1. TIP TERMİNOLOJİSİ
1.5. Hareket Sistemi Terimleri
Desde sua criação até quase 15 anos depois, Cocoricó deixou de ser somente um programa da TV Cultura e se transformou em diversos produtos comunicacionais: de livros, álbuns, vídeos e DVD’s, que circulam no rádio, no teatro, no cinema, na internet, até na escola. Tudo começou com o lançamento das
canções dos episódios em CD, mais tarde vieram os vídeos e DVD’s com os clipes musicais, seguidos dos episódios.
As aventuras do menino Júlio e de seus companheiros do sítio ganharam, em 2006 – em comemoração aos 10 anos do programa - a primeira versão em livro, Cocoricó, um Amigo Especial, lançado pela Melhoramentos. "Quando começamos o programa, pensamos em uma série de desdobramentos como teatro, cinema e livro", diz com orgulho o diretor Fernando Gomes. Neste volume, com roteiro assinado por Cristiane Pederiva, os leitores encontram a adaptação de uma história que foi exibida no programa. "Na edição, respeitamos os personagens, optamos por fotos e os bonecos são apresentados com o mesmo enquadramento da televisão. Mesmo cenário e luz do programa original." Como tema central, foi apresentada a questão da diferença, tema também recorrente nas histórias do programa de televisão. O livro conta o dia em que Júlio escreveu em seu diário o jeito especial de seu amigo Mauro. Um garoto que escreve em braile e usa bengala, mas tem os outros sentidos bem apurados. "Optamos por fotografias no lugar de ilustrações para que as crianças encontrem no livro os personagens que elas conhecem", diz o diretor36. Esse foi apenas o primeiro de uma série de outros livros com as histórias da televisão que foram lançados pela mesma editora. No ano seguinte, Cocoricó ganhou o universo das histórias em quadrinhos, as HQ’s como são chamadas, reuniram algumas das histórias da fazenda lançadas pela Editora Globo.
Outro meio em que o programa se instalou foi o teatro. O espetáculo Cocoricó, uma aventura no teatro ficou em cartaz em São Paulo, no segundo semestre de 2008, e manteve os bonecos e vozes originais do programa veiculado pela televisão. A história do teatro contava a aventura vivida pela turma do Paiol quando um objeto estranho é visto nos ares de Cocoricolândia. Na tentativa de descobrir exatamente o que andava sobrevoando a fazenda, a turma se envolve numa aventura onde o respeito às diferenças e a solidariedade são os temas principais. A adaptação destes personagens à linguagem teatral ficou por conta de
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Disponível em http://www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2006/not20060316p60729.htm, acessado em fevereiro de 2009.
Fernando Gomes, confeccionador de os todos os bonecos e que assim como no programa de TV, assina também a direção e concepção da peça37.
Gomes conta que o desejo de levar o Cocoricó aos palcos era um sonho antigo, embora houvesse um grande desafio: o de transpor a atração para os palcos respeitando os personagens o que eles s~o na televis~o. “Eu sempre me recusei em utilizar o boneco-fantasia. Se colocássemos pessoas vestidas como os personagens, muitas características se perderiam. Imagine, por exemplo, as galinhas – seria impossível, para uma pessoa, ter o mesmo pescoço comprido de uma galinha”, explica o diretor Fernando Gomes. A solução, então, foi se basear em técnicas que permitissem a camuflagem dos atores, vestidos de preto e andando pelo palco, movimentando os personagens. Outro cuidado de Gomes foi produzir um espetáculo de teatro que não fosse uma reprodução do programa de TV no palco, respeitando por assim dizer, o próprio meio e sua linguagem, neste caso: o teatro. Essa utilização do próprio meio para dele desenvolver a linguagem a ser utilizada foi recorrente nas adaptações de Cocoricó. Vimos primeiro no livro, agora no teatro e também para o cinema. O cenário, então, não é exatamente o mesmo paiol do Cocoricó. “H| uma alus~o ao paiol, mas nada t~o realístico quanto na TV. S~o referências”, diz. O diretor também destaca que as músicas originais est~o presentes, mas reforça que o espetáculo não podia ser caracterizado como um musical38.
