• Sonuç bulunamadı

Manifestadas as intenções anunciadas no presente trabalho, é chegado o momento de exprimir, concisamente, as ideias principais por ele ambicionadas, de forma a contribuir para o estudo e aplicabilidade do direito fundamental à saúde, com foco no fornecimento de medicamentos excepcionais, ou de alto custo.

Inicialmente a mensagem a ser perpassada refere-se ao entendimento da grande dimensão do direito à saúde no ordenamento jurídico pátrio, da imprescindibilidade de ser assegurado o mínimo existencial e da obrigação estatal na garantia e promoção desse direito. Após, é almejada a compreensão das linhas gerais de implementação da saúde no âmbito do Poder Executivo e quais as normas utilizadas nesse mister, explanando sobre medicamentos de alto custo e a política adotada para a dispensação de medicamentos.

Após, será exposto o entendimento sobre a reserva do possível, além de desenvolvidos argumentos que integram o debate acerca do ativismo judicial na concessão de medicamentos de alto custo e reflexões sobre o entendimento da competência comum dos entes federativos. Finalizando com a análise de manifestações feitas em âmbito de Supremo Tribunal Federal sobre a concretização do direito à saúde, a intervenção judicial e a concessão de medicamentos excepcionais.

Buscou-se demonstrar que a atividade judicial é necessária e bem-vinda para efetivação de políticas públicas já existente e para casos em que há omissão estatal ou falha na efetivação do direito. Em casos de medicamentos não constantes nas listagens do SUS ou sem registro na agência reguladora do país, porém, a atuação judicial deve estar respaldada em critérios rígidos, para que não ocorra desrespeito à isonomia de tratamento dos pacientes. Além disso, procurou-se a demonstração de que é urgente uma solução que integre os três Poderes, para que o preceito de universalização do direito à saúde seja efetivado, não ficando restrito a prestações para aqueles que conseguem ativar o Poder Judiciário.

A função primordial do presente trabalho não pretende trazer uma solução completa para os problemas apresentados, mas sim demonstrar que a sociedade, os doutrinadores, os estudiosos, os gestores públicos e os operadores de direito, precisam potencializar as discursões e pesquisas nessa área, visto que os problemas atuais são demasiados e as soluções propostas, normalmente, apresentam efeitos colaterais prejudiciais. Atentando que a situação como a encontrada no momento presente, apenas caminha para o crescente aumento da busca judicial, mas sem perspectiva de efetiva solução, pelo contrário, contribuindo para que o já prejudicado sistema de saúde pública, fique mais debilitado.

REFERÊNCIAS

ALEXY, Robert. Teoria dos direitos fundamentais. 2. ed. São Paulo: Malheiros, 2011. BARCELLOS, Ana Paula de. A eficácia jurídica dos princípios constitucionais: o princípio da dignidade da pessoa humana. 3. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2011.

BARROSO, Luís Roberto. Da falta de efetividade à judicialização excessiva: Direito à

saúde, fornecimento gratuito de medicamentos e parâmetros para a atuação judicial.

Revista da Procuradoria-Geral do Estado – Procuradoria-Geral do Rio Grande do Sul, Porto

Alegre, v.31, n. 66, p.103, jul/dez. 2007. Disponível em:

<http://repositorio.furg.br/bitstream/handle/1/3464/La%20Inalienabilidad%20de%20los%20D erechos%20Humanos.%20An%C3%A1lisis%20Sistem%C3%A1tico%20sobre%20el%20con ocido%20caso%20del%20lanzamiento%20de%20enanos.pdf?sequence=1#page=89>. Acesso em: 10 out. 2017.

BOBBIO, Noberto. A era dos Direitos. Tradução de carlos nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Campus, 1992.

BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Malheiros, 2002.

BRASIL. Advocacia Geral da União – Consultoria Jurídica/Ministério da Saúde. Intervenção

Judicial na Saúde Pública: Panorama no âmbito da Justiça Federal e Apontamentos na seara das Justiças Estaduais. [S.L], 2013. Disponível em:

<http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2014/maio/29/Panorama-da-judicializa----o--- 2012---modificado-em-junho-de-2013.pdf>. Acesso em: 06 out. 2017.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Audiência pública nº 4, convocada em 05 de março

de 2009. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=processoAudienciaPublicaSaude>. Acesso em: 15 out. 2017

BRASIL. Código Civil. Lei nº 10.406 de 10 de janeiro de 2002. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm >. Acesso em: 10 out. 2017 BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Brasil tem mais de 240 mil processos na área de

Saúde. Disponível em: <http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/56636-brasil-tem-mais-de-240-

mil-processos-na-areade-saude>. Acesso em: 03 out. 2017

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso em: 20 set.2017.

BRASIL. Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990. Disponível em: <

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm>. Acesso em: 02. out. 2017. BRASIL. Lei nº 8.142 de 28 de dezembro de 1990. Disponível em: <

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Agravo de Instrumento nº 457.544-RS. Relator: Min. CELSO DE MELLO. Julgamento: 27/02/2004. Publicação: DJ 18/03/2004 PP-00016. BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Medida Cautelar na Petição nº 1.246-SC. Relator: Min. CELSO DE MELLO. Julgamento: 31/01/1997. Publicação: DJ 13/02/1997 PP-*****. BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 393.175-RS. Relator: Min. CELSO DE MELLO. Julgamento: 12/12/2006. Publicação DJ 02-02-2007 PP-00140.

