1. TIP TERMİNOLOJİSİ
1.14. Deriye İlişkin Terimler
1.14.2. Semptom Terimler
Em primeiro lugar, o programa está inserido dentro da grade de programação da televisão, um “agora” de transmiss~o do próprio programa. Fechine fala em três etapas constitutivas de qualquer produto televisual, são elas:
1) a produção do programa, o registro ou a realização de um evento pela televis~o, ou seja, a sua ‘colocaç~o’ em um formato televisual; 2) a transmissão, através da qual o programa é inserido na grade de programação e levado ao ar; 3) a recepção, o momento em que se dá a fruição do programa transmitido pelo público. (FECHINE, 2008, p. 28).
Sabemos que Cocoricó não é ao vivo, não é transmitido no mesmo instante em que é gravado, não é uma transmissão direta. Neste mesmo trabalho, a autora explica as transmissões diretas:
Toda transmissão direta é enquanto dura. O que significa dizer, em outras palavras, que a existência da transmissão direta está condicionada, tecnicamente, à extensão temporal do ato no qual se dá a operação que lhe dá lugar, e, semioticamente, ao presente mesmo da sua enunciação. Essa duração, que a própria operação técnica de transmissão estabelece, corresponde, num outro nível de análise, ao agora da enunciação de uma sequência direta (duração da transmissão agora enunciativo). Se, numa sequência direta, o que está sendo transmitido para o telespectador está se fazendo no momento mesmo em que está se dando sua transmissão, há então uma temporalidade comum reunindo aqui enunciado e enunciação e determinando, consequentemente, a instauração de um mesmo agora nas duas instâncias enunciativas. (FECHINE, 2008, p. 121).
Nos programas gravados, como é o Cocoricó63 - seguindo ainda Fechine – a produção e a transmissão não acontecem simultaneamente, entretanto, a transmissão e a recepção, sim, são simultâneas e, portanto, concomitantes. Não temos no programa essa temporalidade comum entre enunciado e enunciação. Entretanto, nesta primeira consideração feita sobre a própria transmissão do programa, inserido na grade de programação, temos a duração do programa previamente gravado. E temos também a continuidade do programa dentro dessa grade. Então, apesar de estarmos falando de dois tempos diferentes, o de transmissão e o de aspectualização do programa, temos um e outro agindo na
63
Cocoricó é gravado durante o período de um mês, ininterruptamente e, só após todas as fases (roteirização, ensaios, gravação e finalização) é que a temporada estreia, seguindo a lógica de gravação dos seriados.
totalidade do discurso. Temos no Dicionário de Semiótica, o verbete aspectualização:
[...] o aspecto é introduzido na linguística como “ponto de vista sobre a ação”, suscetível de se manifestar sob a forma de morfemas gramaticais autônomos. Tentando explicitar a estrutura actancial subjacente { manifestaç~o dos diferentes “aspectos”, fomos levados a introduzir nessa configuração discursiva um actante observador para quem a ação realizada por um sujeito instalado no discurso aparece como um processo, ou seja, como uma “marcha”, um “desenvolvimento”. Sob esse ponto de vista, a aspectualização de um enunciado (frase, sequência ou discurso) corresponde a uma dupla debreagem: o enunciador que se delega no discurso, por um lado num actante sujeito do fazer e, por outro, num sujeito cognitivo que observa e decompõe esse fazer, transformando-o em processo [...]. (DICIONÁRIO DE SEMIÓTICA, 2008, p.39).
