2. POPÜLİZMİN SAĞ KOLU: SAĞ POPÜLİZMİ ANLAMAK
2.4. SAĞ POPÜLİZM, DEMOKRASİ VE OTORİTERLİK
Os sujeitos de nossa pesquisa são egressos do curso de licenciatura em química da UFU. Logicamente, os participantes que aceitaram fazer parte de nosso trabalho passaram pelo curso de licenciatura em Química da UFU e cursaram a mesma grade curricular. Durante
62 a formação inicial estes profissionais cursaram diversas disciplinas de áreas específicas do conhecimento químico, química analítica, físico-química, química inorgânica e química orgânica. Como estamos investigando a concepção dos professores sobre eletroquímica, decidimos questionar, como a formação em nível superior impactou o aprendizado de eletroquímica dos mesmos.
Como um dos critérios de seleção dos participantes da pesquisa era a universidade na qual se graduaram como licenciados em química e serem todos do mesmo currículo, as falas apresentaram muitas similaridades nessa discussão. Entretanto, ainda houveram outros fatores, como o fato de nem todos terem cursado as mesmas disciplinas na mesma época ou terem concluído o curso em épocas diferentes, que enriqueceram as informações.
A professora Bianca foi a primeira a falar sobre o tema, e foi bem direta em sua colocação. Ela reconhece que a sua formação relacionada à eletroquímica é falha, pois o que ela aprendeu de eletroquímica foi o que lhe ensinaram no ensino médio. Ela reforça o fato de que não foi oferecida nenhuma disciplina específica de eletroquímica durante a sua graduação, mas sim apenas alguns poucos conceitos em disciplinas que abordavam físico- química.
Profª. Bianca: A nossa turma não teve nenhuma matéria específica pra
ensinar eletroquímica, às vezes em físico-química entrava alguma coisa assim, um pouquinho dos conceitos de eletroquímica. Eu considero que o que eu aprendi de eletroquímica é o nível de ensino médio. [...] A eletroquímica é uma parte que ficou muito falha na minha formação de química.
Bianca segue falando de sua insegurança com relação aos conhecimentos de eletroquímica e mostra preocupação com o momento, possivelmente, que ela tivesse que ensinar eletroquímica, pois ela afirma que teria que estudar muito antes. A professora ainda reforça a complexidade dos conceitos de eletroquímica e, novamente, deixa claro em sua fala a ausência do aprendizado de eletroquímica em sua formação superior.
Profª. Bianca: Eu não tenho muita segurança na parte de eletroquímica. Pra
ensinar eletroquímica, se eu pegasse uma turma e tivesse que dar eletroquímica, eu acho que eu teria que estudar muito. [...] é muito complicado, muito complexo. [...] Mas no nível superior eu acho que faltou muita coisa de eletroquímica, ou faltou tudo né!
63 O professor Thiago cursou a maioria das disciplinas juntamente com a professora Bianca. A principal diferença entre eles com relação ao aprendizado de eletroquímica é que Thiago, por já ter trabalhado como professor em diversas situações de ensino, já teve a necessidade de se preparar para ensinar eletroquímica. Thiago mostra que o pouco de eletroquímica que ele teve contato no nível superior, abrangia conteúdos extremamente complexos e afirma que se tivesse que trabalhar eletroquímica nesse nível de ensino ele iria gastar muito tempo para preparar suas aulas.
Prof. Thiago: É, o que eu sei foi o que eu estudei pra dar aula, porque você
tem que saber pra dar aula, mas num sei também não, muita coisa a gente fala sem saber mesmo. [...] Quando você começa as aulas de eletroquímica no nível superior, e você começa a envolver energia livre de Gibbs, todos aqueles ln lá, você começa a falar em equilíbrio nas reações e processos com transferências de elétrons, meu amigo, aquilo lá... cara... não tem lógica [...] preparar aula de eletroquímica no nível superior deve ser uma coisa que eu acho assim, vai tomar três aulas pra cada aula. Eu vou precisar de três vezes cinquenta minutos estudando firme pra dar conte de fazer um plano assim.
Thiago faz um comentário interessante com relação à importância de ter conhecimento sobre alguns conceitos relacionados à eletroquímica para a formação do profissional. E levanta um ponto importante, de que a formação profissional dos graduandos em química da UFU, na grade curricular na qual os participantes da pesquisa se formaram, não cumpre, em sua totalidade, o seu papel. Mas ele não atribui a culpa apenas ao curso ou a grade curricular, ele também afirma que o próprio professor no ensino superior pode não saber bem o conteúdo que tenta ensinar.
