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SEBEPLERE SARILMAK, ALLAH’IN TABİAT KANUNLARINDANDIR

Na manufatura o processo de controle que o capital exerce sobre o trabalho já está desenvolvido, com o/a trabalhador/a submetido/a ao capitalista. A destreza

manual, na qual se fundamenta o trabalho, comandava a ferramenta, a subsunção era formal e não real, o/a trabalhador/a ainda detinha o saber sobre o como fazer o trabalho. Mas, no modo de produção especificamente capitalista, a maquinaria se converte em amo e senhor do trabalho vivo, controla-o, subjuga-o e domina-o. A maquinaria foi introduzida no processo de trabalho como um instrumento eficaz na redução do preço da força de trabalho, mas o capitalista também a usa como arma para, na arena da luta de classes, impedir as formas de resistência e organização dos/as trabalhadores/as. Na medida em que substitui o trabalho vivo, a maquinaria se apresenta ao/à trabalhador/a como uma potência hostil, que o/a substituirá, de forma que o capitalista maneja sua utilização de forma tanto aberta como velada, acenando com a possibilidade de substituir o/a trabalhador/a pela máquina, de forma que, diante deste temor, ela se torna uma arma muito poderosa, para obstar a resistência dos/as trabalhadores/as na fábrica.

Atualmente, a produção capitalista ocorre nas indústrias modernas, as fábricas. Nelas as ocupações encontram-se separadas e a tarefa de cada trabalhador/a se reduz a uma operação muito simples. Lá o capital reúne e dirige os trabalhos. Há uma divisão social do trabalho que o capital gerencia. No entanto, para conhecer a origem da fábrica, é necessário conhecer a origem da indústria manufatureira. A Indústria manufatureira ainda não é como a moderna com as suas máquinas, porém distingue- se da indústria dos artesãos da Idade Média, bem como da indústria doméstica.

Antes de chegarmos à manufatura propriamente dita, é importante lembrar que (MARX, 1989) a grande divisão do trabalho levou três séculos na Alemanha, com a divisão campo e cidade. Tal mudança alterava as cidades. Com esse aspecto da divisão do trabalho, ter-se-ão as repúblicas antigas ou a feudalidade cristã, a antiga

Inglaterra, com os seus barões, ou a Inglaterra moderna, com os seus senhores do algodão. Diferentemente dos séculos XIV e XV, a divisão de trabalho, no século XVII, tinha uma outra fisionomia: a extensão do mercado. Anteriormente à expansão dos mercado, resultado direto da fase mercantilista, a divisão do trabalho seguia regras fixas, que nasceram primitivamente das condições de produção, nos regimes patriarcal, de castas e feudal corporativo. Essas formas da divisão do trabalho tornaram-se as bases de diversas organizações sociais, no entanto a divisão de trabalho na oficina era muito pouco desenvolvida em todas essas formas de sociedade. Com a expansão dos mercados, expande-se também a produção de bens2. Surgem as manufaturas e, posteriormente, a maquinaria e a indústria moderna.

A acumulação dos capitais (grandemente facilitado pela descoberta da América, com seus metais preciosos) torna-se condição indispensável para a formação da manufatura. Isso possibilitou um aumento dos meios de troca e provocou, de um lado, a depreciação de salários e das rendas fundiárias, e, de outro, houve um crescimento dos lucros industriais: as classe dos proprietários, dos/as trabalhadores/as, dos senhores feudais decaíam à medida em que ascendia a classe dos capitalistas, a burguesia.

Outras circunstâncias que contribuíram, também, para o desenvolvimento da manufatura: a descoberta do cabo da Boa Esperança (pois ampliava a circulação de mercadorias), o regime colonial, o desenvolvimento do comércio ultramar. Além disso, vale destacar duas outras contribuições: a liberação de numeroso séqüito dos senhores feudais, cujos membros subalternos tornaram-se força de trabalho disponível, antes de entrar nas fábricas; levas numerosas de camponeses expulsos, 2

Para conhecer o modo pelo qual se deu esta expansão do mercado, vide Marx (1989), O Capital, Livro 1, volume 1, Capítulo XXIV, A chamada acumulação produtiva.

pela transformação dos campos em pastagens e pelo avanço técnico, que prescindia de numerosos braços para sua execução. As condições históricas necessárias para a formação da manufatura podem ser encontradas na ampliação do mercado, na acumulação de capitais, nas modificações sobre as posições sociais das diversas classes citadas e num enorme contingente de pessoas que haviam sido privadas de suas fontes de renda.

