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BÖLÜM IV: TARTIġMA VE YORUM

4.2 Alımlayıcı Arayüzü

4.2.1 Seyir Öncesi Katılımcı GörüĢleri

Fonte: Acervo do autor (2014).

A Sra. Fátima Tonole não soube precisar sobre os impactos da crise cafeeira dos anos de 1960, uma vez que a propriedade foi adquirida em fase posterior a crise, já no início da década de 1970.

A propriedade se estruturou na produção cafeeira, intercalada com outras culturas que geravam uma produção doméstica, voltada com maior peso para o consumo familiar, uma vez que a atividade principal era a agricultura do café. Sobre o agroturismo, as atividades neste novo setor se iniciaram em 1996 com base inicial em recursos próprios, somente dez anos depois é que foi preciso solicitar, junto ao Banco do Brasil, financiamento do PRONAF, para investimentos na estruturação tecnológica do processo de produção dos vinhos. Recursos que contribuíram para uma dinâmica produtiva mais moderna, na busca de uma maior qualidade dos vinhos.

A propriedade deu início às atividades do agroturismo através da AGROTUR, sendo que além da permanência dessa parceria, também existe vínculo com a Associação de Vitivinicultores e

com o SEBRAE, que inclusive ajudou na intercomunicação com outras vinícolas brasileiras, principalmente aquelas da região de Bento Gonçalves no sul do Brasil. Fato que faz diferença neste setor produtivo, principalmente pela troca de conhecimento e o aprendizado de tecnologias e de melhores condições de preservação da qualidade dos vinhos.

A propriedade mantém um movimento dinâmico aliado ao agroturismo local, com integração com os demais proprietários envolvidas neste setor. Esse dinamismo e as boas relações predominantes neste círculo de produtores constituem para a família Tonole, razões que fortalecem e incentivam o otimismo quanto às possibilidades futuras do agroturismo local. Também estão fundamentadas nestas razões, os fatores que leva adiante a propriedade rural da família Lorenção, próxima ao núcleo central da sede do município, “Sítio Lorenção”, localizado na comunidade Tapera.

O Sítio Lorenção pertence ao casal Máximo Lorenção e Cacilda Caliman, e nesta propriedade conversamos como o Sr. Máximo Lorenção92, que nos concedeu as informações da pesquisa. Iniciou explicando a origem familiar da propriedade que foi adquirida em 1907 por seu pai o Sr. Lorenzo Lorenção, que ali desenvolveu a agricultura familiar assentada na produção cafeeira, aliada a outros produtos agrícolas para consumo doméstico, como para comercialização em mercados e feiras. Assim ele conta

[...] ainda em 1923 minha família conseguiu instalar na propriedade uma usina elétrica movida à força hidráulica, a família Altoé já possuía uma dessas usinas na propriedade deles, e também, em 1938 meu pai comprou um rádio, motivo de alegria para toda a família e vizinhança. Tivemos também durante muito tempo uma banca de verduras no mercado da Vila Rubim no centro de Vitória, um mercado que foi muito importante, onde a gente vendia tomate, batata, alho, cenoura e outros produtos.

E segue dizendo

[...] A propriedade teve sua última divisão familiar em 1966, após sucessivas divisões e eu herdei os 37 ha de terra, onde pude construir minha vida com minha família e onde vivo até hoje juntamente com mais quatorze pessoas da família, sempre trabalhando nas atividades da agricultura, e agora temos o agroturismo em andamento.

92

Entrevista de História Oral com a Sr Máximo Lorenção realizada na propriedade da família Lorenção, Sítio Lorenção, no dia 11 de abril de 2014.

Ele se reporta a tempos passados com lembranças felizes, mas permeadas também de recordações das dificuldades enfrentadas pela família Lorenção nos primeiros anos de convívio na comunidade de Venda Nova do Imigrante, tempos de trabalho muito pesado,

[...] inclusive porque também não tinha nenhum local para comprar bens de consumo. Minha mãe enviava pelo senhor Perim produtos como café, ovos e feijão para serem revendidos em outras praças, geralmente em Araguaia, e ele retornava com querosene, tecidos, sal e calçados. Certa vez, minha mãe teve que dispensar 22 sacos de milho em troca de dois pares de sapatão, era assim que meu pai falava dos sapatos que a gente usava na roça.

