• Sonuç bulunamadı

Sigorta riskinin ve finansal riskin yönetimi (devamı) .1 Sigorta riskinin yönetimi (devamı)

Önemli muhasebe politikalarının özeti (devamı) 2.31 Henüz uygulanmayan yeni standart ve yorumlar (devamı)

4 Sigorta riskinin ve finansal riskin yönetimi (devamı) .1 Sigorta riskinin yönetimi (devamı)

A prática em seu significado simples é considerada como um exercício, rotina ou aplicação da teoria (AURÉLIO, 2000), entretanto, contrário a esta ideia, as reflexões trazidas e defendidas neste estudo remetem à compreensão da prática enquanto práxis.

O conceito de práxis é central ao marxismo, no qual entende como atitude de transformação da sociedade, fundamentalmente um caráter revolucionário da ação humana, conforme é assinalado na terceira tese sobre Feuerbach.

Marx (2007) dizia na obra Ideologia Alemã, que os filósofos apenas interpretavam o mundo de diferentes maneiras, mas o que importa é transformá-lo. Na perspectiva da práxis, Marx (2007) compreende o sujeito dentro da história, que ao contrário dos animais que apenas satisfazem suas necessidades. O homem – ser social – vai além, ao passo que mantém uma relação ativa com a natureza, isto é, constrói os meios que permitem atingir seu fim, modifica a natureza e a si próprio. Para tanto, pressupõe que a transformação é própria do ser humano que se incomoda com seu inacabamento, conforme anunciava Freire (1996). Este processo de

modificação acontece através da práxis, que não basta conhecer e interpretar o mundo (teórico), mas é preciso transformá-lo (práxis).

Para Marx (2007), a vida humana é essa permanente dialética entre pensamento e ação, teoria e prática. Neste aspecto se evidencia a preocupação de Marx (2007) em superar a dicotomia entre prática e teoria, por defender que ambas são interligadas e interdependentes, sendo a segunda um momento necessário da primeira, e isto é o que distingue a práxis das atividades meramente práticas com repetições mecânicas e abstratas.

O que contrapõe ao pensamento de Hegel e Feuerbach, cujo primeiro defendia a transformação apenas ao nível do pensamento, em que entende a atividade humana como do espírito que ganha consciência de si e que o próprio plano das ideias concebe a sua liberdade. O pensamento hegeliano torna o sujeito a margem da história e o limita na atividade prática, deixando o mundo como ele é sem traçar estratégias para a sua transformação. Quanto a Feuerbach, compreende o mundo na sua imutabilidade e o homem desvinculado da sua realidade, no qual se estabelece num plano abstrato que só capta a realidade sob a forma de contemplação. Desconsidera a importância da atividade revolucionária prática, uma vez que se satisfaz apenas com a teoria e desconhece o homem em suas reais condições de vida que pensa e age.

Em contrapartida, Marx (2007) revela que a transformação pressupõe uma teoria, que é a fonte da prática, na qual gera o impulso, por ser o guia desta prática. Então, o que era contemplativa e pura teoria converte-se em um método de pensar o real, onde na prática o sujeito dá existência à sua teoria, o que vem a constituir-se de terrenalidade do seu pensamento e tratando o pensar e o agir de formas interligadas (MARX, 2007, p.100).

Marx (2007), ao afirmar nas teses sobre Feuerbach que toda vida social é essencialmente prática, leva a entender que o centro de toda relação humana é a atividade prática. Este princípio marxista pressupõe a ação efetiva da teoria pensada e que tem como resultado a transformação real do mundo por meio da atividade humana, compreendida como trabalho.

Em se tratando de trabalho enquanto ação, Marx (2007) o percebe de forma diferente da concepção trazida pela civilização antiga e medieval. O trabalho na antiguidade configurava-se em desprezível e inferior, praticado pela camada popular e considerado com desdém pelos ricos, cujo último eram caracterizados como ociosos, condição esta necessária na vida de um homem. Já na idade medieval, a Igreja Católica condenava o trabalho como forma de enriquecimento e o defendia como forma de purificação da mente, fortalecimento do espírito e disciplina do corpo para se alcançar o reino do céu.

Com a crise feudal e o desenvolvimento do comércio deu-se origem ao capitalismo, o

que gerou um novo conceito para trabalho, no qual perdeu seu caráter de inutilidade e ganhou

conotações de progresso e riqueza. Neste contexto capitalista, Marx define trabalho enquanto uma atividade própria do ser humano, fundamental para sua existência que pressupõe uma ação transformadora importante e não desprezível como o pensamento antigo e medieval julgava. Marx (2007) ainda coloca que mediante o trabalho, os homens constroem sua história, uma vez que este passa a ser fator de sobrevivência, de humanização, de integração e utilidade social.

