III. B Müdahaleye Konu Olan Esnek Kur Sistemler
1.3.2.1. Sabit Kur Sistemler
Segundo Malavolta et al. (1997), o teor de clorofila, hoje chamado de índice de cor verde, correlaciona-se com o teor de N na folha, sendo essa correlação atribuída, principalmente, ao fato de 50 a 70% do N total da folha serem integrantes de enzimas (CHAPMAN; BARRETO, 1997) que estão associadas ao cloroplasto (STOKING; ONGUN, 1962).
Segundo resultados da Tabela 36, houve correlação em agosto de 2009 para T4; fevereiro de 2010 para T5 e fevereiro de 2011 para T2. Para os tratamentos T2 e T4, nota-se que, conforme aumenta nitrogênio, diminui o índice de cor verde, ocorrendo o contrário para o T5. Segundo Souza et al. (2011), a leitura SPAD exibiu, na maioria dos meses, efeito de ajuste linear em relação às doses de nitrogênio aplicadas para as variedades de laranja Valência e Hamlin, fato que foi verificado no presente trabalho, no tratamento que recebeu maior dose de composto orgânico (T5).
Tabela 36. Correlação entre nitrogênio e índice de cor verde em tangerineiras ‘Poncã’ adubadas com doses de composto orgânico, nos anos de 2009, 2010 e 2011. São Manuel-SP.
Data coletas Tratamentos r p
Agosto 2009 T1: 0 0,66029 0,3397 T2: 50% 0,42530 0,5747 T3: 100% 0,54256 0,4574 T4: 150% -0,99930 0,0007* T5: 200% 0,47610 0,5239 T1: 0 -0,06209 0,9379 T2: 50% -0,56109 0,4389 Fevereiro 2010 T3: 100% -0,21523 0,7848 T4: 150% -0,47185 0,5281 T5: 200% 0,97435 0,0256* T1: 0 0,67167 0,3283 T2: 50% 0,54693 0,4531 Agosto 2010 T3: 100% -0,46629 0,5337 T4: 150% 0,49367 0,5063 T5: 200% -0,16530 0,8347 T1: 0 0,78011 0,2199 T2: 50% -0,97639 0,0236* Fevereiro 2011 T3: 100% -0,21959 0,7804 T4: 150% 0,03349 0,9665 T5: 200% 0,47722 0,5228
Vários autores observaram relação direta entre os valores da medida indireta da clorofila com a concentração de N nas folhas, em distintas culturas, como café (GODOY et al., 2008), capim-marandu (COSTA et al., 2008), alho (BACKES et al., 2008), milho (GODOY et al., 2007), pimentão (GODOY et al., 2003), feijão (SILVEIRA et al., 2003), batata (GIL et al., 2002), cereais (ARGENTA et al., 2001), tomate (GUIMARÃES et al., 1999), manga, goiaba, tangerina e uva (SHAAHAN et al., 1999).
Alguns trabalhos realizados com plantas cítricas também demonstraram a sensibilidade do aparelho SPAD-502. Jifon et al. (2005) estudaram a relação entre a medida indireta da clorofila, obtida por três aparelhos (SPAD-502/Minolta, CCM- 200/Opti-Sciences e Observer/Spectrum Technologies), com a concentração de clorofila e nitrogênio das folhas de seis variedades de citros (Valência, Hamlin, Temple, Volkamer, Redblush e Smooth Flat Seville). As leituras obtidas com o equipamento SPAD-502 apresentaram maiores valores de correlação, em relação aos outros aparelhos utilizados. Jesus
e Marenco (2008) também observaram correlação entre o teor absoluto de clorofila e a medida indireta da clorofila, obtida pelo SPAD-502, na cultura do limão.
4.4. Desenvolvimento vegetativo
Avaliando o desenvolvimento das plantas da tangerineira ‘Poncã’ adubadas com doses de composto orgânico, verifica-se na Figura 06 que até os 210 dias, ajustou-se o modelo matemático com a seguinte equação: 0,23x2-0,42x+2,87; r2=0,89. Após os 210 dias os tratamentos variaram ao longo dos dias avaliados, apresentando valores médios de 2,77 a 2,99 m.
Figura 06. Altura e taxa de crescimento mensal (m) de tangerineira ‘Poncã’ adubada com doses de composto orgânico, em São Manuel-SP, ao longo de 720 dias (maio/2009 a maio/2011).
