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Serbest Meslek Faaliyetlerinde Emsal Bedel

Belgede KATMA DEĞER VERGİSİNDE MATRAH (sayfa 129-133)

II. BÖLÜM: KATMA DEĞER VERGİSİNDE MATRAH

2.6. MATRAHA DAHİL OLAN VE OLMAYAN UNSURLAR

2.7.6. Serbest Meslek Faaliyetlerinde Emsal Bedel

Na primeira linha da passagem crucial do De Insomniis, exatamente em 460b23, lê-se: “A causa do enganar-se é que certas coisas quaisquer aparecem não apenas quando o objeto sensível move”38. À primeira vista, parece haver aqui uma

inconsistência: as aparências enganosas não se referem a objetos sensíveis? A ocorrência delas não requer, além disso, a presença das coisas às quais estes inerem? A esta altura, todavia, resta clara, a partir da passagem analisada do De Insomniis, a não atuação direta dos objetos sensíveis comuns e incidentais na ocorrência do movimento sensorial autocausado.

A fim de preservar a consistência do texto de Aristóteles, faz-se necessária uma interpretação específica do termo “objeto sensível” em 460b23. Apesar de as aparências sensoriais ilusórias se referirem a objetos sensíveis comuns ou incidentais, o movimento intrapsíquico que lhes é correspondente não é causado, stricto senso, por estes, como se pode averiguar na passagem – tal movimento tem sua causa, afinal, na própria sensação. Todavia, como pode um movimento sensível ser autocausado e ao mesmo tempo depender da presença de um objeto sensorialmente apreensível? Na passagem, evidencia-se um ponto decisivo: quantidades, magnitudes e indivíduos particulares – dentre outros objetos que formam o conteúdo das aparências sensoriais enganadoras – não são, ao menos no contexto do De Insomniis, objetos sensíveis. Consequentemente, eles não são capazes de incitar a sensibilidade da forma como o fazem sensíveis genuínos; a afecção causada por estes – infere-se do texto –, ao invés de resultar em

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uma aparência errônea, dá ensejo a uma sensação correspondente a um estado de coisas efetivo. O termo “objeto sensível”, portanto, é utilizado, em 460b23, em seu sentido estrito, devendo ser interpretado como estando a se referir aos objetos sensíveis próprios, cuja apreensão é da alçada da especificidade de um único sentido.

No intuito de dissolver por completo a tensão surgida a partir da necessidade da presença diante dos sentidos de algo cuja aparência resulta de um movimento intrapsíquico autocausado, algumas considerações acerca do conceito de objeto sensível próprio revelam-se oportunas. Em primeiro lugar, uma característica do sensível próprio é a capacidade de ser, por si só (kath’hautó), apreendido sensorialmente (418a, 7-11):

quando em contato com um sensível próprio, o órgão sensorial – ou, em termos gerais, a sensação – é movido por conta desse contato, não de algum resíduo sensório ou de um ato da sensibilidade sobre si mesma. Na relação entre esta e um objeto próprio, portanto, observa-se o caráter externo da causa do movimento. Em segundo lugar, a afecção produzida por um sensível próprio não resulta em erro, i.e., em uma aparência enganadora, sendo sempre (ou quase sempre) verdadeira, de modo a se poder traçar a correspondência entre movimento sensível externamente causado e verdade – entre movimento intrapsíquico não autocausado e aparência sensível não enganadora.

Se uma das características essenciais do objeto sensível próprio é a capacidade de afetar a sensação por si só, os comuns e acidentais podem ser caracterizados pela ausência dessa capacidade (DA III, 425a, 14-19)39. Paralelamente, se da afecção direta40

ou externa decorre a adequação entre o sensorialmente apreendido e o real estado do objeto causador do movimento intrapsíquico, de uma afecção indireta ou interna – como a relacionada à aparência dos sensíveis comuns e acidentais – decorre a possibilidade do erro. A partir da distinção traçada no De Anima II entre os três tipos de objetos sensíveis e seu modo de relacionar-se com a faculdade anímica capaz de assimilá-los, não apenas o De Insomniis 460b-23-27 clarifica-se, mas também é dissolvido o problema ligado à necessidade da presença da coisa para a ocorrência de um movimento sensível autocausado.

