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3. İSYAN AHLAKINDAN İSLAM İNSANINA

3.1. Hareket Felsefesi

O diálogo entre os textos constrói uma rede discursiva entre eles, de forma que é possível “recortar” cada um deles e “remontá-los” explicitando esse diálogo. É como se os autores fizessem parte de um debate. Esses

segmentos de diferentes textos se entrelaçam, numa espécie de teia ou rede e acabam dando origem a um “novo texto”, o que demonstra o caráter interativo dos artigos de opinião.

Para ilustrarmos justamente essa construção de um “novo texto” a partir dos segmentos dos diferentes textos, optamos em utilizar as seguintes cores:

“ Se, de janeiro de 2003 a fevereiro de 2004, acompanharmos as ações oposicionistas, os noticiários, os editoriais e as colunas políticas dos jornais, rádios e televisões, notaremos que operam de moto a retirar do PT os dois lugares simbólicos que ocupa. “

“A professora Marilena Chauí identifica um complô nacional, talvez mundial, quiçá planetário, pra desfazer os símbolos mais caros ao PT. Errado, professora. Se há complô, é do próprio PT. Quem está fazendo pó de seus símbolos não somos nós, nem mesmo a oposição.

É ele: o PT no poder. “

“Por um lado a crítica é válida e consistente, pois tudo indica que houve corrupção.“

“A respeito do caso de corrupção envolvendo assessor do Planalto, nunca poderia imaginar que minha amiga e ex-aluna Marilena Chauí pudesse escrever o seguinte na Folha de ontem:”

“Por outro lado a crítica é hipócrita porque:

a) pretende atingir o governo Lula com um episódio envolvendo o casal Garotinho, em 2002, no Rio de Janeiro.”

“Pelo que me consta , Benedita da Silva não faz parte do casal Garotinho, mas do PT.”

Azul – segmento de texto de Marilena Chauí Verde – segmento de texto de Eliane Catanhêde

Turquesa – segmento de texto de Giannotti

Vermelho – segmento de texto de Clóvis Rossi

Amarelo – segmento de texto de Renato Janine Ribeiro

“No artigo ontem publicado pela Folha, Chauí começa capotando no relato dos fatos: diz que o PT está sendo acusado por um episódio envolvendo o Casal Garotinho, em 2002” Só a data é verdadeira...”

b) “não levanta a causa do problema (que também atingiu, por exemplo, assessores de FHC, e levou um amigo a defender publicamente a tese da imoralidade constitutiva da política), qual seja o inadequado sistema eleitoral, que induz a procedimentos inaceitáveis, afinal é um segredo de polichinelo como são financiadas as campanhas eleitorais no Brasil;”

“Alguns falam em caráter amoral da política.”

“Depois a filósofa petista reclama que os defensores da ética na política, em vez de denunciarem o caso, se dediquem a discutir o financiamento de campanha. “

“È um segredo de polichinelo como são financiadas as campanhas eleitorais no Brasil”, diz.

“Além disso, como muita gente sabe, o amigo referido sou eu, o que me leva a procurar esclarecer o meu ponto de vista.

No final das contas, se até mesmo Marilena não me entendeu, não poderia proceder de outra maneira. Que isso tenha ocorrido, porém, não é de estranhar, pois Marilena tem mantido, nos últimos tempos, uma relação esdrúxula com os fatos. Cabe outro exemplo. Na entrevista à revista “Esprit”,, de janeiro de 2004, intitulada “la méthode Lula” a respeito dos assessores do presidente, ela afima:”

“A equipe econômica é composta de três tipos de conselheiros. De início, há os economistas, professores, consultores etc. Mas esses “experts”, diferentemente daqueles do governo Cardoso, não estão ligados aos bancos, às grandes instituições financeiras, nem, de maneira geral, às grandes instituições econômicas instaladas.”

“Seria fácil escolher outros exemplos, mas não é o que interessa aqui.” c) “não menciona a proposta de reforma política, publicada em livro pelo

Instituto da Cidadania, que no dia 1º de julho de 2003, a entregou ao Executivo e ao Legislativo, tendo sido discutida e aprovada por uma comissão especial (pluripartidária, com 45 membros) criada pelo presidente da Câmara, João Paulo; a reforma (que prevê o financiamento público das campanhas) não será um decreto presidencial, e sim uma ação do Congresso Nacional. “

“Pena também, que, apesar de o Instituto da Cidadania, outrora presidido por Lula, ter apresentado proposta de reforma política, como menciona a filósofa, ela omite que o governo do PT não fez o menor esforço para levá-la adiante.

Diz a filósofa que:”

“A questão não é a ética na política nem a reforma política, e sim a disputa simbólica para destituir o PT do lugar que ocupa.”

“É claro que sempre haverá quem queira destronar o PT dos lugares reais e simbólicos que ocupa, mas a argumentação fica capenga quando deixa de mencionar que as denúncias não são vazias, mas decorrentes do “lugar” em que o PT está se colocando, em todos os campos, político, econômico, social e, agora, ético. “

“Em artigo publicado anteontem na seção “Tendências;Debates”, a professora Marilena Chauí procura depositar na conta da imperfeição institucional as negociatas que se sucedem nos nebulosos territórios da captação de recursos para a campanha e das negociações entre Executivo e Legislativo.”

Se cada texto tem forte caráter argumentativo, o que verificamos, com essa análise é que a argumentação e contra-argumentação se constroem nesse diálogo. Observemos que esse diálogo entre os textos se dá por meio de diferentes procedimentos:

1. com referência explícita ao texto que está sendo comentado e com citações literais dele em discurso direto: “Nunca poderia imaginar que minha amiga e ex-aluna Marilena pudesse escrever o seguinte...”.

