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3. İHA’NIN ÖZELLİKLERİ

3.4. Sigorta ve Akım Kesici

Quando começamos a analisar a relação entre o futebol e as transmissões realizadas pela televisão brasileira, somos levados a considerar essa questão de forma mais abrangente, ao invés de unicamente classificar o esporte como uma medida favorável ao desenvolvimento desse meio. Isto é, a importância dessa temática extrapola a questão do fanatismo dos brasileiros a partir do momento em que consideramos o futebol uma ferramenta que marca o início de todo um período de mudanças.

Como foi visto no capítulo anterior, na década de 50 o Brasil estava passando por um período caracterizado por modificações nas mais diversas áreas. O discurso desenvolvimentista ganhava forças com a adoção de medidas econômicas que favoreciam a produção industrial e, conforme essa produção se ampliava, os eletrodomésticos invadiam os lares dos brasileiros e traziam consigo uma exigência de mudança comportamental. Esse quadro é fundamental para que possamos compreender que as modificações sociais ocorriam fervorosamente em âmbito nacional.

Embora essas constatações sejam referentes ao Brasil, é importante verificar que tais mudanças não aconteciam de forma isolada diante dos acontecimentos mundiais. A ocorrência da 2º Guerra Mundial em um período de 12 anos, de 1938 a 1950, foi em grande parte responsável por essa movimentação no cenário nacional, assim como pode ser apontado como fator preponderante para as questões de reestruturação dos países que buscavam estabilidade no pós-guerra. O mundo passava por um período de mudanças e tal situação pode ser verificada se tomarmos como base os acontecimentos relativos aos eventos do futebol.

É essa visão mais humanística do futebol que nos possibilita considerá-lo como um agente importante na construção social que engloba os estágios iniciais da televisão. O aspecto mais importante dessa análise é a constatação de que a popularização do futebol no Brasil está diretamente associada à forma como a cultura se organiza em determinados períodos da história. Vale ressaltar que uma análise do futebol em si mesmo

poderia ser de imensa riqueza em termos de conhecimentos técnicos próprios desse esporte. Porém, não cabe neste espaço discutir o que foi relevante do ponto de vista técnico, pois o que nos interessa é o viés cultural do futebol.

O que mais nos chama a atenção é um possível entrelaçamento entre essas duas esferas do ponto de vista histórico e social, da esportiva e dos meios de comunicação no período em que o futebol e a televisão começavam a desenvolver suas atividades. O futebol já era conhecido desde o início do século XX pelas famílias da elite, especificamente na cidade de São Paulo, onde foram registradas partidas no Clube Atlético Paulistano (AQUINO, 2002, p. 41), mas voltou com força total após forçosamente não ter sido realizado um Mundial desde 1930. Por sua vez, o advento da televisão em 1950 engatinhava com suas primeiras experimentações até se estabelecer como um meio de comunicação presente nos lares dos brasileiros.

O recomeço do futebol e o começo da televisão inseriam-se nas atividades de crescimento adjuntas ao desenvolvimento da cultura de massa25. Podemos dizer que nesse período havia um conjunto de atividades que andavam pelos mesmos caminhos ao buscarem o desenvolvimento financeiro e a incorporação dos hábitos de consumo, apesar das diferentes medidas adotadas para a ampliação de cada uma dessas atividades.

“Afinal de contas, a ‘cultura de massa’ no Brasil se plasmou e se desenvolveu quase concomitantemente ao surgimento, desenvolvimento e popularização do futebol no país”. (HELAL, 1997, p.16)

Na verdade, o estabelecimento de uma conexão entre futebol e televisão só se torna possível se os registros históricos relevantes ao presente estudo estiverem presentes. Sendo assim, e indo ao encontro dos primeiros registros dos jogos de futebol no Brasil, devemos considerar que as pesquisas sobre documentos históricos datados do início do século XX apontam um nítido quadro de preconceito entre o futebol elitizado e o mais popular.

