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BÖLÜM 3. SAKARYA BÜYÜKŞEHİR BELEDİYESİ KATI ATIK

3.3. Sakarya Büyükşehir Belediyesi Katı Atık Yönetimine İlişkin Değerlendirmeler

3.3.1. Sakarya İli’ne İlişkin Genel Bilgiler

AVRITZER (2000) procura justificar a posição do Orçamento Participativo como um exemplo concreto de democracia deliberativa, pois segundo o autor, essas experiências têm como uma primeira característica à cessão de um espaço decisório por parte do Estado em favor de uma forma ampliada e pública de participação.

Para esse autor, a ampliação da participação é vista como um fator que pode contribuir para a argumentação pelo fato dos atores trazerem para os arranjos participativos, razões anteriormente não contempladas pelas decisões estatais. Segundo ainda esse autor, não há dúvidas de que no Orçamento Participativo se trabalhe fundamentalmente com a argumentação em torno de interesses distintos.

Uma segunda característica destacada por Avritzer, se refere ao tratamento das informações detidas pelos atores sociais nesses arranjos deliberativos. Segundo esse autor, no caso do Orçamento Participativo, as informações relevantes para uma deliberação de governo são tornadas públicas, ao contrário da concepção weberiana cujas “informações detidas pela burocracia não necessitariam nem serem públicas nem serem partilhada com os atores”.

Uma terceira característica apontada por Avritzer, se refere à capacidade de variação institucional que é característica do Orçamento Participativo. Segundo esse autor:

Nos arranjos deliberativos se trabalham com a idéia de que a inovação institucional depende da capacidade de experimentar e partilhar resultados... De acordo com essa concepção, a racionalidade ou a eficiência é gerada de forma descentralizada e a posteriori por múltiplos experimentos.

Por outro lado Zander Navarro, apresenta uma série de questionamentos sobre o fato do Orçamento Participativo se inserir como uma das formas concretas de democracia deliberativa. Como estudioso da experiência do Orçamento Participativo de Porto Alegre, Navarro traça uma série de críticas que muitas vezes funciona como um contraponto aos argumentos apresentados anteriormente por Avritzer.

Segundo NAVARRO (2003):

O Orçamento Participativo se situa em distância política expressiva de se tornar de fato uma arena deliberativa, como espaço principal de uma suposta dinamização democrática à imagem, na devida proporção, de uma poliarquia diretamente deliberativa.

Para o autor, os esforços recentes de classificar a experiência de Porto Alegre como o “caso principal”, que caracteriza os debates recentes sobre as potencialidades da democracia deliberativa são ainda prematuros, segundo indica as facetas principais do Orçamento Participativo.

NAVARRO (2003), procura fundamentar seu argumento a partir de vários aspectos inerentes ao debate da democracia deliberativa que foram observados na experiência do Orçamento Participativo de Porto Alegre.

Em relação ao aspecto quantitativo da participação, segundo NAVARRO (2003), embora tenha ocorrido um aumento expressivo nos níveis de participação em algumas regiões do Orçamento Participativo de Porto Alegre desde seu início em 1989, manteve-se ainda uma proporção muito baixa em relação ao total da população residente nessas regiões.

Segundo o autor, em 1998 em onze das dezesseis regiões do OP os níveis de participação variavam de 0,18% a 1,87% da população regional, embora em algumas regiões a participação alcançava até 3,6% da população regional. Para Navarro de modo geral, a participação de 1% a 2% da população total no orçamento participativo aparece como um dos fatores limitantes da experiência do OP como uma instância deliberativa.

Um outro fator limitante segundo o autor se refere aos aspectos qualitativos da participação. Segundo NAVARRO (2003), pesquisas feitas a partir de 1998, mostram que o participante típico do OP de Porto Alegre é:

Uma mulher casada, com mais de 34 anos, com renda familiar de até quatro salários mínimos e escolaridade até o primeiro grau, trabalhadora manual, sem qualificação, no setor privado, com jornada semanal de trabalho entre 40 e 44 horas, atuante na associação de moradores, participante do OP em anos anteriores, porém não foi escolhida ainda como delegada ou conselheira.

