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A LDB em seu artigo 14 explicita um princípio a ser considerado no processo de gestão democrática: a participação dos profissionais da educação na elaboração do PPP da escola. Essa ideia contrapõe-se a realidade da rede municipal, uma vez que o PPP foi construído sob a orientação técnico-pedagógica de duas professoras da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
Embora em sua capa esteja o título Uma construção coletiva de conhecimento, a participação dos professores não se deu na condição de participação coletiva, mas apenas de colaboração, o que fere os princípios que norteiam o planejamento participativo. Os níveis de colaboração dos professores foram restritos, sendo através de questionários, outros em sua conclusão, uns na revisão de textos, outros apenas na correção final, na construção do plano de curso e nas análises dos artigos que foram produzidos. Estas contribuições, segundo os professores, se deram nos encontros pedagógicos, nos planejamentos semanais e também informalmente no dia a dia escolar, em momentos vagos de aulas.
Segundo Dalmás (1994), a participação em um planejamento exige presença, reflexão e o assumir crítico dos participantes, o que concorda com Gandin (1983) quando diz que participação é construção em conjunto. Para Dalmás (1994), colaboração não é participação o que não é diferente do que Gandin (1983) expõe quando defende que participação vai além da
colaboração, é um processo em que as pessoas realmente pensam os próprios rumos que se deve imprimir à escola.
O PPP, segundo Vasconcelos (2004),
pode ser entendido como a sistematização, nunca definitiva, de um processo de Planejamento Participativo, que se aperfeiçoa e se concretiza na caminhada, que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar [...] é um elemento de organização e integração da atividade prática da instituição. (VASCONCELOS, 2004, p.169).
Para o autor, o PPP expressa a organização e a sistematização das atividades, o rumo, a direção que a instituição escolar escolheu. Neste sentido, quando construímos o projeto de nossas escolas devemos planejar o que temos intenção de realizar e essa atividade deve ser exercida em conjunto com todos os segmentos das escolas.
A própria LDB em seu artigo 13, inciso I manifesta as incumbências dos professores de participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino e mais a frente, no inciso II acrescenta o cumprimento do plano de trabalho segundo a proposta pedagógica da instituição de ensino. Essa é uma exigência legal, entretanto não se trata apenas de assegurar o seu cumprimento, mas, sobretudo a escola garantir um momento privilegiado de construção, organização e tomada de decisões para tornar o professor consciente de sua prática.
Conforme Veiga (1995), o PPP ultrapassa a ideia simples de agrupamento de planos de ensino e cumprimento burocrático para obedecer as autoridades. Com base na perspectiva apontada por Veiga (1995), o documento deve ser construído por todos e revisado pela comunidade escolar sempre que possível e quando sentir a necessidade.
Porém, os professores do município em foco ainda não reveem o PPP e não faz uma leitura, reflexão e discussão dessa proposta. Afinal, falta perceber a importância de sua participação no alcance dos objetivos e metas estabelecidas para a escola dando significado ao debate, ao diálogo e à reflexão coletiva e assim o professor desenvolver a prática docente ciente de sua finalidade.
Conforme Dalmás (1994), é importante rever e reelaborar a proposta, pois nos direciona a refletir o que foi e o que não foi realizado, o que está em andamento e o que vai ser ainda, o que não foi programado, mas foi realizado, se as atividades propostas foram realizadas e estavam de acordo com as necessidades da escola, que novas necessidades estão colocadas e em que medida as necessidades foram supridas.
O PPP existente na rede pertence apenas à escola do meio urbano, de modo que suas ações foram pensadas especificamente para este público, mas as instituições de ensino da área rural buscam se reger por ele. A este respeito, em contrapartida, no artigo 12, inciso I da LDB é revelada a incumbência dos estabelecimentos de ensino elaborar e executar sua própria proposta pedagógica, afinal cada escola deve pensar e construir o modelo de escola de acordo com a realidade que se encontra inserida. Ainda na LDB, em seu artigo 28 fala especificamente que os sistemas de ensino devem adequar-se às peculiaridades da vida rural, inclusive em se tratando dos conteúdos curriculares, metodologias apropriadas aos alunos da área rural e organização escolar. Deste modo, o PPP é o documento da escola que traz estas propostas específicas da escola e a possibilita que construa sua própria identidade (VEIGA, 1995), mas que ainda não chegou às escolas Aconchego, Meio do Nada, Alegria e Celeste.
Ao analisar o PPP, identificamos uma lista de atribuições que são delegadas aos professores a assumir para exercer sua prática. Foram implantadas no PPP as várias atribuições aos professores, nas quais identificamos como dimensões que constituem a prática docente.
Na dimensão afetiva, o professor deve ensinar seus conhecimentos aos alunos com amor e carinho atendendo às suas necessidades para uma melhor aprendizagem e zelar pelas relações que se dão em sala de aula. Imputaram as dimensões: afetiva, profissional, política e filosófica.
Na dimensão profissional, o professor além de desenvolver práticas de participação, estímulo à fala e a livre expressão, deve compreender os conteúdos de forma a possibilitar a implementação destes na prática e reconhecer e valorizar conteúdos que contemplem os saberes produzidos pelos grupos minoritários.
Na dimensão política, o professor deve proporcionar o ensino de conteúdos que tragam abordagens que promovam uma melhor compreensão do mundo do trabalho. Ao ensinar, os professores além de se deter às questões do mercado de trabalho, uma dimensão econômica de seu fazer docente, ainda devem contribuir no desenvolvimento integral dos alunos, tanto para a vida pessoal quanto para a vida social e política. Segundo a proposta pedagógica, cabe ao professor reestruturar seu trabalho perante as expectativas e pressões da condição social atual, que solicita a qualidade do ensino, enfrentando as questões complexas com os quais a docência se depara.
E por fim, na dimensão filosófica, os professores devem atentar-se para as práticas e discursos que denotam preconceito de modo a pensar e defender meios de eliminá-los.
Mediante o exposto, vê-se, portanto, que os elaboradores do PPP articulam as complexas dimensões que recai sobre a prática docente. O que nos faz recordar os estudos realizados por Freire (1996) sobre os saberes docentes em que nos remete às diferentes dimensões que os professores necessitam para cumprir o seu fazer docente. Entretanto, na rede municipal de ensino em foco, as dimensões não foram pensadas pelos docentes, mas conferidas pela SME junto à equipe da UEPB.