Relembra que tudo era muito difícil, mas a vida seguia em harmonia e todos trabalhavam com o objetivo de melhores dias, sempre unidos no trabalho familiar e mantendo os costumes da tradição italiana da família.

As perspectivas de melhoras em função do trabalho e da união familiar passam às gerações na família do Lorenção. O jovem Bernardo Lorenção, que teve uma participação nesta pesquisa, deixou muito clara essa tendência. Ele abandonou o curso de Química na Universidade Federal do Espírito Santo/UFES, para fazer um curso voltado ao agroturismo. Fez o curso de Técnico em Agroindústria, oferecido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo/IFES de Venda Nova do Imigrante. Bernardo compõe este núcleo familiar que vive dos trabalhos desenvolvidos na propriedade dos Lorenção.

Bernardo Lorenção explica um pouco da dinâmica que prevalece na propriedade neste tempo do agroturismo

[...] ainda é mantida a produção de café com base na mão de obra familiar na propriedade, mas também é utilizada a mão de obra de colonos que trabalham em regime de parceria. No início das atividades do agroturismo o sítio contava com a mão de obra de quatro familiares, com o crescimento das atividades foi possível proporcionar trabalho para um grupo maior de pessoas, pois neste início de 2014 todos os quinze familiares, ou seja, as quatro famílias que residem no sítio estão diretamente envolvidas no agroturismo, além da contratação de mais três funcionários assalariados que vivem fora da propriedade.

Não foi possível um aprofundamento sobre as atividades de cada membro da família em particular, mas cabe notar que alguns desses familiares envolvidos no agroturismo do Sítio Lorenção também exercem atividades remunerados fora da propriedade, caracterizando a pluriatividade nas formas de trabalho, quando membros das famílias das unidades rurais passam a dedicar a atividades não-agricolas fora da propriedade rural.

Sobre os desdobramentos da política de erradicação dos cafezais, o Sr. Máximo Lorenção nos informou que tal prática foi efetuada em suas terras, ressaltando que

[...] existia um número limite aceito pelos órgãos governamentais para indenização, geralmente dois mil pés por hectare. Tal controle era efetuado na própria lavoura, pois vinham técnicos responsáveis pela medição e contagem da área a ser erradicada. Foi a insegurança em relação às constantes crises da cafeicultura que levou minha família a buscar alternativas de renda. Com o surgimento do agroturismo, conseguimos a realização de um sonho antigo, poder tirar os filhos do cabo da enxada.

O jovem Bernardo relata que o Sítio Lorenção foi à segunda propriedade a ser aberta ao público com vistas ao agroturismo e, que as atividades do agroturismo tiveram início por volta do ano de 1994, com a tia Cacilda aproveitando o conhecimento da fabricação do socol, que lhe foi transmitido pela sua avó

[...] sendo que o processo inicial de fabricação dos produtos era todo feito à moda antiga, na fabricação do socol era utilizada a carne de porcos criados dentro do próprio sítio, prática proibida pela legislação vigente. Além do socol produzimos e vendemos na propriedade doze tipos de produtos dentre os antepastos (palmito com bacalhau, berinjela, manjericão, abobrinha com peperone, etc.), tomate seco e outros produtos, é uma produção muito considerável neste setor, inclusive porque temos uma grande preocupação com o padrão de qualidade e, também com o atendimento ao receber os turistas e demais clientes que chegam a nossa propriedade. Porque também oferecemos a oportunidade de degustação de nossos produtos, aqui no nosso núcleo de produção.

Nosso entrevistado ainda salienta que

[...] os produtores do socol formaram em 2013 com o apoio do SEBRAE, a Associação dos Produtores de Socol de Venda Nova do Imigrante - ASSOCOL, uma união na tentativa de criar um selo de Identidade Geográfica - IG para o produto, que é uma das grandes referências no agroturismo daqui e muito procurado. O selo vai servir para realçar as qualidades particulares do socol, dar maior controle na fabricação e atestar a definição geográfica do produto.

FIGURA VIII

Benzer Belgeler