No contexto do capitalismo, o trabalho passa a ser a categoria eleita como definidora da própria sociedade que passou a ser nomeada sociedade do trabalho. Segundo Marx (2007), esta nova configuração da sociedade afetou as relações sociais existentes hoje, nas quais se estabelecem em relações de mandar e obedecer. Nesse processo, Marx (2007) enfatiza a inserção da divisão do trabalho separando o trabalho manual do intelectual, mas ao passo que Marx critica este trabalho fragmentado, defende o sujeito livre, capaz de transitar de uma tarefa a outra, do trabalho manual ao trabalho intelectual, com a intervenção da consciência. Deste modo, o trabalho considerado por Marx é àquele que necessita da consciência e a práxis é o trabalho feito pelo homem com consciência.

Sem dúvida, o pensamento crítico marxista possui uma significativa influência na construção do pensamento pedagógico brasileiro. Dentre os autores que mais tem contribuído para esta compreensão é Vásquez (2007) que discute a práxis como unidade teoria-prática, cujo processo é pressuposto da ação transformadora.

Vásquez (2007) aponta uma mútua dependência e indissociabilidade entre teoria e prática ao afirmar que “o lugar dessa unidade é a própria prática”, pois uma teoria que não se realiza vive no plano das ideias e, portanto, desligada da realidade (VÁSQUEZ, 2007, p.261). Quanto ao ser humano, ele vive essa permanente dialética entre pensamento e ação. Quando a teoria não é reconhecida na prática há a possibilidade de enriquecimento de si mesma ou quando a prática é proclamada como verdade em si independente da teoria, há uma dicotomização entre teoria e prática, o que perde a sua indissociabilidade devido a teoria ser levada a agir por si mesma e não exigir uma relação prática com ela.

Deste modo, pode-se dizer que esta indissolúvel unidade entre teoria e prática é a práxis, cujo processo a teoria é praticada causando a transformação. Por isso que Vásquez (2007) defende esta unidade, pois implica em uma prática que não engloba apenas a atividade teórica em si, assim como não se limita a uma atividade meramente prática. Isto é, a atividade teórica não é o suficiente para produzir a transformação, pois apenas possibilita o

conhecimento da realidade e estabelece as finalidades de sua transformação que só acontece quando atua praticamente. Mas, a prática enquanto práxis corresponde às ações humanas na passagem do plano teórico ao prático, configurando-se em uma práxis transformadora.

Neste sentido, partindo do pensamento marxista, Vásquez (2007) aborda que a atividade prática enquanto práxis deve-se a atividade da consciência que em si tem um caráter que se pode denominar teórico, mas que exige realizar-se. Percebe-, então, que a ação é inseparável da atividade da consciência, ambas constituindo-se íntima unidade, até porque “se o homem aceitasse sempre o mundo como ele é, e se, por outro lado, aceitasse sempre a si próprio em seu estado atual, não sentiria a necessidade de transformar o mundo nem de, por sua vez, transformar-se” (VÁSQUEZ, 2007, p.224).

Nesse enfoque, às reflexões aqui trazidas remetem a compreensão de que a atividade docente é práxis (PIMENTA, 1994). Concordamos com o consenso que existe atualmente a respeito de que a prática educativa não se limita às ações mecânicas, mas emerge a consciência da não passividade frente à realidade social, econômica, política e cultural. Na ação docente, a prática fundamentada na consciência pode influenciar seu desenvolvimento para uma prática transformadora.

A literatura aqui estudada tem retomado a concepção de prática docente que ultrapassa o entendimento de transmissão de conhecimentos. Nesse enfoque, consideramos que o professor torna-se o agente de mudanças, pois as práticas não são vazias, elas trazem relevância no que diz respeito ao compromisso político e social. Recorremos nesse ponto ao pensamento de Sacristán (2003), cujo autor diz que a função do professor é determinada pelas necessidades que a educação deve dar respostas. Neste sentido, a prática docente assume uma multiplicidade de dimensões que movem as ações do professor que se propõe a exercê-la, pois a evolução em que a sociedade se encontra acrescenta mais atribuições a ser cumprida pelos professores, o que possibilita a aplicabilidade da filosofia da práxis na atividade docente. No tópico seguinte abordamos essa multidimensionalidade da prática docente discutida entre os teóricos.