2. NURETTİN TOPÇU’DA İKTİSADİ İNSAN TASAVVURU
2.1. Kazanan İnsan
O texto 1, ao defender a tese de que “procura-se destituir o PT desse lugar simbólico”, procura justificar esse argumento e recorre ao que considera uma contradição: “Em certos momentos, aliás, somos colocados diante de algo paradoxal, pois procura-se destituir o PT desse lugar simbólico, afirmando-se que o atual presidente da República não tem direito ao cargo porque seria intelectualmente inculto.” Observemos que a crítica nomeia o actante pelo cargo que ocupa, isto é, o ataque não é simplesmente à pessoa, mas ao que ela representa para o Estado Brasileiro. Ao recuperar o dizer da crítica, Marilena Chauí avalia-a de forma negativa, como um paradoxo porque “Ergue-se contra Lula aquilo mesmo que fez o PT nascer e ocupar o lugar simbólico dos direitos, isto é, a luta contra os preconceitos de classe que, pela discriminação e a exclusão, negam cidadania aos trabalhadores!” A crítica ao presidente, então, é representada como preconceituosa, discriminadora e excludente ao atribuir-lhe um estado e uma qualidade negativa (seria intelectualmente inculto), não tendo, por isso, direito ao cargo. Portanto, em relação ao actante Lula, a avaliação da autora é positiva: tem direito ao cargo, não é intelectualmente inculto.
O texto 2, por sua vez, constrói outra representação a respeito do actante. No trecho “Suponhamos que se mostre que o Ministro José Dirceu esteja envolvido e, por conseguinte, o presidente Lula, responsável pela escolha e atuação de seu ministério”, o presidente Lula assume o papel semântico agentivo, atribuindo-se a ele a responsabilidade pela escolha e
atuação de seu ministério, o que leva o leitor à conclusão lógica que, se o Ministro estiver envolvido, o presidente tem responsabilidade sobre isso.
Representação semelhante ao texto 2 também é construída pelo texto 3, embora a função sintático-semântica assumida pelo actante tenha sido diferente: “Envolve, ademais, um funcionário intimamente ligado a José Dirceu que o indicou aos Garotinho e que trabalhava até a semana passada no palácio do presidente da República..” O presidente da República assume o papel sintático de adjunto a quem se atribui um palácio (locativo) onde trabalhava José Dirceu, o responsável pela indicação do funcionário aos Garotinho e constrói uma imagem de proximidade entre José Dirceu e o presidente.
Em outro segmento do texto 3, retoma-se outro trecho de Chauí a respeito da reforma política, dando nova versão dos fatos. Segue fragmento do texto: “Depois, a filósofa petista reclama que os defensores da ética na política, em vez de denunciarem o caso, se dediquem a discutir o financiamento de campanha. "É um segredo de polichinelo como são financiadas as campanhas eleitorais no Brasil", diz.
Perfeito. Pena que o "segredo de polichinelo" tenha, agora, feito do PT a sua vítima (e sabe-se lá para que outras campanhas Waldomiro Diniz não pediu dinheiro a bicheiros). Pena também que, apesar do Instituto da Cidadania, outrora presidido por Lula, ter apresentado proposta de reforma política, como menciona a filósofa, ela omite que o governo do PT não fez o menos esforço para levá-la adiante.”
O actante Lula assume o papel sintático de agente da passiva, mas o papel semântico agentivo. Ele foi, mas só no passado, responsável por presidir o Instituto e propor a reforma política. Porém, na seqüência, o discurso nos faz, enquanto leitores, aproximarmos Lula ao governo do PT, permitindo-nos construir uma avaliação negativa que se faz do próprio governo e, portanto, de Lula, quando se avalia negativamente o esforço – falta de esforço – para levar a reforma adiante em contradição com o agir de “outros”.
Seguimos nossa análise, focando, na seqüência, José Arthur Giannotti como actante. Trata-se de um actante colocado em cena, não como participante do fato motivador do debate – o caso de corrupção que envolve Waldomiro Diniz – mas sim como actante citado por Marilena Chauí que avalia, de forma negativa, o dizer do filósofo.
5.1. 8. José Arthur Giannotti como actante
O actante selecionado, José Arthur Giannotti é, também, o autor do texto 2. Ocorre que, ao considerarmos o caráter dialógico dos textos e levarmos em consideração que esses textos não só interpretam e avaliam os fatos, mas também o agir linguageiro de outro sobre os fatos em questão a partir dos fatos, ele aparece como actante em seu próprio texto, como também nos textos escritos por Marilena Chauí e por Renato Janine Ribeiro.
Instala-se, assim, um diálogo entre intelectuais da filosofia uspiana que só é compreendido pelos leitores que acompanham a discussão política. Em: “A crítica é hipócrita porque não levanta a causa do problema, que também atingiu, por exemplo, assessores de FHC, e levou um amigo a defender publicamente a tese da imoralidade constitutiva da política”, o actante não aparece explicitamente. A escolha lexical “um amigo”, dá um caráter indeterminado a esse protagonista e exige do leitor esse conhecimento prévio para compreender a quem o enunciador faz referência. Mais do que isso, a escolha desqualifica a idéia de ”amigo”, na medida em que o coloca como um actante responsável por um agir linguageiro que é, por si mesmo, contrário aos valores sociais: a imoralidade constitutiva da política.
Em contrapartida, o texto 2 escrito por Ginnotti, explicita claramente um diálogo com o texto 1, diz quem é o amigo e permite ao autor deixar claro o objetivo de seu novo agir linguageiro: esclarecer seu próprio ponto de vista: “Além disso, como muita gente sabe, o amigo referido sou eu, o que me leva a procurar esclarecer o meu ponto de vista”.
Já no texto 6 observamos a presença do actante somente de forma indireta e não explícita: “Alguns falam em caráter amoral da política”. A utilização do pronome indefinido dá um caráter difuso ao responsável pela “fala”, de forma que o texto não responsabiliza ninguém em especial por ela.
Por outro lado, um leitor atento ao diálogo entre os textos reconstrói a rede discursiva e identifica quem é o “amigo”.
A próxima análise destaca a “oposição” como actante/protagonista.
5.1. 9. Oposição/ações oposicionistas como actante
Se confrontarmos as representações construídas pelo texto 1 e pelo texto 4 a respeito das ações oposicionistas, verificamos que são completamente diferentes, para não dizer opostas. Observe os dois fragmentos de texto abaixo:
Texto 1 – “Se nós acompanharmos as ações oposicionistas, os noticiários, os editoriais e as colunas políticas dos jornais, rádios e televisões notaremos (ações oposicionistas,) que operam de modo a retirar do PT os dois lugares simbólicos que ocupa.”
Texto 6 – “Quem está fazendo pó de seus símbolos, não somos nós, nem mesmo a oposição.”
No texto 1, as ações oposicionistas assumem o papel semântico de agentes e são responsáveis, junto com os meios de comunicação, com a finalidade de retirar do PT os lugares simbólicos que ocupa.
Já no texto 2, embora a oposição também seja colocada no papel semântico agentivo, a forma negativa “não somos nós, nem mesmo a oposição” constrói um sentido negativo. A negativa pressupõe a existência de uma fala anterior (a oposição quer retirar do PT os lugares simbólicos que ocupa) com a qual o enunciador do texto 2 não concorda.