprendizado (quando crescer quero ficar pequenininho):
46 Entretanto, essa espacialidade é dada pela cena entre os animais, por que na abertura do DVD –
foto tirada de uma cena do episódio Cidade Grande – mostra uma foto dos personagens vendo o beco e ele é apresentado de forma diferente. A cidade não é térrea, horizontal, mas sim, vertical.
Experiência não-aprendizado aprendizado
A partir da análise dos cinco trechos iniciais dos episódios, temos a criança e o adulto colocado em diferentes temáticas: crianças e adultos com sonhos realizáveis ou não; diferenças entre as raças, reafirmando a não superioridade, mas sim a possibilidade de ajuda entre elas; o não domínio do significado das palavras pelas crianças em idade pré-escolar, que confundem o significado denotativo das palavras com os diferentes significados conotados; e, a confidência de um segredo contado pelo personagem Roto a Esfarrapado que como uma criança é indiferente ao descontentamento do rato.
Assim, identificamos a isotopia temática do mundo infantil vs mundo adulto, marcada pelas figuras do rato grande vs cachorro pequeno (como falado antes), férias sonhadas (como descanso) vs férias possíveis, raças diferentes (ter ou não pelos) vs possibilidade de ajuda, significado das palavras vs duplo significado, confidência vs indiferença. Essas figuras foram tematizadas diferentemente como: 1) o rato que quer ser grande; 2) o rato que tira férias todo o ano no mesmo lugar, do outro lado da rua; 3) a diferença entre as raças, tendo ou não pelos, mas que podem se ajudar; 4) as palavras que tem um e outro significado; e por fim, 5) a confidência do rato e a indiferença do cachorro.
Como categoria semântica fundamental desses trechos iniciais temos: IDENTIDADE vs ALTERIDADE. A afirmação da identidade de uma criança, do ser criança e o outro, seria o adulto e a vida diferente do ser adulto. Essa categoria também ser| encontrada no episódio “Pôr do sol” e do clipe musical.