EMENT VOL-02262-08 PP-01524.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 566.471-RN. Relator: Min. MARCO AURÉLIO. MEDICAMENTO DE ALTO CUSTO – FORNECIMENTO – REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2565078>. Acesso em: 19 out. 2017.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 657.718-MG. Relator: Min. MARCO AURÉLIO. MEDICAMENTO DE ALTO CUSTO – FORNECIMENTO – REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA. Disponível em:

<http://redir.stf.jus.br/estfvisualizadorpub/jsp/consultarprocessoeletronico/ConsultarProcesso Eletronico.jsf?seqobjetoincidente=4143144>. Acesso em: 19 out. 2017.

CANOTILHO, José Joaquim Gomes; MOREIRA, Vital. Constituição da República

Portuguesa anotada. v. 1. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007.

DALLARI, Sueli Gandolfi; NUNES JUNIOR, Vidal Serrano. Direito Sanitário. São Paulo: Editora Verbatim, 2010.

FALSARELLA, Christine. Reserva do possível como aquilo que é razoável se exigir do

Estado. 2012. Tese (Mestrado em Direito Constitucional). Pontifícia Universidade Católica

(PUC), São Paulo. Disponível em:

<http://www.apesp.org.br/comunicados/images/tese_christiane_mina_out2012.pdf>. Acesso em:08 out. 2017.

FERRAZ, Octávio Luiz Motta. Direito à saúde, recursos escassos e equidade: os riscos da interpretação judicial dominante. DADOS Revista de ciências sociais, Rio de Janeiro, v. 52, n. 1, 2009.

FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. Lúmes Júris Editora. Rio de Janeiro, 2014.

HACHEM, Daniel Wunder. Tutela administrativa efetiva dos direitos fundamentais

sociais: por uma implementação espontânea, integral e igualitária. Curitiba, 2014. 614 f. Tese

(Doutorado) –Programa de Pós-Graduação em Direito, Universidade Federal do Paraná. HOLMES, Stephen; SUSTEIN, Cass. The cost of rights: why liberty depends on taxes. New York: W. W. Norton & Company, 1999.

culturais. Dissertação de Mestrado. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2005.

MAURICIO JR., Alceu. A revisão judicial das escolhas orçamentária: a intervenção judicial em políticas públicas. Belo Horizonte, 2009.

MENDES, Karyna Rocha. Curso de direito da saúde. São Paulo: Saraiva, 2013.

MENDONÇA, Marilda Watanabe. A justiciabilidade do direito à saúde. Osasco: EDIFIEO, 2012.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria GM-MS n. 1.554/1998: Dispõe sobre as regras de financiamento e execução do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: <

http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2014/abril/02/pt-gm-ms-1554-2013-alterada- 1996-2013.pdf>. Acesso em: 03 out. 2017.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria GM-MS n. 3.916/1998: Política Nacional de Medicamentos. Disponível em:

<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1998/prt3916_30_10_1998.html>. Acesso em: 03 out. 2017.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Resolução nº 1 de 17 de janeiro de 2012: Estabelece as

diretrizes nacionais da Relação Nacional de Medicamentos (RENAME) no âmbito do Sistema Único de Saúde. Disponível em:

<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cit/2012/res0001_17_01_2012.html>. Acesso em: 05 out. 2017.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Resolução nº 338 de 06 de maio de 2004. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2004/res0338_06_05_2004.html > . Acesso em: 05 out. 2007.

OHLAND, Luciana. A responsabilidade solidária dos entes da federação no fornecimento

de medicamentos. Revista Direito&Justiça, v. 36, n.1, 2010. Disponível em:

<http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fadir/article/view/8857>. Acesso em: 15 out. 2017.

PIVETTA, Saulo Lindorfer. Direito fundamental à saúde: regime jurídico, políticas públicas e controle judicial. São Pulo: Revista dos Tribunais, 2014.

SANTOS, Lenir. Decisão parcial do STF quanto ao fornecimento de medicamentos de

alto custo sem registro no país. Disponível em:

<<http://www.direitodoestado.com.br/colunistas/lenirsantos/decisao-parcial-do-stf-quanto-ao- fornecimento-de-medicamento-de-alto-custo-sem-registro-nopais>. Acesso em: 11 out. 2017. SARMENTO, Daniel. A proteção judicial dos direitos sociais: alguns parâmetros ético

jurídicos. In: SOUZA NETO, Cláudio Pereira de; _____ (Org.). Direitos sociais:

fundamentos, judicialização e direitos sociais em espécie. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. 1. ed. Porto Alegre: Livraria do

advogado, 2009.

SARLET, Ingo Wolfgang e FIGEIREDO, Mariana Filchtiner. Reserva do possível, mínimo existencial e direito à saúde: algumas aproximações. Revista de Doutrina da 4ª Região, Porto Alergre, n.24, jul. 2008. Disponível em:

<http://www.revistadoutrinatrf4.jus.br/artigos/edicao024/ingo_mariana.html > Acesso em: 19 set. 2017.

SCHIER, Adriana da Costa Ricardo. Serviço público: garantia fundamental e cláusula de proibição de retrocesso social. Curitiba: Íthala, 2016.

SCHWABE, Jürgen; MARTINS, Leonardo. Cinquenta anos de jurisprudência do Tribunal

Constitucional Federal Alemão. Montevideo: Konrad-Adenauer-Stiftung, 2005.

SILVA, Jose Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros editores. 24ª edição, 2015.

SOUZA, Renilso Rehem de. O Programa de Medicamentos Excepcionais: protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas: medicamentos excepcionais. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.

VALLE, Vanice Regina Lírio do. Políticas públicas, direitos fundamentais e controle

judicial. Belo Horizonte: Fórum, 2009.

VIEIRA, Fabíola Sulpino. Assistência Farmacêutica no Sistema Público de Saúde no

Brasil – Revista Panamericana de Salud Pública, n.02, v. 27, fev. 2010. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1020-