Não se trata de um nascimento idílico o da manufatura, no interior das antigas corporações, em que o antigo mestre ocupava o lugar de chefe. É fruto de uma luta de classes, cruelmente posta entre a manufatura e os ofícios artesãos: o comerciante torna-se o chefe da oficina moderna, no lugar do antigo mestre artesão. Afinal, segundo Marx & Engels (1998, p. 4), “a história de todas as sociedades até hoje é a história das lutas de classes”.

A manufatura, do século XVI até o último terço do século XVIII, origina-se de duplo modo. Primeiro, quando trabalhadores/as de vários ofícios reúnem-se em uma oficina de um mesmo capitalista. De uma combinação de ofícios, as atividades passam para uma série de operações particulares, sendo que cada trabalhador/a atua de forma exclusiva. Há também um outro caminho, de sentido oposto. Vários artífices que fazem algo da mesma espécie, sob um mesmo capital, produzem em cooperação em forma simples. A mercadoria daí resultante torna-se um produto social, em que cada artífice produz parcialmente.

O trabalho na manufatura coincide com a decomposição de uma atividade antes artesanal em diversas operações parciais. Para compreender essa decomposição, analise-se a questão do/a trabalhador/a parcial e sua ferramenta. O/a trabalhador/a que executa operações simples transforma seu corpo em órgão

automático. Coletivamente, aumenta a produção, aperfeiçoando seu trabalho pela repetição. Produz-se assim a virtuosidade do/a trabalhador/a detalhista. O período manufatureiro simplifica, melhora e diversifica instrumentos de trabalho.

As manufaturas têm duas formas fundamentais: heterogênea e orgânica. Na heterogênea, os trabalhos parciais podem ser executados como ofícios independentes entre si. Na orgânica, combinam-se ofícios originalmente dispersos. Na sua divisão do trabalho, há isolamento de diversas fases de produção, limitação imanente da manufatura. Aqui o resultado do trabalho de um constitui o ponto de partida do outro. Essa dependência direta obriga a cada indivíduo empregar somente o tempo necessário à sua função. A divisão manufatureira do trabalho simplifica e diversifica os órgãos qualitativamente diferenciados do/a trabalhador/a coletivo/a, bem como cria proporção matemática fixa para o volume quantitativo dos/as mesmos/as.

A manufatura, que se origina de diferentes ofícios, pode desenvolver uma combinação de diferentes manufaturas, cada uma com sua própria divisão do trabalho, sem formar unidade técnica, que é característica da sua transformação em empresa mecanizada.

O intercâmbio que ocorre entre os/as trabalhadores/as coletivos/as coloca comunidades diferentes em relação e as transforma em ramos mais ou menos interdependentes de uma produção social global, aprofundando a divisão social do trabalho. Sendo a produção e a circulação de mercadorias o pressuposto geral do modo de produção capitalista, a divisão manufatureira exige que a divisão do trabalho tenha amadurecido até certo grau de desenvolvimento, no interior da sociedade. Há também uma divisão territorial do trabalho.

O trabalho na manufatura passa a ordenar a vida na sociedade. Há uma conexão entre os diversos trabalhos independentes produzidos nas diversas manufaturas. Essa conexão ocorre com a mediação das várias mercadorias, que são o produto desses diversos trabalhos independentes. Na manufatura, o/a trabalhador/a parcial não produz mercadorias. Somente o produto comum dos/as trabalhadores/as parciais o faz. Já na sociedade, a divisão do trabalho é mediada pela compra e venda de produtos de diferentes ramos de trabalho. Na manufatura, a conexão dos trabalhos parciais se dá pela venda de diferentes forças de trabalho ao mesmo capitalista, que as emprega como força de trabalho combinada. A regra da divisão social do trabalho na oficina atua a posteriori à divisão do trabalho na sociedade. O capitalista passa a ter uma autoridade incondicional sobre os seres humanos, transformando-os em membros de um mecanismo global. A análise que empreendo nesta tese sobre a formação da subjetividade das mulheres parte desse princípio, o que significa dizer que não é possível analisar a formação de gênero, passando ao largo da análise da formação do modo de produção capitalista.