25 A terminologia cultura de massa é utilizada a partir das definições de Edgar Morin em Cultura de Massas

no século XX – volume 1, página 42. Neste contexto, cultura de massa define a nova cultura inscrita no complexo sociológico constituído pela economia capitalista, a democratização do consumo, a formação e o desenvolvimento do novo assalariado e a progressão de determinados valores.

A distinção entre os jogos de futebol da elite e os dos homens mais populares nada mais era do que a separação dos grupos que se mantinham em classes sociais mais ou menos privilegiadas. Os mais ricos se organizavam por meio dos clubes aristocráticos, enquanto os menos ricos recorriam aos clubes populares das cidades. Diferentemente do que se podia imaginar, de que o futebol era capaz de separar os grupos sociais, o olhar mais atento do leitor observa que a separação entre grupos mais elitizados e mais populares era um reflexo da sociedade da época.

Mais ainda, a sociedade não dividia os grupos de pessoas somente pela classe social. A raça era um fator determinante para que somente os brancos pudessem desfrutar dos jogos organizados pelos clubes. Os negros e mulatos não tinham vez e dificilmente chegavam a ter chance de mostrar o talento que poderiam vir a ter com a prática do jogo. Não é toa que o futebol, que “no Brasil pode ser visto como um poderoso instrumento de integração social” (HELAL, 1997, p.25), começa a exercer um papel muito importante na sociedade.

“Na cidade de São Paulo houve algo parecido: a Associação Paulista de Esportes Atléticos reunia clubes aristocráticos enquanto clubes populares estavam filiados à Liga Paulista de Futebol. Apesar de tudo isso, pobres, negros e mulatos acabaram fascinados pelo futebol, muitas vezes assistindo aos jogos disputados pelos brancos. Claro que não podiam penetrar nos fechados clubes onde os confrontos ocorriam, mas, empoleirados em telhados e árvores próximos aos campos, olhando por sobre os muros, vibravam com os lances da partida”. (AQUINO, 2002, p. 38)

Como foi mostrado, o futebol era um reflexo da sociedade da época que se dividia em grupos sociais e marginalizava os negros e mulatos. Com o passar do tempo e o poder de integração do esporte, as regras quanto aos freqüentadores dos clubes que podiam jogar já não faziam muito sentido, pois os interessados na prática desse esporte começaram a organizar “peladas” nas ruas com bola de meia ou de borracha (AQUINO, 2002, p. 39). O interesse dos marginalizados em jogar bola e organizar seu próprio jogo está acima da definição de regras claras sobre quem pode ou não pode jogar.

A popularidade do futebol transforma a questão social de exclusão em uma prática que traz divertimento e senso de comunidade, deixando de lado a separação dos

grupos sociais e as condições financeiras que possuem para realizar as partidas. A marcação no chão se torna o campo, a rua ganha ares de clube e a bola de meia ou de borracha são perfeitas substitutas para as bolas “oficiais” que geralmente eram importadas. Mas essa consideração sobre o encontro de raças, uma possível miscigenação, apoiada pela máxima de que o futebol congrega, deve ser feita com cautela.

De fato, o futebol é um esporte que propicia o encontro de pessoas que se juntam para a formação das equipes que se enfrentam durante a partida. No caso da metrópole, a cidade de São na década de 50, o fenômeno da comunidade é ainda mais perceptível quando os moradores de uma determinada região se organizam para enfrentar adversários que defendem uma outra camisa proveniente de uma outra região da cidade. Melhor dizendo, “o esporte é uma instituição que mantém a união dos habitantes de uma metrópole e aumenta sua afeição pelo local em que vivem” (LEVER, 1983, p. 36).

O futebol tem essa capacidade de agregação de pessoas, porém há outros aspectos que interferem na construção de uma noção de comunidade que agregue pessoas de diferentes classes sociais e etnias. As mudanças no corpo de determinadas estruturas sociais são processos que podem levar muito tempo e dependem da forma como se dão em cada lugar de manifestação cultural. Por exemplo, a classe alta carioca manteve hegemonia sobre os clubes de futebol até 1923. Nesta data surgiu o time Vasco da Gama formado por uma predominante mistura de negros e mulatos que ocupavam cargos de operários e balconistas (LEVER, 1983, p. 36). Com essa aparição de um time composto por pessoas de perfis tão distintos, pode-se pensar que o cenário dos esportes se tornou mais receptivo.