Para saber com exatidão qual o tratamento proporcionou maior crescimento é necessário observar a taxa de crescimento, pois como pode-se notar na Figura 06, o tratamento que recebeu 200% de composto orgânico já apresentava plantas mais altas no início do experimento. Nota-se que este tratamento apresentou menor taxa de crescimento mensal (0,014 m), crescendo 0,34 m ao longo da avaliação do experimento. O tratamento que
0,023 0,017 0,018 0,020 0,014 Tx crescimento mensal (m)
não recebeu doses de composto orgânico apresentou um maior crescimento mensal (0,023 m), crescendo num total de 0,55 m ao longo de 2 anos.
As taxas de crescimento para circunferência do tronco (Figura 07) mostram que os tratamentos testemunha (0) e que recebeu maior dose de composto orgânico (200%) apresentaram maior taxa de crescimento, crescendo em torno de 7 cm, ao longo de 2 anos. O que recebeu 100% de composto orgânico apresentou menores valores (0,21 cm/mês).
Figura 07. Circunferência do tronco e taxa de crescimento mensal (cm) de tangerineira ‘Poncã’ adubada com doses de composto orgânico, em São Manuel-SP, ao longo de 720 dias (maio/2009 a maio/2011).
O tratamento que recebeu 100% de dose de composto orgânico apresentou maior taxa de crescimento mensal em relação ao diâmetro da copa, crescendo em torno de 0,024 m/mês, dando um total de 0,58 m ao longo de 2 anos. O tratamento que recebeu maior dose (200%) de composto orgânico apresentou menor taxa de crescimento (0,016 m/mês) (Figura 08).
Segundo Figura 09, a taxa de crescimento de perímetro da copa foi maior para os tratamentos que receberam 100 e 150% de composto orgânico, crescendo 0,09 m2 ao mês. Os tratamentos que receberam 50 e 200% de composto orgânico apresentaram menores valores (0,07 m2 ao mês). 0,28 0,26 0,21 0,23 0,28 Tx crescimento mensal (cm)
Figura 08. Diâmetro da copa e taxa de crescimento mensal (m) de tangerineira ‘Poncã’ adubada com doses de composto orgânico, em São Manuel-SP, ao longo de 720 dias (maio/2009 a maio/2011).
Figura 09. Perímetro da copa e taxa de crescimento (m2) de tangerineira ‘Poncã’ adubada com doses de composto orgânico, em São Manuel-SP, ao longo de 720 dias (maio/2009 a maio/2011). 0,020 0,018 0,024 0,022 0,016 Tx crescimento mensal (m) 0,08 0,07 0,09 0,09 0,07 Tx crescimento mensal (m2)
A taxa de crescimento em relação ao volume da copa foi maior no tratamento que recebeu 150% de composto orgânico, crescendo 0,27 m3 ao mês. O tratamento que recebeu 50% de composto orgânico apresentaram menores valores (0,19 m3 ao mês) (Figura 10).
Figura 10. Volume da copa e taxa de crescimento mensal (m3) de tangerineira ‘Poncã’ adubada com doses de composto orgânico, em São Manuel-SP, ao longo de 720 dias (maio/2009 a maio/2011).
Observa-se que o tratamento que recebeu maior dose de composto orgânico (200%) apresentou menores taxas de crescimento de altura, diâmetro da copa e perímetro da copa, devido provavelmente o excesso de composto orgânico apresentar-se prejudicial ao desenvolvimento das plantas.
Scivittaro et al. (2004) observaram influência de doses (0,15; 0,30; 0,45; e 0,60 g/L) de nitrogênio (nitrato de cálcio e uréia) utilizadas sobre a altura e o diâmetro do caule das mudas de limoeiro ‘Cravo’, com valores máximos proporcionados pelas doses de 0,37 e 0,36 g/L de N, respectivamente. O crescimento das plantas foi afetado pela aplicação das doses mais altas de nitrogênio, devido a elevação da pressão osmótica do meio de cultivo, causando danos às raízes e prejudicando a absorção de nutrientes, com reflexos sobre o desenvolvimento da parte aérea. O aumento no fornecimento de nitrogênio às plantas somente
0,25 0,19 0,26 0,27 0,20 Tx crescimento mensal (m3)
se refletiu em maior acumulação do nutriente até a dose de 0,41 g/L de N, a partir da qual esta diminuiu. Fato que pode explicar o ocorrido neste trabalho, em relação a diminuição na altura, diâmetro da copa e perímetro da copa, no tratamento que recebeu maior dose de composto orgânico.
O mesmo foi observado no trabalho de Esposti e Siqueira (2004), onde o aumento das doses de N aplicadas no substrato de cultivo, levou ao aumento da altura e diâmetro dos diferentes porta-enxertos de tangerineira ‘Sunki’ e tangerineira ‘Cleópatra’, até um ponto de máximo, sendo que, a partir deste ponto, não foram mais observados aumentos.
Decarlos Neto et al. (2002a) também observaram que adubações excessivas com uréia (3.200 e 4.800 mg/dm3 de N no substrato) causaram efeitos depressivos ao crescimento dos porta-enxertos de citros, podendo ter ocorrido devido à diminuição do pH do substrato, através da liberação de H+ produzidos durante o processo de nitrificação da uréia aplicada. Efeitos depressivos causados por altas doses de fertilizantes nitrogenados foram descritos por Carvalho e Souza (1996), Calvert (1969), Carvalho (1994), Maust e Wiliamson (1994) e Decarlos Neto et al. (1994), comprovando o ocorrido neste trabalho.
4.5. Produção
Os dados produtivos de 2009 (Tabela 37) foram citados com o intuito de acompanhar a produção da tangerineira ‘Poncã’ ao longo de 3 ciclos produtivos, no entanto, não foi avaliado estatisticamente, já que, a adubação foi realizada nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2009, sendo impossível verificar algum efeito de doses de composto orgânico nesta colheita, uma vez que de acordo com a Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais (1989), a conversão do nitrogênio da forma orgânica para a mineral ocorre 50% no primeiro ano, 20% no segundo ano e 30% após o segundo ano.
Tabela 37. Peso de frutos (kg/planta), número de frutos/planta, produtividade, número de caixas/planta, número de frutos/caixa e peso médio (PM) de tangerineira ‘Poncã’, adubada com doses de composto orgânico, em São Manuel-SP (2009).
Tratamentos Peso frutos (kg/pl) Nºfrutos/pl Produt (t/ha) Cx/pl* Frutos/cx PM (g) T1: 0 89,26 483 34,30 2,20 209 195 T2: 50% 75,66 407 31,55 1,85 220 185 T3: 100% 69,10 402 28,81 1,69 240 170 T4: 150% 75,21 415 31,36 1,84 220 185 T5: 200% 87,00 466 36,28 2,13 212 192
* considerando peso da caixa: 40,8 kg.
Conforme Figura 11 os dados produtivos de 2010 apresentaram efeito quadrático das doses de composto orgânico aplicadas na produtividade (0,001x2- 0,246x+29,35; r2=0,737) e no número de frutos/planta (0,019x2-3,321x+469,1; r2=0,734), onde o tratamento que recebeu maior dose de composto orgânico (200%): 166 kg composto/planta, alcançou maior produtividade (37,75 t/ha) e número de frutos/planta (628).
Figura 11. Efeito de doses de composto orgânico na produtividade e número de frutos/planta de tangerineira ‘Poncã’ adubada com doses de composto orgânico. São Manuel-SP, 2010.
Apesar de não observar diferenças estatísticas entre os tratamentos para peso dos frutos (47,3 a 90,8 kg/planta), número de caixas/planta (1,16 a 2,2) e número de frutos/caixa (281 a 325), para o produtor rural é importante este aumento observado no tratamento que recebeu maior dose de composto orgânico (200%) (Tabela 38).
Tabela 38. Peso de frutos (kg/planta), número de frutos/planta, produtividade (t/ha), número de caixas/planta, número de frutos/caixa e peso médio (PM) de frutos de tangerineira ‘Poncã’, adubada com doses de composto orgânico, em São Manuel-SP (2010).
Tratamentos Peso frutos (kg/pl) Nºfrutos/pl Produt t/ha Cx/pl* Frutos/cx PM (g) T1: 0 66,81 437 27,75 1,63 289 155,12 T2: 50% 59,04 407 24,50 1,45 320 142,08 T3: 100% 55,50 358 23,00 1,36 281 152,27 T4: 150% 47,33 317 19,50 1,16 325 140,73 T5: 200% 90,78 628 37,75 2,22 310 145,52 CV(%) 39,70 33,22 39,26 9,70 20,17 15,51
* considerando peso da caixa: 40,8 kg.
Boaretto et al. (2007) observaram que ocorreu incremento da produção de frutos de laranjeira ‘Pêra’ em função do aumento das doses (150, 300, 450 e 600 g de N por planta) do fertilizante nitrogenado (sulfato de amônio) aplicados no pomar, sendo que o máximo rendimento foi alcançado com a dose de 403 g por planta de N. A resposta à adubação também refletiu no aumento do número de frutos por caixa (de 40,8 kg), em função do suprimento de N, que está associado ao aumento do número de frutos fixados por planta, que, por sua vez, afeta diretamente o tamanho dos frutos.
Segundo Panzenhagen et al. (1999), os tratamentos com adubações minerais e com esterco de aves, de modo geral, apresentaram maior produção de frutos de tangerineira ‘Poncã’, no entanto houve uma diminuição no peso médio. Magalhães e Cunha Sobrinho (1983) estudaram a influência de níveis de adubação mineral em laranjeiras ‘Pêra’ e observaram que a adubação nitrogenada proporcionou aumento do número de frutos e do peso da produção, e diminuição do peso médio dos frutos. Esta diminuição em relação ao aumento de produção também foi observada no presente trabalho, já que o tratamento que apresentou
maior produtividade (200%) apresentou menor peso médio dos frutos (145 g) quando comparado ao tratamento que não recebeu dose de composto orgânico (155 g).
Gallo et al. (1966) relataram que o aumento do teor de nitrogênio (nitrato de sódio) nas folhas aumentou a produção (peso e número) e diminuiu o tamanho dos frutos (peso médio) de laranjeira ‘Baianinha’. A diminuição do tamanho de frutos poderia ser atribuída, além do aumento do número de frutos por árvore, à adubação nitrogenada e efeito depressivo desse tratamento sobre o teor de potássio, pois, segundo o autor, o tamanho dos frutos cresce com o aumento do teor de potássio das folhas, fato que não foi observado no presente trabalho, onde observa-se que o aumento de nitrogênio e potássio não aumentou a produção em 2011, ao contrário, houve redução na produtividade neste ano (Tabela 39).
Tabela 39. Peso de frutos (kg/planta), número de frutos/planta, produtividade, número de caixas/planta, número de frutos/caixa e peso médio (PM) de tangerineira ‘Poncã’, adubada com doses de composto orgânico, em São Manuel-SP (2011).
Tratamentos Peso frutos (kg/pl) Nºfrutos/pl Produt (t/ha) Cx/pl* Frutos/cx PM (g) T1: 0 18,44 274 7,68 0,4 463 66,67 T2: 50% 9,81 168 4,09 0,2 416 56,88 T3: 100% 17,71 253 7,38 0,4 455 64,22 T4: 150% 17,29 316 7,21 0,4 463 54,06 T5: 200% 17,38 221 7,24 0,4 446 79,11 CV(%) 52,46 37,48 52,46 52,06 17,67 17,14
* considerando peso da caixa: 40,8 kg.
Não houve diferença significativa entre os tratamentos para a produção de 2011, conforme pode-se observar na Tabela 39. Verifica-se que os resultados obtidos na colheita de 2011 foram inferiores ao ano de 2010, fornecendo indicativos de que as plantas possam ter sofrido um estresse nutricional, quando interrompeu-se as adubações com fertilizantes minerais e passou-se a empregar o composto orgânico. Contudo, os resultados de análise química de solo e de plantas não confirmam tal hipótese, o que talvez só pudesse vir a ser comprovado com maior período de experimentação.
Outras possíveis causas podem ser problemas climáticos na época do florescimento e fixação dos frutos e/ou alternância de produção, podendo descartar causas fitossanitárias, já que não observou-se ocorrência de pragas e doenças na área do experimento.
A produção de plantas cítricas é determinada primeiramente pelo florescimento que, por sua vez, é condicionado pelo estado fisiológico das plantas (GOLDSCHMIDT et al., 1985; GARCIA-LUIS et al., 1988), assim como pelas condições ambientais (ORTOLANI et al., 1991). Considerando-se o trinômio cultivo-clima-solo, o clima é o componente que influencia de sobremaneira no crescimento, produção e qualidade dos frutos (REUTHER, 1977). Diante do exposto, o clima pode ter influenciado no crescimento e produção dos frutos e consequentemente na produtividade.
Sabe-se que baixas temperaturas e reduzida disponibilidade hídrica são os principais fatores ambientais que regulam a indução do florescimento em citros (CASTRO et al., 2001). Ribeiro et al. (2006) observaram que a deficiência hídrica é o principal indutor do florescimento em quase todas as localidades estudadas, com exceção de Botucatu, Itapetininga, Itapeva e Ourinhos, onde o florescimento é influenciado também por baixas temperaturas.
Segundo Albrigo et al. (2002), o florescimento satisfatório ocorre quando há acúmulo de 750 a 1.000 horas de temperaturas abaixo de 20°C sem interrupções no período por temperaturas que estimulam a emissão de novas brotações, ou seja, sem a ocorrência de temperaturas máximas acima de 26,6°C e mínimas superiores a 21,1°C por mais de sete dias seguidos. Lelis et al. (2008) observou que o nível de indução é baixo para tangerineiras ‘Poncã’ quando ocorre acúmulo de menos de 750 horas de temperaturas abaixo de 20°C. O nível médio de indução ocorre quando o número de horas abaixo de 20°C varia entre 750 e 1.200 horas, e o nível alto ocorre quando o número de horas de acúmulo de temperaturas abaixo de 20°C está acima de 1.200 horas, sendo o estímulo suficiente para induzir a uma boa produção.
No presente trabalho o acúmulo de horas de frio em 2010 foi de somente 720 horas, o que, de acordo com Albrigo et al. (2002) e Lelis et al. (2008), indica ser insuficiente para uma boa floração e, consequentemente, produção de frutos na safra seguinte (2011).
Períodos de estiagem acompanhados ou não por alta temperatura do ar durante e logo após o florescimento também reduzem o pegamento dos frutos, causando prejuízos à citricultura (DAVIES; ALBRIGO, 1994). Durante a condução deste experimento, a precipitação nos meses de agosto (0 mm), setembro (23,5 mm), outubro (57 mm) e novembro de 2010 (39 mm) foram muito baixas (Tabela 01), o que também pode ter causado a baixa produção em 2011, quer seja pelo baixo pegamento de flores/frutos ou mesmo pelo enchimento dos mesmos.
Fidalski e Auler (2007) observaram que as produções máximas de frutos da laranjeira ‘Valência' foram obtidas no período de maior precipitação, registrando-se 211 e 237 kg de frutos por planta, que corresponderam a 124 e 148 kg/ha de N (nitrato de amônio). A maior absorção de N no período de maior precipitação foi atribuída à dependência fisiológica das laranjeiras à melhores condições de umidade do solo, para que ocorresse a absorção de N (NH4+ e NO3-) por fluxo de massa. As limitações hídricas comprometeram a
absorção de N em momentos que este nutriente seria necessário para florescimento, pegamento e desenvolvimento de frutos (MATTOS JR et al., 2005). Este trabalho comprova que a falta de água prejudica a absorção dos nutrientes, existentes no adubo, fato que pode explicar a baixa produção em 2011 no presente trabalho, pois como houve um período de estiagem em agosto, a planta não conseguiu absorver os nutrientes existentes no composto orgânico, necessário para florescimento e fixação dos frutos.
Outro aspecto cuja atenção deve ser direcionada, refere-se ao número de flores e quantidade de frutos colhidos. Sabe-se que o pegamento de flores em plantas cítricas é baixo, variando entre 0,2 e 2,5% (BUSTAN; GOLDSCHMIDT, 1998), sendo esse valor função não apenas das condições ambientais (temperatura, vento, umidade do ar e solo), mas também do estado fisiológico das plantas, isto é, das reservas nos tecidos para suportar o dreno exercido pelo crescimento reprodutivo e vegetativo, nutrição mineral e balanço hormonal, além da carga pendente de frutos (DAVIES; ALBRIGO, 1994). Observou-se uma alta produção em 2009 e 2010, o que pode ter levado a planta a uma diminuição de suas reservas e consequentemente uma diminuição de produção em 2011.
A produção alternada de frutos entre as safras é uma característica comum aos citros e ocorre especialmente em tangerinas, podendo comprometer a produtividade dos pomares. A alternância de produção pode estar associada, por exemplo, à
exaustão de reservas de carboidratos como consequência de vários fatores como, excessivo florescimento, sobrecarga de frutos, redução da área foliar fotossinteticamente ativa e excessivo crescimento vegetativo (RAMOS-HURTADO et al., 2006). A disponibilidade de amido nos tecidos de reserva na estação anterior ao florescimento é um dos fatores que determina o número de flores emitidas e o pegamento dos frutos (MATAA et al., 1998; RUIZ et al., 2001).