A divisão manufatureira do trabalho é uma criação totalmente específica do modo de produção capitalista. O caráter capitalista da manufatura se organiza do modo seguinte: O caráter técnico da manufatura transforma (inova) tanto a parte constante (insumos, instalações, matéria prima, ferramentas, etc.) como a variável (força de trabalho) do capital, em razão da divisão manufatureira do trabalho. A manufatura, além de submeter o/a trabalhador/a ao comando e à disciplina do capital, cria uma hierarquia entre os/as mesmos/as trabalhadores/as, como já mencionamos, que vai dos não qualificados/as aos/às qualificados/as. Mas, mesmo com essa hierarquia, o/a trabalhador/a só desenvolve a atividade produtiva como acessório da

oficina capitalista, onde se mutila e se converte em trabalhador/a parcial. Sobre a manufatura, Marx diz que “ela aleija o trabalhador, convertendo-o numa anomalia, ao fomentar artificialmente sua habilidade no pormenor, mediante a repressão de um mundo de impulsos e capacidades produtivas” (1988, p. 270). Esse aleijamento não provoca estranheza no conjunto da classe, pois o sistema sexo/gênero já preparou anteriormente um outro processo de aleijamento, pois as características que os homens – que nesse período constituem a maioria esmagadora da classe trabalhadora – desenvolvem no mundo da produção são qualidades parciais, necessárias ao mundo da produção e que não lhes possibilita atuar na vida fora da produção, isto é, no seu cotidiano. Nesse cotidiano, em que a reprodução da vida ocorre, são desenvolvidas outras qualidades, também parciais, das quais as mulheres são portadoras.

À medida em que há enriquecimento do/a trabalhador/a coletivo/a – do capital em força produtiva social – , cresce o empobrecimento do/a trabalhador/a em forças produtivas individuais, em virtude dessa mesma pormenorização produtiva. Durante o período manufatureiro, houve vários choques sociais em razão das mudanças da divisão social do trabalho. Um exemplo era a própria atividade artesanal, que ainda continuava necessária, sendo que o processo de aprendizagem fazia com que trabalhadores/as zelosamente a preservassem. Essa preservação podia ser lida como uma insubordinação, contra a qual o capital lutava constantemente. No período manufatureiro, mantinha-se a queixa por falta de disciplina. A época manufatureira, por sua vez, produziu as máquinas, que superaram a atividade artesanal como princípio regulador da produção social.

Da manufatura advém o desenvolvimento da maquinaria e da indústria moderna. O objetivo da maquinaria é produzir mais-valia. Toda máquina desenvolvida consiste em motor, transmissão e máquina-ferramenta ou máquina de trabalho. Esta última parte tem como objetivo apoderar-se do objeto de trabalho e transformá-lo de acordo com seu fim necessário. A máquina-ferramenta é um mecanismo que, ao lhe ser transmitido movimento apropriado, realiza, com seu conjunto de ferramentas, as operações que eram, inicialmente, realizadas pelo/a trabalhador/a, com ferramentas semelhantes.

A invenção das máquinas, na Inglaterra, possibilitou os grandes progressos da divisão do trabalho (MARX, 1989c), invenção que acabou por separar a indústria manufatureira da indústria agrícola. Quando lá o mercado atingiu um desenvolvimento tal que o trabalho manual já não o satisfazia, experimentou-se a necessidade das máquinas, passando a aplicar a ciência mecânica, que já estava sendo preparada desde o século XVI. Com a invenção da máquina a vapor, a divisão de trabalho adquiriu proporções gigantescas, pois permitiu que a grande indústria se desvinculasse do solo nacional, dependendo apenas do mercado universal, das trocas internacionais, de uma divisão de trabalho internacional.

No plano da divisão social do trabalho, podemos salientar algumas características da maquinaria moderna: a) cabe ao ser humano vigiar, controlar e corrigir possíveis erros das máquinas; b) o motor adquire forma independente dos limites da força humana, podendo impulsionar várias máquinas ao mesmo tempo, que funcionam em cooperação; c) diversas máquinas de diferentes espécies, que se completam reciprocamente, fazem reaparecer a cooperação peculiar à manufatura baseada na divisão do trabalho; d) a revolução no modo de produção de um ramo

industrial propaga-se a outro. Quanto a este último item, um exemplo é a mecanização da fiação, que faz tornar necessária a mecanização da tecelagem, além de essa revolução também alterar as condições gerais do processo social de produção (comunicação e transporte). Pode-se afirmar que, na maquinaria, o caráter cooperativo torna-se uma necessidade técnica.