A receptividade demonstrada pela aceitação de jogadores negros, mulatos e pobres é um exemplo válido nesse sentido. Só que a sociedade não se transformou de um dia para outro, como se pudéssemos classificar a sociedade esportiva elitizada até 1923 e depois um salto para o não preconceito nos esportes. Os fatores que constroem o cenário no qual se dão as mudanças sociais estão interligados de modo a favorecer movimentos e rupturas que tendem a ocorrer com o passar do tempo; contudo essas mudanças culturais levam tempo.

Um caso que exemplifica esse processo de mudança como um processo lento é que a criação do Vasco em 23 não impediu que os cartolas pressionassem o técnico Feola, na Copa do Mundo de 58, para que fossem mantidos os brancos Joel, Mazzola e

Dida e não escalasse Garrincha, Vavá e Pelé. Por sorte tais jogadores entraram e demonstraram um ótimo rendimento, o que auxiliou na conquista do título. Veja, mesmo depois de três décadas do surgimento de um time “fora dos padrões” da elite, ainda havia pessoas que representavam o pensamento da separação entre negros e brancos.

Graças ao pensamento de que os negros também podiam jogar bola, o país foi bem representado nas Copas realizadas naquele período. O time da seleção brasileira foi uma figura muito importante no momento em que o discurso nacionalista difundia a idéia de que o Brasil devia avançar. O povo admirava os heróis que partiam em busca dos títulos em defesa da camisa que representava a nação brasileira. O surgimento da expressão seleção “canarinho” segue essa linha de raciocínio, já que os jogadores vestiam camisas amarelas na Copa de 1954.

Vejamos a seguinte tabela26 com informações sobre as Copa de Futebol: Copas do Mundo

Ano Campeão País Organizador

1º 1930 Uruguai Uruguai 2º 1934 Itália Itália 3º 1938 Itália França 4º 1950 Uruguai Brasil 5º 1954 Alemanha Suíça 6º 1958 Brasil Suécia 7º 1962 Brasil Chile

Embora o Brasil tenha sediado a 1º Copa do Mundo do período pós-guerra, em 1950, a seleção “canarinho” conquistou seu primeiro título somente oito anos mais tarde. Na edição seguinte, de 1962, o time repetiu o feito e levou o título de bicampeão da Copa do Mundo. Os dados contidos na tabela acima servem como base para as observações de que a união de diferentes perfis de jogadores no mesmo time, com classe

social e raças distintas, foi capaz de lançar a popularidade dos brasileiros associada ao futebol.

Indo um pouco além, a consideração de que a equipe do Brasil conseguiu conquistar dois títulos na Copa também foi um dos aspectos a serem enumerados como atuantes no processo de mudanças da sociedade brasileira. A derrota em nos anos 50 e 54 e as vitórias em 58 e 62 foram responsáveis por uma movimentação da população que extrapolava a questão da bola apenas no âmbito do esporte. Os resultados das partidas interferiam, e interferem ainda nos dias de hoje, na maneira como se comporta a população. As derrotas da 4º e 5º Copa, por exemplo, trouxeram uma onda de tristeza que assolou o coração dos brasileiros e atingiu os sonhos daqueles que acreditavam no crescimento do país.

“Parecia que o mundo tinha acabado. O sonho acalentado por milhões transformou-se no pesadelo de um povo. Para muitos era a comprovação de constituirmos uma sociedade de incompetentes e fracassados. (...) O novo fracasso na Copa de 1954 aprofundaria ainda mais o amargor da tragédia vivida em 1950 no Maracanã. Foram precisos mais oito anos para que começássemos a esquecer essa tragédia”. (AQUINO, 2002, p. 71-72)

É exatamente a essa sensação de que “a sociedade brasileira era incompetente e fracassada”, que se faz referência quando afirmamos que os resultados interferem no comportamento da população. A maneira mais palpável de constatar esses fenômenos do futebol foi a apresentação de dados históricos sobre esse esporte. Com efeito, essas considerações, que dão suporte ao presente trabalho, fazem parte de uma esfera mais abrangente que conta com a influência das Copas no quadro social e com a existência de uma série de eventos acerca dessa temática em diversas regiões do país.