Tentemos a partir da definição do conceito relacioná-lo com o programa. Cocoricó é transmitido, diariamente, em dois ou três horários64 predefinidos na grade de programação da TV Cultura. Essa transmissão - e incluímos também a parada para o intervalo comercial – obedecerá sequencialmente essa grade predefinida. No entanto, e não só o Cocoricó, nem a TV Cultura, mas a televisão em geral, especialmente as emissoras com público segmentado como é o caso dos canais de TV por assinatura dirigido às crianças, tentam fidelizar o telespectador, quer dizer, no próprio enunciado televisual (na tela da TV) aparece (além da logomarca da emissora) o programa que virá a seguir na grade de programação. O enunciador, ao fazer isso, instaura um tempo aspectualizado, não só do enunciado do Cocoricó, mas de um enunciado maior, que seria a própria grade da emissora e sua programação, chamando a atenção para os outros programas da emissora. A aspectualização do tempo aqui não é do programa que está se fazendo, mas da programação que vai se constituindo enquanto um conjunto, uma totalidade, em
64
O horário que Cocoricó é transmitido depende da programação da TV Cultura. Por exemplo, durante a programação de férias da emissora, no período de janeiro de 2011, o programa foi veiculado em três horários. Mesmo com essa adequação à programação da emissora, durante o período da pesquisa (2007-2011), o programa teve diferentes horários, mas permaneceu sendo transmitido diariamente de segunda à sexta-feira, no período da manhã e da tarde.
que o enunciatário-telespectador possivelmente é convidado e manipulado a fazer parte.
FIGURA 25 – Cena do episódio “Pôr do sol”, com o dizer “a seguir” e a logomarca do programa Caillou
Outra consideração a ser feita é sobre o tempo nos episódios de Cocoricó. Se temos na televisão, os programas de transmissão direta os quais falamos a pouco - como as transmissões de futebol, os telejornais, os programas de auditório, entre outros – temos também os programas previamente gravados, como as telenovelas, minisséries, seriados e infantis etc. Como em qualquer outro discurso, Cocoricó se instaura por um agora, momento da enunciação, gerado pelo ato de linguagem ordenado pela categoria topológica da concomitância vs não-concomitância, que, segundo Fiorin (2005, p. 142), por sua vez se articula em anterioridade vs posterioridade . O autor continua :
O momento que indica a concomitância entre a narração e o narrado permanece ao longo do discurso e, por isso, é um olhar do narrador sobre o transcurso. A partir dessa coincidência, criam-se duas não-coincidências: a anterioridade do acontecimento em relação ao discurso, quando aquele já não é mais e, por conseguinte, deve ser evocado pela memória, e sua posterioridade, ou seja, quando ainda não é e, portanto, surge como expectativa. Assim, anterioridade e posterioridade são pontos de vista para trás e para frente em relação ao momento do fazer enunciativo. O eixo ordenador do tempo é, pois, sempre o momento da enunciação. (FIORIN, 2005, p. 143).
Fiorin explica que o tempo irá obedecer à seguinte constituição: momento da enunciação, momento da referência e momento do acontecimento (2005, p . 146). Como esses momentos aparecem nos episódios? O episódio “Apressadinhos”, por exemplo, tem início com a sequência que mostra o amanhecer na fazenda. Lembramos que aí, acontece uma reiteração da própria vinheta de abertura que traz no verbal: (“T| na hora de Cocoricó”) e no visual (o amanhecer do dia e a aparição de Júlio). Essa presentificação é do passar das horas, dos momentos em sua duratividade, assim como do ato de assistir ao programa. Voltemos ao episódio: a maquete da fazenda é mostrada visualmente por um travelling da câmera, enquanto são ouvidos ruídos de pássaros e uma música suave, batidas leves, que remetem ao assobio cantarolado de Júlio que passeia pela fazenda e encontra seu avô, que diz: “hoje vai ter milho verde para todo mundo, eu acabei de colher, sabe?”. Após receber essa informação, Júlio sai avisando todos os seus amigos que terá milho verde. Temos então uma debreagem temporal enunciativa, “quando se projetam no enunciado os tempos do sistema enunciativo” (FIORIN, 2005, p. 147). Os tempos da fala, tanto do avô quanto de Júlio são os do “hoje” e estão relacionados a um momento de referência presente, o mesmo da enunciação, que indica concomitância em relação ao momento da enunciação. Mas observa-se também o tempo de posterioridade ao momento do acontecimento, como por exemplo, os usos de “vai ter”, “ter|”. Ainda nesse episódio, Júlio conta para Lilica, Lola e Zazá que Dito e Feito queimaram a boca após pegarem as espigas de milho que tinham acabado de cozinhar. Lola diz: “eu até me lembrei de uma coisa que o diretor do meu circo sempre dizia sobre gente apressada. Apressadinho ou come cru ou queima a boca”. Temos, ent~o uma debreagem enunciva, que está relacionada a um momento de referência pretérito (“lembrei”), não-concomitante com o momento da enunciação, numa anterioridade durativa e não-limitada (“sempre”, “dizia”).