Prof. Thiago: Se a gente soubesse eletroquímica da forma como deveria, se a
gente entendesse os processos a nível de entropia, a nível de entalpia, a nível de transferência de energia, de transferência de elétrons, se a gente entendesse isso aí, ou seja, se a nossa formação cumprisse o papel dela, eu acho que a gente conseguiria sem um profissional professor muito melhor. [...] Mas tipo assim, nós não sabemos, às vezes o cara também nem sabe.
O professor ainda continua sua fala, com um aspecto positivo com relação a formação de professores nos dias atuais. Segundo ele, a má formação dos profissionais que lecionam no nível superior, fatalmente, pode gerar uma formação deficiente dos futuros profissionais, o
64 que ele chama de “uma bola de neve”. Mas Thiago lembra que sua geração de professores é a geração que começa a tentar romper com os modelos educacionais mais tradicionais. Como exemplo, ele cita que a nossa geração de professores é uma geração que começa a pensar mais no aluno nos processos de ensino e aprendizagem, o que não acontecia anteriormente.
Prof. Thiago: [...] é uma bola de neve. Porque a gente agora é o elo que tá
quebrando, a gente tá quebrando uma série de movimentos [...] A questão do professor. A nossa geração de professores já é uma geração que pensa no aluno. A geração de professor que deu aula pra mim, não tinha a noção de ensino e aprendizagem, do processo, de nada. [...] a geração de professores que estão sendo formados, pelo menos, já tem essa ideia aí já, de pensar no aluno, já é um passo assim, ótimo, excepcional.
Luiz terminou a sua graduação em um momento diferente de Bianca e Thiago, passando por experiências um pouco diferentes. Além disso, ele havia cursado, por um curto período de tempo, um curso de engenharia de controle e automação na PUC. Nessa situação, teve contato com algumas disciplinas de química, as quais, segundo ele, englobavam bastantes conceitos de eletroquímica. Mas segundo Luiz, a parte experimental foi a única que acredita ter ajudado no seu aprendizado de eletroquímica, pois a parte teórica era baseada no uso de “regrinhas” para memorização. Ao ingressar na UFU, no curso de licenciatura em química, a situação que vivenciou com relação ao aprendizado de eletroquímica foi a mesma relatada por Bianca e Thiago. Uma diferença foi o fato de Luiz ter trabalhado durante três anos com eletroanalítica em sua iniciação científica (IC), e que nesse processo, ele acabou entendendo alguns conceitos eletroquímicos que não compreendia.
Prof. Luiz: Quando eu entrei na PUC a disciplina de química era
basicamente eletroquímica, que foi onde eu aprendi as regrinhas [...] A parte experimental de lá eu acho que me deu uma base muito boa, mas na parte teórica você vai aprender que o cátodo “cata todo elétron”. [...] Aqui no ensino superior, já na UFU, depois que eu larguei lá a PUC, concordo com o que o pessoal disse e tive um contato fazendo iniciação na eletroanalítica. Então algumas coisas eu comecei a entender. Mas a eletroanalítica é uma pontinha de um negócio muito maior.
65 Ele afirma que devido ao tempo de trabalho e estudo em eletroanalítica, durante sua iniciação científica, ele aprendeu algumas coisas, mas ao final de sua fala ele mostra que o seu aprendizado em eletroquímica não é satisfatório.
Prof. Luiz: [...] acaba que alguma coisa você vai aprendendo, claro, eu fiz
três anos de IC lá, então alguma coisa eu tenho que ter aprendido né. Então eu tenho isso na minha formação. Mas daí falar que eu entendo eletroquímica, e que eu sei eletroquímica? O pouco que eu falo que eu sei, que é pouquíssimo, eu acho que foi quando eu estava na IC.
Com o professor Carlos o relato é um pouco diferente. Durante a sua graduação ele teve a oportunidade de ser monitor de uma professora na disciplina de química geral para um curso de engenharia. Nesse momento, Carlos diz ter realizado um experimento para estudar os potenciais de redução de alguns metais, e foi nesse momento de sua graduação que ele diz ter aprendido algum conceito relacionado à eletroquímica.
Prof. Carlos: [...] a gente punha um monte de bequerzinho lá, béquer não,
tubos de ensaio contendo soluções de sais de metais, e colocava os metais trocados nos béqueres, pra gente ver qual que oxidava, qual reduzia espontaneamente ou não. E a partir dessa observação a gente ia procurar um referencial com os potenciais pra tentarmos então entender, através do estudo desses potenciais [...] foi quando eu fui monitor numa turma de engenharia.