Em 2009, foi lançado o Cocoricó, uma aventura no cinema. A história conta sobre a viagem de Júlio e os amigos da fazenda para visitar o primo João e passar as férias na cidade grande. Gancho, explica o diretor, dado pela própria versão original do programa. “Ser~o nossas primeiras gravações em HD, mas o mote é mesmo que o programa mudou a cara e, por mais que a gente respeite o perfil dos personagens, mudam os cenários, entram novas figuras e isso tudo dá outra cara para a produção. O cinema vai pegar toda essa nova etapa”, comenta Gomes. N~o se trata de um longa-metragem do Cocoricó, são apenas os primeiros cinco episódios da futura
37 Disponível em http://www.destaquesp.com/index.php/Cultura/Teatro/cocorico-em-uma-aventura-
no-teatro.html, acessado em fevereiro de 2009.
38
Disponível em http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI12406-10527,00- TEATRO+COCORICO .html, acessado em julho de 2009.
temporada que foram exibidos em primeira mão no cinema. Cícero Feltrin, diretor de captação e marketing da Cultura, considera a ida de Cocoricó para o cinema uma demanda do mercado: “a evolução tecnológica, com a gravação da série em HDTV, permitiu essa ida para a tela grande”39.
No site da emissora em que é veiculado, da TV Cultura, Cocoricó está presente. O site segue a programação visual do programa, mas principalmente das capas dos DVD’s. Nele, encontra-se a descrição de cada boneco do programa, jogos e espaço para as crianças deixarem um recado, além de vídeos e músicas.
Os bonecos de Cocoricó se aventuraram, por fim, às campanhas do Governo Federal e da Prefeitura Municipal, já antevendo que além do destinador TV Cultura, o programa também tem ainda um outro destinador, aquele ligado às raízes da criação da emissora, o poder público. Os bonecos gravaram pequenos comerciais que foram colocados durante intervalos da programação da TV Cultura sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e sobre as precauções para evitar o contágio da Influenza H1N1. Depois de março de 2010, eles entraram nas salas de aula através do material didático, da 1a a 3a séries da rede municipal de ensino de São Paulo, em vídeos e cadernos de atividades. Foram criados exercícios complementares à atividade didática, com algumas sendo acompanhadas de vídeos40. O objetivo seria o de reforçar a qualidade do ensino de língua portuguesa e matemática. O projeto era uma parceria entre a prefeitura e a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura.
39 Na época de lançamento Cocoricó: As Aventuras na Cidade estreou em 21 salas de nove cidades
brasileiras, como um pré-lançamento da nova temporada. O diretor Fernando Gomes conta que apesar de estar no cinema, esse Cocoricó é televisivo porque foi produzido para TV, apesar de ter uma linguagem "de cinema". Os cinco episódios foram colados um ao outro, sem enredo, sem
começo, meio e fim que amarre tudo. (disponível em
http://imagememagia.blogspot.com/2009/07/agora-chegou-mesmo-nos-cinemas.html, acessado em 20 de agosto de 2009).
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O vice-presidente da Fundação Padre Anchieta e secretário de Educação no início da gestão Marta Suplicy (PT) Fernando Almeida disse que todo o material foi pensado levando em conta as dificuldades detectadas nas provas de avaliação das escolas. O projeto pode ser estendido para outros cidades e Estados, mas o material feito para São Paulo deve continuar de uso exclusivo. "Tem muitos exemplos de São Paulo: o Ibirapuera, o trânsito, as ruas. Não dá pra usar isso em outro lugar", afirmou Almeida. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u6906 83.shtml, acessado em março de 2010.
Conhecemos a história do programa Cocoricó, bem como da TV Cultura e todo o contexto em que o programa foi criado até hoje, quase 15 anos depois. Cocoricó, atualmente, como vimos, não é apenas um programa de TV, é também peça teatral, bonecos de variados tamanhos e tipos, decoração de festas de aniversário, sessões de cinema, e também é um programa que veio buscando um espaço próprio no cenário televisivo brasileiro e se afirmando como tal. Entendemos até aqui, o quanto o Cocoricó significa na história da televisão brasileira enquanto “fórmula” de um sucesso que deu certo, pelo menos para a emissora ao qual está veiculado e para a equipe de criação. Além disso, o que queremos neste trabalho, como especificado desde as primeiras páginas é conhecer os episódios, suas narrativas, principalmente a enunciação que irá nos dizer e irá nos mostrar, pelo conteúdo e pela expressão: os regimes de visibilidade do destinador e destinatário e do social em que se inserem. A importância do ambiente midiático que Cocoricó produz em sua expansão de programa televisual - para peças de teatro, sessões de cinema, entre outros como apresentado – o coloca enquanto destinador em um fazer sobre a audiência. É isso o que iremos examinar pelas an|lises das vinhetas e do episódio “Pôr do sol” no capítulo a seguir, nos termos de modalidades que desenvolvem as competências da criança espectadora para seu atuar no social.