A temporalidade do enunciado em Cocoricó apresenta o dia a dia das crianças como um tempo durativo das obrigações e deveres, sobretudo, das brincadeiras e recreações. Nas primeiras temporadas, esse tempo aspectualizado era marcado
pelo Júlio que, no final de cada episódio, escrevia em seu diário o que tinha feito durante o dia ou que tinha aprendido, quem tinha conhecido. Embora, nas últimas temporadas, os episódios não tenham mais essa sequência narrativa que marcava o “final do dia”, como se o tempo de um dia fosse o tempo da enunciação, o enunciatário não fica sem essa referência. Os episódios trazem marcas verbais (hoje, amanhã, depois, mais tarde, à noite, datas comemorativas) e visuais (luminosidade do sol ou falta de luminosidade nos ambientes cenográficos, que marcam o dia ou a noite e mesmo a caracterização dos bonecos com pijamas, fantasias ou acessórios cenográficos que lembrem essas datas) que remetem à própria rotina vivida pelo enunciatário, criando assim, um efeito de verossimilhança, com o aquilo que ele vive no seu dia a dia. Esse efeito é demarcado ainda nas vinhetas de abertura, com o nascer do sol (vinheta antiga) e no relógio da cidade (vinheta atual). Por esses efeitos de sentido criados pela temporalidade no programa “serem semelhantes {s experiências de temporalidade experimentadas no mundo natural, promovem um maior envolvimento do enunciatário pelo mecanismo de identificaç~o” (MÉDOLA, 2001, p. 84).
Essas marcas verbais e visuais de temporalidade existem no Cocoricó e mais que isso, existem também os actantes do enunciado que se transformam em interlocutores de outros enunciados, tornando possível, intervenções que vão além do começo e do término do programa. Vimos que o Júlio, antes mesmo de ser do Cocoricó, participou de outro programa da TV Cultura, chamado Um banho de Aventura. As narrativas de Cocoricó giram em torno das experiências dele enquanto um interlocutor deste enunciado. Júlio, porém, além de se divertir e conhecer a rotina da fazenda de uma cidade do interior, como Cocoricolândia, nas últimas temporadas, também se arriscou a ser interlocutor de outros enunciados e, não apenas, do programa Cocoricó. Ele participou de campanhas publicitárias institucionais (ou seja, da TV Cultura) que eram veiculadas durante os intervalos comerciais da emissora. São elas: os direitos da criança e do adolescente65 (veiculada em 2008), precauções do vírus H1N1 (veiculada em 2009), promoção do
65 Essa campanha fez parte do DVD “Divers~o”, lançado em 2008 pela Cultura Marcas. Falaremos no
Dia das crianças e campanha de Natal da emissora (ambas veiculadas em 2010). Essas campanhas apresentam tanto um enunciador que se faz ver engajado socialmente – mas também extremamente interessado numa relação cada vez mais próxima do enunciatário - como também instaura a temporalidade do Cocoricó que mesmo essas campanhas sendo transmitidas durante os comerciais, o enunciatário delas provavelmente é o mesmo do programa. Assim, a temporalidade na qual Cocoricó é produzido e realizado, portanto, do enunciado, parece ser a mesma do enunciatário, daquele que sabe dos seus direitos, vê todos os jornais, revistas, televis~o, internet, falando sobre um “novo” vírus de gripe, sabe que o Dia das crianças se aproxima e pode participar de uma promoção e ganhar um boneco do programa.
