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2. İslamiyet Sonrası Türk Kara Kuvvetleri

2.2. Rusya Federasyonu Kara Kuvvetlerindeki Gelişmeler

Com o crivo do pensamento foucaultiano, mas atribuindo sentido próprio, Guirado (2007, p. 14), no prefácio de “Psicologia, pesquisa e clínica: por uma análise institucional do discurso”, define método como “uma estratégia de pensamento que se organiza em torno de um conceito, ou de conceitos”. Com base em Galvão e Serrano (2007), podemos referir-nos aos princípios que dão fundamento à abordagem que seguimos.

Entendemos que não temos consciência, de modo globalizante, de nós mesmos e do outro, de nosso estudo, o que é condizente com muitas perspectivas: entre outras, a psicanalítica e sua noção de inconsciente; a histórica e seu reconhecimento de um contexto espaçotemporal, e a epistemológica, já que falamos de um recorte no campo do saber.

Acenamos:

[...] os aspectos que se extravasam de nosso recorte teórico-metodológico não nos negam, a nosso ver, a especificidade de um discurso, com consistência e crítica, que não é objetivo, distanciado de seu objeto para “alcançá-lo”, mas construído nas e das relações de (in)consciência com ele (BARRETO, 1999, p.17).

Temos, portanto, que delinear o referencial que perpassa todo nosso trabalho, considerando-o não como “verdade absoluta”, mas, de modo parcimonioso, como uma delimitação no terreno do conhecimento.

Nossa estratégia de pensamento é a Análise Institucional do Discurso, método que vem sendo construído por Guirado (1986/2004, 1987/2004, 1995/2006, 2000, 2007, 2009) e que passa por diferentes influências: Psicanálise, Análise de Instituições Concretas, Análise do Discurso Francesa e as contribuições de Michel Foucault. Com essas matrizes conceituais, o pensamento inovador da autora singulariza-se a partir das condições de produção de seu discurso, possuindo desenho próprio. Assenta-se também, à exceção de movimentos de um suposto saber totalizante e da aplicação teórica imediata (teoricismo), em uma maneira de

conceber e operar com a análise de discurso de forma localizada que articula concepções específicas de instituição, discurso, sujeito e análise.

Uma ressalva faz-se necessária: por seu balizamento em uma perspectiva institucional-discursiva, o método adotado por nós distingue-se da Psicanálise tradicional com base na clínica e do que comumente se define como objeto na denominada “Psicologia grupal”.

Para sustentarmos uma Análise Institucional do Discurso em grupo, tomemos os eixos nucleares do referencial que seguimos.

5.1.1. Sobre uma específica noção de instituição

Em “Instituição e relações afetivas: o vínculo com o abandono”, trabalho inicialmente publicado em 1986, Guirado (2004, p. 44) segue o conceito de instituição do sociólogo Guilhon Albuquerque, traduzido por ela “como um conjunto de práticas, ou de relações sociais, que se repetem e se legitimam enquanto se repetem”.

A autora apresenta na obra supramencionada a distinção de Guilhon Albuquerque entre agentes institucionais e clientela, sendo os primeiros compreendidos como profissionais, agentes privilegiados ou subordinados (por exemplo, em formação), cuja ação dá concretude ao agir da instituição. Guirado (1986/2004, p.47) delineia que a clientela é visada pela ação institucional e que as relações dos agentes institucionais com ela são definidoras, na compreensão guilhoniana, do objeto institucional, sendo que: “[...] o objeto de uma instituição é institucionalizar (re/produzir e re/conhecer) uma relação de clientela, e é produzir clientes para seus agentes e produzir agentes para seus clientes.”

Em “Psicologia Institucional”, inicialmente publicado em 1987, no capítulo com a colaboração de Maria Luísa Sandoval Schmidt, Guirado (2004, p. 110) refere-se a Guilhon Albuquerque:

Sua contribuição fundamental é a de fazer pensar a instituição como conjunto de práticas sociais que se reproduzem e se legitimam, num exercício incessante de poder; um poder entre agentes, dos agentes com a clientela; um poder na apropriação de um certo tipo de relação como própria, como característica de uma determinada instituição.

Esta prática se articula sempre às representações, que são efeitos de reconhecimento e desconhecimento das relações concretas [...]

