Trata-se de um tempo, também, em que os movimentos sociais buscavam formas de articulação e de pressão face à expansão dos empreendimentos ligados ao agronegócio no Estado do Maranhão. Eu almejava fazer um mapeamento dos movimentos sociais que atuam no campo: onde estão, o que estão fazendo, quais suas estratégias de luta. Por isso, foram fundamentais os laços de confiança já estabelecidos com os técnicos da ASSEMA, que facilitaram a minha inserção em espaços dos movimentos sociais e institucionais, como o INCRA. Destaco o meu contato inicial com o sociólogo Miguel Silva, na época, técnico de Políticas Públicas da ASSEMA, que atuou como mediador na minha inserção em outros
campos, como o da Via Campesina29, uma articulação internacional de movimentos sociais e organizações não governamentais que atuam no campo, que está se estruturando no Maranhão.
Participar das reuniões da Via Campesinasignificava ter acesso às preocupações comuns dos movimentos sociais naquele momento, apropriando-me das agendas coletivas e individuais, globais e localizadas, que me permitiriam perceber aspectos da relação Estado/Movimentos Sociais, o fio condutor do meu objeto de estudo. Procurei me inteirar das pautas comuns e específicas dos movimentos, priorizando duas situações: as agendas que possibilitassem uma observação mais ampla das tentativas de aproximação entre o poder público e os movimentos sociais; e as agendas que explicitassem as estratégias contemporâneas de pressão dos movimentos sociais, visando o reconhecimento de suas demandas.
Outra estratégia de pesquisa foi a participação em eventos, promovidos por órgãos governamentais e não governamentais, com a intenção de compreender os discursos dos diferentes agentes envolvidos nas disputas circunscritas na relação Estado/Movimentos Sociais: governo federal, governo estadual, movimentos sociais, técnicos, trabalhadores e empresas. A intenção era verificar em que contexto os movimentos sociais assumem ações de pressão e em que momentos optam pela negociação e pelo diálogo.
No dia 20 de março de 2007, participei, pela primeira vez, de uma reunião da Via Campesina. Essa reunião foi importantíssima por me inserir no universo dos movimentos sociais, desta vez, como pesquisadora e/ou como professora da universidade, já que todo o contato anterior, com esses movimentos, foi na condição de assessora de comunicação da ASSEMA30. O desafio era obter a legitimidade para participar das reuniões. Em determinado momento, perguntei a um membro do MST, se poderia participar das reuniões da Via Campesina e ele me respondeu que “deveria”, e assim me senti mais confortável. Em outra reunião, quando se perguntava quais movimentos deveriam compor a Via Campesina e quem tinha representatividade para estar nesse espaço, tive a oportunidade de me apresentar realmente como pesquisadora e professora da universidade, desvinculada de qualquer
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No Maranhão essa articulação reúne várias entidades/movimentos que atuam no campo, como: MST, Conselho Indigenista Missionário – CIMI, ASSEMA, MIQCB, SMDH, Movimento dos Atingidos pela Base Espacial – MABE, CÁRITAS, Associação das Comunidades Negras Quilombola - ACONERUQ, Comissão Pastoral da Terra – CPT, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB e FETRAF. No interior dessa articulação estão cinco entidades conveniadas com o INCRA para fins de execução dos serviços de ATES: CENTRU, ASSEMA, MST, SMDH e MIQCB.
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Em algumas situações isso era uma dificuldade, porque, sempre que me fazia presente nas reuniões, eles me atribuíam tarefa na área da comunicação. Durante o período de pesquisa, prestei serviços pontuais nessa área ao MIQCB e à ASSEMA.
entidade no âmbito dos movimentos sociais; e o grupo, então, concordou com a minha presença nas reuniões. Ficou negociado que eu ajudaria a sistematizar o conteúdo dos seminários sobre agronegócios, promovidos pela Via. Nesse tocante vivencio a relação social consubstanciada na pesquisa.
