1. HOMO ECONOMİCUS ve HOMO İSLAMİCUS’A GENEL BİR BAKIŞ
1.2. Homo İslamicus
1.2.2. Ahmet Tabakoğlu’nun İnsan Anlayışı
No texto 1, não há referência explícita a Waldomiro Diniz, pelo menos
não com seu nome próprio. A referência a ele é feita da seguinte forma: “caso do ex-assessor de José Dirceu”, como podemos observar no seguinte trecho: “Mas é no ataque ao lugar simbólico da ética na política que a disputa é mais acirrada e ganha ares consistentes. Os alvos do ataque têm mudado no correr dos tempos. Atualmente, o alvo é o caso do ex-assessor de José Dirceu”. Nesse caso, o leitor tem que utilizar os seus conhecimentos a respeito dos fatos para relacionar o “ex-assessor de José Dirceu” ao referente Waldomiro Diniz. No texto, é o caso do ex-assessor que é apresentado como alvo, portanto, como objeto, destinatário dos ataques das ações oposicionistas.
Já o texto 2, que mantem uma interlocução direta com o texto 1,
embora também não faça referência a Waldomiro Diniz de forma explícita, utiliza-se da expressão “assessor do planalto” e não “ex-assessor de José Dirceu”, como podemos observar no seguinte fragmento: “A respeito do caso de corrupção envolvendo assessor do Planalto, nunca poderia imaginar que minha amiga e ex-aluna Marilena Chaui pudesse escrever o seguinte(...)” . Tais escolhas lexicais levam o leitor a construir duas representações diferentes: no primeiro texto, o acusado é visto como “ex”; portanto fora do governo. No segundo texto, ele é representado como parte do governo, a quem se atribui a responsabilidade pelo assessor. Atribui-se ao assessor um estado de pertencimento ao governo.
Em “O sr. Waldomiro Diniz foi pilhado negociando em nome do PT, o que afeta o partido como um todo”, verificamos que o uso da passiva coloca o sr. Wadomiro Diniz como objetivo de um agir nomeado como o de “pilhar”, que implica o sentido de “ser pego em crime, em algo faltoso” mas também como agentivo de “negociar”, enquanto que em “A imoralidade subjetiva de Waldomiro Diniz é uma coisa, outra coisa é a imoralidade pública do resto do governo”, observamos que o papel semântico é atributivo - a Waldomiro
Diniz se atribui a imoralidade (ele tem imoralidade subjetiva), constituindo-se uma avaliação negativa da ação do actante.
O texto 3, por sua vez, apresenta o actante Waldomiro Diniz no
seguinte segmento temático: “Pena que o ‘segredo de Polichinelo’ tenha, agora feito do PT, a sua vítima ( e sabe-se lá para que outras campanhas Waldomiro Diniz não pediu dinheiro a bicheiros)”. O uso da expressão “sabe- se lá” insinua a possibilidade de que, de fato, Waldomiro Diniz pediu dinheiro a bicheiros não uma vez só, mas várias. Nesse segmento de texto, o actante aparece como sujeito da ação possível de pedir dinheiro emprestado.
O texto 5, por sua vez, faz uma única referência ao actante Waldomiro Diniz no trecho a seguir: “E não haveria necessidade de “operadores” como Waldomiro Diniz para pedir dinheiro a “empresários do bingo”. Assim, a Waldomiro se atribui o papel agentivo de “operador” que “pede dinheiro”. Ele age com a intenção de pedir dinheiro a “empresários do bingo”. Observemos como, no segmento de texto, as aspas são fundamentais. Sem aspas, as expressões “operador” e “empresários do bingo” não teriam nada de negativo. Porém, nesses casos, as aspas marcam o eufemismo.
O texto 6, no fragmento: “O caso Waldomiro Diniz é, ao que consta, um ato de corrupção que requer julgamento”. Com a utilização da expressão “ao que consta”, verificamos que o texto representa o caso como certo, uma vez que a expressão pode ser compreendida como aquilo que se sabe de acordo com nossos valores e leis, ou seja, pelos critérios do mundo social. Na seqüência, o texto encaminha o leitor para uma possível punição – “Se for provada sua culpa - Waldomiro Diniz) ele deve ser punido pela lei.” – Waldomiro Diniz aparece então como possível paciente de uma punição pela lei. A utilização do metaverbo “deve” como modalização deôntica, coloca a ação da lei como um dever dentro dos critérios do mundo social.
Em todos os textos por nós analisados, o actante Waldomiro Diniz aparece relacionado a outro actante – José Dirceu - que será objeto de nossa próxima análise.
5.1. 6. José Dirceu/Ministro José Dirceu como actante
De uma forma geral, verificamos que os textos atribuem papéis sintático-semânticos diferentes ao mesmo actante e constroem diferentes representações. Ou o actante aparece como adjunto, não sendo responsável pelo agir, mas apenas como um actante que teve um assessor (texto 1) ou ele aparece sintaticamente como sujeito e, do ponto de vista semântico, como possível actante a quem se atribui a responsabilidade pela ação de se envolver com o ato de corrupção (2) e em (3) como responsável da ação de indicar Waldomiro ao casal Garotinho. Coloca-se, assim, José Dirceu como elo entre Waldomiro Diniz e Casal Garotinho. Assim, o que é omitido em outros textos é aqui fica esclarecido.
Observemos que no texto 1, no segmento de texto: “Atualmente, o alvo é o caso do ex-assessor de José Dirceu” verificamos que a ação da oposição recai sobre o objeto – ex-assessor e não sobre o complemento José Dirceu. Parece-nos que o prefixo “ex” exerce um papel fundamental na construção das representações do leitor, uma vez que “ex” indica o distanciamento, a ruptura do assessor em relação a José Dirceu, bem como a construção sintático-semântica também marca o afastamento da ação da oposição: ela recai sobre o ex-assessor e não sobre José Dirceu, neste caso, poupado dos ataques.
Em “Suponhamos que se mostre que o ministro José Dirceu esteja envolvido e, por conseguinte, o presidente Lula, responsável pela escolha e atuação de seu ministério”, abre perspectivas para que o leitor leve em conta a possibilidade de o ministro estar envolvido com corrupção.
O texto 3 também apresenta, num primeiro momento, o actante como adjunto, porém logo assume o papel agentivo, responsável pela indicação do funcionário ao Casal Garotinho. Além disso, os textos apresentam marcas que expressam uma interpretação do enunciador. No segmento “Envolve, ademais, um funcionário “intimamente” ligado a José Dirceu, que o indicou aos Garotinho e que trabalhava até a “semana passada’ no mesmo palácio do Presidente da República” aquele que era simplesmente “ex-assessor” passa a ser “funcionário intimamente ligado”, o que representa a relação entre José Dirceu e Waldomiro Diniz de formas completamente diferentes.
Vejamos. O uso do advérbio “intimamente” expressa proximidade entre o funcionário e o ministro. Na verdade, mostra um estado de ligação
íntima do tal funcionário com José Dirceu. Aliás, se compararmos o segmento do texto 1 com o segmento do texto 3, verificamos que no primeiro procura- se afastar o assessor em relação a José Dirceu. No texto 3, o advérbio aproxima os dois. Outro recurso lingüístico utilizado para marcar essa aproximação é a expressão “até semana passada”. Nesse caso, ela marca a aproximação entre o funcionário e o próprio Presidente da República por meio de uma locução adverbial de tempo.
A aproximação de José Dirceu a Lula, o Presidente da República, nos encaminha para a próxima análise, a do actante presidente Lula.