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Sigorta edilmiş rizikonun gerçekleşmesi ile tamziya meydana geldiği takdirde sigorta teminatı

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YangınSigortasıGenelŞartları 8.3- Sigorta edilmiş rizikonun gerçekleşmesi ile tamziya meydana geldiği takdirde sigorta teminatı

A primeira surpresa – revelada na pesquisa bibliográfica e documental e confirmada no trabalho de campo – foi a constatação da amplitude do tema e da dificuldade de afunilar o campo que se apresentava cada vez mais expansivo. Senti a sensação de quem espia o mundo por uma fresta da janela e, de repente, a janela se escancara e o mundo se apresenta de forma tão intensa que é preciso esfregar os olhos para enxergá-lo. Pensar sobre um programa governamental, focando Estado e movimentos sociais atuantes no campo não é

um “pensamento pequeno”, localizado, pontual, como parecia no início. Na medida em que mergulhava nas indagações, dei-me conta da magnitude do debate que sustenta a definição de um programa governamental com o perfil do ATES.

Diante da surpresa, a reação foi sair “caçando” – para usar uma expressão bem maranhense – informações e publicações, documentos oficiais, documentos das entidades, relatórios, capítulos de livros, matérias de revistas, artigos divulgados em internet, sites do INCRA e do MDA, monografias, dissertações e teses sobre o tema, enfim, a busca foi no sentido de resgatar elementos, materiais e referências, tudo que pudesse acrescentar ao estudo da temática em pauta.

Desencadeei, então, um processo reflexivo e, nele, procurei demarcar meu objeto em três níveis: primeiro, em um nível mais geral de abstração, discutindo categorias-chave para compreender o processo de acumulação do capital e as configurações contemporâneas do Estado brasileiro e dos movimentos sociais que atuam no campo; segundo, em um nível geral mais concreto, recorrendo à literatura sobre o Maranhão, na perspectiva de compreender como esse Estado é pensado, tanto do ponto de vista do planejamento público, quanto da academia, buscando apreender as configurações dos movimentos sociais, face aos investimentos econômicos e políticos decorrentes do planejamento oficial; e, terceiro, em um nível mais específico e concreto, efetivando uma revisão da concepção de assistência técnica, na tentativa de compreender o processo de constituição da assistência como um problema social ao longo de distintos momentos históricos.

Em relação, especificamente, à questão da assistência técnica que, no projeto original, não estava devidamente problematizada, identifiquei determinados deslocamentos de campo e de concepção. A assistência técnica que, inicialmente, foi apropriada por áreas técnicas, como a da agronomia, em certo momento, adentrou no campo das ciências sociais. Ao mesmo tempo, demarco uma ampliação conceitual, passando–se da visão restrita da assistência técnica e sua histórica vinculação orgânica com o termo extensão rural para a noção de assessoria, proposta pelo Programa ATES, para dar conta de um redimensionamento do trabalho, o que implica mudança na relação entre o técnico e o denominado assentado, beneficiário do Programa. Tais deslocamentos expressam campos de poder, bem como a complexidade das dimensões que circunscrevem esse fenômeno, na amálgama do técnico e do político, revelando-me o processo histórico da construção de uma dada concepção de assistência técnica.

De muita valia foi a participação em atividades de pesquisa no período do curso de Doutorado. Foram oportunidades de estudo que muito acrescentaram na análise da

formação do Estado do Maranhão e suas atuais questões agrárias, bem como na caracterização dos movimentos sociais que, contemporaneamente, atuam no campo. Dentre essas atividades de pesquisa, cumpre destacar a participação no Estudo Perfil de Agricultores Familiares, organizado pela Fundação Universitária de Brasília - FUBRA e pelo MDA, o que me permitiu acesso aos denominados agricultores familiares do Oeste do Estado do Maranhão, potenciais beneficiários do Programa de Cadastro de Terras e Regularização Fundiária no Brasil. Ademais, este trabalho investigativo possibilitou-me um duplo acesso aos órgãos públicos, mais especificamente ao Instituto de Terras do Estado do Maranhão – ITERMA, ao INCRA e um maior domínio da literatura específica sobre a questão fundiária do Brasil. Visitei, no período de janeiro de 2006 a fevereiro de 2007, os municípios maranhenses de Cândido Mendes, Zé Doca, Pedro Rosário, Governador Nunes Freire, Penalva e Pinheiro (MDA/FUBRA, 2007).

Neste período, contribui, na condição de pesquisadora, com a “Campanha Justiça nos Trilhos”19, cujos resultados parciais foram apresentados em um seminário no Fórum Social Mundial, realizado no período de 27 de janeiro a 01 de fevereiro de 2009 , na cidade de Belém (PA). A pesquisa “Vida nos Trilhos”, iniciada em abril de 2008, no município de Alto Alegre do Pindaré, pelo núcleo de pesquisa do Centro de Estudos Superiores de Santa Inês – CESSIN, um dos pólos da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, em parceria com um núcleo de pesquisa do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA, colocou- me em contato com especificidades da história política e econômica do Maranhão que me fizeram enxergar traços de relações sociais associadas ao colonialismo ou ao patrimonialismo, suprimidos do discurso da modernidade. A análise da situação do Maranhão revela que em circunstâncias específicas, essa dita modernidade se mantém por tais elementos.