Nessas reuniões, percebi a tendência dos movimentos sociais de se reorganizarem de uma forma globalizada, mas com preocupações mais localizadas. Havia um cuidado em combinar o calendário de eventos definidos pela Via Campesina e outros movimentos em nível nacional com o calendário de eventos de cada organização local que compõe a Via Campesina no Maranhão. A idéia era construir coletivamente uma agenda comum, que contemplasse questões específicas da realidade dos trabalhadores rurais – aqui considerando as demandas, digamos, mais tradicionais relacionadas ao acesso aos recursos naturais, políticas públicas, e as demandas vinculadas aos direitos como etnia, de gênero, ambiental e geracional – e questões gerais no âmbito da civilização do capital. A intenção era construir uma agenda que permitisse perceber as particularidades das situações e as relações entre elas.
Uma preocupação era verificar como os grandes investimentos – soja, eucalipto, agrocombustível – estão relacionados entre si e quais os seus impactos na vida dos diferentes povos. No caso específico da soja e do eucalipto, era discutido como esses investimentos estão conectados com as siderúrgicas. Foram destacadas as questões do Baixo Parnaíba, atingido pela soja e eucalipto, e da Baixada Maranhense, onde persiste a luta em defesa dos ecossistemas atingidos pela criação de búfalos. Quanto ao agrocombustível, as entidades reconheciam a necessidade de uma capacitação maior dos militantes nessa área. A discussão passava pela necessidade de uma articulação maior das ações no campo e pela compreensão de que a luta pela reforma agrária deve abarcar as questões sociais e ambientais específicas. Enfim, as reuniões eram espaços de socialização e de reflexão sobre questões enfrentadas nas diferentes regiões e de definição de estratégias de lutas. Logo, amplia-se o horizonte político da reforma agrária no contexto do capitalismo na contemporaneidade.
Outro ponto de pauta muito debatido nesse espaço diz respeito à ocupação dos cargos na máquina estatal, considerando que o exercício do cargo público significa uma dimensão de poder que pode ser (re)direcionado para os interesses fundamentais dos movimentos. Naquele momento, os movimentos sociais, após a reeleição do Presidente Lula e a eleição do médico Jackson Lago (PDT) ao governo do Estado do Maranhão, estavam em disputa pela composição das novas equipes de governo, tanto na esfera federal, quanto na estadual.
A estrutura burocrática é alvo de disputa e “indicar nomes” para esses espaços é uma estratégia vital para os movimentos31. Trata-se de outro campo de luta, em que estão em jogo interesses políticos partidários que, por vezes, assumem dimensões pessoais, explicitados pela imprensa local. A tarefa de indicar nomes parece ser do partido político, mas as divergências internas impedem o partido de resolver a questão. Os movimentos sociais têm dificuldades de se manifestar, de publicizar sua posição diante da administração do INCRA, de fazer a defesa de uma política de reforma agrária para o Estado e de indicar “um nome”. A questão básica é a inexistência de consenso no âmbito dos movimentos sociais, considerando os laços políticos mantidos com os agentes envolvidos na disputa32 e o jogo de forças, no qual estão circunscritas antigas estruturas do poder político local. O palco dessa disputa é a Casa Civil da Presidência da República, espaço onde oficialmente são definidos os nomes para ocupação dos cargos no Maranhão.
Em 2007, eram intensas as preocupações dos movimentos com a direção da superintendência do INCRA e de outros cargos públicos considerados chave para as questões agrárias no Maranhão. Assim como o INCRA, a Secretaria Estadual de Agricultura – SEAGRO era alvo constante das disputas que envolviam interesses políticos partidários e econômicos33. O clima era de instabilidade no governo estadual, devido à ameaça de cassação do governador Jackson Lago e das lutas internas entre grupos que defendiam interesses diferentes dentro da estrutura do Governo, particularmente na SEAGRO, cujo representante era de origem do movimento sindical rural e sofria constantes ameaças de substituição.
