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2.4 Sezgisel Çözüm Yöntemler

2.4.1 Klasik sezgisel yöntemler

2.4.1.1 Rota oluşturma sezgiseller

É preciso lembrar que a presença de missionários estrangeiros em terras brasileiras estava ligada, inicialmente, a um entendimento de que no Brasil havia a necessidade de se colocar Bíblias à disposição do povo. Foi este o intento das sociedades bíblicas, tanto a inglesa como a americana. Com este objetivo, vieram ao país Fountain E. Pitts (1835), Justus Spaulding (1836), Daniel P. Kidder (1838) e James Cooley Fletcher (1851) e Robert Reid Kalley (1855). Seguindo o raciocínio de Léonard, uma guinada de propósitos ocorre com Kalley, para quem a simples distribuição de Bíblias era insuficiente, surgindo, com ele, o “estabelecimento das bases legais da propaganda protestante” no Brasil.

Kalley, médico escocês, chegou ao Rio de Janeiro em 1855. Apesar de sua passagem conturbada por Portugal (Ilha da Madeira), tinha bom trânsito no Império, granjeando a simpatia do Imperador, seu vizinho em Petrópolis, de quem esporadicamente recebia visitas. Contudo, conforme Cardoso (2000, p. 131), tal simpatia não evitou que ele tivesse problemas por conta de seu trabalho, ele foi acusado de “insuflar idéias evangélicas e liberais na sociedade e na Corte”. Essa amizade lhe proporcionou acesso à imprensa local (Correio Mercantil), publicando a tradução de O

Peregrino, de John Bunyan, e artigos como: “um crente realmente convicto” ou “um

católico protestante”. Nesses artigos, Cardoso (2000, p. 136) afirma que Kalley utilizava pseudônimos, como “o crítico” e “católico protestante” Em Lembranças do Passado, João Gomes da Rocha (1941), filho adotivo de Kalley, oferece-nos informações detalhadas sobre o teor destes escritos de Kalley na imprensa secular. Foi ele, o pioneiro entre os missionários estrangeiros a iniciar reuniões evangélicas em língua nacional. Sua proximidade à Corte rendeu a conversão de duas senhoras influentes: Gabriela Carneiro Leão e sua filha Henriqueta.

Sobre Ashbel Green Simonton, que chega ao Brasil, em 1859, vindo de Princeton onde estudara Teologia, pode-se afirmar que foi o fundador do protestantismo institucionalizado, pois funda uma Igreja Presbiteriana e em seguida um jornal, que funcionaria como o órgão oficial da instituição. Esse jornal seria, para se usar a teoria de Pierre Bourdieu (1989), o portador da “linguagem autorizada” no meio presbiteriano brasileiro por mais de 28 anos. Deixando de lado o interesse missionário dos protestantes, primeiro na distribuição de Bíblias e, posteriormente, na implantação de igrejas, é possível afirmar também que estes missionários cumpriram uma outra

“missão”, ou seja, legitimar o estabelecimento político brasileiro. Assim como ocorria na legislação em relação ao culto protestante, em que não poderia haver prédios com aparência exterior de igrejas, os missionários poderiam ter acesso à imprensa, desde que não ofendessem o governo imperial. Para perceber melhor esta relação, é preciso olhar com mais atenção para a instalação da imprensa secular no Brasil.

Sodré (1983) afirma que a história da imprensa é, compreensivelmente, extensão do desenvolvimento da sociedade capitalista. E isto vale para a análise do fenômeno, não só no âmbito global mundial como para a sociedade brasileira. Conforme aponta Sodré (1983), já no período colonial existiu no Brasil uma imprensa, ainda que atuando sob os atentos olhares da censura. Entre algumas tentativas de circular material impresso no Brasil, houve uma que data do ano de 1746, com alguns escritos do bispo Antonio de Desterro, redigidos por Luis Antonio Rosado da Cunha, com 17 páginas de texto. Porém, uma ordem régia, de 6 de julho de 1747, mandou a Corte “aboli-la e queimá-la, para não propagar idéias que podiam ser contrárias ao interesse do Estado”. A liberação total aconteceria somente em 1808, quando em 24 de junho, a Impressa Régia no Brasil cria uma comissão encarregada de fiscalizar quaisquer tentativas de manifestação por escrito de idéias ou opiniões. Assim, relata Sodré (1983, p. 19) os primórdios da imprensa no Brasil:

A imprensa surgiria, finalmente, no Brasil – e ainda desta vez, a definitiva, sob proteção oficial, mais do que isso: por iniciativa oficial -, com o advento da corte de D. João. [...] competia à junta, conforme regimento da mesma data , além da gerência, ‘examinar os papéis e livros que se mandassem publicar e fiscalizar que nada se imprimisse contra a religião o governo e os bons costumes’. Era a censura. Nada se imprimia sem o exame prévio dos censores reais, frei Antônio de Arrábida, o padre João Manzoni, Carvalho Melo, e o infalível José da Silva Lisboa. Dessa oficina, a 10 de setembro de 1808, saiu o primeiro número da Gazeta do Rio de Janeiro. Era um pobre papel impresso, preocupado quase que tão somente com o que se passava na Europa.

Deduzimos disso que a liberdade de imprensa chega ao Brasil, porém relativizada pelo seu compromisso e atrelamento aos interesses da Igreja Católica, fato que aos poucos vai suscitando críticas em algumas publicações. No período de sua implantação no Brasil, esta temática ainda incomodava diversos leitores e despertou a atenção do segmento protestante da sociedade. Santos (2006, p. 4) analisa as diferentes fases experimentadas pelo jornal A Imprensa Evangélica, entre 1864 e 1892; tratava-se, segundo ela, de uma relação entre imprensa e religião, devendo-se valorizar a sua importância para a divulgação do protestantismo recém chegado ao Brasil:

Assim, as viagens de evangelização por Províncias, cidades, vilas e sertões comprovaram que a relação imprensa e religião poderia ser explorada na divulgação do Protestantismo. A temática que já era acompanhada com interesse poderia ganhar um novo enfoque. A criação de um jornal protestante em um país de predominância católica atraiu não apenas a atenção da população, mas também da Igreja dominante e, em particular, o grupo mais radical da Igreja Católica: os ultramontanos.

Concluímos, assim, que a presença de uma imprensa protestante no Brasil só poderia resultar em ganhos no processo de implantação do movimento no Brasil, entretanto, encontramos sérias dificuldades se intentarmos apontar datas anteriores ao

Imprensa Evangélica, de 1864. A ocupação holandesa no Brasil (1634-1640) sugere que

algo desta natureza possa ter acontecido e que, na recuperação do território os portugueses tenham destruído o que sobrou do maquinário importado por Maurício de Nassau por intermédio da Companhia das Índias Ocidentais. É Azevedo (1865, p. 168- 224) quem aponta para o ano de 1736 como sendo a data da criação de uma tipografia livre no Brasil, esta também, destruída por ordem da Coroa portuguesa.

Antes do Imprensa Evangélica, só é possível apontar como presença protestante na imprensa os artigos já citados do missionário Robert Reid Kalley publicados em jornais ditos seculares, como Correio Mercantil e Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, entre os anos de 1855 e 1876.

Benzer Belgeler