Enquanto o sensível próprio atua como causa direta do movimento na sensação, os sensíveis comuns e acidentais atuam como causas indiretas, ou seja, de certa maneira

39ἀλλὰ μὴν οὐδὲ τῶν κοινῶν οἷόν τ' εἶναι αἰσθητήριόν τι ἴδιον, ὧν ἑκάστῃ αἰσθήσει αἰσθανόμεθα κατὰ συμβεβηκός, οἷον κινήσεως, στάσεως, σχήματος, μεγέθους, ἀριθμοῦ· ταῦτα γὰρ πάντα [κινήσει] αἰσθανόμεθα, οἷον μέγεθος κινήσει (ὥστε καὶ σχῆμα· μέγεθος γάρ τι τὸ σχῆμα), τὸ δ' ἠρεμοῦν τῷ μὴ κινεῖσθαι, ὁ δ' ἀριθμὸς τῇ ἀποφάσει τοῦ συνεχοῦς, καὶ τοῖς ἰδίοις (ἑκάστη γὰρ ἓν αἰσθάνεται αἴσθησις).

40 “Diretamente” é uma das traduções possíveis de “kath’autó” no contexto da ação dos objetos sensíveis

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eles constituem um elemento indispensável para afecção na medida em que sua presença diante dos sentidos é necessária – a aparência a eles referente é simultânea ao contato sensório –, mas o movimento intrapsíquico aludido no De Insomniis, fenomenologicamente semelhante àquele que resulta do contato com os sensíveis próprios, é em última instância causado não pelos comuns ou incidentais, mas pela própria sensação. A diferença etiológica entre os movimentos sensíveis diretamente causados por um objeto próprio e aqueles indiretamente causados – desencadeados por um sensível comum ou acidental, mas resultantes de um ato da própria sensibilidade – pode ser retratada ao se decomporem seus respectivos processos.

Na sensação dos próprios, observa-se, por um lado, a causa da afecção, a qual é externa, e, por outro, o afetado – este equivale, no nível físico-material, ao órgão do sentido, e no âmbito psíquico-formal, à parte sensitiva da alma. De certo modo, a afecção diretamente causada pelo objeto é imediata: não há, na apreensão dos próprios, outro ato da sensibilidade que não o decorrente de seu caráter assimilativo, i.e., a sensação é, nesse caso, passiva. Contudo, na sensação dos comuns e incidentais, a qual muitas vezes resulta em aparências enganadoras, a sensibilidade é também ativa, visto que os objetos comuns e incidentais apenas desencadeiam o ato da sensação sem

diretamente afetá-la; há, nesse caso, a identidade entre a causa da afecção e o afetado, o que indica o caráter mediado do movimento intrapsíquico relativo às ilusões sensórias: entre a capacidade do objeto de se manifestar e sua respectiva aparência ao indivíduo no âmbito psíquico há não a passividade assimilativa da sensação, mas o ato desta como causa do movimento. Nas instâncias de aparência enganadora, portanto, a sensibilidade é não apenas receptiva, mas também ativa; todavia, é justamente nessa atividade da sensação que reside a abertura ao erro, apesar de o modo como ocorre a afecção autocausada da sensibilidade assemelhar-se ao modo como um sensível genuíno a afeta. A atividade imaginativa e a sensação errônea dos sensíveis próprios e acidentais, a despeito de esta, ao contrário da primeira, ocorrer na presença no objeto, indicam um movimento sensível cuja origem é interna. Essa interpretação, além de tornar inteligível o uso feito por Aristóteles do funcionamento do verbo phaínomai na tentativa de elucidar o caráter da phantasía – todos os fenômenos ligados àquele constituem instâncias dessa função psíquica –, elucida o motivo pelo qual, na teoria aristotélica da alma, apenas os sensíveis próprios são capazes de, por si sós, mover a sensação. A aporia relativa ao fato de Aristóteles tratar, no De Anima III.3, a ligação entre

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acerca da ideia de phantasía em presença. Como o De Insomniis deixa claro, o fato de uma aparência ser visual ou pertencer à alçada de qualquer outra modalidade sensória não a exclui como instância de phantasía. Em outras palavras: a ocorrência na presença do objeto não torna o fenômeno redutível exclusivamente aos termos da sensibilidade ligada aos órgãos sensoriais. A aporia da multiplicidade dos fenômenos aos quais a

phantasía se refere dissolve-se, uma vez que a lacuna entre os mais diversos deles é preenchida com a ideia de um movimento intrapsíquico autocausado.

Belgede KATMA DEĞER VERGİSİNDE MATRAH (sayfa 129-133)