De acordo com o autor esse perfil socioeconômico não foi alterado nos anos posteriores, o que confirma uma participação rigidamente delimitada do ponto de vista socioeconômico, impondo limites segundo Navarro, na pluralidade da participação social ao empobrecer o debate público.

AVRTIZER (2003a), procura rebater tais argumentos. Para esse autor, se considerar o Orçamento Participativo como uma experiência de democracia direta que pretende substituir os mecanismos de representação, é evidente que a participação de 2% da população não é suficiente pra atribuir-lhe representatividade. Mas, segundo o autor, se o OP constitui uma tentativa de articular representação e

deliberação participativa, parece evidente que a legitimidade do processo deve advir também da decisão do prefeito de pôr em marcha um processo de participação, e que deste modo, segundo o autor, esses valores de participação não parece ser tão baixos.

Quanto à questão levantada por Navarro sobre a questão da pluralidade da participação, AVRITZER (2003a), argumenta que o OP de Porto Alegre resolve uma deficiência importante de outras experiências, ao conseguir que a participação se aproxime da configuração socioeconômica da cidade, pois segundo esse autor, consegue-se evitar que setores da classe média com níveis de educação mais elevada se aproprie do processo participativo.

Para AVRITZER (2003a), para se discutir a qualidade da participação em Porto Alegre é preciso levar em conta que há uma tensão entre espaço público e democracia deliberativa. Segundo esse autor:

Sob a ótica do espaço público, interessa aferir a pluralidade dos atores participantes para se pensar a qualidade da participação, sob o ponto de vista da democracia é sempre mais relevante saber se a maioria está representada, especialmente no que se refere a políticas distributivas.

Segundo AVRITZER (2003a), ao se considerar o OP como uma experiência de democracia deliberativa e de articulação entre representação e participação, a questão da pluralidade precisaria se articular com a fidelidade da representação social, o que para Avritzer foi ignorada por Navarro.

DIAS (2001) destaca um outro eixo crítico em relação à visão do Orçamento Participativo enquanto local da democracia deliberativa. Segundo essa autora, aponta-se que no OP há motivações particularistas dos participantes na disputa

pelos recursos municipais referidas as suas necessidades imediatas o que acabaria “amesquinhando a disputa na esfera pública e submergindo a visão do todo, da cidade, em uma multiplicidade de partes”.

Ainda segundo essa autora, esses aspectos críticos do Orçamento Participativo (quanto aos aspectos quantitativo e qualitativo da participação e do caráter localista) acaba servindo a dois propósitos complementares. Para DIAS (2002):

Por um lado despoja a participação de seu caráter virtuoso enfraquecendo um de seus principais pilares de sustentação como mecanismo decisório da esfera pública. Por outro, revigoram os tradicionais mecanismos representativos do Estado na medida em que esses se constituem na solução para os próprios problemas apresentados. Sendo constituída pelo voto da totalidade dos cidadãos, a representação política é capaz de comportar a diversidade dos interesses sociais em sua proporção distributiva. Alem disso, o distanciamento dos representantes das disputas cotidianas permite que suas decisões contemplem uma visão de conjunto sobre a cidade.

Apesar dessas críticas, AVRTIZER (2003a), denomina o OP de Porto Alegre como uma experiência de democracia deliberativa de sucesso. Para o autor, tal sucesso se assenta basicamente sobre os pilares: da democracia (expresso pela capacidade de crescimento da população no OP e na consolidação político-eleitoral da administração); do associativo-deliberativo (o fato da presença constante das associações de moradores no OP e na capacidade deste ter se tornado a forma dominante de distribuição de recursos públicos na cidade, anulando o papel do

clientelismo na distribuição desses bens); do desenho institucional (se refere à capacidade de introduzir assembléias regionais que se constitui num redesenho regional de modo a adequar ao processo deliberativo, e a conciliação dessas assembléias com a forma conselho); capacidade redistributiva e sua vinculação com o processo de reforma do Estado.