      

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Lançada por uma rede de entidades e movimentos sociais de âmbito nacional e internacional, igreja católica, intelectuais, jornalistas, a Campanha “Justiça nos Trilhos” começou, de maneira espontânea, em fins de 2007/início de 2008. É firmada por meio de alianças, tanto em Belém-PA, como com movimentos e organizações locais da região de Açailândia-MA. Começa com o Fórum Carajás e parceiros internacionais, tais como o Centro Nuovo Modello di Sviluppo (Itália) e a United Steel Workers (Canadá e Estados Unidos). A campanha visa questionar a imagem que a Companhia Vale do Rio Doce, a Vale, tenta passar de empresa comprometida com o desenvolvimento sustentado e com o bem-estar das pessoas que residem nas regiões em que atua; cobrar da empresa a disponibilização do de Desenvolvimento à disposição de um consórcio intermunicipal ao longo da ferrovia, com a participação da sociedade civil na sua administração. Foi firmada também a parceria com a UFMA e com professores da UEMA/Pólo Santa Inês, para a realização de uma pesquisa sobre as condições de vida das famílias que residem ao longo da Estrada de Ferro Carajás. Ver Carneiro e Araujo (2009).

Desde 2007, acumulo inserções específicas no Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia – PNCSA20. A participação nos eventos desse Projeto muito contribuiu para a compreensão dos movimentos sociais contemporâneos e do processo de construção de políticas públicas, que visam atender às especificidades dos povos e comunidades tradicionais. Por conta desse envolvimento, participei do Fórum Social Mundial e do Encontro de Pesquisadores do Nordeste do PNCSA, realizado em Natal (RN), nos dias 3 e 4 de março de 2009. Nesses eventos, acompanhei debates que expressaram bem a relação entre movimentos sociais e o Estado brasileiro contemporâneo, as articulações possíveis e as tensões na construção de políticas públicas voltadas para os povos e comunidades tradicionais. Coletei informações e registrei depoimentos para a análise do tema em estudo. Considerei esses momentos como se eu estivesse em uma sala de aula sobre a formação da sociedade brasileira.

Outro investimento acadêmico importante foi a participação no processo de construção do curso de especialização “Sociologia das Interpretações do Maranhão: povos e comunidades tradicionais, desenvolvimento sustentável e políticas étnicas”, oferecido pela UEMA, por meio do Grupo de Estudos Sócio-Econômicos da Amazônia - GESEA, do qual sou membro. Ministrei, no período de 14 de março a 4 de abril de 2009, juntamente com a professora Zulene Muniz, a disciplina “Estado e Políticas de Desenvolvimento”. Neste momento, fiz uma revisão da literatura sobre o Maranhão, do ponto de vista do planejamento público, tema trabalhado em um dos capítulos da Tese. No período de 22 de maio a 18 de junho, ministrei também, com a professora Cynthia Carvalho Martins, a disciplina “Seminário I: Trabalho de Campo”, abordando os métodos de pesquisa e trabalho de campo, o que me ajudou a repensar o trabalho de campo da minha própria pesquisa.

A participação nesses eventos de pesquisa e de produção acadêmica viabilizou distintos caminhos, no esforço de delimitar o objeto de estudo circunscrito nesta Tese. De fato, comprometi-me com atividades que me levaram a situações empíricas e a revisões bibliográficas exigidas pela pesquisa. No tocante, especificamente, à revisão bibliográfica, cumpre destacar o processo de estudo deflagrado na primeira etapa do curso de Doutorado,

      

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O PNCSA é uma rede de pesquisadores que trabalha com agentes sociais que estão às margens da leitura das cartografias oficiais. Entre os cartografados estão os povos indígenas, os quilombolas, os ribeirinhos, as quebradeiras de coco babaçu, os seringueiros, os faxinalenses, as comunidades de fundos de pastos, os pomeranos, os ciganos, os geraizeiros, os vazanteiros, os piaçabeiros, os pescadores artesanais, os pantaneiros, os afro-religiosos, os homossexuais. Esses grupos vivem em comunidades tradicionais e cidades - cujas identidades coletivas se fundamentam em direitos territoriais e numa autoconsciência cultural. Além de apresentar ao Brasil uma nova cartografia, essa rede de pesquisadores vem construindo, conjuntamente com os agentes sociais, uma nova forma de produzir conhecimento, expressa em seus mapas e publicações: fascículos, livros e coleção de livros de bolsos. Sobre as cartografias participativas, ver também ACSELRAD (2008).

quando cumpri os créditos necessários. A rigor, no primeiro ano do curso, explorei ao máximo as leituras sugeridas nas disciplinas, evitando as amarras e permitindo, com total liberdade, que as diferentes correntes teóricas demonstrassem as possibilidades de análise da realidade que me propus a desvendar. Foi um “passeio” muito rico, com “passagem” obrigatória pelos clássicos da sociologia, intercalada com encontros específicos com a antropologia cultural, a antropologia visual, a antropologia política e estudos sobre a memória. Compreendi o quanto é enriquecedor o diálogo da sociologia com outros campos do saber e a fertilidade do cotidiano para a construção do pensar sociológico.

Acreditei e apostei na possibilidade de articular o olhar sociológico com o olhar antropológico, na observação dos processos vivenciados nas entidades e nos próprios movimentos sociais, na perspectiva de perceber como um está imbricado no outro, ou seja, compreender em que medida relações que se estabelecem no plano macro interferem ou sofrem interferência das relações que se dão no plano micro. Em verdade, é o desafio de construir o pensar relacional nos termos propostos por Bourdieu.