2. KURAMSAL BĠLGĠLER VE ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR
2.1. Kuramsal Bilgiler
2.1.1. Memduh ġevket Esendal‟ın YaĢamı, Sanatı, Eserleri
2.1.1.2. Sanatı
A interação nas relações discursivas encadeia enunciados que correspondem à expectativa discursiva do interlocutor. A situação de enunciação pode conduzir a uma compreensão do assunto dentro de um contexto. Diante disso, pode-se afirmar que a comunicação de enunciados verdadeiros, como os produzidos pelas nanopublicações, precisa estabelecer discursos semântica e pragmaticamente organizados. O usuário, para além do contexto documental, está inserido em uma conjuntura de espaço e tempo, envolvendo elementos de partilha linguística, como um vocabulário comum a um campo de conhecimentos, juntamente com componentes extralinguísticos (saber compartilhado, estatuto social, relações interpessoais, aspectos culturais...).
Observa-se, em um plano discursivo, que nos experimentos ocorreram a emissão- produção do discurso propostas pelos autores, a qual possibilitou um processo de recepção- interpretação do discurso nos enunciados extraídos em nanopublicação no âmbito do documento e do conhecimento. Deve-se ressaltar que a maioria dos enunciados revelados possui uma possível interpretação contextualizada. Há conceitos com coerência retórica, como a “netnografia” e conceitos essencialmente operacionais, como “inovação”. Entretanto, pode-se afirmar que o conteúdo apresentado nos enunciados permitiu ao interlocutor, num contexto específico de enunciação, o reconhecimento dos objetivos comunicativos (ou orientação comunicativa) do autor.
Quando se sinaliza “Inovação – produção de conhecimento”, observa-se a consolidação de um resultado que demarca a representação da apropriação conceitual, como mostra o exemplo.
Inovação Função de Produção de conhecimento “A análise dos determinantes da inovação parte, em geral, da estrutura teórica conhecida como função de produção do conhecimento, desenvolvida inicialmente por Griliches” (1979).
A significação das marcações conceituais produz sentido, quando localizadas em contexto. O mesmo ocorre quando verificamos o experimento com o conceito “netnografia”.
Netnografia Usada como Metodologia
“Kozinets (1997), a netnografia pode ser utilizada de três maneiras: a) como metodologia para estudar ciberculturas e comunidades virtuais puras; b) como metodologia para estudar ciberculturas e comunidades virtuais derivadas; e c) como ferramenta exploratória para estudar diversos assuntos. Para este autor as comunidades virtuais puras são aquelas cujas relações sociais se dão somente nas comunicações mediadas pelo computador”.
As derivações do plano sintático são as enunciações que podem ser consideradas as declarações das nanopublicações. Verificar as enunciações leva à possibilidade de avaliação quanto à apropriação adequada do contexto. Diante disso, pode-se afirmar que é fundamental a compreensão conceitual para a formulação correta de significado. Alguns dos significados já estão supostamente internalizados pelo usuário, como acontece com o conceito “Inovação”, outros precisam ser demarcados como ocorre com o conceito de “Netnografia”.
Cabe lembrar que o discurso inclui a utilização pragmática da linguagem e o contexto social. Diante disso, a intencionalidade, por traz da escolha conceitual, pode levar à elaboração do nanodocumento, o qual é o resultado enunciativo da nanopublicação. Seguindo a perspectiva de Foucault (1984), pode-se evidenciar, no discurso, o reconhecimento do poder: que mede o grau de adequação que se estabelece entre identidade psicossocial do conceito e seu comportamento enquanto elemento linguageiro em contexto. Pode-se também revelar o reconhecimento do saber, o qual permite julgar o conceito modelado em nanopublicação competente em sua ação de elemento que comunica.
Figura 51– Nanodocumento
Fonte: Elaborado pelas autoras, 2016.
A Figura 51 representa a materialização da nanopublicação. O conteúdo é representado pelo enunciado, ou conjunto de enunciados estruturados produzidos em
coerência semântica, pragmática e discursiva. Esses enunciados devem transmitir significados contextualizados para os usuários.
A estrutura da nanopublicação é derivada de elementos da Web Semântica, essencialmente o XML e o RDF. A infraestrutura de dados, permitida pela Web Semântica, orienta ajustes ao ambiente digital, de acordo com os requisitos pré-estabelecidos que facilitam o fluxo de dados e a interação do usuário. Entretanto essa estrutura, que pode ser criada por usuários diversos, precisa de normatizações diante de projetos institucionais. Nesse sentido, orienta-se a criação de metadados que descrevam a modelagem da nanopublicação, como os sugeridos pelas e-evidências.
As declarações geradas pelas nanopublicações, a partir da tripla sintaxe, podem produzir significados contextualizados. Elas possuem relações de autoridade orientadas pelas autorias e podem ser classificadas dentro de um escopo documental expressivo, além de poderem estabelecer relações terminológicas e conceituais em contextos distintos.
Salienta-se que uma das funções do RDF é a representação de metadados. Nas nanopublicações, ele pode orientar a relação de atributos ou dados referenciais no documento, os quais poderão revelar enunciados discursivos. Os metadados das e-evidências podem ser descritores estabelecidos no momento da catalogação do item informacional que auxiliaram na revelação do nanodocumento.
O nanodocumento, diante de sua configuração semântica pragmática e discursiva, somada aos seus elementos computacionais baseados na Web Semântica, pode ser assim definido: representação formal de um documento, contendo enunciados discursivos demarcados na fonte primária. Cabe ressaltar, também, que o nanodocumento é desenvolvido a partir de elementos da indexação orientados pela análise de assunto e se materializam em declarações, mediadas por realizações semânticas, que manifestam um ou vários enunciados citáveis. Ele pode, ainda, ser considerado um modelo de representação da informação e do conhecimento em ambiente digital, orientado por tecnologias da Web Semântica para a recuperação de informação em contexto. Suas principais características são: reuso, unidade informacional citável, base de representação de atinência de um documento.
O nanodocumento, convém também destacar, pode ser considerado um elemento de mediação discursiva entre a informação e o usuário. A organização da informação objetiva o acesso ao conhecimento contido em um item informacional. Ademais, o nanodocumento pode ser considerado um produto da organização da informação, pois materializa a representação descritiva em metadados (e-evidências) e os enunciados representativos dos documentos nas declarações da nanopublicação.
Desse modo, a representação do conhecimento no nanodocumento se constitui em um saber expresso pelo autor, seja através de citações, ou por menções conceituais contextualizadas em domínios de conhecimento. Tudo isso dentro de um contexto que é social e é documental. A modelagem da nanopublicação, portanto, evidencia que o nanodocumento é estabelecido através de um processo que visa à construção de representações de um dado conhecimento.