Duarte (2004, p. 35) explica que enquanto atores sociais, os actantes do percurso narrativo e no discurso representam e desempenham um papel temático como ator discursivo, nesse caso, como ator discursivo delegado da voz do destinador-enunciador TV Cultura. Ela explica ainda que nesta situação a própria televisão monta uma estratégia: convoca atores sociais para papéis discursivos, nos quais eles não podem nem devem perder sua identidade enquanto atores sociais, pois “dela dependem os efeitos de sentido a serem produzidos” (IDEM). Fazendo isso, é como se o enunciador estivesse transformando esses interlocutores em co- enunciadores: em nosso objeto de estudo, é o Júlio quem avisa sobre as precauções a serem tomadas contra o vírus da nova gripe ou sobre os direitos das crianças. Voltemos em Cocoricó, o boneco Júlio ganha “seus cinco minutos de fama”, passa a ator social e ator discursivo, num programa narrativo diferente, não aquele do enunciado de Cocoricó, mas o de delegado da TV Cultura que exerce durante os intervalos comerciais. O que mostra um reconhecimento do destinador que torna Júlio um de seus porta-vozes. Nesse fazer depreende-se a relevância do público infantil para a emissora.
A última consideração a ser feita sobre a temporalidade no programa diz respeito às elipses temporais, enquanto “pulos” de tempo entre as sequências. A elipse é uma figura de sintaxe que se configura como “ a omiss~o de um termo que
o contexto ou a situaç~o permitem facilmente suprir” (CUNHA, 2001, p. 619-623). Gramaticalmente, a elipse de um termo deve ser invocada apenas quando manifesta e mesmo assim com determinada prudência, como na omissão do sujeito, do verbo, da preposição ou da conjunção nas orações. Mas a elipse pode também ser utilizada como recurso condensador da expressão, caracterizando-se assim, como um efeito estilístico que caracteriza concisão e rapidez. Em seu uso gramatical, esse tipo de elipse pode ser de: descrição esquemática de ambientes, estados de alma, perfis; em anotações rápidas; em na construção de frase que expressem pensamentos condensados, provérbios; nas enumerações, onde a inexistência do artigo, costuma sugerir as ideias de acumulação, de dispersão. Temos ainda, a figura de sintaxe zeugma, uma das formas de elipse que consiste em fazer participar de dois ou mais enunciados um termo expresso apenas em um deles (CUNHA, 2001, p. 621-623).
Tentamos construir a relação entre as elipses gramaticais e as elipses neste produto televisual. O Cocoricó traz consigo uma propensa construção de efeito de sentido que resgata outros programas infantis, como, por exemplo do Vila Sésamo que inseriu o conceito de programas feitos para crianças a partir de quadros curtos de no máximo 3 minutos para dificultar a perda de atenção, mas também de Rá-tim- bum, com a introdução de novas estéticas (vinhetas, molduras, musicalidade etc.) para o programa infantil. Mas, que, sobretudo, cria uma maneira particular de dar indicações ao enunciatário do tempo do programa, ou seja, para fazer entender de que o tempo - mesmo que fragmentado na própria especificidade televisa é contínuo. Essas indicações seguem os mesmos parâmetros de linguagem das ficções televisivas seriadas brasileiras, como novelas, minisséries e seriados.
São utilizadas: as vinhetas de passagem, conforme descrevemos no capítulo anterior, como também molduras e fusões entre as cenas. Tais utilizações têm como intuito explicitar ao enunciatário de que não se trata do tempo presente, àquele vivido pela narrativa, mas que se trata de um tempo anterior ou de um tempo futuro66 (um tempo enuncivo, do então), o primeiro um flashback, o
66
O flashback é o deslocamento da narrativa para o tempo passado e o farword é o deslocamento da narrativa para o tempo futuro. Esses são recursos clássicos de temporalidade do cinema, cujo
segundo um farwords (MEDOLA, 2001, p. 84) ou ainda de um clipe musical, como se este remetesse a um desses dois tempos. Se temos, portanto, pela imagem visual uma descontinuidade na cena com a inserção de vinheta e utilização de molduras, temos ainda uma continuidade narrativa que permite ao enunciatário apreender o sentido do passar das horas ou do espaço da narrativa, dando-lhe uma marcação da duração e do espaço. O tempo passa, mas não na temporalidade em que é expresso, mas em sua aspectualidade dada pelos procedimentos durativos paradigmáticos do televisual. Embora também, sintagmático, na medida em que se apresenta enquanto um zeugma televisual, ou seja, na fusão entre uma cena e outra que permite ao enunciatário apreender os dois enunciados (dados por temporalidades e espacialidades diferentes na narrativa) que são expressos por essa fusão. Nessa apreensão, o enunciatário é levado a apreender tanto de forma linear, quanto não-linear.