Em muitas regiões do país eram realizadas partidas organizadas por órgãos nacionais que movimentavam a cena do futebol em determinados núcleos de cidades e estados. A criação do Conselho Nacional de Desportos (CND) em 1941 pelo programa do presidente Vargas é um exemplo disso, já que supervisionava o esporte brasileiro através

26 A tabela com dados sobre as sete primeiras Copas do Mundo foi organizada para este trabalho a partir de

de diversas organizações, como a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), hoje chamada de Confederação Brasileira de Futebol (CBF) (LEVER, 1983, p. 84).

O mais importante dessa identificação de que havia uma agitação em torno dos torneios e partidas realizadas por todo o país é que o futebol era um tema razoavelmente importante para a sociedade da época. Importância que pode ser verificada pelo interesse em transmitir os jogos interestaduais, por exemplo, e que se torna uma realidade em 22 de fevereiro de 56 com a exibição do jogo Brasil X Itália no estádio do Maracanã27. Devido ao caráter de relevância nacional é de se esperar que os meios de comunicação da década de 50 fizessem referência a esse esporte. O rádio, as revistas, os jornais e, com seu surgimento, a televisão, todos se empenhavam em manter o público informado sobre as principais notícias do mundo esportivo. A divulgação do futebol ganhava espaço conforme os meios de comunicação iam se desenvolvendo.

Figura 10: O Estado de São Paulo - Notícias Diversas - p.18 - Domingo, 28 de agosto de 1955.

O rádio utilizava o som para narrar os feitos dos jogadores e isso aguçava a curiosidade dos ouvintes que podiam criar os cenários onde se passavam esses jogos. Por outro lado, quebrando um pouco essa lógica da criação, ao exigir menos esforço para a construção de cenas pela imaginação, a televisão introduziu a imagem. Com a imagem

veio a descoberta dos personagens daqueles feitos heróicos, pois se tornava possível identificar a partida, o campo, o jogador e suas peripécias.

É muito interessante a forma como os próprios anúncios encontrados nos jornais da década de 50 faziam uso dessa questão inovadora da televisão em poder mostrar os jogos de futebol. As “horas de emoções28” adaptavam-se aos ouvintes que já eram apaixonados pelo futebol e que se entusiasmavam com sua visualização na tela da TV.

Figura 11: O Estado de São Paulo - Caderno Principal - p.8 - Domingo, 23 de setembro de 1956.

Deixemos claro que a definição de uma adaptação que ocorreu, em certa medida, deve-se ao fato de que a televisão conquistava corações dos adeptos do rádio, mas não pode ser apontada como uma constatação absoluta. Primeiro, porque a televisão vivia seu período elitista e não era acessível a uma camada significativa da população. Segundo,

27 A informação sobre a transmissão do primeiro jogo em nível interestadual foi encontrada na sessão dos

acontecimentos históricos da década de 50 disponível em: www.tudosobretv.com.br.

28 “Horas de emoções” é uma expressão que aparece no anúncio do aparelho de TV Stromberg-Carlson. O

o desenvolvimento da televisão e o conseqüente aumento do número de aparelhos não representavam a substituição do rádio pela TV.

O advento da televisão e a disseminação do aparelho na década de 50 vão ao encontro das necessidades da população em querer saber o que ocorria no mundo dos esportes. Para se ter uma idéia, “o Brasil acompanhou o Mundial de 1938, disputado na França, por transmissões de som difícil de ser recebido, via rádio” (DUARTE, 1998, p. XVIII). Logo, é possível observar que não é nova a relação entre os meios de comunicação e o futebol. Embora na década de 50 as Copas29 não tenham sido exibidas pela televisão com a eficiência dos dias de hoje, o efeito dos Mundiais movimentava o cenário dos meios de comunicação.