A partir da Psicanálise e da Análise de Instituições, desenha-se na obra supramencionada:

[...] Trabalhar com Psicologia Institucional não seria, portanto, trabalhar no espaço físico de uma instituição [...] Seria sim, trabalhar com as relações tal como se organizam no discurso de determinada prática institucional (GUIRADO, 1987/2004, p. 114).

5.1.2. Sobre o discurso

É mister que comentemos que houve um movimento articulatório na estratégia trabalhada por Guirado com o contato com a Análise do Discurso Francesa de Maingueneau em “Psicanálise e análise do discurso: matrizes institucionais do sujeito psíquico” (2006), publicado inicialmente em 1995, e “A clínica psicanalítica na sombra do discurso: diálogos com aulas de Dominique Maingueneau” (2000).

Com base em Maingueneau, em “Novas tendências em análise do discurso” (1997, p. 14), surge um recorte para o discurso a partir da visão de Foucault:

um conjunto de regras anônimas, históricas, sempre determinadas no tempo e no espaço que definiram em uma época dada, e para uma área social, econômica, geográfica ou linguística dada, as condições de exercício da função enunciativa.

Maingueneau (1997, p. 14) complementa: trata-se de levar em conta a “enunciação como o correlato de uma certa posição sócio-histórica na qual os enunciadores se revelam substituíveis [...]” .

Na perspectiva pragmática, a linguagem é considerada como uma forma de ação; cada ato de fala (batizar, permitir, mas também prometer, afirmar, interrogar, etc.) é inseparável de uma instituição, aquela que este ato pressupõe pelo simples fato de ser realizado. Ao dar uma ordem, por exemplo, coloco-me na posição daquele que está habilitado a fazê-lo e coloco meu interlocutor na posição daquele que deve obedecer [...] (MAINGUENEAU, 1997, p. 29-30).

Por intermédio de Maingueneau, a linguagem pode ser compreendida como um modo de ação indissociado de uma instituição. O discurso pode ser configurado como cena enunciativa, não sendo suas condições de produção entendidas como externas a ele. Nessa perspectiva, entre outros aspectos, chama atenção a noção de polifonia, vozes, e divisão no discurso, cuja heterogeneidade se mostra por meio

da ironia, pressuposição, negação, discurso indireto livre, palavras entre aspas, entre outros indicadores (GUIRADO, 1995/2006).

Com base em Maingueneau, Guirado (2000, p. 87) expressa:

[...] A cenografia, por sua vez, implicará nas formas concretas mais particulares em que os personagens atribuir-se-ão papéis e os atuarão. Tudo, sempre, como discurso. Na rede discursiva, portanto.

Guirado (2000, p. 99) dialoga com a aula de Maingueneau sobre “Gêneros Discursivos” em que ele delineia:

[...] o discurso é sempre pôr em relação [...] O problema dos parceiros não é somente transmitir ideias, mas é fazer reconhecer o lugar a partir do qual está falando. E fazer o outro reconhecer o lugar a partir do qual está recebendo o discurso. Mas, muitas vezes, há um conflito. Uma vez que cada um dos parceiros pretenda ser reconhecido num outro lugar [...] Isso é fundamenta! Porque é unicamente a partir dos lugares que as palavras podem tomar um sentido [...]

5.1.3. Sobre o sujeito

Especificando melhor sua visão de sujeito, Guirado (1995/2006) cria uma metáfora de conceito dobradiça de sujeito em que aponta para o movimento das singularidades no discurso e, simultaneamente, “aquilo que parece ser o regime discursivo [...] numa formação social [...] entre suas formas de acontecer e se instituir” (p. 86).

Nas palavras de Ribeiro (2007, p. 248), toma o seguinte contorno a visão guiradiana de “sujeito-dobradiça”:

[...] a metáfora do sujeito-dobradiça expressa conceitualmente a condição de sujeito institucional como subjetividade instituída nas (e instituinte das) práticas discursivas [...] faz entrever no espaço-tempo desse movimento condições de produção do discurso e efeitos de subjetivação [...] enuncia práticas institucionais e subjetividade.

Guilhon Albuquerque (1986) em “Instituição e poder” tem um entendimento das instituições por meio de níveis e planos de análise, enfatizando as relações de poder.