2. sem referência direta ao texto, mas com citação direta ao autor: A professora Marilena Chauí identifica um complô nacional...” – nesse caso, o enunciador apresenta uma interpretação global do texto.

3. de forma vaga e indeterminada, com verbos “dicendi”, mas sem nomear o responsável pelo dizer: “e levou um amigo a defender”, “alguns falam em caráter amoral da política”. Nesse caso, verificamos que tanto Chauí, quanto Janine Ribeiro, ao fazerem essas referências nebulosas dialogam com textos produzidos por Gianotti, inclusive no período anterior ao debate travado, com o uso de aspas em palavras ou expressões.

Observamos que os textos 2,3, 4 e 5 dialogam de forma direta com o texto 1- “Disputa Simbólica” escrito por Marilena Chauí e buscam fixar na oposição pública diferentes representações para os fatos e para os actantes nele envolvidos.

O texto 6, por sua vez, não estabelece um diálogo direto com o texto de Chauí, porém, mesmo assim, ele compõe a rede discursiva que

construímos com os textos selecionados, uma vez que recorre ao tema “ética na política’ e se utiliza do caso de Waldomiro Diniz para discuti-la.

Por outro lado, também observamos um diálogo indireto entre o texto de Janine e o texto de José Arthur Giannotti, também parte de nosso corpus. O enunciado “Alguns falam em caráter amoral da política” nos parece uma referência implícita a Giannoti (alguns) e a seu texto “Fatos e disputa política”, quando o autor afirma que nunca endossou a tese da imoralidade constitutiva da política, mas também a um cojunto de artigos de opinião que polemizaram entre si e que foram escritos no mês de maio de 2001, ora por Gianotti, ora por Marilena Chauí. Em 17 de maio de 2001, Gianotti publicou “O dedo em riste do jornalismo moral”, em que discutia a existência de uma “zona cinzenta de amoralidade na democracia”. Esse texto motivou uma resposta em forma de artigo de opinião por parte da filósofa Marilena Chauí – Acerca da moralidade pública (Folha de S. Paulo, 24/05/2001) e depois um novo artigo de opinião de Giannotti – “Para a virtuosa Marilena”.

Ainda que esses últimos textos citados não façam parte de nosso corpus por estar temporalmente fora do período que recortamos para a análise, parece-nos interessante demonstrar a relação existente entre esses textos de 2001 e os textos por nós selecionados, de 2004, pois explicitam claramente o conceito de dialogismo de Bakhtin – um enunciado é sempre uma resposta a outros enunciados. Além disso, reconstruir todo esse contexto de produção nos permite entender melhor o debate travado entre esses textos de 2004. Do ponto de vista da aprendizagem da leitura, permite-nos uma leitura mais crítica.

Portanto, a compreensão e interpretação de cada um dos textos e, mais especificamente, dos agires linguageiros interpretados e avaliados neles, depende da leitura cruzada desses textos e não de leituras isoladas, uma vez que a polêmica, marca dos artigos de opinião e desses comentários jornalísticos, se constitui justamente por meio das diferentes vozes que polemizam entre si.

Uma vez apresentado o resultado das análises e sua problematização, passemos, a seguir, às conclusões deste trabalho.

CONCLUSÕES

“Aos poucos, formam-se redes e teias, tecidos e tecituras, envolvendo escritos e leituras, com os quais se criam e difundem imagens e noções, fantasias e interpretações. Tudo migra por meio da escritura e da leitura, impregnando modos de ser, sentir, pensar, agir e fabular de uns e outros, em todo o mundo.” Octávio Ianni

Este capítulo tem como objetivo retomar as questões de pesquisa que direcionaram esta tese, procurando fazer uma reflexão mais global a respeito das análises que desenvolvemos, bem como avaliar a produtividade dos procedimentos teórico-metodológicos utilizados na análise dos textos, sobretudo no que diz respeito a desenvolver as capacidades de linguagem envolvidas no processo de leitura. Ao final, apontaremos outras perspectivas de pesquisa que podem advir deste trabalho.

Em primeiro lugar, relembramos a macro pergunta de pesquisa, que norteou todo o trabalho: Quais são as diferenças e semelhanças que existem entre os diferentes textos que tematizam uma questão polêmica pública, no que diz respeito às suas características lingüístico-discursivas e às representações do agir e dos actantes neles construídas, tendo em vista o ensino da leitura na escola?

Cabe uma reflexão a respeito da própria questão de pesquisa maior. Destaca-se, nela, o papel central que procuramos dar ao agir humano e as possibilidades de interpretação desse agir por meio dos textos. Daí decorre o segundo aspecto central e não menos importante de nosso trabalho. O valor conferido à linguagem como constituinte e constituída pelo humano. Os nossos pressupostos teóricos-metodológicos, então, vieram ao encontro da necessidade de se analisar os textos como construtores de representações do agir e, em especial, do agir linguageiro representado nos textos de opinião. Partindo desses princípios básicos, partimos da idéia de que a leitura e compreensão dos textos de opinião passam, também, pela compreensão das diferentes representações do agir que estes textos constroem e que, de forma implícita ou explícita, ficam marcadas no texto. Por isso, a análise lingüístico-discursiva desses textos se coloca como produtiva e necessária.

1. A escolha de uma abordagem teórico-metodológica entre tantas