Outro ponto importante encontrado na maquinaria diz respeito ao valor que ela transfere ao produto (mercadoria). Como qualquer outro valor constante, as máquinas não criam valor, mas o transferem para o produto para cuja feitura contribuem. Há uma grande diferença entre o valor da máquina e a parte do valor que ele transfere periodicamente ao produto. Só com a indústria moderna o/a trabalhador/a aprende a fazer o produto de seu trabalho passado, já materializado, operar em grande escala, gratuitamente, como se fora uma força natural. No entanto a aplicação da maquinaria limita-se pelo valor da máquina e o valor da força de trabalho que a mesma substitui, definindo assim os custos de produção.

A maquinaria traz conseqüências imediatas da produção mecanizada sobre o/a trabalhador/a. Em primeiro lugar, ocorre uma apropriação pelo capital das forças de trabalho suplementares – aqui nos referimos ao trabalho das mulheres e das crianças. Ao tornar supérflua a força muscular, a maquinaria permitiu o uso do trabalho das mulheres e das crianças, como forma de repartir o valor da força de trabalho do homem adulto pela família inteira, desvalorizando, em conseqüência, a força de trabalho do adulto. Isso contribuiu para que houvesse quebra de resistência do trabalhador masculino.

Com a invenção da luz elétrica, em 1805, a maquinaria pôde efetuar o prolongamento da jornada de trabalho, tornando-se, além de eficaz para o aumento de

produção, potente instrumento para prolongar a jornada de trabalho para além dos limites estabelecidos pela natureza humana. Com a maquinaria, o movimento e o instrumental do trabalho se tornaram independentes do/a trabalhador/a. A resistência do/a trabalhador/a diminuiu diante da presente leveza do trabalho à máquina, e com o afluxo de elementos mais dóceis e flexíveis (mulheres e crianças).

Uma máquina passa por dois desgastes – o do uso e o da inação. Mas passa também por desgaste moral: quando perde valor-de-troca na medida em que se pode produzir mais por máquinas similares. Seu valor é determinado pelo tempo de trabalho necessário para sua própria reprodução ou de uma máquina melhor. Quanto mais curto o período em que se produz seu valor global, menor perigo de desgaste moral, que é possível pelo alongamento da jornada de trabalho. Aumenta-se a mais-valia ao mesmo tempo em que se diminuem os gastos para obtê-la. Com a maquinaria, é possível extrair mais-valia relativa e compensar a redução do número de trabalhadores/as explorados/as.

Além dessas conseqüências, existe a intensificação do trabalho. Isso ocorre com o prolongamento desmedido da jornada de trabalho que a maquinaria proporciona, provocando reações da sociedade que, ameaçada em suas raízes vitais, estabelece jornada normal de trabalho, legalmente limitado, como comprova a história com os movimentos de trabalhadores/as por redução de jornada, melhorias de condições de trabalho, etc. A mais-valia relativa, quando são colocados os limites à jornada de trabalho pela luta dos/as trabalhadores/as, significa aumento de produtividade sem que aumente a jornada. Isso só se torna possível com o desenvolvimento do sistema de máquinas. A redução da jornada cria, de início, condição subjetiva para intensificar o trabalho, agora menor, capacitando o/a

trabalhador/a a obter mais força, anteriormente gasta em uma jornada mais longa. A redução também, por força da lei, impele o capitalista a administrar de maneira mais severa os custos da produção. O aperfeiçoamento das máquinas exerce mais pressão sobre o/a trabalhador/a.

Outra característica da maquinaria moderna é a fábrica. Nela, a maquinaria é utilizada para transformar o/a trabalhador/a. Isso ocorre quando se reduzem os custos para reproduzi-lo/a, além de fazê-lo/a dependente da fábrica como um todo e, portanto, do capitalista. Na fábrica, o/a trabalhador/a:

· serve à máquina (na manufatura, se serve da ferramenta);

· tem de acompanhar o movimento do instrumental (na manufatura, procede

dele/a o movimento instrumental;

· é complemento vivo de um mecanismo morto, independente dele/a (na

manufatura, são membros de um mecanismo vivo).