Estava, pois, diante de uma pequena radiografia da correlação de forças que envolvia interesses de partidos políticos, movimentos sociais, gabinete civil da Presidência da República e grupos políticos que detêm o domínio na política maranhense. A disputa em torno da superintendência do INCRA revelava que a definição de cargos, no Maranhão, não estava sendo discutida com os movimentos sociais, mas negociada com os partidos políticos,
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Na época, no Maranhão, dos 46 cargos federais somente dois tinham indicação dos movimentos sociais: o INCRA e o IBAMA. No ano de 2008 ocorreu a substituição do superintendente do INCRA e no ano de 2009, a da superintendente do IBAMA.
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O então superintendente do INCRA provinha do movimento sindical. Apesar da disputa de duas lideranças do Partido dos Trabalhadores – um deles deputado federal –, a definição do nome para ocupar o cargo de superintendência do INCRA seguiu outra orientação da Casa Civil da Presidência da República e, em dezembro de 2007, Raimundo Monteiro foi substituído por Benedito Terceiro.
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Também nessa esfera, os movimentos sociais não se sentiam contemplados, considerando que, no Governo Jackson, a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural - SEAGRO não estava fortalecida dentro da estrutura governamental e a chamada “agricultura familiar” não parecia ser uma prioridade. Em várias reuniões, as entidades cobravam uma política mais clara nessa área.
em âmbito nacional, tendo em vista as eleições de 201034. Os movimentos sociais discutiam estratégias para garantir espaço dentro da estrutura governamental, e estavam atentos às investigações dos órgãos de controladoria da União, com fortes indícios de corrupção no INCRA, já que até aquele momento estava à frente do órgão uma pessoa também de origem do movimento sindical urbano. As entidades que integram a Via Campesina bem que tentaram eximir-se da mera disputa pelo cargo do INCRA – que expressava uma disputa interna do partido –, canalizando o foco de suas reivindicações para a implementação de uma política agrária no Maranhão.
As entidades tentaram articular organizações com abrangência nacional para influenciarem nas decisões de Brasília. Mas nessa luta de braços, tanto o partido local quanto os movimentos sociais que atuam no campo acabaram perdendo a oportunidade de indicar um nome de seu interesse. O acompanhamento desse episódio foi instigante para compreender um pouco mais sobre a tensão e a contraditoriedade que demarcam a construção de políticas públicas no Brasil. O aparentemente simples ato de indicar um nome para o órgão responsável pela implementação da política de reforma agrária - o segundo órgão a receber o maior volume de recursos federais, no estado do Maranhão, portanto estratégico, porque comanda uma série de políticas locais - não pode ser menosprezado, pois o cargo está envolvido no conjunto de peças importantes de um jogo de forças muito mais abrangente.
As entidades manifestavam preocupação quanto ao seu papel nesse embate, considerando que, muitas das vezes, a indicação de nomes para os cargos privilegia acertos políticos partidários pós-campanhas eleitorais, em detrimento da qualificação técnica e dos compromissos públicos que o cargo exige. No caso do INCRA, as entidades que integram a Via Campesina avaliavam que o órgão não estava cumprido suas metas, sobretudo, no tocante à reforma agrária, verificando-se descompassos entre os interesses das entidades e o projeto dos partidos políticos, considerados de esquerda. As entidades que compõem a Via Campesina no Maranhão divulgaram um documento, no qual demarcam o seu posicionamento quanto à questão.
( ) O INCRA, como todos sabem, constitui importante espaço de disputas político- partidárias. Denunciamos aqui, que cargos importantes para o desenvolvimento do estado, como a superintendência do INCRA, não são indicados pelas organizações sociais que representam os diversos segmentos populares, acarretando prejuízos para a implementação das ações de reforma agrária como uma política pública. Neste contexto de disputas, o que definiu o cargo de superintendência foram interesses de correntes e grupos políticos partidários e não a real necessidade da realização de
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Desde que a governadora Roseana Sarney (PMDB) declarou apoio ao governo Lula, intensificaram-se os conflitos internos do PT no Maranhão, e, tal como a superintendência do INCRA, outros cargos públicos federais foram definidos a partir de negociações firmadas em Brasília, acirrando as polêmicas quase sempre expostas na imprensa local.
uma reforma agrária efetiva. Neste sentido, a presença do órgão fundiário do Governo Federal se torna cada vez mais inócua para enfrentar as questões complexas da reforma agrária no Estado. (Via Campesina, 2007).
