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61 Sanat yapıtı, önceden saptanmış, bilinen nesnelerin

Para o professor Tupã Corrêa, o rock como um todo nasce de um projeto transgressor.

Para ele, “por trás da origem negra desse gênero forte, o rock, está o espírito de protesto da raça negra contra todas as formas de discriminação, de dominação e de proscrição” (1989, p.

49). Em um interessante histórico do termo “cover”, que passaria a ser usada para designar uma canção alheia incorporada por um artista a seu próprio repertório, o autor mostra que, originalmente, ele se referia à adaptação de uma canção de artista negro ao repertório de um artista branco, em uma tentativa de se neutralizar o potencial crítico da peça:

Deve-se ressaltar que, nesse ponto passou a ser fundamental a prática cover para a invasão definitiva do mercado. Cover era a adaptação elaborada por cantores, na maior parte das vezes brancos, de músicas negras, com alteração nas letras, para que pudesse ser aceitas pelo grande público branco. (CORRÊA, 1989, p. 44)

Isso acontecia porque

Quando os primeiros negros chegaram aos Estados Unidos, entre outras coisas que lhes impôs o regime da servidão escrava, uma dizia respeito à música. Eles foram terminantemente proibidos de continuar usando seus tambores africanos. Com isso, acabaram assimilando instrumentos locais. O blues, principalmente este, teve origem na assimilação gradativa desses instrumentos. (CORRÊA, 1989, p. 51)

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os quais está o heavy metal, um caráter intrinsecamente transgressor. Embora tenha desenvolvido características muito próprias, o heavy metal brasileiro se insere nessa linhagem, em função tanto de fatores internos quanto da influência europeia e norte- americana que sofreu.

Traçando a origem do heavy metal, na Europa, inicialmente, e depois nos Estados Unidos da década de 1970, Ian Christie (2010) mostra um cenário vibrante e inventivo, mas sem coesão. Christie mostra que a pesquisa por novas sonoridades levou o rock tradicional a um colapso, ao mesmo tempo em que as ideologias juvenis da década de 60 perdiam força. As primeiras bandas de heavy metal surgiram de desdobramentos diversos desse processo. A situação mudou um pouco a partir no final da década, com o fenômeno conhecido como

“New Wave of British Heavy Metal”, ou NWOBHM, simplesmente. A NWOBHM se

caracterizou pelo surgimento de bandas independentes, que buscaram espaços alternativos de manifestação. Não obstante, muitas dessas bandas conquistaram espaço nos veículos de comunicação em massa. Assim, na Europa e nos Estados Unidos o heavy metal conquistou um espaço na indústria, o que se intensificou ao longo da década de 1980, com o aparecimento de inúmeras bandas de orientação abertamente comercial, enquanto artistas independentes continuavam surgindo em espaços alternativos.

Como se sabe, as canções desse estilo têm como característica o som pesado, em geral veloz, com o uso controlado de guitarras distorcidas. As letras das canções se colocavam em um universo temático diversificado, mas quase sempre distante da discussão amorosa que até então caracterizara a música jovem: religião, história, mitologia, ficção científica, reflexão sobre os caminhos da humanidade, guerra, entre outros temas normalmente solenes, eram apresentados por jovens com cabelos longos, calças jeans e jaquetas de couro, em uma reedição mais agressiva do visual ted boy que caracterizara as primeiras gerações de roqueiros, nos anos 50. O nível técnico era alto, e havia preferência por canções longas e variadas, em uma abordagem assumidamente contrária ao que se considerava comercialmente viável na época. Não obstante, algumas bandas conquistaram um público fiel, e, dentre estas, o Iron Maiden é provavelmente a de maior impacto.

A moda tinha um valor importante desde o florescimento do movimento. No início da década de 1980, havia duas grandes escolas de heavy metal: a britânica e a americana comercial. Essa cena estava prestes a se transformar, com o desenvolvimento de várias bandas americanas, sobretudo da costa oeste dos EUA, que viriam a desenvolver as variedades mais incisivas de heavy metal e do crescimento, em vários países, inclusive o Brasil, do movimento

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underground, que abriu espaço para variedades também mais extremas. Havia um entendimento de que a escola britânica era genuína, enquanto a americana era comercial e ilegítima. O adepto respeitável do heavy metal deveria estar despojado de qualquer preocupação com a aceitabilidade social, antes o contrário, e interesses comerciais. Sendo assim, as bandas que se aproximassem do estilo americano, fosse na sonoridade, fosse na apresentação, eram constantes alvos de críticas de parte do público.

Como outros movimentos, o heavy metal, no Brasil, representa um contraponto a uma visão negativa que se tem sobre a década de 1980. Após a euforia da juventude das décadas de 50, 60 e 70, os anos 80 assistiram a um esvaziamento da rebeldia jovem, que se institucionalizou e foi assimilada pela estrutura de consumo. No Brasil em processo de redemocratização, a luta política perdeu peso, e, aos olhos do grande público, os jovens acomodaram-se em assumir seu papel de consumidores, o que se refletiu na produção cultural do período, vista como fútil e pobre do ponto de vista da criatividade. Diante disso, os anos 80

ganharam o epíteto de “década perdida”, e quem foi jovem naquele período foi enquadrado sob o rótulo de “geração Coca-Cola”, em uma imagem que traduz vazio ideológico, pobreza

intelectual e acomodação política. Apesar disso, nasciam nas grandes cidades manifestações que iam na contramão desse contexto. Novas tribos urbanas, como os punks e os metaleiros, desbravavam novos territórios de atuação social e cultural. Fora dos grandes canais de mídia, desenvolveram uma produção independente, através da qual vozes desarmônicas ao grande sistema continuaram a soar. Nesse sentido, o heavy metal brasileiro foi, na década de 1980, um nicho de sobrevivência e ressignificação da rebeldia jovem, contribuindo para a abertura de espaços de ação cultural ainda operacionais no início do século XXI.

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CAPÍTULO 2: