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Sabahattin Zaim’in İnsan Anlayışı

1. HOMO ECONOMİCUS ve HOMO İSLAMİCUS’A GENEL BİR BAKIŞ

1.2. Homo İslamicus

1.2.1. Sabahattin Zaim’in İnsan Anlayışı

Referências ao governo do presidente Lula/governo Lula/governo petista são feitas em cinco dos seis textos analisados. Vejamos quais são as figuras interpretativas do agir que lhes são atribuídas em cada um deles.

O texto 1 coloca: “Mas é no ataque ao lugar simbólico da ética na

política que a disputa é mais acirrada e ganha ares consistentes. Os alvos do ataque têm mudado no correr dos tempos. Atualmente, o alvo é o caso do ex- assessor de José Dirceu. Por um lado, a crítica é válida e consistente, pois tudo indica que houve corrupção.

Por outro lado, a crítica é hipócrita porque: a) pretende atingir o governo Lula com um episódio envolvendo o casal Garotinho, em 2002, no Rio de Janeiro; b) não levanta a causa do problema (que também atingiu, por exemplo, assessores de FHC, e levou um amigo a defender publicamente a tese da imoralidade constitutiva da política), qual seja, o inadequado sistema eleitoral, que induz a procedimentos inaceitáveis; afinal, é um segredo de polichinelo como são financiadas as campanhas eleitorais no Brasil; c) não menciona a proposta de reforma política, publicada em livro pelo Instituto da Cidadania, que, no dia 1º de julho de 2003, a entregou ao Executivo e ao

Legislativo, tendo sido discutida e aprovada por uma comissão especial (pluripartidária, com 45 membros) criada pelo presidente da Câmara, João Paulo; a reforma (que prevê o financiamento público das campanhas) não será um decreto presidencial, e sim uma ação do Congresso Nacional.”

Observamos que:

a) o governo Lula é apresentado como paciente/beneficiário, aquele que pode ser atingido pela crítica.

b) um determinado agir linguageiro é representado como sendo o de criticar. O verbo é substantivado, o qual apaga o sujeito da crítica, que tem a intenção de atingir o governo Lula. A interpretação da intenção desse actante fica explicitada lingüisticamente pela modalização com valor pragmático expressa pela relação predicativa indireta “pretende atingir”, dando à crítica o papel de ator e, portanto, realizando uma ação consciente e intencional.

c) Chauí avalia a própria crítica, adjetivando-a positivamente, por critérios do mundo objetivo: “ela é válida e consistente”.

Por outro lado, a autora também avalia a crítica e a adjetiva negativamente a partir de critérios do mundo sócio-subjetivo (falta de sinceridade): “a crítica é hipócrita”.

d) atribui maior valor à segunda avaliação, de caráter negativo, ao colocá-la depois do organizador lógico-argumentativo de natureza adversativa “por outro lado”.

e) essas avaliações (positivas e negativas) podem ser estendidas aos actantes responsáveis pela “crítica”. Portanto, não é apenas o agir verbal que é avaliado como hipócrita, mas os próprios actantes que a desenvolvem. Já o texto 2 faz referência explícita ao governo no seguinte fragmento:

“A imoralidade subjetiva de Waldomiro Diniz é uma coisa, outra coisa é a imoralidade pública do resto do governo, mesmo que ele esteja envolvido nela. Isso porque o próprio processo político decidirá se o ato individual é ou não coletivamente imoral.” Em primeiro lugar, verificamos que o autor atribui a Waldomiro Diniz um tipo de agir, chamado por nós de atributivo, na medida em que a ele é atribuído um determinado estado: o da imoralidade subjetiva. A mesma atribuição desse estado é atribuída ao “resto do governo”, a quem também se atribui a imoralidade pública, embora deva receber tratamento diferente, expresso pela marca lingüística “outra coisa é”.

O autor distingue, então, a imoralidade de um indivíduo da imoralidade pública e insere Waldomiro Diniz como parte do governo atual ao destacá-lo do “resto do governo” .

O autor, ainda, dá ao “processo político”- uma entidade inanimada - o papel de ator, atribuindo-lhe a responsabilidade de decidir se o ato individual é ou não coletivamente imoral ”. Configura-se, assim, um agir instrumental, uma vez que se atribui ao processo político a possível ocorrência de um processo dinâmico: a tomada de uma decisão.

“Importa saber” – com sentido de “é necessário” tem função de modalização deôntica (base nos critérios do mundo social) e indica a necessidade de se exercer essa capacidade cognitiva de “saber”, “conhecer”, ainda que o actante não seja definido pelo enunciador – “quais instituições internas trabalham para restringir a corrupção do partido, do governo e do jogo político como um todo”. O autor atribui ao governo a existência de corrupção, coloca-a no universo dos fatos reais e caracteriza um tipo de agir agentivo do governo, ao mesmo tempo em que responsabiliza as instituições internas por um agir instrumental de trabalhar para restringi-la.

O uso da passiva em: “Se todo governo fosse punido, haveria uma crise institucional, com enfraquecimento e talvez desaparecimento das instituições de vigilância pública, o que levaria a corrupção pública às alturas” – O uso do futuro do pretérito (haveria, levaria) e do pretérito imperfeito do subjuntivo (se... fosse) coloca os fatos ao nível do possível, mas no caso, não desejável. O governo aparece como paciente, aquele que pode vir a sofrer a ação da punição.

No texto 3, o termo “governo” aparece associado ao PT e deixa

explícita uma interpretação do autor do texto: o governo é do PT. Isso fica claro no fragmento: “Ela (Marilena) omite que o governo do PT não fez o menor esforço para levá-la adiante”. Em primeiro lugar, verificamos estar diante de dois processos de avaliação levados a cabo pelo autor no mesmo segmento de texto. O primeiro, feito ao agir linguageiro de Marilena, avalia negativamente o seu não-dizer, atribuindo-lhe a intenção de esconder uma não-ação do governo do PT. Estamos, então, diante do segundo processo de avaliação. Rossi interpreta o agir do governo, também, como um não-agir – “não fez” , utilizando-se do verbo “fazer”.

Já o texto 4 traz, inicialmente, uma organização textual que interpreta

governo e PT como duas instâncias diferentes. Vejamos:

“O Congresso está um deserto desde a quinta-feira e vai continuar não só durante como além do Carnaval. É o tempo que o governo e o PT querem -aliás, precisam muito - para se refazer do tranco. A idéia é desencavar a velha ladainha de uma "agenda positiva" logo na reabertura da reabertura do Congresso, quando o Carnaval e a ressaca passarem, já em março.”

Governo e PT aparecem, no texto, como dois actantes diferentes que “querem” e “precisam muito” de tempo. O verbo “precisa” indica uma necessidade que pode ser satisfeita com o congresso fechado (congresso fechado lhes dará mais tempo) , enquanto que o “querer” revela, por meio de seu valor pragmático, o desejo do PT e do governo.

Em “A idéia é desencavar a velha ladainha de uma ‘agenda positiva’, logo na reabertura da reabertura do Congresso, quando o carnaval e a ressaca passarem em março”, observamos que:

a) O termo “a idéia” nos indica um agir cognitivo que é o de ter uma idéia, de idealizar;

b) O verbo é substantivado e apaga o actante, que pode ser inferido pela reconstrução da coesão nominal: governo e PT;

c) A esses dois actantes são atribuídos os recursos cognitivos necessários, portanto a capacidade de ter uma idéia que é a agenda positiva;

d) Dotados de capacidades, esses actantes são representados com a intenção de “desencavar a velha ladainha” de uma “agenda positiva”;

e) a autora avalia a intenção dos actantes de forma negativa e adjetiva a “agenda positiva” de “velha ladainha”, expressão popular que indica mesmice, repetição;

f) essa avaliação negativa pode ser estendida ao curso do agir, ao tempo que terá o governo e o PT para colocarem “suas idéias” em prática. Essa avaliação negativa fica marcada pela repetição do termo “reabertura” e o “já”, advérbio de tempo, o qual tem a função de um organizador temporal que, isoladamente, dá a idéia de “adiantado”, mas, no texto, tem sentido inverso e avalia negativamente a demora na reabertura do Congresso.

O caráter negativo das avaliações ao agir do governo e do PT é observado em diferentes segmentos de texto. Em: “Mas o mais interessante

de tal ‘agenda positiva’ é mostrar que ‘o governo está governando’. Ué?! E não está ou estava?” Destaca-se a finalidade do governo e do PT de mostrarem que o “o governo está governando”. Em primeiro lugar, destacamos o valor das aspas, que têm papel de importância, na medida em que trazem o discurso do PT e do governo para o texto, mas com distanciamento, deixando lingüisticamente marcado que não é o enunciador quem está dizendo isso, mas sim o PT e o governo. Além disso, esse agir do PT e do governo é desqualificado pelo uso da ironia, que coloca em xeque a finalidade do desses actantes, insinuando que pode não haver o que mostrar. Essa ironia fica explicitada no texto pelo conflito entre dois enunciados: E1- o governo está governando.

E2 - Ué?! E não está ou estava?

No segmento de texto a seguir, a autora avalia, objetivando, o momento que vive o governo como “decisivo”, bem como faz um movimento de definição do termo “governo”. Se até então o termo governo vinha sozinho ou próximo ao PT, neste segmento o governo é qualificado: “ O governo Lula

está num momento decisivo. Tem a obrigação de manter a estabilidade econômica, mas dando sinais de reaquecimento (e nem se fala em “espetáculo de crescimento”) e ativando finalmente a área social.” Define-se, em primeiro lugar, um actante humano como responsável pelo governo e a quem se atribui uma série de obrigações à luz das representações que se faz do mundo social. A autora, então, justifica a sua afirmação e apresenta o governo Lula como sendo responsável de agir de uma determinada forma, com base nos valores do mundo social: tem a “obrigação de manter a estabilidade econômica, de dar sinais de reaquecimento e de ativar a área social.”

O texto 6, por sua vez, constrói figuras interpretativas do agir do

governo muito diferentes, se comparadas aos textos 2, 3 e 4. Vejamos. Após uma longa discussão a respeito do debate político e da corrupção no Brasil, fazendo referências, inclusive, a governos anteriores (Collor e FHC), bem como a respeito da relação entre política e moral, o filósofo Janine Ribeiro faz a seguinte referência ao governo: “Nada disso é uma defesa deste governo

ou do anterior. E uma defesa da política, para retomar um título de um livro de Marco Aurélio Nogueira”.

O governo é colocado no papel de objetivo que precisa ser defendido. O autor demonstra sua preocupação em já apresentar a sua interpretação a respeito de seu próprio agir linguageiro, negando, ou seja, restringindo outras possíveis interpretações. O autor se coloca, então, como actante que tem os recursos para fazer a defesa do governo, mas que não a faz, embora tenha como objetivo defender a política. Parece que nesse caso, a “política” sai da esfera concreta, sai do mundo objetivo, para se pensar a política no mundo das idéias, do abstrato. E para fortalecer ainda mais o seu argumento, utiliza- se da voz explícita de Marco Aurélio Nogueira.

Nessa mesma perspectiva, o autor faz uma retrospectiva histórica e atribui ao Brasil o papel sintático-semântico agentivo, responsável pela mudança de metas. Ao mesmo tempo, o autor destitui a “ágora” de responsabilidade por essa mudança: “O Brasil mudou de metas, no segundo mandato de FHC, sem a ágora opinar. O debate se focou na corrupção. Hoje corremos de novo o risco de enfraquecer um projeto de governo, não porque nos descontente em suas grandes opções, mas por questões laterais.” Em seguida, traz a discussão para o presente, utilizando-se do organizador temporal “hoje” e avalia a situação de forma semelhante ao passado.

O autor constrói um mundo discursivo em que o governo tem um papel sintático-semântico atributivo – o governo tem um projeto - e utiliza um “nós” genérico que parece englobar os brasileiros de forma geral, à medida que ele não “nos” descontenta em suas grandes opções. Em contrapartida, o autor avalia o momento atual de crise como um momento de risco, colocando o projeto de governo como paciente/beneficiário que sofre o risco de enfraquecer “por questões laterais”. Assim, essas “questões laterais” seriam o instrumento que enfraqueceria um bom projeto de governo. Ocorre que o leitor precisa inferir a respeito do que são essas “questões laterais”, uma vez que o autor as omite. Nesse caso, a coesão se dá de forma implícita e o item lexical referente deve ser inferido pelo leitor, no caso, as questões laterais se referem à corrupção.

O autor, ainda, faz uma avaliação positiva do agir do governo, uma vez que esse governo tem um projeto e que este projeto tem “grandes opções”. Observamos que os textos que compõem nosso corpus acabaram criando dois grandes posicionamentos que avaliam o agir do governo e do

PT. Textos que constroem uma argumentação explícita (texto de Chauí) ou uma argumentação implícita (texto de Janine Ribeiro) em defesa do governo e textos que constroem uma argumentação de crítica ao governo. No primeiro caso, o texto de Chauí traz para a cena discursiva o “casal Garotinho”, assim como no segundo caso, os textos de Giannotti e Rossi também o fazem, porém, construindo interpretações diferentes do agir. Vejamos.