O debate evidenciava, por sua vez, as tensões que se apresentam no campo da mediação: partido político versus movimentos sociais, bem como tensões que envolvem o poder público, no caso o INCRA, e os interesses dos movimentos sociais e partidos políticos, disputas que por vezes assumem dimensão pessoal com conflitos expostos na imprensa. No processo de indicação de nomes para ocupar cargos públicos, estão em disputa critérios defendidos pelos diferentes sujeitos envolvidos na causa. No cenário estavam movimentos sociais que apresentavam o argumento da qualificação técnica para o cargo; o PT local que primava pela força de maior expressão política dentro do Estado; e o PT nacional que primava pelos interesses da tendência majoritária do PT local e das possíveis alianças que poderiam advir desse processo35.
Esses espaços sociais evidenciam o jogo de forças na definição da estrutura burocrática governamental, em momentos de transição política. Por outro lado revelam as particularidades dos movimentos sociais e suas relações com outros espaços sociais como os partidos políticos e o aparato governamental. Dei-me conta de que o poder público é um grande campo de disputa dos movimentos sociais e que a relação entre os movimentos sociais e o aparato de governo oscila entre a confiança e a desconfiança36. Os movimentos propõem a política pública, mas querem ter o controle, mediante participação em sua execução. E mais, essa relação varia de órgão para órgão, muitas das vezes em função dos laços de confiança que se estabelecem entre os movimentos e determinados profissionais lotados em setores específicos do poder público. Nesse caso, são estratégicos o estabelecimento de “contatos” dentro da estrutura burocrática governamental e, também, a realização de eventos, audiências e visitas específicas às localidades, junto com esses profissionais, visando sensibilizá-los e chamar a atenção da sociedade, por meio das organizações de representação profissionais para
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Convém ressaltar que, no Maranhão, o PT tem sido, nos últimos oito anos, espaço de disputa entre os partidos que se autoproclamam de “esquerda” e os que se autoproclamam “aliados” do Presidente Lula. A dificuldade dos movimentos sociais interferirem no aparato burocrático estatal, mesmo em um governo dito popular, advém dessa dinâmica. As estruturas tradicionais de poder local parecem se fortalecer na relação com o governo federal e os movimentos sociais não conseguem chegar a uma articulação capaz de promover rupturas. Ver Dória (2009), Reis (2007), Almeida (2010).
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Constatação reforçada quando acompanhei o debate em torno do futuro do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA e a preocupação das entidades em preservar a participação e a autonomia dos movimentos na execução do Programa. Diante da intenção do governo federal de transferi-lo para a responsabilidade do Ministério de Educação e Cultura – MEC, os movimentos defendiam sua permanência no INCRA, porque temiam a perda de autonomia e a fragilização da proposta.
as temáticas que balizam o reconhecimento das especificidades das situações. Dou-me conta das contradições de um Estado democrático, ainda em formação.
Isso me leva a repensar a perspectiva weberiana que aponta os laços de impessoalidade como uma das características da organização burocrática. Nos dois mandatos do Governo Lula e nos dois anos de governo de Jackson Lago no Maranhão, vivenciamos a criação de órgãos específicos e a formação de um quadro técnico do aparato governamental com vínculos com os movimentos sociais, fato que a mim despertava algumas questões: estaríamos em um processo de construção de outra racionalidade burocrática? Qual(is) o(s) espaço(s) atual(is) desses movimentos? Que novas regras estão sendo construídas na concepção de políticas públicas? Eram questões de fundo dessa análise da relação Estado/Movimentos Sociais que atuam no campo, em tempos contemporâneos. Na observação dos encontros e desencontros dessa relação, pretendia chegar até os paradoxos do Governo Lula e seus reflexos sobre a realidade do Maranhão.