Mas a história já demonstrou que o convívio do/a trabalhador/a com as máquinas nem sempre fora pacífico. No início do século XIX, presenciaram-se lutas dos/as trabalhadores/as contra as máquinas, uma vez que estas eram concorrentes daqueles/as3.

“ Mas a consolidação do mundo burguês é, ao mesmo tempo, a articulação da sua negação. As modificações assinaladas não são as únicas a informar o novo modo de vida; elas se acompanharam, sempre e inevitavelmente e em todos os lugares, do protesto operário – já no século XVIII espocam rebeliões cegas, centradas na destruição das máquinas (1758, Inglaterra; 1792 e 1794, Silésia)”.

(NETTO, 1989, p. 12, 2a. Edição) (grifos no original).

3

A destruição de máquinas por trabalhadores, cujo movimento mais conhecido foi o Ludismo, tem uma longa história. Hobsbawm (1994) afirma que ondas de destruição de máquinas periodicamente envolviam as indústrias manuais em declínio ameaçadas pelas máquinas, como nas indústrias têxteis britânicas (1810-11) e em 1826, nas indústrias têxteis do continente europeu na metade da década de 1830 e 1840. O movimento ludista surgiu na Grã-Bretanha entre 1811-1818, e se caracterizava por protestos contra a tecnologia e envolvia a destruição das máquinas. Seu nome remete à Ned Ludd, que em 1779 invade uma oficina e quebra as máquinas à marteladas.

Era mister o tempo e a experiência para que o/a trabalhador/a aprendesse a distinguir a maquinaria de sua aplicação capitalista e atacar não os meios materiais de produção, mas a forma social em que são explorados.

Na Inglaterra, as greves com regularidade deram lugar à invenção e à aplicação de algumas máquinas novas, como resposta capitalista nesse tipo de luta. É interessante notar que os capitalistas empregavam as máquinas como arma contra a revolta. Apesar de as colisões e as greves terem tido o objetivo de se voltar contra os esforços do gênio mecânico, esses movimentos acabaram por exercer uma imensa influência sobre o desenvolvimento da indústria, no processo de substituições de novas e mais modernas máquinas.

A questão é compreender como se gestam as lutas por parte dos/as trabalhadores/as. A grande indústria, num mesmo local, aglomera uma multidão de pessoas desconhecidas entre si, mas a concorrência entre elas divide os seus interesses. No entanto, a manutenção do salário, interesse comum que têm contra o seu patrão, reúne-os num pensamento único de resistência, uma coalizão. A coalizão tem sempre um duplo objetivo para os/as trabalhadores/as: o primeiro é fazer cessar a concorrência entre eles/elas, para que essa possa transformar-se em uma concorrência geral aos capitalistas. Mas ao aumentar a coalizão dos/as trabalhadores/as, os capitalistas se reúnem para reprimi-los/las. E a coalizão que no início era por salários e ocorria de forma isolada faz com que os/as trabalhadores/as se agrupem com o objetivo de manter a própria associação, e torná-la mais importante que a manutenção dos salários.

Apesar da organização dos/as trabalhadores/as, a exploração dos/as mesmos/as se mantém, nas rédeas dos capitalistas, com a imposição do aumento de

produtividade: fenômeno que permitiu e permite ainda hoje a dispensa de massas de trabalhadores/as, engrossando as longas filas de desempregados/as. Mas ao pensamento econômico burguês couberam teorias como a da compensação para os/as trabalhadores/as desempregados/as pela máquina. Tais economistas afirmavam que, simultânea e necessariamente, a maquinaria liberaria capital adequado para empregar trabalhadores/as por ela dispensados/as. Marx nega tal teoria. O que ocorre é o aprisionamento de capital com sua transformação de variável em constante. Na realidade, a maquinaria, como instrumental, encurta e facilita o trabalho, sendo uma vitória do ser humano sobre a natureza, para o capitalista, contudo é impossível qualquer utilização da maquinaria que não seja a mais-valia.

Com a maquinaria, ampliam-se as condições do capital em incrementar a produção de mais-valia. Com o aumento da riqueza advindo da mais-valia e a diminuição do número de trabalhadores/as necessários/as para a produção de gêneros de primeira necessidade, crescem, em contrapartida, as condições e as necessidades de produção de artigos de luxo para a classe capitalista. Ainda sobre a