Segundo Tubelis e Salibe (1989), a produção de laranjeira ‘Hamlin’ variou de ano para ano, passando por picos de alta nas safras de 1976 (211,3 kg/planta), 1979 (228,8 kg/planta) e 1981 (249,4 kg/planta), e por picos de baixa nas safras de 1977 (49,4 kg/planta) e 1980 (105,7 kg/planta). Parente et al. (1993) também observaram essa alternância de produção quando avaliaram a ‘Poncã’ em 14 porta-enxertos. Essas citações comprovam que a alternância de produção para citros é comum, podendo justificar a diminuição de produção no ano de 2011.
4.6. Qualidade dos frutos
Observa-se uma tendência de diminuição dos valores do índice tecnológico (1,87 a 1,65 kgSS/cx), no ano de 2010, conforme se aumentam as doses de composto orgânico aplicadas, devido o tratamento que recebeu maior dose de composto (200%) apresentar maior produtividade (37,75 t/ha), no entanto, frutos menores (145 g), ocasionando menor rendimento do suco (40%) e menor teor de sólidos solúveis (10,12 ºBrix) (Figura 12, Tabela 40).
Figura 12. Efeito de doses de composto orgânico no índice tecnológico de frutos de tangerineira ‘Poncã’ adubada com doses de composto orgânico. São Manuel-SP, 2010.
Tabela 40. Peso médio (PM), diâmetro médio (DM), rendimento do suco (RS), pH, acidez titulável (AT), sólidos solúveis (SS), “ratio”, índice tecnológico (IT) e teor de ácido ascórbico (AA) de frutos de tangerineira ‘Poncã’, adubada com doses de composto orgânico, em São Manuel-SP (2010). Tratamentos PM DM RS pH AT SS “ratio” IT AA (g) (cm) (%) (% ac. cítrico) (ºBrix) (kgSS/cx) (mg 100mL- 1 suco) T1: 0 155,12 6,29 44,25 3,73 0,57 10,36 18,18 1,87 32,40 T2: 50% 142,08 6,21 44,26 3,69 0,61 10,40 17,10 1,87 32,85 T3: 100% 152,27 6,38 44,04 3,77 0,57 10,02 17,66 1,81 29,25 T4: 150% 140,73 6,11 42,47 3,73 0,64 9,56 15,23 1,66 28,10 T5: 200% 145,52 6,26 40,05 3,79 0,61 10,12 16,82 1,65 30,40 médias 147,14 6,25 43,00 3,74 0,60 10,09 17,00 1,77 30,60 CV(%) 15,51 6,40 8,55 2,22 8,42 5,31 8,60 10,27 8,16
Nos frutos produzidos na safra de 2011 a mesma tendência foi observada para o teor de sólidos solúveis, onde a testemunha apresentou maior produtividade (7,68 t/ha), frutos menores (67 g), com menor rendimento do suco (34%), podendo ter
concentrado mais o teor de sólidos solúveis, apresentando maiores valores (10,07 ºBrix), quando comparado aos outros tratamentos (Figura 13, Tabela 41).
Figura 13. Efeito de doses de composto orgânico no teor de sólidos solúveis do suco de tangerineira ‘Poncã’ adubada com doses de composto orgânico. São Manuel-SP, 2011.
Tabela 41. Peso médio (PM), diâmetro médio (DM), rendimento do suco (RS), pH, acidez titulável (AT), sólidos solúveis (SS), “ratio”, índice tecnológico (IT) e teor de ácido ascórbico (AA) de frutos de tangerineira ‘Poncã’, adubada com doses de composto orgânico, em São Manuel-SP (2011). Tratamentos PM DM RS pH AT SS IT “ratio” AA (g) (cm) (%) (% ac. cítrico) (ºBrix) (kgSS/cx) (mg 100mL- 1 suco) T1: 0 66,67 5,32 33,88 3,98 0,49 10,07 1,56 20,83 28,94 T2: 50% 56,88 5,87 43,00 4,08 0,43 9,65 1,68 23,12 28,37 T3: 100% 64,22 5,66 36,84 3,99 0,52 9,02 1,35 17,75 30,31 T4: 150% 54,06 5,55 34,54 4,02 0,50 9,19 1,30 18,63 28,81 T5: 200% 79,11 5,31 37,41 4,06 0,44 8,85 1,34 20,23 32,50 médias 64,18 5,54 37,13 4,03 0,48 9,36 1,45 20,11 29,79 CV(%) 17,14 8,76 21,23 2,12 12,45 14,44 21,41 16,47 11,93
Para os outros parâmetros avaliados não foram observadas diferenças estatísticas para os anos de 2010 e 2011 (Tabelas 40 e 41).
