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Seviye 4:Ölçülen (Management and Measurement)

4. TMMi (TEST MATURITY MODEL INTEGRATION) YAKLAŞIMI

4.9 TMMi Olgunluk Seviyeleri

4.9.4 Seviye 4:Ölçülen (Management and Measurement)

Inicia-se com dois atores sentados em cadeiras de praia, isolados por uma fita zebrada em uma praça movimentada na cidade do Rio de Janeiro. Trata-se do Largo do Machado, local que possui um grande fluxo de transeuntes, que ora passam indiferentes, ora se mostram intrigados com a intervenção; e outros tantos que param para verificar o que está acontecendo, juntando-se aos espectadores que já se encontram posicionados. No entorno, não muito próximo encontram-se ―pessoas‖ e faixas esticadas no chão. Os atores estão descontraídos, conversam e bebem, até que se inicia um diálogo. As pessoas normalmente se aproximam para escutar e tentar entender o que é dito.

Em um dado momento ocorre uma interação com a plateia, um espectador é convidado a auxiliar na cena e acaba virando um cone, dando sustentação a faixa zebrada que os isola, pois, um dos cones foi retirado para ser usado como megafone, amplificando o discurso de uma das personagens que, apesar de aparentemente acalorado, mantém a personagem na inação e na impotência frente às perplexidades do mundo hoje, retratando características recorrentes na dramaturgia de seu autor, Samuel Beckett, do qual o texto inicial é composto por fragmentos.

Após discursarem, inicia-se uma ―manifestação‖. Performers seguram faixas e cartazes diversos com frases, a exemplo de:

 ―Tenho muito o que fazer. Preparo o meu próximo erro‖. (Bertolt Brecht)  ―Evite acidentes, faça tudo de propósito‖. (Carlito Maia)

 "Tente outra vez. Erre outra vez. Erre melhor". (Beckett)

 ―O ‗Eu‘ é um produto globalizado que luta de maneira insana para atingir o maior valor de mercado‖. (Tema da palestra proferida pelo Prof. Dr. Plus Vallya em Wall Street)

 "Eu aguardo. Mas não espero nada". (Lacan)

 ―Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo‖. (Foucault)

Ocorre um grande burburinho com falatório, gritos, palavras de ordem, megafones, apitos...

Imagem 16 – Profanações GAG Phila7 Imagem 17 – Profanações GAG Phila7

Foto Pedro Muniz Foto Larissa Hobi

O cortejo segue em direção ao prédio da Oi Futuro Flamengo, onde se desenrola as demais cenas, ou superfícies do evento, como proposto. É previsto uma ocupação do prédio da Oi Futuro e de seus diversos pavimentos, propondo um diálogo com as exposições que estão em cartaz durante o mês de agosto nas salas do prédio.

Ao chegarem próximo à entrada, ainda na área externa, ocorre a ocupação do térreo do prédio. Trata-se de uma projeção da cena do discurso de Domenico no filme Nostalghia (1983) de Andrei Tarkovsky, em que a personagem fala eloquentemente sobre angustias, medos, incertezas e possíveis soluções para o contexto de época ao qual vivem, vendo de forma pessimista os avanços da ciência e da tecnologia.

A cena projetada está no idioma original, a saber: italiano. O ator 1 – representado por Marcos Azevedo – faz a tradução simultânea com o auxílio do discurso impresso em papel que encontra-se em suas mãos. Disputando a atenção dos espectadores encontram-se os

performers que se vestem e fazem movimentos lentos e por vezes repetitivos, posteriormente

mantendo-se estáticos, assim como os transeuntes que presenciam o discurso de Domenico no filme.

O ator 1 segue com sua tradução simultânea, enquanto o segundo ator encontra-se sentado, com um som a pilhas nas mãos. Na cena em que o personagem Domenico solicita música, o ator 1 solicita música também, sendo atendido prontamente pelo ator 2 – representado por Beto Matos. Cria-se um ambiente fantasmagórico, ressuscitando personagens de outrora, porém, a proposta não tenta recriar um tempo que já se foi, mas sim, promover um diálogo em torno de questões que ciclicamente emergem, sendo possível identificá-las em épocas distintas.

Como o personagem no filme, o ator 1 joga papéis ao vento, mas em vez de atear fogo ao corpo como seu duplo o faz no filme, sobe em um tablado, toma um ramalhete nas mãos, põe uma mascara preta em seu rosto e posiciona-se reproduzindo a imagem tão conhecida de Banksy, grafiteiro que trabalha com intervenções urbanas, partindo por vezes de clássicos para fazer releituras impregnadas de criticidade acerca de questões sociais. Permanece parado por alguns instantes, desfaz a imagem e segue por entre a plateia. Adentra no prédio.