Mas quando retomamos a pergunta para Carlos, além dessa situação que ele nos relatou, sobre como foi o seu aprendizado de eletroquímica no ensino superior a sua fala foi, também, muito parecida com as dos demais participantes.
Prof. Carlos: Eu não conseguia entender nada. Pra mim um “E” com outro “E” com uma bolinha cortada na frente, aquilo ali pra mim era uma tragédia. Um “E” que tem uma bolinha cortada no meio que até hoje eu não sei pra quê serve, e tinha um outro “E” lá que você tinha que achar pelo ln, pô meu, quê que é ln!
Fica claro pela fala de Carlos, que assim como relataram os outros participantes, o pouco de eletroquímica com o qual ele teve contato na universidade durante sua graduação, não foi aprendido, ou ensinado, da melhor forma. Quando ele se refere ao “E” com a bolinha
66 cortada à frente, ele se refere à simbologia adotada para representar o potencial padrão de redução ou oxidação de uma substância, um conceito fundamental em eletroquímica que Luiz comenta logo após a fala de Carlos. Mas Carlos continua sua fala, mostrando que é um conceito que ele não compreende.
Prof. Luiz: É o “E” padrão. A bolinha cortada só identifica que é o “E” padrão...
Prof. Carlos: É? E que quê é o padrão? O quê que é o outro cara? Eu não sei
fazer isso aí não!
Ao final da fala de Carlos, Luiz retoma uma ideia que havia sido expressada por Thiago anteriormente, com relação à dependência de outros conceitos químicos para conseguir compreender melhor a eletroquímica.
Prof. Luiz: Esse é o tipo de coisa que, voltando no que o Thiago falou, que é
o básico, que você precisa ter como base pra entender eletroquímica a gente não teve. [...] porque se você tem todos os conhecimentos básicos firmes, chegar lá na eletroquímica e outros conceitos vira uma consequência. Vai se formar uma coisa mais lógica e mais palpável. [...] se você não tem a base lá, aí você vai aprender mecanicamente como fazer aquela conta lá, você vai decorar como.
As falas dos participantes da pesquisa mostram uma situação muito preocupante com relação à formação dos professores de química pelo antigo currículo de licenciatura em química da UFU, quando o assunto é eletroquímica.
É possível observarmos que os participantes tiveram sim algum contato com conteúdos eletroquímicos durante a sua graduação, mas notamos uma superficialidade muito grande pela fala dos professores. Todos eles relatam que não houve uma disciplina específica para tratar de conceitos relacionados à eletroquímica, o que é no mínimo questionável. Na antiga grade curricular do curso de licenciatura em química da UFU de período integral, existem disciplinas dedicadas às áreas específicas do conhecimento químico como química inorgânica, química orgânica e química analítica. Alguns desses campos do conhecimento são até abordados em mais de uma disciplina como nos casos da química orgânica, dividida em
67 três disciplinas, química analítica, dividida em duas (quantitativa e qualitativa) e inorgânica, dividida em três disciplinas, sem mencionar a parte experimental da maioria delas era trabalhada em outras disciplinas isoladas. Lembrando que no currículo ao qual nos referimos neste trabalho, todas as disciplinas são de regime semestral. Por que três semestres dedicados ao estudo de química orgânica e nenhum semestre dedicado exclusivamente ao estudo da eletroquímica?
No antigo currículo, como mencionado pelos professores, a eletroquímica aparecia fragmentada na disciplina de Físico-Química 1. Uma pequena porção de conceitos relacionados à eletroquímica também era abordada nas disciplinas de Análise Instrumental 1 e 2, mas estas eram oferecidas na modalidade de bacharelado, o qual os alunos tinham a opção de cursar juntamente com a licenciatura ou escolher uma opção entre as duas.
Se o curso de licenciatura visa, principalmente, preparar professores capacitados para exercer sua função na educação básica, deveria fornecer todas as ferramentas necessárias para o futuro profissional. A eletroquímica é um conteúdo presente nos currículos escolares, de modo que o professor, ao trabalhar na educação básica, precisa conhecer o conteúdo e saber as melhores formas de abordá-lo para o melhor aprendizado dos alunos. Se na formação deste professor, que poderá atuar na educação básica, ele não adquiriu bagagem de conhecimentos suficiente sobre os conteúdos relacionados à eletroquímica, se torna ingênuo acreditar que o mesmo terá total capacidade de exercer seu papel enquanto educador.