Seguindo o meu percurso investigativo, por intermédio da Via Campesina, cheguei ao MST. Participando de suas reuniões tive a oportunidade de me apresentar às lideranças do Movimento, para falar da pesquisa e pedir “licença” para entrar em seu universo. As primeiras visitas à sede, localizada em São Luís, foram de caráter exploratório. Realizei entrevistas gravadas. Fiz anotações, tive acesso a publicações. No período de 21 a 25 de julho, o MST realizou uma ocupação na superintendência do INCRA, em São Luís. Estive lá, fazendo uma observação, meio que sem jeito, sem saber como me aproximar; se fazia fotos, se anotava, se conversava com alguém. Foi aí que percebi que o MST era um mundo estranho para mim. Até que uma das coordenadoras da manifestação indagou sobre minha pessoa. Apresentei-me como professora da universidade e então fui convidada a contribuir com as leituras de textos e discussão com os grupos. Aceitei trabalhar com um tema e dividi com um militante a responsabilidade de facilitar as discussões.
Foi a primeira vez que me aproximei do léxico próprio do Movimento e das bases teóricas que sustentam seu projeto. Muito me impressionaram a linguagem, a presença de jovens e crianças, a realização das místicas durante toda a atividade e o comportamento dos funcionários do órgão que, indiferentes, pareciam não alterar sua rotina com a presença daquelas pessoas – homens, mulheres e crianças – espalhadas pelos corredores, acomodadas em barracas de lona e em redes penduradas entre as árvores, dando um colorido especial ao estacionamento do prédio.
Na ânsia de entender o espírito que circundava a experiência, acompanhei, no período de 2007 a 2009, eventos de diferentes naturezas, conforme sistematizado no quadro
abaixo. Reuniões particulares de entidades, reuniões que envolviam as entidades conveniadas com o ATES, audiências públicas, seminários, manifestações públicas, promovidos pelos movimentos sociais e por órgãos governamentais. Nesses eventos foram registradas falas em conferências, mesas redondas, palestras, depoimentos. Tentei me aproximar do quadro de realidade dos assentamentos; das demandas/reivindicações; das pautas dos movimentos sociais específicas e gerais; da relação Estado/entidades (técnicos/assentados; direção INCRA/assentados); das configurações da burocracia estatal; enfim, da postura das entidades em relação aos serviços de assistência técnica.
Quadro 01 - Eventos acompanhados 2007 - 2009
EVENTOS GRAVAÇÕES
REALIZADAS Reuniões específicas de cada entidade 6
INCRA/Entidades 6 Entidades no âmbito da ATES 3
SEAGRO 1 CEDRUS 5 Seminários/cursos/treinamentos/fóruns 13 Assembléias/ Plenárias 4 Audiências Públicas 3 Manifestações Públicas 5 TOTAL GERAL 46
Fonte: Pesquisa de campo da Tese, 2007-2009
A participação nesses eventos, tanto de âmbito nacional quanto local, me ajudou no trabalho da caracterização dos movimentos sociais contemporâneos, melhor detalhados nos capítulos seguintes. Nesses espaços tive oportunidade de observar as pautas reivindicatórias, as estratégias de lutas e de pressão, para garantir os direitos reivindicados, e o esforço conjunto dos movimentos sociais, organizações não governamentais, técnicos de governo das esferas estadual e federal, visando a construção de espaços públicos de definição de políticas públicas no estado do Maranhão.
Valorizei ao máximo os espaços públicos criados para a definição das diretrizes dos serviços de ATES – fóruns, seminários, reuniões específicas –, onde participam técnicos do INCRA e representantes dessas entidades. Acompanhei eventos e manifestações públicas do MST, da ASSEMA e do MIQCB. Além de garimpar informações que cercavam meu objeto, fazia contatos, complementava o mapeamento das instituições e das relações. Por
outro lado, em tais oportunidades, as organizações me observavam (BERREMAN, 1990), indagavam sobre minha presença e, lentamente, fomos estabelecendo uma relação de confiança, até o momento em que passei a ser convidada para os eventos e a receber informações de forma espontânea, particularmente as de caráter sigiloso que implicavam