Boaretto et al. (2007) observaram que a qualidade do suco, o teor de sólidos solúveis e a acidez não foram influenciados pelas doses de N do sulfato de amônio. Alva e Paramasivam (1998) observaram que doses de N (56-280 kg/ha) não influenciaram no peso, diâmetro e parâmetros de qualidade do suco (SS, acidez e ratio) de laranjeira ‘Hamlin’. Almeida e Baumgartner (2002) avaliando a ação da adubação mineral com N e K na qualidade de frutos de laranjeira ‘Valência’ não constataram efeitos das adubações com N mineral sobre a acidez e teor de sólidos solúveis nos frutos. No presente trabalho o aumento das doses de composto orgânico diminuíram o índice tecnológico e o teor de sólidos solúveis devido a diminuição do rendimento do suco.
Reese e Koo (1975) observaram que no início do experimento houve um aumento do tamanho dos frutos com o aumento das doses, no entanto nos últimos 3 anos estes diminuíram com altas doses de N (67-269 kg/ha), devido ao aumento da produção de frutos de laranjeiras doce. Concluíram ainda que aumentos nas doses de nitrogênio aumentaram o rendimento de suco e a acidez, fato contrário ao ocorrido neste trabalho para rendimento do suco em 2010.
Os parâmetros de qualidade dos frutos produzidos nas safras de 2010 e 2011 estão apresentados nas Tabelas 40 e 41, respectivamente, sendo que o peso médio dos frutos variou de 140,73 a 155,12 g em 2010 e 54,06 a 79,11 g em 2011. Os valores de 2010 estão dentro do intervalo relatado pelos autores Lima et al. (1999): 151 g, Pio et al. (2001): 162 g, Figueiredo (1980): 138 g, Parente et al. (1993): 115,4 a 216,1 g e por Pio et al. (1993): 82,13-235,46 g; e abaixo para a produção de 2011.
Houve diminuição no tamanho e peso dos frutos em 2011, devido a bianualidade de produção, onde produziu-se excessivamente no ano de 2010 (Tabela 38) e pouco no ano de 2011 (Tabela 39). Diante disso, segundo Rufini (1999), os frutos produzidos são de tamanho pequeno, com menor concentração de suco e sólidos solúveis, acarretando menor valor comercial, fato que se comprova neste trabalho.
O teor de sólidos solúveis, expresso em kg/caixa de laranja (40,8 kg) ou índice tecnológico é um parâmetro que vem adquirindo muita importância, principalmente quando a variedade é utilizada para a industrialização. As variedades utilizadas
comercialmente com essa finalidade, como as laranjas ‘Hamlin’, ‘Pêra’, ‘Natal’ e ‘Valência’, apresentam valores médios de sólidos solúveis (kg/caixa) entre 2,2 e 2,7 (DI GIORGI et al., 1990). Segundo Pio et al. (2001), o rendimento de brix/caixa da tangerineira variedade Span Americana atingiu valores que variaram de 1,4 a 1,8 kg/caixa, valores esses próximos aos encontrados nos anos de 2010 (1,77) e 2011 (1,45).
Rufini (1999), ao trabalhar com tangerineira ‘Poncã’ submetidas a diferentes tipos de raleio manual, observou um pH no suco dos frutos, no momento da colheita, de cerca de 3,8, valor próximo aos obtidos para os frutos avaliados nos anos de 2010 (3,74) e 2011 (4,03).
A alta quantidade em suco é uma característica interessante para as cultivares cítricas, tanto para aquelas que são utilizadas para o consumo “in natura” como para industrialização (PIO, 1992), embora não seja um fator essencial da qualidade de tangerinas (JACKSON, 1991). Segundo dados da Ceagesp (2011) a porcentagem mínima de suco deve ser de 40% para tangerina ‘Cravo’, 35% para ‘Mexerica’, 35% para ‘Poncã’ e 42% para