Passam pela recepção, a essa altura alguns performers já se direcionaram para dentro do prédio, o ator 2 segue convidando a plateia a acompanhá-lo. No espaço definido no processo como a superfície_ rumo a uma inteligência coletiva, o ator 2 senta-se em uma grande mesa, destinada originalmente a leituras e aborda questões da neurociência e da física. A sua frente está projetada a janela do Google.

A plateia se dispõe pelo espaço de forma aleatória, o que pode vir a fazer com que a cena se desenrole com os atores e/ou performers posicionados em outros locais, havendo uma flexibilidade na cena. O que chegamos a presenciar durante a semana que acompanhamos, assistindo todos os dias. Porém, foi possível verificar que a marcação do ator 2 na mesa era fixa.

A ocupação foi feita de tal forma que por vezes nos questionamos se determinados elementos estavam ali por terem sido concebidos pelo Phila7 ou se faziam parte das exposições, o que buscamos certificar, comprovando por vezes se tratar de um diálogo com as exposições em cartaz. Avaliamos positivamente as ocupações, percebendo que utilizaram os espaços de forma concisa, agregando e se valendo dos materiais ali presentes, os tornando parte do processo.

Foto Larissa Hobi Banksy

Atores e performers seguem ocupando todos os sete andares, diversos espaços e salas do prédio. Nessa ocupação pudemos observar que ao longo da semana, os integrantes da plateia comportam-se de formas variadas, normalmente tendendo a ficar ou buscar um posicionamento frontal, até irem percebendo que a proposta não se limita a isso, expandindo as possibilidades de recepção e posicionamento. Pudemos observar, que em determinadas plateias, existiram casos de pessoas que participaram efetivamente das superfícies propostas, dialogando, interagindo, buscando possibilidades de ver por diferentes ângulos os atores e performers.

No momento, veio-nos à mente ocasiões que presenciamos e achamos oportuno citar, a exemplo de um espectador que deitou-se nas escadas e permitiu-se fruir por um outro ângulo; como também, espectadores que participaram ativamente da manifestação inicial, segurando faixas, apitando e criando gritos de ordem. Aceitando o convite proposto pelo experimento e se tornando parte constituinte de sua construção.

Ainda na superfície nomeada rumo a uma inteligência coletiva, é feita uma ocupação em uma sala ―vazia‖, escura e com projeções de mãos que colam ininterruptamente adesivos formando X. Repetem continuamente uma pequena variação de frases curtas, tendo também ao chão vários X adesivados. A plateia se dispõe pelo espaço, os atores conversam sobre questões existenciais, ocorre também um trânsito de performers. A cena inicia-se, independentemente da plateia se dispor no espaço.

Foto Larissa Hobi Foto Larissa Hobi

Foi possível perceber durante a semana em que acompanhamos as apresentações que, por tratar-se de uma proposta itinerante, imprime um ritmo próprio e individual a cada espectador. O tempo de chegada e deslocamento dos espectadores foi bem diversificado, com as plateias prontamente seguindo ou não os atores. Já outras, distraiam-se com a super abundância de focos possíveis de atenção empregando sua audiência aos performers e/ou às exposições ali instaladas.

O trânsito de performers, técnicos, plateia e pessoas envolvidas direta ou indiretamente na encenação é frenético. A atenção dos espectadores é disputada constantemente pela superabundância de signos, de ruídos, de imagens, luzes, enfim, um caleidoscópio de sensações. Podemos associá-la à dinâmica contemporânea da efemeridade e superficialidade de eventos. Apesar dessa superabundância, o experimento tem como suporte um texto denso de cunho reflexivo e filosófico conduzindo-o.

Segue-se para o próximo pavimento, onde ocorre a superfície_ seres cardio-

digineurais. A ocupação se dá em uma sala que aloja uma exposição de fotografias. Os atores

promovem um jogo do ―onde estou?‖, por momentos saindo da vista da plateia, trabalhando questões relacionadas à presença. Um jogo da presença a partir do visível/invisível.

Seguem para o próximo pavimento, superfície_ as redes, o cordão umbilical da

humanidade. Apesar das cenas serem itinerantes e sequencialmente nos pavimentos, não se

tornam previsíveis por ocuparem espaços distintos e dialogarem com exposições também distintas, gerando uma variedade de possibilidades a partir do que já estava posto. Seguem para o pavimento que antecede a entrada ao teatro. Observa-se ao olhar para cima que, as imagens projetadas na parte superior a entrada do teatro e que chegam em tempo real são da

Imagem 22 – Profanações GAG Phila7 Imagem 23 – Profanações GAG Phila7

Foto Larissa Hobi Foto Larissa Hobi

superfície desenvolvida na Paraíba. Os atores dialogam e convidam a plateia a entrar. Ao entrarem, ocorre a cena de interação entre os atores do Phila7 e Cena e Contágio.