O surgimento da televisão no país representou a possibilidade dos assuntos a respeito do futebol serem acompanhados por meio da imagem. Um exemplo disso foi a criação do programa Mesa Redonda, em 1954 na TV Record30, apresentado por Geraldo José de Almeida e Raul Tabajara. Conforme os aparelhos melhoravam a nitidez e definição das imagens e a qualidade do som, mais próximos daquelas imagens exibidas pela televisão os telespectadores pareciam estar. Sendo assim, poderíamos chegar a dizer que o desenvolvimento da televisão na primeira década de sua implantação estava diretamente associado ao andamento dos jogos e das temáticas geradas a partir dos elementos que faziam parte do universo do futebol.

Aqui parece ter ficado nítida a noção de que havia uma relação entre a televisão e o futebol no período de busca do desenvolvimento da sociedade brasileira nos anos 50. Assim como os itens anteriores apresentados neste capítulo, como a onda de futurismo, como a divulgação dos bons costumes dirigidos ao público feminino, o futebol é um aspecto que está intrinsecamente embutido no processo de introdução da televisão no país. Apesar dessa nítida relação, devemos considerar o cuidado que devemos ter ao afirmar que há uma conexão entre televisão e futebol.

29 A primeira transmissão da qual se tem registro foi realizada em 11 de junho de 1958, quando a emissora

TV Rio transmitiu um jogo de Copa do Mundo (Brasil 3X0 Áustria) realizado no dia 8 de junho na Suécia. O equívoco foi que a TV Tupi comprou os direitos de exibição por cinco mil dólares, mas o material foi por engano para a TV Rio. Essa informação está disponível em: www.tudosobretv.com.br.

30 A informação sobre a criação do programa Mesa Redonda foi encontrada na sessão dos acontecimentos

Esse cuidado em determinar uma relação entre esses dois aspectos se deve à constatação de que muito se fala sobre o poder do futebol em ampliar o número de venda dos aparelhos na década de 50. Ora, assegurar que o futebol, por si só, haja tido o poder de levar às lojas uma quantidade cada vez maior de compradores é um exagero. O futebol pode ter sido um fator que colaborou para o aumento do número de vendas de aparelhos, mas não é o único fator que tenha determinado essa ação.

Observemos a tabela da página 79 em comparação com a tabela31 do número de aparelhos em uso na década de 50:

31 A tabela com dados sobre o número de televisores P & B e a cores em uso no Brasil foi reduzida para este

trabalho. O quadro completo pode ser encontrado no livro História da televisão brasileir, de Sérgio Mattos, e teve como fonte a ABINEE – Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos.

Copas do Mundo

Ano Campeão País Organizador

1º 1930 Uruguai Uruguai 2º 1934 Itália Itália 3º 1938 Itália França 4º 1950 Uruguai Brasil 5º 1954 Alemanha Suíça 6º 1958 Brasil Suécia 7º 1962 Brasil Chile

Número de televisores P & B e a cores em uso no Brasil Ano Aparelhos 1950 200 1952 11.000 1954 34.000 1956 141.000 1958 344.000 1960 598.000

De fato, houve um crescimento significativo do número de aparelhos na década de 50. Acontece que há muitos fatores que podem ser apontados como colaboradores para essa disseminação dos televisores que começaram a fazer parte do cotidiano das pessoas e foram instalados dentro dos lares das famílias. Cabe dizer que o futebol desempenhou um papel fundamental dentro dos meios de comunicação na medida em que observamos que gera uma conversa, uma espécie de discussão que é, na verdade, uma diversão (LEVER, 1983, p. 31). A conversa discussão/diversão em torno da televisão é uma condição que cria uma lógica de acompanhamento dos eventos esportivos por parte dos meios de comunicação.

O rádio, os jornais e as revistas destinavam um espaço para a divulgação dos principais acontecimentos dos esportes e, notoriamente, do futebol. A reserva de espaço e de tempo, no caso do rádio, era uma preocupação de âmbito nacional, uma vez que essas notícias reforçavam a idéia de que o Brasil podia se tornar o país do

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