Guirado (1986/2004), em “Instituição e relações afetivas: o vínculo com o abandono”, desenha sua análise do ângulo das relações imaginárias. Enfatiza, a partir de suas fontes, os reconhecimentos, assim como os desconhecimentos no discurso.

Dizer que o discurso é ato dispositivo é acentuar seu caráter de dizer, em vez de acentuar o dito. Ou seja, é atentar para o que se mostra enquanto se diz: que tipo de interlocução se cria, que posição se legitima na asserção feita, que posição se atribui ao interlocutor, o jogo de expectativas criado na situação, como se respondem ou se subvertem tais expectativas, e assim por diante. Qualquer interpretação, isto é, qualquer sentido a que se chegue será uma construção que considere todo esse modo de produção, ou melhor, o contexto (em) que (se) produz a fala e suas razões (seus sentidos). E esse será o discurso em análise [...] (GUIRADO, 2000, p. 34).

Podemos localizar que a Análise Institucional do Discurso é uma forma de trabalhar institucionalmente com os discursos que nos faz pensar, segundo Guirado (2000, p. 65), na “análise do modo como se organiza o discurso (exatamente para diferenciar das análises conteudísticas)”.

Nossa análise em ato assim se configura com base em Guirado (1987/2004, p. 119) em “Psicologia Institucional” como:

Uma análise do cotidiano, no cotidiano, e por meio de uma fala que veicula o reconhecimento/desconhecimento sobre ele [...] Seu “efeito” é o de

estabelecer, na legitimação do vivido, um corte que faz pensar.

Salientemos ainda que Guirado (1987/2004, 1995/2006, 2000) nos faz considerar sua noção de transferência institucional, não enfatizando uma história que ultrapassa as relações institucionais, ou uma repetição da infância na atualidade, mas uma reedição de relações por meio de uma estrutura de lugares, no plano da cenografia no discurso, nos movimentos dos papéis e expectativas no interior de uma instituição. É importante levarmos em conta que “esta intervenção será, até porque psicológica, inegavelmente, institucional e política” (GUIRADO,1987/2004, p. 124).

Guirado (2009), em seu trabalho de livre docência, sustenta conceitualmente a Análise Institucional do Discurso como método de pesquisa na área de Psicologia. Refere-se também a ele como estratégia de pensar em intervenções em outras instituições. Seu objeto provém de uma aproximação da Psicologia à Psicanálise: as relações imaginadas e simbolizadas pelos que as produzem.

Por ser um nome importante no pensamento de Guirado, ouçamos Foucault. Em “Microfísica do poder”, esse autor (1979/2007) nos permite refletir acerca do exercício do poder que não se situa apenas no Estado, mas, inclusive, em nível mais elementar e cotidiano.

Esclarece Machado (1979/2007, p. 10):

[...] não existe em Foucault uma teoria geral do poder. O que significa dizer que suas análises não consideram o poder como uma realidade que possua uma natureza, uma essência que ele procuraria definir por suas características universais. Não existe algo unitário e global chamado poder, mas unicamente formas díspares, heterogêneas, em constante transformação. O poder não é um objeto natural, uma coisa; é uma prática social e, como tal, constituída historicamente [...]

Foucault (1984/2006, p. 276) menciona:

[...] quando se fala de poder, as pessoas pensam imediatamente em uma estrutura política, em um governo, em uma classe social dominante, no senhor diante do escravo etc. Não é absolutamente o que penso quando falo das relações de poder. [...] São, portanto, relações que se podem encontrar em diferentes níveis, sob diferentes formas; essas relações de poder são móveis, ou seja, podem se modificar, não são dadas de uma vez por todas [...]

Especificando nosso delineamento de uma análise institucional do discurso em grupo, ouçamos mais uma vez Guirado (1987/2004, p.125) em “Psicologia Institucional”:

[...] Pontuar, interpretar e, com isso, “desconstruir” (a) o interjogo dos papéis assumidos no grupo, (b) as fantasias e afetos que o acompanham, (c) a atribuição e assunção de lugares de poder e (d) o significado que isto assume, é o fazer do psicólogo no grupo [...]

Por conseguinte, no imaginário, construído na rede de relações institucionais e na correlação de forças dos lugares atribuídos e assumidos em grupo, é que intervimos neste estudo sob uma perspectiva de escuta assentada na obra de Marlene Guirado a partir dos (con)textos de onde a pronunciamos.