No episódio “Cocoricó no Jap~o”, os actantes estão em outro tempo que não o da narrativa principal, sendo assim como vimos, a plasticidade da cena sofre uma variação67. O episódio começa com um deslocamento para um tempo passado, num flashback de Astolfinho para uma lembrança do clipe musical “Quem tem amigo”. Nesta sequência, a imagem do programa ganha uma moldura, nas partes superior e inferior da tela, que esfumaça (pela utilização do zoom que dá uma imagem desfocada na linguagem televisual) as cores da imagem inicial, que estava instaurada no tempo presente da narrativa do episódio. Na passagem para a sequência seguinte, em que Astolfinho est| dormindo em seu “berço” no paiol, esse esfumaçado toma conta da tela por completo e depois vai se desfazendo com a imagem do paiol, o esfumaçado é dado novamente pelo desfocado a imagem e reiterado na fusão entre as cenas. Por uma referência plástica é que se constrói o
objetivo é organizar a sequência dos planos “de modo a minimizar a percepç~o dos cortes, criando no espectador a sensaç~o de harmonia em um fluir temporal” (MEDOLA, 2001, p.84).
67
A sonoridade também sofre alteração, efeitos são introduzidos no processo de pós-edição. O som da música, as vozes dos actantes ou os efeitos sonoros (ruídos) podem ganhar elementos graves e em tom mais baixo ou agudos e em tom mais alto. No primeiro caso, o efeito de sentido que se tem é de quase como um cochicho; no segundo caso temos um grito, um aviso, são construções que indicam a temporalidade outra em que se dá a cena.
sentido de um outro tempo de duração da ação68 – o tempo enuncivo - que não o do enunciado presente - enunciativo. Essa moldura é dada em seus aspectos plásticos como: formante cromático que esfumaça as cores, fazendo-as quase que perder o volume preenchido por elas; formante eidético, que por outro lado, destacam as cores da moldura da imagem e seu volume que não são tomadas por esse efeito esfumaçado e; formante topológico, já que a moldura passa a organizar a imagem. A maioria dos clipes musicais apresenta essa característica, já que eles são incluídos como uma narrativa secundária e, que por si, acabam instaurando outra temporalidade e, às vezes, outra espacialidade69 que não a da narrativa principal.
FIGURA 26 – Molduras e efeito esfumaçado referencia outro tempo, que não é o do episódio
68
Para Fiorin (2005, p. 235), ocorre uma debreagem enunciva do enunciado quando os “acontecimentos s~o narrados nos tempos enuncivos”, como acabamos de descrever que acontece neste episódio de Cocoricó. “Como h| dois subsistemas enuncivos, temos narrativas de antecipação, que se organizam ao redor de um marco temporal futuro, e de retrospectiva, que se articulam ao redor de um marco temporal pretérito”, como nas narrativas escritas sob a forma de di|rio que criam um efeito de simultaneidade.
69
Como em Cocoricó na cidade, que os clipes musicais apresentavam as cenas externas feitas em espaços urbanos com os bonecos, ao contrário do espaço mostrado pela narrativa que era do beco, ou do apartamento de João, portanto, em locações internas, do cenário.
Essas análises dos episódios nos possibilitou entender o modo de presença discursiva da temporalidade em Cocoricó. O que vimos é que, a instauração do tempo, assim como das delegações de vozes (conforme descrevemos no tópico anterior), são dadas de modo singular pelo programa. Se a delegação de vozes é marcada pelos movimentos e enquadramentos da câmera e do modo de olhar dos actantes, a instauração do tempo é dada nos modos verbais temporais, e principalmente, na utilização de linguagem televisual. Essa utilização pontua as relações de continuidade e descontinuidade do modo de contar a narrativa visualmente em seu tempo e, claro, em seu espaço como estaremos discorrendo a seguir.